Reflexões

Símbolos e Olimpíada 2016

Publicado por Frei João Carlos Romanini | 22/01/2016 - 09:14
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Os símbolos fazem parte da cultura. Toda sociedade tem seus símbolos. Nas religiões os símbolos concentram valores imensuráveis. O mercado vende pela força dos seus símbolos. Há símbolos para todos os sentidos da vida: de vitória, de alegria, de gozo, de sofrimento, de morte, etc. Em nosso país, em 2016, um símbolo muito divulgado será o dos Jogos Olímpicos. Sediar o evento Olimpíadas é uma oportunidade para congregar paz, respeito, tolerância entre pessoas e povos, como propõe seu símbolo.

Todo símbolo tem sua sabedoria, propósitos, valores. Uma característica desses sinais é sua relação com a história. São criados na intenção de não desaparecer da história ou retroceder no tempo. Seu objetivo é emitir inexprimíveis e extraordinárias ideias e assimilação de sua doutrina. Destarte, o termo símbolo — no grego symbolon — designa um significante de realidade concreta ou pode representar algo abstrato. O símbolo é sempre algo que representa outra coisa ou indica algo para alguém.

Então, ele comunica. Linguagem não lhe falta. Imprime caráter de relação com o transcendente, sem perder relação com determinado grupo e contexto histórico. No caso da cruz do cristianismo, representa a imagem do Cristo morto. Por isso, a cruz para um cristão sempre vai levar a incomensurável revelação de Deus na morte de Cristo. Contudo, para outros a cruz pode representar o sofrimento da vida, a dureza da condição humana e a crueza que afronta os humanos. Portanto, seja como for, para os letrados e para não cultos os símbolos sempre representam algo.

Em nossos dias há uma grande proliferação de novos símbolos. A sociedade moderna sabe fazer uso de uma forte relação dos símbolos com a vida. Os símbolos têm o poder de conectar as pessoas por sua linguagem de persuasão. Como ninguém, o mercado investe na persuasão do consumidor com produtos em oferta através de símbolos criativos. No caso, o símbolo das Olímpiadas em solo nacional proporciona reflexão em dimensão de valores. O símbolo dos Jogos Olímpicos é constituído por cinco anéis entrelaçados com as cores azul, amarelo, preto, verde e vermelho sobre um fundo branco. Foi criado em 1913, pelo Barão Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos modernos. Ele representa os cinco continentes do mundo que são conquistados para o Olimpismo e dispostos a aceitar uma competição saudável para toda humanidade. Em 2016, sediando as Olimpíadas, pode representar um momento novo para a nação brasileira tão espoliada em política pública e em patrimônio ético e social. O poder do esporte leal pode vir a fortificar uma nova consciência humana pelo bom, belo, verdadeiro, a superação de males que assolam a esperança de justiça, paz social e bens coletivos. O símbolo olímpico em nosso solo poderia inserir nas mentes uma verdadeira crença de que somos capazes de um país sempre melhor para todos os brasileiros.

Miguel Debiasi
Sobre o autor

Miguel Debiasi

Miguel Debiasi, é membro da Província dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul,  Mestre em Filosofia e Teologia  Autor  de textos, artigos e crônicas. publicou o livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015 pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Atualmente é pároco da Paroquia Cristo Rei de Marau e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014.