01Bem-aventurado Gandolfo de Binasco

Sacerdote da Primeira Ordem (+ 1260). Leão XIII aprovou seu culto no dia 10 de março de 1881.

 

Gandolfo nasceu nos finais do século XII e princípio do XIII na província de Milão, diocese de Pavia. Ele foi educado por pais cristãos, iniciado por seu pai na literatura e doutrina cristã. Fascinado pelo exemplo de vida e da regra evangélica de São Francisco, seu contemporâneo, com generosidade heróica deixou o mundo, distribuiu sua riqueza entre os pobres e pediu para ser admitido na Ordem dos Frades Menores.

Como um verdadeiro seguidor do Pobrezinho Seráfico, dedicou-se à oração, ao estudo e à penitência. Sacerdote de Cristo, dedicou toda sua vida pelo bem das almas no ministério da pregação e evangelização. Descalço e com o crucifixo na mão, que ele dizia ser sua arma, pregou nas maiores cidades da Itália, com palavras simples e ardentes; as conversões foram numerossímas. Segunda, quarta e sexta-feira passava a pão e água. Rigorosamente observava três quaresmas no ano: Páscoa, Natal e a chamada dos “Bem-aventurados”, que começa com a Epifania e dura quarenta dias. Sua áspera túnica cobria seu corpo magro, mortificado pelo silício.

Estava profundamente convencido de que o ministério da palavra só é eficaz para levar almas a Cristo e expiar e reparar os pecados da humanidade, quando acompanhados por oração e penitência. Depois de muitas peregrinações apostólicas chegou à Sicília, onde passou a última parte de sua vida de penitência.

Em um eremitério perto de Polizzi Generosa, a 98 quilômetros de Palermo, retirou-se para se dedicar mais livremente à vida celestial e levar seu espírito ao paraíso pela meditação. Frei Pascual, homem virtuoso, era seu companheiro na oração e solidão.

Várias vezes ele deixou o eremitério em Gandolfo para ir à evangelização. Em 1260, ele foi convidado a pregar durante a Quaresma em Polizzi Generosa. Ele pregava e produzia grandes resultados. Só parou para assistir à morte de seu fiel seguidor Irmão pascal, que havia permanecido no eremitério. Quarta-feira Santa, como ele pregava, foi interrompida pelo som de um bando de andorinhas, que inesperadamente entrou no templo. Em nome do Senhor pediu silêncio a elas e foi atendido.

No Sábado Santo, o bem-aventurado anunciou à cidade de Polizzi que já não voltaria a pregar mais. Na verdade, naquele dia se sentiu mal, e pediu a unção dos enfermos. Então, ele pegou o crucifixo nas mãos, beijou-o repetidamente com suspiros profundos, e serenamente partiu desta vida. Era 3 de abril de 1260.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

02Bem-aventurado Leopoldo de Gaiche

Sacerdote da Primeira Ordem (1732-1815). Beatificado por Leão XIII no dia 12 de março de 1893.

 

Leopoldo nasceu em Gauche em Perusa no dia 30 de outubro de 1732, foi batizado com o nome de Giovanni, e morreu em Monteluco de Espoleto no dia 2 de abril de 1815. Seus pais José Croci  e Antonia Maria Giorgi eram agricultores e buscaram educar seu filho na vida cristã com simplicidade e profundidade. Desejoso para consagra-se a Deus, escolheu a Ordem dos Frades Menores e vestiu o habito no dia 19 de março de 1751 no Convento de São Bartolomeu de Civitola. De 1752 a 1757 dedicou-se ao estudo da literatura, filosofia e teologia. Foi Ordenado sacerdote no dia 5 de março de 1757 e depois ensinou filosofia e teologia com grandes proveitos aos estudantes. Seu amor ao saber aparecia nitidamente em seus escritos.

O maior campo de ação ao qual esteve ligado o nome do Beato Leopoldo foi a pregação, para a qual ele sentia-se motivado por sua excelente qualidade de orador. Destacou-se em todos os cursos sobre missão, que duravam pelo menos 15 dias, com 3 ou 4 sermões  diários. Seguia o método de São Leonardo de Porto Mauricio, cujos escritos sempre levava para as missões e recomendava para leitura ao grupo de missionários que ia até ele. Viajava sempre a pé. Em todas suas missões utilizava “companhias” que tinham como missão acordar os que viviam em pecado. Depois de uma incisiva pregação, costumava flagelar suas costas. Durante as missões pregadas por ele, se faziam duas procissões: uma penitencial, na qual todos deveriam participar de pés descalços e coroas de espinho na cabeça; e a outra procissão era das Virgens, da  qual participavam mulheres e adolescentes vestidas de branco. Em 47 anos de apostolado, seguidos de um pequeno “Livro de pregações”, fez 30 cursos de missão, de 15 dias de duração, pregando varias vezes ao dia; foram 40 quaresmas, 14 cursos sobre advento, 94 cursos de exercícios espirituais e muitas outras pregações espalhadas em vários lugares.  Onde pregava, levava a devoção à Paixão e Morte de Jesus, e nos fim das missões construía Vias-sacras (construiu 73). Levantava cruzes comemorativas nos montes e nas planícies. Notórios eram os frutos gerados dessas intensas pregações.

Na Ordem dos Frades Menores, Frei Leopoldo desempenhou importantes oficios: foi guardião, custodio da Província e Ministro Provincial de Umbria. São Leonardo de Porto Mauricio ao morrer deixou sua espiritualidade a outro grande homem, o beato Leonardo de Gaiche, que em 47 anos de pregação, apoiado por uma vida penitencial implacável, evangelizou a Úmbria e Lacio, fortalecendo-as contra erros e opondo-se com suas palavras contra as corrupções dos costumes. Teve a dor de ver seu querido Convento de Monteluco, transformado em casa de idosos. No fim do governo napoleônico, Leopoldo pode retornar para sua casa, mas aproveitou muito pouco ao retornar. Já estava enfermo e sem forças por conta da velhice, morreu no dia 2 de abril de 1815. Toda a cidade de Espoleto chorou naquele dia. Tinha 83 anos. Foi beatificado por Leão XIII no dia 12 de março de 1893.

 

Fonte: Santos Franciscanos para cada dia, Ed. Porziuncola

03Bem-aventurado João de Penna

Sacerdote da Primeira Ordem (1200-1271). Pio VII concedeu seu ofício e missa em sua honra no dia 20 de novembro de 1806.

 

João nasceu em 1200 em Penna San Giovanni, na Província de Macerata, pertencente àquela primeira geração franciscana que se fez gloriosa na região de Marcas.  É comumente cotado entre os discípulos de São Francisco sem ter contato algum com o Santo Fundador.

O capitulo 45 dos Fioretti de São Francisco descreve em cores vivas a sinceridade de sua alma, a vocação franciscana, o grande apostolado Provença e em sua terra natal, as experiências míticas e as perseguições a que fora submetido no final dos seus dias pelo espírito do mal.

João, aos quinze anos, foi atraído à semente franciscana pela pregação de Frei Felipe, um dos primeiros discípulos enviados por São Francisco a evangelizar Marcas e vestiu o habito dos Frades Menores no Convento de Recanati. Depois chegou a ser sacerdote.

Seu nome esta ligado à primeira expedição Franciscana em Provenza. Entre os trinta frades enviados por São Francisco no Capitulo de 1217 em Galia Narbonesa, sobre a direção de Frei João Bonelli de Florença, está nossa figura “Frei João de Pinna Picena”. Seu ministério naquela região se prolongou por vinte cinco anos, sem mais nada a constar nas fontes. Só sabemos que ele se distinguiu pelo seu zelo apostólico e por sua eloqüência nas palavras, sendo visto como “pregador digno de veneração e admiração”. Junto com os outros religiosos, dedicou-se ao combate das heresias dos albigenses, que naquela ocasião estavam espalhados por toda França, e a restaurar os costumes e pacificar as regiões. Nítida eram sua caridade e assistência aos leprosos e outros enfermos. Com uma santa vida de trabalho contribuiu para a primeira difusão e propagação do franciscanismo em terras francesas.

Os fioretti de São Francisco falavam assim sobre ele: “vivendo com grande honestidade, santidade e exemplaridade, crescendo sempre em virtudes e em graça de Deus, era sumamente amado pelos irmãos e pelos seculares”. Provavelmente ele conheceu Santo Antonio de Pádua no período em que o santo pregou em Limoges e em Tolosa e que interviu no Capitulo de Arles, famoso pela aparição de São Francisco aos frades.

Depois de vinte cinco anos de apostolado em Provenza, voltou à sua cidade natal onde viveu mais trinta e cinco anos de sua peregrinação terrena através dos trabalhos apostólicos e da contemplação sobre as coisas celestiais. Foi avisado por um anjo que sua caminha na terra estava chegando ao fim. Ele superou os últimos ataques do demônio e morreu serenamente no dia 3 de abril de 1271. Tinha 71 anos. Pio VII concedeu seu oficio na missa em sua honra no dia 20 de novembro de 1806.

 

Fonte: Santos Franciscanos para cada dia, Ed. Porziuncola

 

A história do Beato João de Penna ocupa um longo capítulo dos Fioretti (Clique aqui para ler).

 

 

04São Benedito de Palermo (o Mouro) - Capuchinho

Religioso da Primeira Ordem (1526-1589). Canonizado por Pio VII no dia 24 de maio de 1807

 

São Benedito nasceu em 1526 em São Fratello, Província de Mesina, filho de pais cristãos e descendentes de escravos negros. Na adolescência Benedito cuidava de um rebanho de seu patrão e por suas virtudes foi chamado de “Santo mouro”. Com 20 anos entrou em uma comunidade de eremitas, fundada cerca de sua terra natal por Jerônimo Lanza, que viviam sob a regra de São Francisco. Quando os eremitas se mudaram para Monte Pellegrino para viverem na maior solidão, Benedito os seguiu, sendo eleito superior por seus companheiros quando Lanza morreu.

Em 1562, Pio IV retirou a aprovação que Julio II havia dado aquele grupo e convidou os religiosos a entrarem em uma Ordem que eles mesmo preferissem. Benedito escolheu a Ordem dos Frades Menores, e entrou no Convento de Santa Maria de Jesus, em Santa Ana Juliana, onde permaneceu apenas três anos. Depois foi transferido para Palermo, onde viveu ali vinte e quatro anos.

Iniciou seus trabalhos de ofícios como cozinheiro com grande espírito de sacrifício e de caridade sobrenatural. Começaram ai a atribuírem muitos milagres.

Todos o tinham em muito apreço a ponto de, em 1578, sendo religioso leigo, foi nomeado superior do Convento. Por três anos guiou a sua comunidade com sabedoria, prudência e grande caridade. Com a ocasião do Capitulo Provincial foi transferido para Agrigento, onde antes mesmo de chegar, sua fama de santidade já havia sido difundida rapidamente e foi recebido com calorosas manifestações do povo e de seus confrades.

Foi nomeado mestre dos noviços e atendeu a este delicado oficio da formação dos jovens com tanta santidade, que se acreditava que ele tinha o dom de escutar os corações. Finalmente voltou a ser cozinheiro mais uma vez. Um grande número de devotos iam conversar com ele, entre eles sacerdotes, teólogos e o Virrey de Siccilia. Para todas as pessoas ele tinha palavras sabias, iluminadas, animando-as sempre para o bem. Benedito era humilde e devoto e aumentava cada vez mais suas penitencias, chegando a mortificar-se de tal maneira que derramava sangue. Realizou numerosas curas. Quando saia do convento, muitas pessoas lhe cercavam para beijar sua mão, tocar seu habito e pedir orações. Era instrumento da bondade divina e fazia imenso favor as almas.

Em 1589 adoeceu gravemente e por revelação soube o dia e a hora de sua morte. Recebeu os últimos sacramentos, e no dia 4 de abril de 1598 expirou docemente e com a idade de 63 anos, terminou sua vida terrena pronunciando as palavras de Jesus: “Em tuas mãos Senhor, eu entrego meu Espírito”. Seu culto se difundiu amplamente, chegando a ser protetor do povo negro. Foi canonizado por Pio VII em 24 de março de 1807.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Fr. Giuliano Ferreni, OFM. Fr. José guilhermo Ramírez, OFM.  Editorial Franciscana

05Bem-aventurada Maria Crescência Höss

Virgem da Terceira Ordem Regular (1682-1744), beatificada por Leão XIII (07 de outubro de 1900)

 

Maria Crescencia Hoss foi a penúltima de oitos irmãos. Nasceu no dia 20 de outubro de 1682 em Kaufbeuren, na diocese de Augusta na Baviera (Alemanha). Enfrentou muitos impecilhos de seus familiares como também da superiora do Convento, mas no dia 5 de junho de 1703 foi admitida entre as Terceiras Franciscanas de Meyerhoff em Kaufbeuren. Os primeiros anos de sua vida religiosa não foram fáceis, devido às incompreensões de sua superiora Madre Teresa Schmidt. Essa situação só mudou radicalmente em 1707 com a chegada de uma nova superiora chamada Madre Maria Joana Altwoegerin. De 1709 a 1744 Maria Crescencia desempenhou os ofícios mais importantes do convento: portaria, mestra das noviças e superiora.

Por dezesseis anos foi porteira, oficio este muito humilde, mas para ela um espaço de apostolado intenso que realizou com prudência e caridade. Católicos e luteranos socorridos por ela a chamava de “madre dos pobres”. Em 1726 foi nomeada mestra nas noviças, oficio que desempenhou com bastante dedicação e em absoluta consagração durante quinze anos. Dia e noite estava inteiramente à disposição das noviças, escutando-as, estimulando-as e fortalecendo-as em todas as dificuldades, sempre exortando a todas à pratica da humildade por meio de inúmeros exemplos. Recomendava as noviças a pratica do silênc
io, do recolhimento, da leitura de livros sagrados, em especial os evangelhos e dizia que o mestre das vidas delas era Jesus Crucificado. Também foi uma sabia conselheira para todos que recorriam a ela, dando tranquilidade e fortaleza nas dificuldades expostas. Suas numerosas cartas, publicadas umas, inéditas outras, são uma clara amostra do grande bem que fez às almas.

No dia 23 de julho de 1741, Maria Crescencia foi eleita superiora da comunidade apesar de seus muitos esforços de querer renunciar devido a sua humildade. O Ministro Provincial dos Franciscanos, que presidia o Capitulo, convenceu-a a aceitar. Em pouco mais de três anos como superiora, acabou tornando-se a segunda fundadora do Convento. Sempre dizia às candidatas a vida conventual: “Deus quer nosso convento rico em virtudes e não em bens temporais”. Os pontos principais de seu itinerário foram: uma ilimitada confiança na Providencia Divina, prontidão e atos da vida comum, amor a pobreza, ao silencio e ao recolhimento, devoção a Jesus Crucificado, a Eucaristia e a Imaculada Mãe Celestial. Durante a quaresma de 1744 adoeceu gravemente e na noite de Páscoa do dia 5 de abril de 1744 recebeu o premio de suas virtudes no céu. Foi beatificada por Leão XIII em 7 de outubro de 1900 e canonizada por João Paulo II em 25 de novembro de 2001.

 

Fonte: Santos Franciscanos para cada dia, Ed. Porziuncola

06Bem-aventurado Guillerme de Sicli

Eremita da Terceira Ordem (1309-1404). Paulo III concedeu em sua honra ofício e Missa no dia 27 de junho de 1539.

 

Nasceu em 1309 em Noto, Sicília, de família ilustre. Aos 16 anos foi escolhido como pajem na corte de Frederico II de Aragão, rei da Sicília. Numa batida de caça organizada pelo rei nos arredores de Catânia, aconteceu que Frederico II foi atacado por um javali; Guilherme meteu-se de permeio, enfrentando a fera e salvou o rei, mas sofreu fratura do fêmur direito, e o seu estado de saúde agravou-se tanto, que se preparou para a morte recebendo o viático com profundo recolhimento. Durante a noite apareceu-lhe Santa Águeda, dizendo: “levanta-te, irmão Guilherme, abandona a corte e vai viver em solidão, e ouve o que Deus te dirá ao coração”. Curado, mas desertor, apresentou-se ao soberano, revelou-lhe a aparição, e comunicou-lhe a decisão de se consagrar a Deus. O rei concedeu-lhe um lugar chamado “A cela do Castelo”, nos arredores de Noto, ao pé da igreja do Crucificado. E resolveu acetar também a oferta de um cavalo e de uma pequena quantia em dinheiro. Mas esses presentes logo de seguida os deu a um pobre, em troca das miseráveis vestes do mesmo, que passou a usar.

 

Nessa “Cela” viveu em absoluta pobreza, e por alguns anos em companhia do confrade e Terceiro Franciscano S. Conrado Confaloniéri, de Placência, que mais tarde veio a ser protetor de Noto. Quando este, para se arredar ainda mais do mundo, escolheu a localidade chamada Pizzóni, Guilherme recebeu da Mãe de Deus ordem de ir para Sicli, para renovar o culto à Senhora da Piedade. Ao lado da igreja construiu com suas próprias mãos um pequeno eremitério, onde viveu em áspera penitência e em oração constante e fervorosa, fomentando a devoção à Virgem Dolorosa e fazendo bem a todos.

 

Em 1350 recebeu a visita de São Conrado Confaloniéri, com quem passou em oração toda a quaresma. Em 1382 ampliou a igreja de Santa Maria da Piedade. A devoção a Nossa Senhora voltou a florescer. A estima e veneração que os habitantes de Sicli e das regiões limítrofes tiveram pelo heroico eremita foram tais, que em pouco tempo aquele lugar solitário se transformou em meta de peregrinações frequentes e fonte de prodígios celestiais.

 

Frei Guilherme, eremita terceiro franciscano, viveu neste novo eremitério durante 57 anos. Dormi sobre a terra dura, alimentava-se com aquilo que a caridade dos fieis lhe oferecia em sinal de devoção e reconhecimento. Vivia em constante oração e contínua união com Deus.

 

No dia 4 de Abril de 1404, aos 95 anos de idade, abriram-se-lhe as portas do céu. Os sinos tocaram em repique festivo anunciando a sua morte ditosa. Clero e povo dirigiram-se ao eremitério, onde encontraram o velho eremita com as mãos juntas estendido no chão, rodeado de esplendores celestiais. Parecia absorto em êxtase. Foi trasladado em procissão para a igreja de São Mateus em Sicli, e sepultado num jazigo de mármore.

 

Fonte: Santos Franciscanos para cada dia, Ed. Porziuncola

07Bem-aventurada Maria Assunta Pallotta

Virgem da Terceira Ordem Regular (1878-1905). Religiosa franciscana Missionária de Maria. Beatificada por Pio XII, no dia 7 de novembro de 1954.

 

Maria Assunta Pallotta, filha de Louis Pallotta e Euphrasia Casali, nasceu em Force (Ascoli Piceno) em 20 de agosto de 1878, primogênita de cinco irmãos. Ela viveu os primeiros anos em Castel di Croce até sua família se mudar permanentemente para Force. Ela não pôde seguir estudos regulares porque teve de se dedicar ao trabalho.

A determinação para deixar o mundo veio para ela de uma maneira súbita e urgente, ocasião em que foi ajudada por pessoas boas, dada a pobreza de sua família. Ela foi encaminhada para a casa de provação das Franciscanas Missionárias de Maria no dia 4 de maio de 1898. Ela viveu em Roma e Florença Grottaferrata, distinguindo-se pela simplicidade, a humildade, a prontidão para realizar os serviços mais modestos e os trabalhos mais pesados.

O Instituto das Irmãs Franciscanas de Maria recebeu o seu batismo de sangue no dia 7 de julho de 1900 com o martírio de sete missionárias em Shansi, China. A fundadora comunicou à jovem congregação a notícia entre dor e orgulho. Em 1903, Maria Assunta pediu à fundadora para ser enviada à China para dar a vida por Cristo e pela fé.

A petição foi aceita e, em 19 de Março do ano seguinte, depois de receber a bênção de São Pio X, juntamente com nove outras irmãs, embarcaram em Nápoles para Shansi, onde chegaram três meses mais tarde. Seu desejo era para se entregar ao apostolado, mas foi designada para a cozinha.

O inverno foi extremamente rigoroso nos primeiros meses do próximo ano, 1905, e toda a Shansi foi tomada por uma terrível epidemia de tifo, quando quatro religiosas morreram de tifo. A terceira delas foi Irmã Maria Assunta. Ela ficou doente em 19 de março, aniversário da sua partida da Itália. Na tarde de 7 de abril recebeu os últimos sacramentos e vinte minutos antes de morrer, um perfume misterioso encheu a sala onde vivia. Em 1913, seu corpo foi encontrado em perfeito estado. Os chineses a chamavam de “o perfume sagrado.” Ela é a primeira missionária franciscana de Maria que recebeu o reconhecimento oficial de sua santidade sem passar pelo martírio. Ela queria fazer com que todos os habitantes da China se convertessem, mas seu apostolado foi rápido: terminou aos 27 anos de idade.

08Bem-aventurado Juliano de Santo Agostinho

Religioso da Primeira Ordem (1553-1606). Beatificado por Leão XII no dia 23 de maio de 1825. 

 

O Beato Juliano Martinet, que descendia de uma longa linhagem de cavalheiros franceses, nasceu na cidade castelhana de Medinaceli, onde sua família vivia reduzida a um tal estado de pobreza, que para ela foi motivo de alegria poder colocá-lo como aprendiz de alfaiate durante a vida infantil.

Mas, ainda muito jovem, pediu para ser admitido no convento franciscano de sua cidade natal, onde lhe permitiram provar sua vocação. Os exercícios devocionais extraordinários e as estranhas austeridades a que se submetia foram olhados com desconfiança por seus superiores que, julgando-o mentalmente desequilibrado, despediram-no como inadaptado. De Medinaceli ele foi para Santorcaz, onde exerceu sua profissão até travar conhecimento com o Pe. Frei Francisco Torrez, um franciscano que realizava uma missão naquela região. O frade reconheceu as capacidades do jovem alfaiate e o convidou para o ajudar.

Durante o resto da missão, Juliano percorria as ruas de cima abaixo, tocando uma sineta e convidando os habitantes a irem escutar o pregador. Graças à influência do Pe. Torrez, o jovem foi recebido em outra casa franciscana, o convento de Nossa Senhora de Salceda. Aqui, a história se repetiu: as práticas penitenciais de Juliano fizeram pensar que ele era maluco, e, consequentemente, foi mandado embora. Decepcionado, mas com intrepidez, construiu para si um eremitério e viveu sua vida austera na solidão, saindo ocasionalmente para ir, com outros mendigos, pedir um pouco de alimento no convento.

Finalmente a santidade e a crescente reputação do eremita levaram os superiores franciscanos a recebê-lo de volta em sua casa. Após um ano de noviciado, professou como Frei Juliano de S. Agostinho, mas nunca procurou o sacerdócio. Foi-lhe deixada plena liberdade de se entregar às mortificações escolhidas por ele mesmo, e ele dilacerava seu corpo com toda espécie de instrumento de tortura que pudesse imaginar. Passava as poucas horas de descanso ao ar livre ou encostado em alguma parede ou em um dos confessionários da igreja.

De tempos em tempos o Pe. Frei Torrez requisitava sua ajuda em suas viagens missionárias, oportunidade em que se via o irmão leigo possuído de uma eloquência que ia direto aos corações e às consciências de seus ouvintes. Sua fama se espalhou rapidamente, e a rainha Margarida, mãe de Filipe IV, expressou o

desejo de vê-lo. Com muita relutância Juliano foi à corte por ordem de seus superiores, mas, quando se encontrou ali, ficou tão embaraçado, que foi incapaz de pronunciar uma só palavra. Em 1606 adoeceu gravemente na estrada, a duas léguas de Alcalá de Henares. Recusando qualquer oferta para transportá-lo, ele conseguiu arrastar-se até o convento de S. Diogo, onde morreu. Imediatamente foi honrado como santo, mas seu processo de beatificação só foi concluído formalmente em 1825.

09Bem-aventurado Tomás de Tolentino

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1271-1321). Leão XIII aprovou seu culto no dia 23 de julho de 1894.

 

Entre os missionários pioneiros que se empenharam em propagar o cristianismo no Extremo Oriente no começo do século XIV estava o franciscano Tomás de Tolentino, cuja memoria é ainda venerada pelos fiéis da Índia, o país onde ele recebeu a coroa do martírio. Desde a época em que entrara na Ordem dos Frades Menores nos primeiros anos de sua juventude, Tomás era conhecido como um homem verdadeiramente apostólico, e quando o soberano da Armênia enviou mensageiros ao ministro geral dos minoritas, pedindo-lhes alguns sacerdotes para fortalecer a verdadeira religião em seu reino, Tomás foi escolhido para essa missão com mais quatro de seus irmãos de Ordem.

Seus trabalhos foram coroados de êxito, reconciliando muitos cismáticos e convertendo muitos infiéis. Entretanto,  achando-se a Armênia seriamente ameaçada pelos sarracenos, Tomás voltou à Europa, para solicitar ajuda junto ao Papa Nicolau IV e aos reis da Inglaterra e da França.

Embora voltasse à Armênia, como estava determinado, contudo, Tomás estendeu sua viagem até o interior da Pérsia. De novo foi chamado de volta ou enviado à Itália, desta vez, porém, com a finalidade de apresentar um informe ao Papa Clemente V, com vistas a estender sua atividade até à Tartária e à China. Sua embaixada resultou na nomeação de uma hierarquia eclesiástica que consistia em João de Montecorvino como arcebispo e legado papal para o Oriente, e sete franciscanos como seus sufragâneos.

Nesse meio tempo, o Beato Tomás voltara ao seu campo de trabalho, cheio de zelo pela conversão da índia e da China. Parece que se dirigiu ao Ceilão e Catai, mas ventos contrários empurraram o navio para a ilha Salsete, vizinha a Bombaim. Tomás foi capturado pelos sarracenos, com vários outros irmãos, e encarcerado. Depois de açoitado e exposto aos raios abrasadores do sol, o santo homem foi decapitado. O Beato Odorico de Pordenone recuperou depois o seu corpo e o trasladou para Xaitou. O seu culto foi aprovado em 1894.

 

Existem várias cartas de Jordão de Severac e de outros, que nos fornecem informações a respeito do Beato Tomás; veja-se BHL, n. 8257-8268. Uma parte dessas informações foi impressa em Acta Sanctorum, abril, vol. I (em 1. de abril), e outra em Anaiecta Franciscana, vaI. U!. 

10Bem-aventurado Marcos Fantuzzi de Bolonha

Sacerdote da Primeira Ordem (1405-1479). Pio IX aprovou seu culto em 5 de março de 1868.

 

Entre os chefes franciscanos do século XV, lugar especial ocupa o Beato Marcos Fantucci de Bolonha, ao qual se deve principalmente a preservação da Observância como corpo separado, quando esta parecia estar prestes a fundir-se compulsoriamente com o ramo dos Conventuais.

Depois de ter  recebido excelente educação que o capacitava a uma boa posição e à grande fortuna do qual se tornara o único herdeiro, ele renunciou a todas as vantagens mundanas, quando contava 26 anos de idade, para receber o hábito de São Francisco.

Três anos após a sua profissão, foi escolhido guardião de Monte Colombo, o lugar onde São Francisco recebera a regra de sua Ordem. Obteve tanto êxito na conversão dos pecadores, que São João Capistrano, então vigário-geral dos observantes da Itália, lhe deu permissão de pregar fora de sua província.

Tendo servido duas vezes como ministro provincial, o Beato Marcos foi eleito vigário-geral para suceder a Capistrano, e mostrou-se zeloso na defesa da estrita observância da regra: diversas reformas que ele empreendeu tinham por objetivo reanimar o espírito de seu fundador.

Depois da tomada de Constantinopla, um número tão grande de franciscanos foi reduzido pelos turcos à escravidão, que Marcos escreveu a todos os seus  provinciais, insistindo em que eles recorressem às esmolas dos fiéis para resgatar os cativos; mas como resposta a um pedido de instrução sobre como agir na zona de perigo, ele ordenou aos missionários franciscanos dos lugares ameaçados pelo Islã vitorioso, que deviam permanecer em seus postos e enfrentar corajosamente o que lhes pudesse acontecer.

Ele conseguiu executar um projeto longamente acariciado de fundar um convento das clarissas em Bolonha. S. Catarina de Bolonha veio de Ferrara, com algumas de suas monjas, estabelecê-lo, e encontrou no Beato Marcos alguém que podia lhe prestar toda a ajuda da qual ela necessitava.

Ele visitou, na qualidade de comissário, todos os frades, desde Cândia, Rodes até a Palestina, e ao retomar à Itália, foi eleito vigário-geral pela segunda vez. Sem jamais se poupar, empreendeu longas e cansativas expedições à Bósnia, à Dalmácia, à Áustria e à Polônia, muitas vezes percorrendo longas distâncias a pé.

O Papa Paulo II queria fazê-lo cardeal, mas ele fugiu para a Sicília, a fim de não ser forçado a aceitar uma dignidade de que fugia.

O papa seguinte, Sixto IV, concebeu um projeto ainda menos aceitável, porque desejava ardentemente unir todos os franciscanos em um só corpo, sem exigir nenhuma reforma dos conventuais. No encontro convocado para tratar da questão, o Beato Marcos usou de toda a sua eloquência para derrotar a proposta, mas evidentemente em vão.

Por fim, em lágrimas, atirou o livro da regra aos pés do papa, exclamando: “Oh, meu seráfico Pai, defende tua própria regra, porque eu, miserável como sou, não posso defendê-la”. Em seguida retirou-se da sala. O gesto obteve o que os argumentos  foram incapazes de conseguir: a assembleia se dissolveu sem ter chegado a uma decisão, e o esquema caiu por terra. Em 1479, enquanto pregava uma missão quaresmal em Piacenza, o Beato Marcos caiu doente e morreu no convento da Observância, situado fora da cidade. Seu culto foi confirmado em 1868.

O Beato Marcos é tratado amplamente em diferentes anos dos Annales Ordinis Minorum de Wadding, e pode-se encontrar um relato sumário em Mazzara, Leggendario Francescano, vol. I (1676), p. 431-440. Veja-se também Léon, Auréole Séraphique (trad. para o inglês), vol, II, p. 1-13. 

11Bem-aventurado Angelo de Chiavasso

Sacerdote da Primeira Ordem (1411-1495). Aprovou seu culto Bento XIV no dia 25 de abril de 1753.

 

A pequena cidade de Chivasso foi o lugar de nascimento de Ângelo Carletti, cujos pais pertenciam à nobreza piemontesa. Estudou na Uníversidade de Bolonha, onde recebeu os graus de doutor em direito civil e direito canônico e, depois de voltar a seu Piemonte natal, foi feito senador.

Enquanto sua mãe viveu, ele levou uma vida exemplar no mundo, empregando o tempo em seus deveres magisteriais, na oração e em visitar os doentes, mas depois que ela morreu, ele dividiu seus bens entre seu irmão mais velho e os pobres, e retirou-se para um convento de franciscanos da observância em Gênova.

Os superiores do Beato Ângelo logo perceberam que tinham nele um recruta de qualidades excepcionais e de grande zelo missionário, e ele não tardou muito em ser admitido ao sacerdócio. Imediatamente empenhou-se em vigorosa campanha de evangelização.

Cheio de eloquência e zelo,  percorreu as aldeias remotas das montanhas e vales do Piemonte,  sem se preocupar com as condições meteoro lógicas e as asperezas do caminho. Amava grandemente os pobres; procurava-os pessoalmente, visitava-os em sua doença, e muitas vezes esmolava em seu favor. Ajudava-os de muitas maneiras, sobretudo promovendo a introdução dos monti di pietà (monte-pios) para salvá-los das garras dos agiotas. Seus penitentes, contudo, não estavam limitados aos pobres. S. Catarina de Gênova consultava-o, e Carlos I, Duque de Savóia, escolheu-o como seu confessor.

Sua Summa Angelica, um livro de teologia moral escrito por ele, era muito usado. O Beato Ângelo ocupou uma série de cargos, e como superior foi extremamente zeloso em defender a pureza da regra. Suas eminentes qualidades fizeram com que ele fosse por três vezes reeleito vigário-geral da Ordem.

Quando, após a tomada de Otranto pela frota de Maomé IIl, o Papa Sixto IV solicitou recrutas para combater as forças ameaçadoras do Islão, os Observantes se mostraram particularmente zelosos em incitar o povo a fazer frente à crise, mas era o Beato Ângelo que escolhia os lugares de maior perigo para suas atividades. Além disso, quando em 1491, aos 80 anos de idade, ele aceitou o cargo de comissário apostólico para evangelizar os valdenses dos vales do Piemonte, deu mostras de fervor e intrepidez, que foram recompensados por uma série surpreendente de sucessos. Muitos hereges e católicos renegados voltaram à fé, de modo que o Papa Inocência VIII quis elevá-lo ao episcopado, mas não conseguiu fazê-lo aceitar.

Por fim, em 1493, o Beato Ângelo conseguiu deixar o cargo e preparar sua alma para a morte. Ele sempre fora humilde, mesmo como vigário-geral; só usava os hábitos refugados dos outros e se comprazia em realizar os trabalhos mais humildes. Agora ele pedia permissão para ir esmolar em favor dos pobres. Os seus dois últimos anos de vida passaram-se no convento de Cuneo no Piemonte onde morreu aos 84 anos de idade. Seu culto foi aprovado em 1753.

Os fatos externos da vida do Beato Ângelo se acham devidamente registrados nos Annales Ordinis Minorum, de Wadding. A melhor biografia é a de C. Pellegrino, Vita âel beato Angelo Carletti (1888). 

12Bem-aventurada Pierina Morosini

Virgem e mártir da Ordem Franciscana Secular (1931-1957). Beatificada por João Paulo II no dia 4 de outubro de 1987.

 

A filha mais velha do Roque e Sara Noris Morosini, nasceu em Fiobbio, diocese e província de Bérgamo, no dia 7 de janeiro de 1931. Educada na fé cristã por seus pais, e especialmente por sua mãe, ela fez os primeiros estudos com bons resultados, mas devido à pobreza da família, que precisava de seu trabalho, ela aprendeu o ofício da costura e, com a idade de 15 anos, foi colocada para trabalhar na fábrica de roupas Honeger de Albino.

Para lá ia todos os dias a pé, com a alegria de ser útil à sua família. No ambiente de trabalho sempre se distinguiu pela sua diligência e cortesia, o espírito calmo, fé e caridade, de modo que ela ganhou a estima e o respeito dos gerentes e colegas de trabalho, a quem edificava pelo seu exemplo.

Inscrita na Juventude Feminina da Ação Católica participou da peregrinação a Roma para a beatificação de Maria Goretti (27/04/1947); foi a única viagem que  fez em sua vida. Esforçou-se ativamente em todas as obras da paróquia, sobretudo como zeladora do seminário e das Missões. Todas as manhãs, antes de ir trabalhar, participava da Eucaristia e, no trajeto, sempre rezava o Rosário.

Como de costume, no dia 4 de abril de 1957 repetiu a sua rotina habitual. No início da tarde, quando retornava de Albino para sua casa, em um lugar solitário foi abordada por um jovem que não escondeu seus propósitos estranhos. Pierina tentou fazê-lo entender a seriedade das suas intenções e colocou uma forte resistência. Foi inútil. Ele a atacou, mas ela defendeu-se com toda sua força.

Mortalmente ferida na cabeça repetidas vezes com uma pedra, seguiu pronunciando palavras de fé e de heroico perdão, até que ela entrou em coma irreversível. Mais tarde encontrada no local do seu martírio, foi levada ao hospital em Bérgamo, onde, sem recuperar a consciência, morreu no dia 6 de abril. Ela tinha 26 anos. O cirurgião que visitou o hospital, imediatamente exclamou: “Temos uma nova Maria Goretti” e poucos sabiam da sua bondade, e justiça, e de imediato a consideraram mártir. Beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de outubro de 1987.

13São João XXIII pp

Terceiro franciscano (1881-1963). Beatificado  27 de abril de 2014, por Papa Francisco.

 

Nasceu no dia 25 de Novembro de 1881 em Sotto il Monte, diocese e província de Bérgamo (Itália), e nesse mesmo dia foi batizado com o nome de Ângelo Giuseppe; foi o quarto de treze irmãos, nascidos numa família de camponeses e de tipo patriarcal. Ao seu tio Xavier, ele mesmo atribuirá a sua primeira e fundamental formação religiosa. O clima religioso da família e a fervorosa vida paroquial foram a primeira escola de vida cristã, que marcou a sua fisionomia espiritual.

Ingressou no Seminário de Bérgamo, onde estudou até ao segundo ano de teologia. Ali começou a redigir os seus escritos espirituais, que depois foram recolhidos no “Diário da alma”. No dia 1 de Março de 1896, o seu diretor espiritual admitiu-o na ordem franciscana secular, cuja regra professou a 23 de Maio de 1897.

De 1901 a 1905 foi aluno do Pontifício Seminário Romano, graças a uma bolsa de estudos da diocese de Bérgamo. Neste tempo prestou, além disso, um ano de serviço militar. Recebeu a Ordenação sacerdotal a 10 de Agosto de 1904, em Roma, e no ano seguinte foi nomeado secretário do novo Bispo de Bérgamo, D. Giacomo Maria R. Tedeschi, acompanhando-o nas várias visitas pastorais e colaborando em múltiplas iniciativas apostólicas: sínodo, redação do boletim diocesano, peregrinações, obras sociais. Às vezes era também professor de história eclesiástica, patrologia e apologética. Foi também Assistente da Ação Católica Feminina, colaborador no diário católico de Bérgamo e pregador muito solicitado, pela sua eloquência elegante, profunda e eficaz.

Naqueles anos aprofundou-se no estudo de três grandes pastores:  São Carlos Borromeu  (de quem publicou as Actas das visitas realizadas na diocese de Bérgamo em 1575), São Francisco de Sales e o então Beato Gregório Barbarigo. Após a morte de D. Giacomo Tedeschi, em 1914, o Pade Roncalli prosseguiu o seu ministério sacerdotal dedicado ao magistério no Seminário e ao apostolado, sobretudo entre os membros das associações católicas.

Em 1915, quando a Itália entrou em guerra, foi chamado como sargento sanitário e nomeado capelão militar dos soldados feridos que regressavam da linha de combate. No fim da guerra abriu a “Casa do estudante” e trabalhou na pastoral dos jovens estudantes. Em 1919 foi nomeado diretor espiritual do Seminário.

Em 1921 teve início a segunda parte da sua vida, dedicada ao serviço da Santa Igreja. Tendo sido chamado a Roma por Bento XV como presidente nacional do Conselho das Obras Pontifícias para a Propagação da Fé, percorreu muitas dioceses da Itália organizando círculos missionários.

Em 1925, Pio XI nomeou-o Visitador Apostólico para a Bulgária e elevou-o à dignidade episcopal da Sede titular de Areopolis.

Tendo recebido a Ordenação episcopal a 19 de Março de 1925, em Roma, iniciou o seu ministério na Bulgária, onde permaneceu até 1935. Visitou as comunidades católicas e cultivou relações respeitosas com as demais comunidades cristãs. Atuou com grande solicitude e caridade, aliviando os sofrimentos causados pelo terremoto de 1928. Suportou em silêncio as incompreensões e dificuldades de um ministério marcado pela táctica pastoral de pequenos passos. Consolidou a sua confiança em Jesus crucificado e a sua entrega a Ele.

Em 1935 foi nomeado Delegado Apostólico na Turquia e Grécia: era um vasto campo de trabalho. A Igreja tinha uma presença ativa em muitos âmbitos da jovem república, que se estava a renovar e a organizar. Mons. Roncalli trabalhou com intensidade ao serviço dos católicos e destacou-se pela sua maneira de dialogar e pelo trato respeitoso com os ortodoxos e os muçulmanos. Quando irrompeu a segunda guerra mundial ele encontrava-se na Grécia, que ficou devastada pelos combates. Procurou dar notícias sobre os prisioneiros de guerra e salvou muitos judeus com a “permissão de trânsito” fornecida pela Delegação Apostólica. Em 1944 Pio XII nomeou-o Núncio Apostólico em Paris.

Durante os últimos meses do conflito mundial, e uma vez restabelecida a paz, ajudou os prisioneiros de guerra e trabalhou pela normalização da vida eclesial na França. Visitou os grandes santuários franceses e participou nas festas populares e nas manifestações religiosas mais significativas. Foi um observador atento, prudente e repleto de confiança nas novas iniciativas pastorais do episcopado e do clero na França. Distinguiu-se sempre pela busca da simplicidade evangélica, inclusive nos assuntos diplomáticos mais complexos. Procurou agir sempre como sacerdote em todas as situações, animado por uma piedade sincera, que se transformava todos os dias em prolongado tempo a orar e a meditar.

Em 1953 foi criado Cardeal e enviado a Veneza como Patriarca, realizando ali um pastoreio sábio e empreendedor e dedicando-se totalmente ao cuidado das almas, seguindo o exemplo dos seus santos predecessores: São Lourenço Giustiniani, primeiro Patriarca de Veneza, e São Pio X.

Depois da morte de Pio XII, foi eleito Sumo Pontífice a 28 de Outubro de 1958 e assumiu o nome de João XXIII. O seu pontificado, que durou menos de cinco anos, apresentou-o ao mundo como uma autêntica imagem de bom Pastor. Manso e atento, empreendedor e corajoso, simples e cordial, praticou cristãmente as obras de misericórdia corporais e espirituais, visitando os encarcerados e os doentes, recebendo homens de todas as nações e crenças e cultivando um extraordinário sentimento de paternidade para com todos. O seu magistério foi muito apreciado, sobretudo com as Encíclicas “Pacem in terris” e “Mater et magistra”.

Convocou o Sínodo romano, instituiu uma Comissão para a revisão do Código de Direito Canônico e convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II. Visitou muitas paróquias da Diocese de Roma, sobretudo as dos bairros mais novos. O povo viu nele um reflexo da bondade de Deus e chamou-o “o Papa da bondade”. Sustentava-o um profundo espírito de oração, e a sua pessoa, iniciadora duma grande renovação na Igreja, irradiava a paz própria de quem confia sempre no Senhor. Faleceu na tarde do dia 3 de Junho de 1963.

14Bem-aventurada Maria Restituta (Elena) Kafka

(1894-1943). Terceira Ordem Regular, virgem e mártir. Beatificada por João Paulo II em Viena no dia 21 de junho de 1998 (Sua festa é no dia 29 de outubro)

 

No dia primeiro de maio de 1894, nasceu Helene, filha de Anton e Maria Kafka, na cidade de Brno, atual República Checa. Naquele tempo, a região chamava-se Moravia, e estava sob o governo do imperador austríaco Francisco José. Em 1896, a família Kafka transferiu-se para Viena, capital do Império Austro-Húngaro.

Helene concluiu os estudos e formou-se enfermeira, com o desejo de tornar-se religiosa. No início, conformou-se com a negativa dos pais, mas, ao completar vinte anos, ingressou na Congregação das Franciscanas da Caridade Cristã, agora com a bênção da família.

Como religiosa, adotou o nome de irmã Maria Retistuta, o primeiro em homenagem a sua mãe e o segundo a uma mártir do século I.

Mas logo recebeu o apelido carinhoso de “irmã Resoluta”, pelo seu modo cordial e decidido e por sua segurança e competência como enfermeira de sala cirúrgica e anestesista. No hospital de Modling, em Viena, a religiosa tornou-se uma referência para os médicos, enfermeiras e, especialmente, para os doentes, aos quais soube comunicar com lucidez o amor pela vida, na alegria e na dor.

Foram muitos anos que serviu a Deus nos doentes, para os quais estava sempre disponível. Em março de 1938, Hitler mandou o exército ocupar a Áustria. Viena tornou-se uma das bases centrais do comando nazista alemão. Irmã Restituta colocou-se logo contrária a toda aquela loucura desumana. Não teve receio de mostrar que, sendo favorável à vida, não apoiaria, jamais, o nazismo de Hitler, fosse qual fosse o preço.

Por isso, quando os nazistas retiravam o crucifixo também das salas de cirurgia, ela, serenamente, o recolocava no lugar, de cabeça erguida, desafiando os nazistas. Como não se submetia e muito menos se “dobrava”, os nazistas a eliminaram. Foi presa em 1942. E ela fez da prisão uma espécie de lugar de graça, para honrar o nome de sua consagração, ou seja, Restituta, aquela que foi restituída para Deus.

Irmã Resoluta esperou cinco meses na prisão para morrer. Em 30 de março de 1943, foi decapitada. Para as franciscanas, mandou uma mensagem: “Por Cristo eu vivi, por Cristo desejo morrer”. E na frente dos assassinos nazistas, antes que o carrasco levantasse a mão que a mataria, irmã Restituta disse ao capelão: “Padre, faça-me na testa o sinal da cruz”.

O papa João Paulo II, em 1998, elevou irmã Maria Restituta Kafka aos altares para ser reverenciada pela Igreja como bem-aventurada. A sua festa litúrgica foi marcada para o dia 30 de outubro, data em que foi decretada a sua sentença de morte.

15São Benedito José Labre

Peregrino, leigo da Terceira Ordem (1748-1783). Canonizado no dia 8 de dezembro de 1881 por Leão XIII.

 

“O cigano de Cristo”, este também é seu apelido, que demonstra claramente o que foram os trinta e cinco anos de vida de Bento José Labre, treze deles caminhando e evangelizando pelas famosas e seculares estradas de Roma. Aliás, o antigo ditado popular que diz que “todos os caminhos levam a Roma” continua sendo assim para todos os cristãos. Entretanto, principalmente no século XVII, em qualquer um deles era possível cruzar com o peregrino Bento José e nele encontrar o caminho que levava a Deus.

Ele era francês, nasceu em Amettes, próximo a Arras, no dia 27 de março de 1748, o mais velho dos quinze filhos de um casal de agricultores pobres. Frequentou a modesta escola local, mas aprendeu latim com um tio materno. Ainda muito jovem, quis tornar-se monge trapista, mas não conseguiu o consentimento dos pais.

Com dezoito anos, pediu ingresso no convento trapista de Santa Algegonda, mas os monges não aprovaram sua entrada. Percorreu a pé, então, centenas de quilómetros até a Normandia, debaixo de um inverno extremamente rigoroso, onde pediu admissão no Convento Cisterciense de Montagne. Também foi recusado ali, tentando, ainda, a entrada nos Cartuchos de Neuville e Sept-Fons, com o mesmo resultado. Foi então que, com vinte e dois anos, tomou a decisão mais séria da sua vida: seu mosteiro, já que não encontrava guarida em nenhum outro, seriam as estradas de Roma.

No embornal de peregrino carregava apenas o Novo Testamento e um breviário, além de um terço nas mãos. Durante a noite, dormia nas ruínas do Coliseu e, de dia, percorria as estradas peregrinando nos lugares sagrados e evangelizando sem pedir esmolas. Quando recebia a caridade alheia, mesmo sem pedir, ainda dividia o que ganhava com os pobres. Isso lhe valeu, certa vez, algumas pancadas de um certo cidadão que encarou sua atitude como um insulto. Na maior parte dos dias, comia um pedaço de pão e ervas colhidas no caminho.

Os maus tratos do quotidiano, ou seja, a maneira insatisfatória de higiene a que se submetera durante muitos anos e as penitências que se auto-impusera, acabaram por causar o seu fim. Um dia, ainda muito jovem, seu corpo foi encontrado nos fundos da casa de um amigo arquiteto, perto da igreja de Santa Maria dos Montes. Houve uma grande aglomeração de populares que admiravam e até veneravam o singelo peregrino.

Bento José acabou sendo sepultado ali mesmo, próximo daquela igreja, local que logo passou a ser procurado pelos devotos e peregrinos. Imediatamente, tornou-se palco de muitas graças e prodígios, por intercessão daquele que em vida percorreu o caminho da santidade. O papa Leão XIII canonizou são Bento José Labre em 1881, determinando sua festa para o dia 16 de abril, data de sua morte no ano 1783.

16Aniversário de fundação da Ordem Franciscana

Memória de São Francisco. Renovação da Profissão religiosa

 

São Francisco de Assis, o místico cantor das criaturas, santo do Amor e da Fraternidade, renovador da sociedade no espírito do Evangelho, estigmatizado por Cristo após a sua conversão acolheu os discípulos que queriam ficar sob sua direção. Primeiro, foram doze, depois aumentaram cada vez mais. “A Ordem dos Frades Menores” brotou da mente e do coração de Francisco, que já era todo de Deus e das almas, em Rivotorto, na Porciúncula. Obteve de Inocêncio III a aprovação da Ordem no dia 16 de abril de 1209 verbalmente e, por escrito, de Honório III em 29 de novembro de 1223, com a Bula “Solet annuere“. A seus seguidores, o Pobrezinho os entregou seu amor à pobreza, sua mensagem de paz e bem e o código do Evangelho como norma de vida.

Os filhos de São Francisco estão espalhados por todo o mundo e desenvolvem atividades pastorais, missionárias, científicas, educacionais, sociais, de beneficência. Eles são o mais forte movimento no serviço da Igreja. Franciscanos chamam todos os que pertencem às três ordens introduzidas por San Francisco.

 

PRIMEIRA ORDEM

 

Dividida em três famílias: Frades Menores: 18.000 religiosos em cerca de 3.200 conventos religiosos. Propõem-se viver em conformidade com Cristo na pobreza evangélica, no apostolado da pregação aos fiéis e aos infiéis; Frades Franciscanos Menores Conventuais: 4.000 em 672 conventos religiosos. Propõem-se a observar o Evangelho de Jesus Cristo vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade e no apostolado em todas as suas formas, entre fiéis, dissidentes  e infiéis; Frades Menores Capuchinhos: Tem 12.500 religiosos em 1.300 religiosas. Proposta da imitação de Cristo no ascetismo e no apostolado, de acordo com a mais estrita tradição franciscana. No geral, os franciscanos da Primeira Ordem são cerca de 34.000 para cerca de 5.100 conventos religiosos (dados da publicação do livro em 2000).

 

SEGUNDA ORDEM

 

Fundada por São Francisco na Porciúncula em 18 de março de 1212, quando ele recebeu Santa Clara e fundou a Ordem das Damas Pobres de São Damião. As Clarissas, divididos em famílias diferentes, são cerca de 20 mil em mais de 1800 conventos.

 

TERCEIRA ORDEM

 

Instituída por São Francisco em 1221, para convidar aqueles que vivem no mundo a uma vida evangélica mais perfeita. Hoje, divide-se em Ordem Terceira Regular (que vivem em comunidades), com cerca de 3 mil religiosos e cerca de 100 mil religiosas de várias congregações e institutos. A Ordem Terceira Secular conta com mais de 2 milhões de professos no mundo.

17Santa Bernardete Soubirous

Virgem cordígera da Terceira Ordem (1844-1879). Canonizada por Pio XI no dia 8 de dezembro de 1933

 

Nasceu em 7 de janeiro de 1844 em Lourdes, França. A mais velha de seis filhos de uma família muito pobre chefiada por Francois e Louise Casterot. Ela serviu como empregada de 12 aos 14 anos. Depois foi pastora de ovelhas. Em 11 de fevereiro de 1858, mais ou menos na época de sua primeira comunhão ela recebeu uma visão da Virgem. Ela recebeu 18 novas visões nos próximos cinco meses e foi levada a uma fonte de água que curava.

Ela mais tarde mudou-se para uma casa do Convento das Irmãs de Nevers, em Lourdes, onde ela vivia, trabalhava, aprendeu a ler e a escrever. As irmãs cuidavam dos doentes e indigentes e quando Bernadete fez 22 anos foi admitida na Ordem. Foi no dia 22 de setembro de 1878 professou os votos perpétuos e no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada, foi recebida como “cordígera de São Francisco de Assis”, na grande família franciscana.

Sem forças, oprimida pela asma, respirava com dificuldade. Para ela, os sofrimentos eram necessários, pois era preciso que sofresse para seguir sendo digna de ter visto a Virgem Imaculada.

Faleceu em 16 de abril de 1879 em Nevers, França. O corpo de Maria Bernadete permanece incorruptível. Foi canonizada pelo Papa Pio XI em 1933.

Desde que apareceu a Santa Bernadete em 1858 mais de 200 milhões de pessoas visitaram o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

A Aparição em Lourdes

“Eu tinha ido com duas outras meninas na margem do rio Gave quando eu ouvi um som de sussurro. Olhei para as árvores e elas estavam paradas e o ruído não eram delas. Então, olhei e vi uma caverna e uma senhora vestindo um lindo vestido branco com um cinto brilhante. No topo de cada pé havia uma rosa pálida da mesma cor das contas do rosário que ela segurava. Eu queria fazer o sinal da cruz, mas eu não conseguia e minha mão ficava para baixo. Aí a senhora fez o sinal da cruz ela mesma e, na segunda tentativa, consegui fazer o sinal da cruz, embora minhas mãos tremessem. Então, comecei a dizer o rosário enquanto ela movia as contas com os dedos sem mover os lábios. Quando eu terminei a Ave Maria, ela desapareceu.

Eu perguntei às minhas duas companheiras se elas haviam notado algo e elas responderam que não haviam visto nada. Naturalmente, elas queriam saber o que eu estava fazendo e eu disse a elas que tinha visto uma senhora com um lindo vestido branco, embora eu não soubesse quem era. Disse a eles para não dizer nada sobre o assunto porque iriam dizer que era coisa de criança. Voltei no domingo ao mesmo lugar sentindo que era chamada ali.

Na terceira vez que fui à senhora reapareceu e falou comigo e me pediu para retornar todos os próximos 15 dias. Eu disse que viria e então ela disse para dizer aos padres para fazerem uma capela ali. Ela me disse também para tomar a água da fonte. Eu fui ao rio que era a única água que podia ver. Ela me fez realizar que não falava do rio Gave e sim de um pequeno fio d’água perto da caverna. Eu coloquei minhas mãos em concha e tentei pegar um pouco do líquido sem sucesso. Aí comecei a cavar com as mãos o chão para encontrar mais água e na quarta tentativa encontrei água suficiente para beber. A senhora desapareceu e fui para casa.

Voltei todos os dias durante 15 dias e cada vez, exceto em uma Segunda e uma Sexta a Senhora apareceu e disse-me para olhar para a fonte e lavar-me nela e ver se os padres poderiam fazer uma capela ali. Disse ainda que eu deveria orar pela conversão dos pecadores. Perguntei a ela, várias vezes, o que queria dizer com isto, mas ela somente sorria. Uma vez finalmente, com os braços para frente, ela olhou para o céu e disse-me que era a Imaculada Conceição. Durante 15 dias, ela me disse três segredos que não era para revelar a ninguém e até hoje não os revelei.” (Trecho de uma carta de Santa Bernadete).

18Bem-aventurado André Hibernão

Religioso da Primeira Ordem (1534-1602). Beatificado por Pio VI no dia 22 de maio de 1791.

 

André Hibernão descendia de nobre linhagem espanhola, mas seus pais, que viviam em Alcantarilla, perto de Múrcia, eram tão pobres, que o rapaz se empregou ainda muito jovem junto a um tio, para ajudar no sustento da família. Ele havia juntado pouco a pouco uma quantia suficiente para garantir um dote para a irmã e o levava em triunfo para casa, quando foi assaltado por dois ladrões que o privaram de tudo.

Amargamente desiludido, ele começou então a dar-se conta da precariedade das riquezas terrenas em comparação com os tesouros do céu, que são eternos. Entrou em uma casa dos franciscanos conventuais que deixou pouco depois, passando à reforma alcantarina, onde professou como irmão leigo. Procurou levar uma vida oculta de modéstia, humildade e oração, mas aprouve a Deus glorificá-lo, concedendo-lhe o dom da profecia e dos milagres. Muitos lhe deveram a conversão.

O santo homem predisse o dia de sua morte, que se deu em Gândia, quando ele contava 68 anos de idade. São Pascal Baílão e o Beato João de Ribera propagaram o nome de André, mas ele já era localmente venerado como santo ainda em vida, e foi beatificado em 1791.

Há uma vida escrita pelo Pe. Vicente Mondina, postulador da causa, Vita del B. Andrea Ibernon (1791), e veja-se também Léon, “Auréole Séraphique” (trad. para o inglês), vol. II, p. 77·83.

19Bem-aventurado Conrado de Áscoli

Sacerdote da Primeira Ordem (1234-1289). Pio VI concedeu ofício e Missa em sua honra no dia 30 de agosto de 1783.

 

A faculdade de prever o futuro raramente é concedida aos jovens, mas Conrado Miliani de Áscoli era uma simples criança quando, segundo a tradição, ajoelhou-se certo dia diante de um camponês chamado Jerônimo Masci e o saudou, não se sabe se em tom de brincadeira ou falando  sério, como destinado a ser papa. A profecia cumpriu-se a seu tempo, porque Jerônimo ocupou em tempo oportuno a cátedra de S. Pedro, sob o nome de Nicolau IV. Embora Conrado fosse de família nobre, entre os dois jovens nasceu uma amizade estreita que durou toda a vida. Entraram juntos na Ordem Franciscana, professaram juntos, estudaram juntos e juntos receberam o doutorado no mesmo dia na cidade de Perusa.

Conrado começou sua carreira pública como pregador em Roma, mas, chamado para o campo das missões, obteve permissão de Jerônimo, então ministro geral da Ordem, para tentar a evangelização da Líbia. Seu sucesso no norte da África foi grande: conta-se que muitos milhares de pessoas se converteram graças a seus ensinamentos e a seus milagres. Suas atividades externas foram o resultado de uma vida de extrema austeridade e de tão grande devoção à sagrada paixão, que .algumas vezes lhe foi: dado contemplar Nosso Senhor coroado de espinhos e tomar parte em seus sofrimentos.

Chamado de volta à Itália, provavelmente por motivos de saúde, foi escolhido para acompanhar Jerônimo que se dirigia à França como legado papal. Os enviados voltaram, depois, a Roma, onde Conrado passou alguns anos até ser mandado a Paris, a fim de lecionar teologia naquela cidade. Além de se dedicar a seus deveres de professor, Conrado ainda encontrava tempo para pregar nas igrejas e visitar os doentes pobres nos hospitais. Em 1289, Jerônimo, agora papa, mandou chamar seu amigo, porque o queria no colégio dos cardeais, mas Conrado  caiu doente a caminho, antes que pudesse chegar a Roma, e morreu em sua cidade natal de Áscoli. Seu culto foi aprovado pelo Papa Pio IV.

Há um relato da vida de Conrado em Acta Sanctorum, abril, vol. II, mas, para mais amplos detalhes, devemos nos reportar a Wadding (Annales Minorum, vol, V, p. 212·215) e aos outros cronistas da Ordem. Veja-se também Léon, Auréole séraphique (trad, para o inglês), vol. II, p. 83·88.

20Serva de Deus Maria Josefa do Menino Jesus

(Barbara Micarelli) (1845-1909). Fundadora das Irmãs Franciscanas Missionárias de Jesus Menino.

 

Nascida em Sulmona em 3 de dezembro de 1845, filha de Bernardino Micarelli e Santini Celestina, Barbara Micarelli viveu a infância em sua cidade natal. Em 1858 morou em Áquila. Ela faz os seus estudos com as Irmãs do Menino Jesus. Aos 20 anos de idade fica gravemente doente e é milagrosamente curada por intercessão de São José e sente a inspiração de se dedicar ao serviço dos pobres, órfãos, abandonados e fundar um Instituto de Irmãs que servem à Igreja.

Ao mesmo tempo sente motivada fortemente a buscar luz e apoio em São Francisco de Assis. Com a morte de sua mãe e o casamento de sua irmã Maria Donata de 1869, com a irmã Carmela se dedica às obras de caridade. Em 21 de novembro de 1870 sai de casa e começa a levar uma vida em comum com sua irmã Carmela e Catarina Vicentini, com quem, sob a autoridade do Arcebispo de Áquila se dedica a ensinar o catecismo, educação e formação, organiza a escola de trabalho, visita os doentes e os pobres em suas casas. Como o número de alunos aumenta, muda-se para casa de seus pais e logo para um local maior próximo a Santa Maria di Farfa. Este serviço atrai a muitos mas desperta muita resistência no ambiente maçônico em Áquila na época.

No Natal de 1879, em Roma, com o nome de Irmã Maria Josefa do Menino Jesus, recebe o hábito franciscano de penitência do Ministro Geral dos Frades Menores, Padre Bernardino de Portogruaro, e assim nasceu a comunidade Franciscanas Missionárias do Menino Jesus.

A comunidade está crescendo continuamente em Áquila, não sem dificuldades, como a morte dos dois primeiros comissários franciscanos PP. Eusebio da Pratola e Pascoal da Gambatesa, e as posteriores incompreensões. Começam as novas fundações, incluindo a de Santa Maria dos Anjos, para onde se muda a madre fundadora e o noviciado para arraigar a formação do Instituto na fonte da espiritualidade franciscana. Ali abre a escola para estudos e trabalhos, visita aos doentes, assiste aos moribundos, ensina o catecismo. Enquanto isso, são aprovadas as Regras e Constituições do Instituto.

No primeiro capítulo geral do Instituto em 1894, por desentendimentos pessoais, interferência externa e contradições em relação ao governo do Instituto, a madre fundadora é deposta do governo, nomeada a mestra de noviças e logo depois enviada para a Sardenha (novembro de 1897) com o pretexto de fundar uma casa lá. Ao ficar doente gravemente, volta para a Itália, e não podendo continuar a sua viagem a Assis por causa de sua doença, permanece em Roma hospedando na casa das piedosas senhoras; devido às dificuldades no Instituto se vê forçada a permanecer em Roma por dez anos, em meio a enfermidades e o abandono das suas. Quando acredita superadas as dificuldades no Instituto, após o Capítulo de 1906, retorna a Santa Maria dos Anjos em 25 de março de 1909, desejosa de encontrar e abraçar novamente suas irmãs, mas não é bem-vinda na casa. Uma nova versão da Perfeita Alegria? Por isso se vê forçada a encontrar acomodação entre as Irmãs Franciscanas de Assis, onde morreu perdoando e pedindo perdão em 19 de abril de 1909, assistida pelo Pe. Brinci Feliciano, um franciscano. Seus restos mortais foram levados para a capela da Casa Mãe em Santa Maria dos Anjos pela Madre Matilde Zambini.

O Instituto das Irmãs Franciscanas Missionárias do Menino Jesus se abre à missão “ad gentes” e funda fraternidades: no Peru (1927), Líbia (1929), Bélgica (1952), EUA (1961), Colômbia (1964), Argentina ( 1964), Filipinas (1980), Bolívia (1982) Albânia (1992), Paraguai (1997). Está em processo de beatificação.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

21São Conrado de Parzham - Capuchinho

Religioso da Primeira Ordem (1818-1894). Canonizado por Pio XI no dia 20 de maio de 1934

 

São Conrado de Parzham foi o segundo santo alemão canonizado depois da separação luterana da Igreja. O anterior fora também um capuchinho, São Fiel de Sigmaringa.

Chamado no batismo Conrado Birndorfer, nasceu a 22 de Dezembro de 1818 numa numerosa família, proprietária de uma quinta em Venushof, no vale de Rott, na diocese de Passavia. Órfão aos 16 anos, dedicou-se ao trabalho do campo distinguindo-se já então pela prática da virtude e pelo espírito de oração.

Sentindo-se chamado à vida religiosa, entrou, aos trinta e um anos, na Ordem dos Capuchinhos e ali fez a sua profissão a 4 de Outubro de 1842. Destinado ao ofício de porteiro no convento e santuário de Altotting, na Baixa Baviera, ali permaneceu durante quarenta e três anos, edificando os seus irmãos e os muitos peregrinos com a prática da caridade e uma paciência inalterável.

Grande devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, dotado de dons extraordinários, entre os quais o dom da profecia, provocou um despertar da fé em todas as regiões onde se foi difundindo a fama da sua santidade. Animado pelo zelo apostólico, entregou-se também à beneficência, sobretudo em favor de crianças e jovens abandonados ou em perigo, conhecidos pelo nome de Liebesswerk.

A 18 de Abril de 1894, depois de ter servido à mesa, foi para a portaria e ali começou a sentir-se mal. Pediu a um irmão para o substituir no seu trabalho, esperando que lhe voltassem as forças. Entretanto, elas não voltaram mais. Depois da oração de Vésperas, foi ter com o Guardião e, com toda a humildade, assim lhe falou “Padre, não posso mais”. Este mandou-o para a cama, na cela chamada de Nossa Senhora.

Frei Conrado, sem deixar notar que sofria, apertando nas mãos o crucifixo e o terço, entregou-se à oração. Na manhã de 21 de Abril, recebeu a sagrada comunhão e quis receber também a Unção dos enfermos e a absolvição geral. A calma e a serenidade que resplandeciam no seu rosto não permitiam esperar que a sua morte estivesse eminente.

Em dado momento, ouvindo tocar repetidamente a campainha da porta, fiel até ao fim, ao seu dever, com grande esforço, levantou-se e tentou sair. As suas forças, porém, já não lhe permitiram. Passou, naquele instante, um noviço que o levantou e, com a ajuda de outro o deitou na cama. Entrou logo em agonia. Um dos sacerdotes presentes recitou então as preces dos agonizantes e, às oito horas da tarde, no momento do Angelus, balbuciando fervorosas orações, com o olhar fixo no céu, morreu santamente. Era o dia 21 de Abril de 1894. Contava 76 anos de idade. A notícia da morte de São Conrado atraiu logo uma multidão de devotos, sobretudo crianças, que vieram venerar os seus restos mortais.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

22Bem-aventurado Francisco de Fabriano

Sacerdote da Primeira Ordem (1261-1322). Pio Vi aprovou seu culto no dia 1º de abril de 1775.

 

No ano de 1251 nasceu em Fabriano um menino, filho de um médico chamado Compagno Venimbeni, e de sua mulher Margarida, o qual recebeu o nome de Francisco. A criança, que veio ao mundo rindo e não chorando, tornou-se um menino piedoso e dedicado aos estudos. Entrou para a Ordem dos Frades Menores quando tinha apenas 16 anos, e se distinguiu tanto pela santidade como pelo saber.

Terminado o seu noviciado, viajou a Assis, a fim de ganhar a indulgência da Porciúncula. Ali se encontrou com Frei Leão, secretário e confessor do Santo Fundador, e, como resultado de seus colóquios, escreveu um tratado em defesa da indulgência. Conta-se que Francisco, que amava grandemente os livros, foi o primeiro franciscano a formar uma biblioteca.

Apesar da sua sólida bagagem cultural, foi sempre humilde, simples e serviçal. Nunca a cultura o afastou do próximo. Pelo contrário, parece que o ajudava a servir os outros com mais dedicação. Os talentos que o Senhor lhe entregou, fê-los render ao serviço dos mais humildes e incultos. Para si preferia a penitência e o trabalho, que o foram esgotando até a morte.

Pregador eloquente e persuasivo, conseguiu levar três de seus sobrinhos a abandonarem as possibilidades de sucesso mundano e a se tornarem minoritas como ele próprio. Tinha grande devoção às almas do purgatório pelas quais oferecia a missa com o máximo de fervor. Sua própria morte teve lugar depois de uma prolongada febre, quando contava 71 anos de idade, em 1539, e seu antigo culto foi aprovado em 1775.

Domingo de Fessis, um dos sobrinhos mencionados acima, escreveu uma vida do Beato Francisco. Esta vida foi publicada em Acta Sanctorum, abril, voI. III. 

23Bem-aventurado Egídio de Assis

Discípulo de São Francisco, clérigo da Primeira Ordem (+1262). Pio VI aprovou seu culto no dia 4 de julho de 1777.

 

Dos primeiros companheiros de Francisco de Assis nenhum lhe era mais caro ao coração do que um irmão muito simples que ele chamava “nosso cavaleiro da Távola Redonda”. Jovem de uma piedade e de uma pureza de vida singulares, Egídio admirava seu concidadão Francisco à distância, mas não ousava aproximar-se dele, até o dia em que soube que seus amigos Bernardo e Pedro tinham-se tornado seus companheiros, decididos a viver com ele uma vida de pobreza. Egídio imediatamente resolveu fazer o mesmo. Ao sair da cidade, encontrou-se com seu mestre e os dois estavam absorvidos na conversa, quando foram abordados por uma mendiga.

“Dá-lhe o teu casaco” – disse-lhe São Francisco, ao se dar conta de que nenhum deles tinha dinheiro. E o candidato a discípulo prontamente obedeceu. O teste foi suficiente: no dia seguinte, Egídio recebeu o hábito. Primeiramente ficou com Francisco, acompanhando-o em suas viagens de evangelização pela Marca de Ancona e outras regiões não distantes de Assis, mas um sermão em que o Fundador exortou os discípulos a saírem pelo mundo afora, levou Egídio a fazer uma peregrinação a Compostela.

Pode-se dizer que ele praticamente percorreu o seu caminho de ida e volta sempre trabalhando, porque, quando possível, retribuía as esmolas com algum serviço pessoal, e distribuía com os outros tudo o que recebia ou possuía, inclusive o seu próprio manto, sem se preocupar com as zombarias que sua aparência grotesca provocava. Depois de seu retorno à Itália, foi enviado a Roma, onde ganhava seu sustento, executando trabalhos como o de carregar água ou cortar lenha. Uma visita à Terra Santa foi seguida de uma missão a Túnis, destinada a converter os sarracenos. A expedição resultou em fracasso. Os cristãos locais temiam sofrer com o ressentimento dos muçulmanos e, em vez de acolherem e ajudarem os missionários, obrigaram-nos a voltar a seus navios, antes mesmo de darem início à missão. Frei Egídio passou o resto de sua vida na Itália, principalmente em Fabriano, Rieti e Perusa, onde morreu.

Apesar de sua simplicidade e de sua falta de cultura, ele era dotado de uma sabedoria infusa que levava as pessoas de todas as condições a consultá-lo. Aos que procuravam seus conselhos, a experiência ensinava que evitassem certos assuntos ou palavras cuja simples menção fazia o frade mergulhar em êxtase, durante o qual parecia totalmente alheio ao mundo. Os próprios garotos da rua sabiam disto, e, quando o viam passar, gritavam: “Paraíso! Paraíso!” Egídio tinha veneração pelas pessoas cultas, e certa vez perguntou a São Boaventura se o amor dos ignorantes para com Deus se igualaria ao de uma pessoa culta. “Iguala sim – foi a resposta do santo. Uma boa velhinha analfabeta pode amar a Deus melhor do que um doutor letrado da Igreja”.

Encantado com a resposta, Frei Egídio correu para o portão do jardim que olhava para a entrada da cidade e gritou: “Escutai-me, vós todas, boas velhinhas! Vós podeis amar a Deus melhor do que Frei Boaventura”. Neste momento entrou em êxtase que durou três horas. Na medida do possível, ele vivia uma vida retirada, em companhia de certo discípulo. Este depois declarou que, em todos os 20 anos que passaram juntos, nunca ouviu seu mestre pronunciar uma palavra vã. Seu amor ao silêncio era verdadeiramente notável. Conta-nos uma bela lenda que S. Luís de França, por ocasião de sua viagem à Terra Santa, desembarcou secretamente na Itália, para visitar seus santuários. Em Perusa, procurou Frei Egídio, a respeito do qual ouvira contar muitas coisas. Depois de se abraçarem efusivamente, os dois se ajoelharam um ao lado do outro, em muda oração, e em seguida se separaram, sem terem trocado uma palavra sequer exteriormente.

Durante toda a sua vida, o Beato Egídio sofreu terríveis tentações do demônio, mas, como bom soldado de Cristo, considerava muito normal ter de lutar contra o inimigo de seu Mestre. Ele odiava a ociosidade. Quando vivia em Rieti, o Cardeal Bispo de Túsculo gostava frequentemente de tê-lo como seu companheiro à mesa, mas Egídio só comparecia se pudesse ganhar o almoço prestando algum serviço. Certo dia de muita chuva, seu anfitrião lhe garantiu que, como era impossível trabalhar no campo, ele devia aceitar a refeição de graça. Seu hóspede, porém, não era pessoa fácil de dissuadir. Penetrando furtivamente na cozinha do cardeal, que achou extremamente suja, Egídio ajudou a fazer uma boa limpeza nela, antes de voltar à mesa de seu anfitrião.

A dor pungente que lhe causou a morte de São Francisco foi seguida, naquele mesmo ano, pela maior alegria de sua vida, pois Nosso Senhor lhe apareceu em Cetona, com o mesmo aspecto que tinha quando estava neste mundo. Posteriormente, Egídio costumava dizer a seus irmãos que nascera quatro vezes: no dia de seu próprio nascimento, no dia do batismo, no dia da tomada de hábito e no dia em que viu Nosso Senhor.

Os ditos áureos de Frei Egídio, muitos dos quais chegaram até nós, foram publicados muitas vezes. Eles nos revelam uma profunda vida espiritual, aliada a uma aguda capacidade de percepção das coisas.

As fontes da vida do Beato Egídio são tão numerosas, que é impossível enumerá-las aqui. O elemento principal é uma biografia, escrita, ao que parece, em sua forma primitiva, por Frei Leão, mas conservada em duas recensões distintas, conhecidas como Vida Longa e Vida Breve. Encontra-se uma discussão exaustiva desses e de outros materiais em W. W. Seton, Blesseti Giles ot Assisi (1918), que atribui a prioridade à Vida Breve e publica um texto latino e uma tradução. A Vida Longa foi incorporada na Chronica XXIV Generazium, publicada em Quaracchi em 1897. Vejam-se também I Fioretti de S. Francisco de Assis (numerosas edições), e Léon, “Auréole séraphique” (trad. para o inglês), voI. II, p. 89-101. 

24São Fidélis de Sigmaringa - Capuchinho

Sacerdote, mártir da Primeira Ordem (1577-1622). Canonizado por Bento XIV em 1746

 

São Fidelis, chamado no batismo Marco Rey, nasceu em Sigmaringa, na Alemanha, em 1577. Estudou Direito em Friburgo e exerceu advocacia com tal amor à justiça que foi chamado o “advogado dos pobres”. Era um cristão reto e piedoso, um advogado justo e cheio de caridade, assumindo sempre gratuitamente a defesa dos necessitados. Pode ser comparado, neste âmbito, a São Ivo da Bretanha, Santo Afonso Maria de Ligório e Santo André Avelino.

Aos 35 anos, para evitar os perigos morais que comportava a sua carreira, deixou as leis e decidiu seguir outra vocação. Disse alguém que ele teria deixado a sua profissão de advogado pelo medo que tinha de vir a cair em alguma daquelas injustiças que parecem inevitáveis nesta profissão.

Fez-se capuchinho em Friburgo onde tinha frequentado os estudos de Direito. Impôs-se a si mesmo viver em obediência, pobreza, humildade, com espírito de penitência, de austeridade e de sacrificada renúncia. Foi ordenado presbítero em 1612, tornando-se um grande pregador da Palavra de Deus.

Eleito Guardião do Convento de Weltkirchen, na Suiça, entregou-se fervorosamente ao apostolado num momento particularmente difícil da vida da Igreja.

No cantão suíço dos Grijões, verificou-se, naquela altura, a dolorosa separação que dividiu católicos e calvinistas, tendo degenerado numa sangrenta guerra política entre os Valijões e o Imperador da Áustria.

O Papa Bento XIV assim escreveu acerca do nosso Santo:

“São Fiel exprimia a plenitude da sua caridade em confortar e ajudar o próximo, abraçava, com coração de pai, todos os aflitos, sustentava imensas multidões de pobres com esmolas que recolhia em toda a parte. Aliviava a solidão dos órfãos e das viúvas, procurando para todos eles a ajuda dos poderosos e dos príncipes. Ajudava, sem descanso, os encarcerados com todos os auxílios espirituais e corporais ao seu alcance, visitava com carinho e atenção os doentes, entretinha-os, reconciliava-os com Deus e preparava-os para enfrentarem a última batalha. Este homem, fiel no nome e na realidade, foi notável na defesa incansável da fé católica”.

São Fiel alimentou sempre no seu coração o desejo de derramar o seu sangue pelo Senhor e foi ouvido por Deus. Enviado para a Suíça pela Congregação da Propaganda da Fé com o fim de orientar uma missão entre os hereges, sucedeu que as numerosas conversões ali verificadas lhe atraíram a ira e o ódio das autoridades que acabaram por interrompê-lo com disparos de espingarda numa das suas pregações em Seewis. A seguir, foi agredido fora da igreja em que pregara e depois ferido de morte. O seu corpo acabou por ser barbaramente esquartejado. Era o dia 24 de Abril de 1622. Tinha 45 anos. A sua morte impressionou até os seus mais acirrados inimigos e teve como fruto imediato a pacificação entre eles. Os acontecimentos que se seguiram imediatamente mostraram bem que o sacrifício de São Fiel não tinha sido em vão. É o protomártir da Sagrada Congregação da Propaganda da Fé.

25São Pedro de São José de Betancur

Religioso da Terceira Ordem Regular (1626-1667). Fundador dos Irmãos da Ordem de Belém e das Irmãs Betlemitas.

 

Pedro de São José Betancur nasceu em Villaflor de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, no dia 19 de março de 1626, tendo sido batizado logo no dia 21. Seus pais, Amador González Betancur de la Rosa e Ana Garcia educaram-no cristãmente e Pedro descobriu os valores da fé e da caridade, de modo especial. E ele nunca esqueceu os ensinamentos recebidos; ouvindo falar dos trabalhos missionários que muitos homens e mulheres estavam a empreender nas terras da América, deixou-se entusiasmar pela ideia de ir anunciar o Evangelho, emigrando para a Guatemala em 1651 com esse propósito.

Ali começou a viver como se fosse essa a sua pátria, depressa captou a simpatia das famílias do lugar, que desejavam a presença de Pedro em suas casas, pela sua afabilidade e interesse pela situação de cada um; pagava a hospedagem com os trabalhos humildes que podia fazer.

Dele disse o seu biógrafo:  “Todo o tempo em que conhecemos Pedro de Betancur, conhecemo-lo como um homem virtuoso. Nele, a virtude parecia natural. Era tão amável como virtuoso e todos os que o conheciam, o estimavam e quem o estimava, gostava de comunicar com ele. Todos desejavam tê-lo em sua casa e muitos o procuravam”. Fez da pobreza sua companheira de vida, para não ter outro tesouro a não ser Jesus Cristo e não ter outra preocupação senão o amor dos pobres. Viveu em Santiago de los Caballeros, entrava livremente na casa de todos os que ali habitavam, saindo como tinha entrado:  livre de apegos materiais, alma limpa e coração desprendido, mas com a convicção firme de que tinha deixado a semente do Evangelho no seio daquelas famílias. O seu biógrafo diz, mesmo, estas palavras bem elucidativas da sua presença:  “o Irmão Pedro deixava as casas onde entrava banhadas de luz e saía delas sem detrimento da sua pureza”. Por isso, ele pode ser chamado um “mensageiro do amor de Deus na América”.

Possuía a sabedoria própria de um homem simples. Por esta razão, a sua vida se lê melhor nas suas ações do que nos seus discursos. Por dificuldades nos estudos, não conseguiu ser sacerdote, não foi membro de uma Ordem religiosa, o que o convenceu de que Deus o chamava à santidade por outro caminho; seguiu o da caridade, tornando-se um verdadeiro apaixonado pelo pobres por amor a Cristo. Sincero e humilde, mas de um singular intuição e prática na vida, soube reconhecer Deus e encontrar Cristo nas ruas da cidade. Os seus compatriotas chegavam em busca de poder e de riquezas; ele procurou as suas honras na catequese, na oração e no alívio dos sofrimentos humanos dos pobres. Essa era a sua ambição, que realizava “sempre ocupado em obras de misericórdia”, aliviando o sofrimento do seu Salvador nas cruzes dos mais pobres.

Era homem de oração; reconhecendo-se como humilde servo da Santíssima Trindade, distinguiu-se por uma vida de comunhão contínua com Deus Pai através da oração e da perseverança em fazer o bem, às vezes à custa das maiores dificuldades, incompreensões e contrariedades, mas espalhando sempre a caridade a mãos cheias, dele se podendo dizer como de Cristo:  “passou pela terra fazendo o bem” (cf. Act 10, 38). Deixando-se guiar pelo Espírito Santo, permaneceu sempre aberto à sua inspiração, para orientar os seus passos, palavras e ações.

Peregrino e contemplativo, traçou um itinerário de lugares de oração, de recolhimento e de contemplação, para que aqueles povos pudessem gozar de momentos de contato com o Senhor.

Ainda hoje, a tradição fala desses lugares:  o Calvário, o Outeiro da Cruz, os pátios da Pousada de Belém, o Templo de S. Francisco, bem como as ruas de pedra abençoadas pela sua passagem continuam a ser sinais da sua presença permanente naqueles lugares. Soube cimentar a piedade popular na devoção aos mistérios de Cristo e da Virgem Maria, na frequência dos sacramentos e na meditação, acompanhadas pela preocupação constante da salvação da alma.

Por isso, não nos admiremos de que ele fosse um “leigo fundador de uma Ordem religiosa”. Assim se expressam os Bispos da Guatemala em Carta Pastoral, escrita a propósito da sua canonização.

Tendo vestido o hábito da Terceira Ordem da Penitência franciscana, continuou a sua vida na prática das obras de caridade, consolidando a sua devoção a Maria; rezava o terço na Capela da casa com os escravos, os mais simples, sem deixar de se retirar para o “seu” Calvário (tinha-o construído com as suas próprias mãos), pelos pátios da Pousada de Belém, onde, no dizer do seu biógrafo, “os pobres podiam encontrar pão material para o sustento do seu corpo e o pão da doutrina para alimento da sua alma”. Alguns deixaram-se seduzir pelo seu exemplo e congregou à sua volta os que julgou idôneos para dar cumprimento aos seus desejos. Com eles acerta uma vida regular de oração e austeridade que, ao trabalho com os pobres, uniam uma espiritualidade muito rica de fidelidade a Deus e vida comunitária. Assim nasceu a Ordem Betlemita, fundada na Guatemala e ainda hoje viva naqueles meios, ao serviço das pessoas mais humildes e sem lar.

Destacam os Bispos da Guatemala três caminhos na herança espiritual legada por Pedro de São José:

a) Caminho espiritual, baseado na adoração do Verbo Encarnado, na meditação constante da paixão de Cristo, no amor e adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, amor à Mãe de Deus e a devoção do santo Rosário, a que se juntava a prática da mortificação, da penitência e do jejum.

b) Caminho misericordioso, caracterizado pelo amor aos pobres e a solidariedade para com todos. Para isto, não hesitou em escrever uma carta ao Rei de Espanha, pedindo autorização para construir um hospital para convalescentes, o primeiro do mundo para este género de doentes.

c) Um caminho profético, onde se descobrem os valores perenes de uma autêntica evangelização. Assim o evangelizador verdadeiro não deve condenar ninguém definitivamente, pois o plano de Deus quer a salvação de todos e que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf. 1 Tim 2, 4), o evangelizador propõe o plano de Deus a um mundo dominado pelo afã das riquezas, a ambição do poder e a indiferença orientada pelo prazer.

Beatificado por João Paulo II em Roma, no dia 22 de Junho de 1980, foi canonizado ainda pelo mesmo Sumo Pontífice, na Guatemala, em 30 de Julho.

26Bem-aventurada Maria Bernarda Bütler

Virgem da Terceira Ordem Regular, Fundadora das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora (1848-1924). Beatificada por João Paulo II no dia 29 de outubro de 1995 (sua festa é no dia 19 de maio)

 

Maria Bernarda (Verena) Bütler nasceu em Auw, na Suíça, no dia 28 de maio de 1848, quarta entre oito filhos de Enrique e Catalina Bütler, modestos camponeses mas sábios pais cristãos.  Em 1867, acolhendo o convite do Senhor e guiada por seu pároco, Verena ingressou entre as Clarissas Capuchinhas do Mosteiro de Maria Auxiliadora em Altstätten, também na Suíça, edificando suas irmãs com uma vida exemplar. Foi mestra de noviças e posteriormente superiora do Mosteiro por 9 anos.

Muito aberta às necessidades da Igreja e com um enorme zelo missionário, em 19 de junho de 1888, veio para o Equador com mais 6 Irmãs para trabalhar na missão, anunciando o Evangelho aos povos da América Latina.

Assim, fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. Já ali tinha fama de santa entre o povo pobre que as irmãs atendiam cuidando da catequese, da alfabetização e da saúde. Por causa da revolução liberal e consequente perseguição, Santa Maria Bernarda, com sua pequena comunidade de irmãs, foi para a Colômbia, para a cidade de Cartagena. Mesmo com problemas de saúde Santa Maria Bernarda continuou sua missão de evangelizar.

Em 1911, ela envia ao Brasil um grupo de irmãs para fundarem nestas terras mais um centro missionário.

Santa Maria Bernarda faleceu em 19 de maio de 1924 em Cartagena depois de levar uma vida santa conforme dizia: “Meu viver é o Evangelho” e “Sou e devo ser missionária”. Em 29 de outubro de 1995 foi declarada Beata após comprovação de seu primeiro milagre e, em 12 de outubro de 2008, foi canonizada por Sua Santidade o Papa Bento XVI. Assim a sua festa litúrgica é celebrada no dia 19 de maio.

Santa Maria Bernarda deixou como herança a suas irmãs o carisma de “Viver o Amor Misericordioso de Deus Uno e Trino, através das Obras de Misericórdia, como missionárias”. Ela deixou mais de 3.000 cartas e escritos sobre espiritualidade.

27Santa Zita de Lucca

(1218-1278) Empregada doméstica TOF. Canonizada em 1696.

 

Santa Zita nasceu em 1218, na época ainda de São Francisco, em Monsagrati, nos arredores da cidade de Lucca no seio de uma família muito devota. A sua irmã mais velha entrou para um convento de Cister e seu tio foi eremita e morreu com fama de santidade.

Filha de camponeses, aos 12 anos foi trabalhar como empregada doméstica na casa de uma rica família, e aí permaneceu durante 48 anos, ou seja até morrer.

Extremamente devota, perguntava-se sempre a si mesma: “Isto agrada ao Senhor?” Ou: “Isto desagrada a Jesus?”. Esta preocupação de sempre fazer a vontade divina tornara-se para ela quase uma obsessão.

Tendo sempre, em todas as ocasiões e situações, demonstrado um grande amor para com o próximo, foi-lhe confiado o encargo de distribuir as esmolas cada sexta-feira. E dava do seu pouco, da sua comida, das suas roupas, daquilo que possuía, das suas parcas economias. Dizem que um dia foi surpreendida enquanto socorria os necessitados. Mas no seu avental o que era alimento converteu-se em flores.

Conta-se ainda que certo dia foi dar esmola a um necessitado, durante o seu tempo de trabalho. Vizinhos, tendo sido testemunhas desta “infração”, vieram logo avisar a família Fatinelli, para quem Zita trabalhava. A dona da casa foi à cozinha, para averiguar se havia atraso no afazeres e, ó milagre, alguns Anjos estavam ocupados a fazer aquilo que Zita deveria ter feito durante o tempo em que foi fazer obra de caridade. Daí em diante, nunca mais foi impedida de seguir os seus instintos caritativos.

Um outro fato que sobre ela se conta igualmente é o seguinte:

Durante um período de grande fome que assolou a região, Zita continou a praticar a caridade a que estava habituado, utilizando mesmo o que estava armazenado nos celeiros de seus patrões. Uma vez mais foi acusada, mas quando os seus patrões foram verificar os celeiros, ficaram admirados de os encontrar repletos: nada lá faltava.

Na hora da morte — aos 60 anos — tinha ajoelhada a seus pés toda a família Fatinelli, a quem servira toda a vida. Partiu para o Céu no dia 27 de Abril de 1278. O seu corpo é venerado na igreja de São  Fredaino, em Lucca, Itália. Pio XII proclamou-a padroeira das empregadas domésticas do mundo inteiro.

27Bem-aventurado Tiago de Bitetto

Religioso da Primeira Ordem (1400-1490). Clemente XI aprovou seu culto.

 

Embora natural da Dalmácia, razão pela qual às vezes é denominado também de “o Eslavo” ou “o Ilíríco”, o Beato Tiago passou a maior parte de sua existência na costa oposta do Adriático onde se tornou irmão leigo dos Frades Menores da Observância, em Bitetto, pequena cidade situada a nove milhas de Bari.

Alcançou grande santidade através de uma vida de humildade e de abnegação de si mesmo e de contemplação. Deus o favoreceu com o espírito de profecia, segundo o depoimento de um de seus confrades no processo de beatificação. Em diversas ocasiões foi visto elevado acima do chão, absorto em oração.

Durante alguns anos trabalhou como cozinheiro em outra casa da Ordem, em Conversano. A vista do fogo da cozinha levava-o, às vezes, a contemplar as chamas do inferno, e em outras ocasiões a alçar-se até o mais alto dos céus e deter-se no fogo devorador do amor eterno.

Muitas vezes caía em êxtase, enquanto executava o seu trabalho, e permanecia imóvel e absorto em Deus. Posteriormente foi transferido de volta a Bitetto, onde terminou o curso de sua vida. Muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão. No jardim do convento de Bitetto havia um pé de junípero plantado por ele e cujos frutos, afirmava-se, possuíam propriedades curativas. Tiago foi beatificado pelo Papa Inocêncio XII.

As informações sobre Tiago de Bitetto estão contidas em Acta Sanctorum, abril, vol. III

28Bem-aventurado Luquésio de Poggibonsi

Da Terceira Ordem (1181-1260). Inocêncio XII em 1694 concedeu ofício e missa em sua honra.

 

O Val d’Elsa, então território florentino, foi a terra natal de Luquésio ou Lúcio, o primeiro terceiro franciscano. Passou a sua juventude mergulhado em interesses mundanos, especialmente na política e na procura de riquezas. Tornou-se tão impopular com seu violento partidarismo em prol da causa dos guelfos, que achou mais prudente sair de Gaggiano, sua terra natal, e estabelecer-se em Poggibonsi, onde continuou seus negócios como fornecedor de mantimentos e prestamista. Entre 30 e 40 anos de idade, sobreveio uma mudança em sua vida, em parte como conseqüência da morte de seus filhos. Seu coração foi tocado pela graça divina, e ele começou a ter interesse pelas obras de caridade, como a assistência e o cuidado dos enfermos e a visita às prisões. Renunciou inclusive a todos os seus bens em favor dos pobres, com exceção de um pedaço de terra que resolveu cultivar com suas próprias mãos.

Pouco tempo depois São Francisco de Assis foi a Poggibonsi. O santo vinha considerando já algum tempo a necessidade de criar uma associação para pessoas que desejassem viver a vida religiosa no mundo, mas, como se narra, Luquésio e sua mulher Bonadonna foram, na verdade, o primeiro homem e a primeira mulher a receber das mãos do Seráfico Pai o hábito e o cordão da Ordem Terceira. A partir daquele momento os dois se entregaram a uma vida de penitência e de caridade. Algumas vezes Luquésio chegava ao ponto de dar aos pobres até mesmo qualquer resto de comida que houvesse em casa. No começo Bonadonna reclamava, porque ela não se alçara de imediato a uma confiança tão perfeita na Providência divina como o marido, mas a experiência depois lhe ensinou que Deus não deixa faltar o pão quotidiano a seus servos fiéis.

Seu marido alcançou um alto grau de santidade e foi favorecido com êxtases e com o dom de curar. Quando se tornou evidente que ele já não tinha muito tempo para viver, sua mulher lhe suplicou que ele esperasse um pouquinho por ela, para que ela, que tinha partilhado de seus sofrimentos aqui na terra, pudesse também tomar parte em sua felicidade no céu. Seu desejo foi atendido, e ela morreu pouco antes de seu marido ir receber sua recompensa eterna. O culto do Beato Luquésio foi confirmado em 1694.

Embora, ao que parece, a vida do Beato Luquésio tenha sido escrita por um contemporâneo, infelizmente não chegou até nós, e nós dependemos daquela que foi compilada por Frei Bartolomeu Tolomeí, um século depois, e publicada em “Acta Sanctorum”, abril, voI. lII. Note-se que esse texto jamais afirma claramente que Luquésio e sua mulher tenham sido os primeiros a receber o hábito como terceiros; ele sugere, antes, o contrário. Vejam-se também F. van den Borne, Die Anfiinge des Franziskanischen Dritten Ordens (1925), e Léon, Auréole séraphique (trad. para o inglês), vol. II, p. 131·137.

29Bem-aventurado Bento de Urbino - Capuchinho

Sacerdote da Primeira Ordem (1560-1625). Beatificado por Pio IX no dia 15 de janeiro de 1867.

 

Nasceu em Urbino a 13 de Setembro de 1560 no seio de uma família nobre. Recebeu no Batismo o nome de Marcos. Ficou órfão aos 10 anos de idade. Profundamente inteligente e com gosto pelo estudo, foi enviado, primeiro para Perusa, e depois para Pádua onde se doutorou em Direito, depois de um curso brilhante, tendo apenas 22 anos.

Passou a viver em Roma na corte do Cardeal João Jerónimo Albani, porém, teve de se afastar dali devido a dificuldades de índole familiar. Entretanto, ia amadurecendo a sua vocação religiosa e, saturado da vida mundana que se respirava à sua volta, ao fazer 23 anos, pediu para entrar na Ordem dos Capuchinhos. A sua constituição frágil e delicada criou-lhe grandes obstáculos, que venceu com a sua constante insistência e com as belíssimas qualidades morais de que se encontrava adornado.

Foi admitido à profissão na Ordem dos Capuchinhos em 1585, com o nome de Frei Bento de Urbino. Completados os estudos sacerdotais, foi ordenado presbítero. Aprovado para o ofício da pregação, bem depressa se entregou a esse ministério com grande fervor de espírito e simplicidade de palavra, atraindo a todos pela sua modéstia, por uma grande alegria de espírito unida à oração constante, à pobreza e austeridade.

Em 1599 foi escolhido para integrar o grupo de capuchinhos enviados à Boêmia sob a direção de São Lourenço de Brindes para aí defender e difundir a fé católica no meio dos Ussitas e Luteranos. Exerceu, ali, uma qualificada e prodigiosa atividade. Porém, por motivos de saúde e pela dificuldade em falar a língua local, teve de voltar para o seu país. Novamente na sua terra, retomou o apostolado, tendo como preferidos os lugares e as pessoas mais humildes e mais pobres. Dedicou-se também à educação da juventude e viveu uma vida de ascese. Foi escolhido guardião e posteriormente Definidor da sua Província.

Extremamente humilde, fugia de tudo aquilo que pudesse trazer-lhe motivo de honra ou de glória. A sua meditação preferida era a Paixão de Jesus. Amava a Virgem Maria com ternura filial, preparando-se sempre para as suas festas com uma novena de orações e de jejum. A sua oração era contínua. Sendo Guardião, jamais dispensou os seus irmãos das duas horas de meditação.

Com paciência e resignação, suportou as doenças que martirizavam o seu frágil corpo, ao ponto de ficar reduzido a pele e ossos. Flagelava-se com disciplinas de ferro e levava apertado à cintura o cilício. Era extremamente frugal na sua alimentação. Viajava a pé e descalço. Dormia muito pouco. Consagrava horas sem conta à oração, à pregação e ao confessionário. Para ele sofrer era uma alegria. O sofrimento considerava-o como uma identificação com o Senhor Crucificado; a dor via-a como semente de felicidade eterna. Com muita antecedência previu a sua morte que ele mesmo anunciou, esperando-a com serenidade e alegria, à maneira do Pai São Francisco, para dela voar para o céu.

Sentindo próxima a última hora, pediu o viático e a unção dos doentes que recebeu com piedade. Na tarde de 30 de Abril de 1625, plácida e serenamente, entregou o seu espírito nas mãos do Senhor, em Fossombrone, no Convento de Montesacro onde ainda hoje se conserva o seu corpo. Tinha 65 anos de idade dos quais 41 passados na Ordem Capuchinha no exercício das mais heróicas virtudes.

30São José Benedito Cottolengo

Sacerdote da Terceira Ordem (1786-1842). Fundador de Congregações masculinas e femininas. Canonizado por Pio XI no dia 19 de março de 1934.

 

Nasceu no dia 3 de Maio de 1786 em Bra, na região de Piedmonte, Itália, de uma família da classe média e estudou em um seminário em Turim. Ordenou-se em 1811. Foi pároco em Bra e em Corneliano. Em Turim, graduou-se em Teologia e se inscreveu na Terceira Ordem Franciscana.

Uma noite foi chamado à cama de uma mulher pobre e doente em trabalho de parto. A mulher necessitava desesperadamente de ajuda médica, mas para todos os lados que ia não encontrava ajuda por falta de dinheiro. José ficou com ela durante todo trabalho e ouviu dela a confissão, deu sua  absolvição e a comunhão  e a unção dos enfermos. Batizou a pequena criança e os olhava boquiaberto enquanto ambos morriam na cama. O trauma mudou a sua vida e a sua vocação.

Em 1827 ele, fundou um abrigo  para os doentes e pobres, alugando uma casa e enchendo os quartos com camas e procurando homens e mulheres voluntárias. O local se expandiu e ele recebeu ajuda dos Irmãos de São Vicente e das Irmãs Vicentinas. Durante a cólera de 1831, a polícia local fechou o hospital pensando que era a origem da doença.

Em 1832, ele transferiu a operação para Valdocco e chamou o Abrigo de Pequena Casa da Divina Providência. A Casa começou a receber apoio e suporte e cresceu em asilos, orfanatos, hospitais, escolas, casa de aprendizado para pobres e capelas. Vários programas para o  pobres, doentes e necessitados de todos os tipos foram criados. Esta pequena Vila dependia totalmente das almas caridosas e José não aceitava ajuda oficial do Estado. A casa ainda funciona até hoje, servindo a oito mil pessoas ou mais por dia. Ele fundou ainda 14 comunidades para os residentes, inclusive as Filhas da Companhia do Bom Samaritano, os Eremitas do Santo Rosário e os Padres da Santíssima Trindade.

Faleceu em 30 de abril de 1842  de tifo em Chieri, Itália. Foi canonizado em 1934 pelo Papa Pio XI.