Reflexões

Corresponsabilidade transformadora

Publicado por Frei João Carlos Romanini | 20/07/2015 - 09:54
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É difícil emitir juízo de compreensão do estado atual da sociedade, mas situar-se no atual cenário ajuda todo e qualquer apreço e reflexão acerca do assunto. Neste quadro, toda abordagem de análise de conjuntura implica ir além de uma visão fragmentada para um autêntico e responsável debate da coisa coletiva. Em sociedade de classes, composta por grupos, tende-se a apostar em motivações e em projetos antagônicos, sem a defesa do bem-comum. 

 

As ciências sociais enfatizam que nas sociedades de classe existem várias realidades, todas impregnadas de aspectos subjetivos na intenção, ação e consciência. Portanto, uma intervenção, seja política, econômica ou social, é sempre uma alternativa de ação frente a uma determinada realidade. No campo da análise, o pensamento filosófico reconhece que cada sujeito tem sua verdade.

 

A ideia do sujeito é que projeta o objeto pessoal. Segundo a Filosofia, todo sujeito é capaz de ter a sua própria verdade e projeto. Por conseguinte, ao movimentar-se neste paradigma, talvez seja quase inatingível um entendimento para as coisas coletivas. Tais discursos, a teoria do conhecimento geral define como individualismo. A maximização do individualismo apoia-se na doutrina do renascimento, segundo a qual o homem tudo pode desde que manifeste vontade, talento e capacidade de ação individual. Frente a discursos apoiados nos próprios interesses, qual é o papel da política? As respostas estão no princípio da subsidiariedade, corresponsabilidade.

Quando se fala em respostas numa realidade em que tudo se globaliza em todos os níveis, simultaneamente exige-se responsabilidade ao bem coletivo, à coisa do outro. Na direção das respostas, o filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) alerta que existe um espaço, maior ou menor, para o exercício da liberdade individual diante do coletivo. Contudo, o que faz com que as pessoas possam se distinguir umas das outras são suas escolhas doutrinais. A Doutrina Social da Igreja defende a corresponsabilidade e aposta numa ação transformadora da realidade.

 

A Doutrina Social tem como finalidade levar os homens a corresponderem à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena. Em tempo de escancarados discursos corporativistas em defesa de interesses de grupos favorecidos, será preciso avolumar vozes em prol do coletivo. Parece lógico a alternativa ao discurso corporativista nascer de uma política que pense a defesa daquilo que é de outro. Sem dúvida, um discurso que leve a própria política a cumprir seu papel público, a defesa das coisas coletivas.

 

Miguel Debiasi
Sobre o autor

Miguel Debiasi

Miguel Debiasi, é membro da Província dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul,  Mestre em Filosofia e Teologia  Autor  de textos, artigos e crônicas. publicou o livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015 pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Atualmente é pároco da Paroquia Cristo Rei de Marau e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014.