• Frei Guilherme de Magredis

    13/03/1909

    04/04/1986

    Frei Guilherme de Magredis

    13.03.1909 - Magredis/Itália
    04.04.1986 - Pádua/Itália

    Nasceu no dia 13 de março de 1909, em Magredis, no município de Povoletto (Udine), de uma família profundamente cristã. Plínio nome de batismo tinha quatro anos quando um seu irmão, João, vestia o hábito capuchinho com o nome de Frei Vicente, depois sacerdote (1924), ministro provincial (19451948) e mestre dos noviços .

    Aos 18 de outubro de 1920, Plínio entrou no Colégio Seráfico de Rovigo. Apenas completados 16 anos de idade, em 17 de maio de 1924, com o nome de Frei Guilherme de Magredis, foi admitido ao noviciado de Bassano del Grappa, emitindo, aos 23 de maio de 1925, a profissão temporária e, aos 25 de março de 1930, a Profissão perpétua, em Veneza. Viveu sessenta e um anos de vida capuchinha, testemunhada com seriedade, dentro e fora do convento.

    Com 24 anos, aos 17 de dezembro de 1932, em Veneza na basílica patriarcal de São Marcos, foi consagrado sacerdote pelo Servo de Deus, Cardeal Pedro La Fontaine. Frei Guilherme doou os seus 54 anos de sacerdócio ao serviço das almas, confiados cordialmente à Maria. Desde jovem se inscreveu em algumas associações, particularmente marianas: Maria, Rainha dos Corações, Senhora do Carmo, Almas vítimas, Trânsito de São José.

    Após ter trabalhado como pregador em Veneza (1932-1933), Asolo (1933-1934), Bassano del Grappa (1934-1935) e Rovigo (1935-1936), sentiu o chamado ao ideal missionário. Fez seu pedido em maio de 1933. Mas somente obteve a resposta aos 25 de junho de 1936, quando se encontrava em Rovigo, comunicada pelo Ministro provincial Venceslau de São Martinho de Lúpari que Ihe anunciou a escolha para ser missionário no Paraná.

    Aos 19 de agosto de 1936, junto com Frei Epifânio da Galliera Vêneta, partiu de Veneza com destino ao porto de Nápoles. Aproveitaram a ocasião para visitar Assis e Roma, para pedir a proteção ao Pai São Francisco e aos mártires.

    Aos 11 de setembro de 1936 chegou ao porto de Santos, de onde veio ao Paraná. Aos 14 de setembro chegou a Jaguariaíva, onde recebeu a obediência como professor no Seminário de Butiatuba (1936-1941) e, ao mesmo tempo, para cuidar das Capelas.

    Durante 10 anos trabalhou junto à população de Açungui, Rio Branco do Sul, Campo Magro e Cerro Azul (1942). Ainda hoje o povo lembra o intrépido cavaleiro capuchinho, que chegava com a sua bondade e serenidade.

    Frei Guilherme contagiava os confrades e os seminaristas com a sua alegria, contando os acontecimentos e peripécias de sua vida passada nos matos.

    Em fevereiro de 1942 foi transferido para Cerro Azul. Em fevereiro de 1944, foi destinado pároco de Venceslau Braz onde permaneceu até a metade de 1946. Nesse ano, enquanto desenvolvia com muito fervor apostólico sua atividade paroquial, foi chamado a Curitiba para atender a formação dos clérigos, no estudo de Filosofia e Teologia onde permaneceu de 1946 a 1949. Nos anos de 19501952 dedicou-se como diretor de nossas missões populares. No final de 1952, chegou a Mandaguaçu sendo o primeiro pároco. Construiu a casa paroquial e iniciou a igreja matriz. Em 1953, voltou à equipe missionária, quando em seguida foi nomeado pároco em Santo Antônio da Platina (1953-1966), para substituir Frei Inácio dal Monte, que tinha sido nomeado Bispo.

    Em 1955, em Santo Antônio da Platina, construiu um asilo para os velhos, com capacidade para 100 leitos. Aos 24 de maio de 1957, organizou-se uma grande festa para inaugurar a igreja e o asilo, quando, na oportunidade, Ihe foi concedido como reconhecimento o título de cidadão honorário de Santo Antônio da Platina. Passou seus últimos anos no Brasil, (1966-1970) vivendo no convento das Mercês, Curitiba, como vigário paroquial e capelão do hospital Nossa Senhora das Graças.

    O prefeito de Santo Antônio da Platina sancionou, aos 19.09.1969, a lei denominando Avenida frei Guilherme Maria a artéria que liga o prolongamento da rua Rui Barbosa à BR 113, dando acesso à cidade e passando bem em frente ao Asilo, por ele construído.

    Na vida de fraternidade exerceu muitos encargos: professor, vice-diretor do seminário em Butiatuba, conselheiro local, diretor dos clérigos em Curitiba, responsável pela OFS local, professor no curso de pastoral, superior local e vice-superior.

    Depois de se alegrar ao ver a Missão passar a Custódia, em 1937, a Comissariado, em 1957 e, finalmente, a Província, em 1968, com mais de 34 anos de sacrificada vida missionária, em maio de 1970, Frei Guilherme retornou à sua Província vêneta.

    Assim se expressa na carta de despedida ao Ministro provincial do Paraná e Santa Catarina: "Não posso fazer calar a saudade da terra que tenho banhado com os suores do trabalho apostólico por 34 anos, e obras realizadas, as almas que tenho conduzido aos prados de Deus. Procurarei suavizar esta saudade rezando e pedindo a felicidade de todos".

    Retornando à Província Vêneta, dedicou-se por 16 anos como confessor no convento de Pádua, do verão de 1970 até a primavera de 1986.

    Frei Guilherme, com graves problemas de coração e de pulmões, primeiramente tratou-se no hospital de Pádua. Trazido para o convento, faleceu aos 77 anos, no dia 4 de abril de 1986, no mesmo leito onde morreu São Leopoldo Mandic, no convento de Pádua.

    Era um homem impregnado de Deus. Era um frei que se sentia bem em fraternidade. Amava o silêncio do convento. O grande sustentáculo do seu fecundo apostolado era a oração. Dedicava-se com interesse e alegria à profunda oração e à vida interior. Tinha o dom da oração. Oito cadernos por ele escritos contêm esquemas de orações, homilias e notas de seus exercícios espirituais, revelando toda a sua alma franciscana: simples e serena.

  • Frei Patrício de Nébola

    04/04/1911

    05/04/1981

    Frei Patrício de Nébola

    04.04.1911 - Nébola/Eslováquia
    05.041981 - São José dos Pinhais/Paraná

    Caçula de nove filhos, entrou a fazer parte da casa de Miguel Kodermaz e de Carolina Sturm aos 4 de abril de 1911, na risonha Nébola rodeada dos bosques eslavos. A exemplo do irmão mais velho, Luís, ingressou com 14 anos no Seminário Diocesano de Gorizia. Conta-se que, diante da morte de um pároco capuchinho, tivesse decidido um dia substituir-lo. Após ter passado três meses com seu irmão Luís, sacerdote diocesano, decidiu mudar de caminho. Por isso, em setembro de 1927, entrou no pequeno seminário para os aspirantes eslavos em Santa Cruz de Aidússina e, no ano seguinte, foi para o seminário de Verona.

    Aos 14 de agosto de 1929, iniciou o noviciado em Bassano del Grappa e fez sua primeira profissão (15.08.1930). Continuou seus estudos em Thiene (1930-1932), passando então para Bassano para iniciar o curso de filosofia. Em 1933, foi para o novo estudantado de Pádua (apenas inaugurado), onde emitiu sua profissão perpétua (04.10.1933). Iniciou a teologia em údine, completando em Veneza, onde recebeu as ordens menores e maiores. O cardeal patriarca Dom João Adeodato Piazza ordenou-o sacerdote aos 14 de agosto de 1938.

    Durante os estudos era o mais idoso de seus confrades e também o mais maduro. Por isso, sempre era eleito como responsável para manter a disciplina e a ordem, quando se ausentava o diretor. Gostava muito de estudar dogmática e ciências sacras. Demonstrava grande diligência, aliada à sua boa inteligência. Após sua ordenação, continuou a viver, durante seis meses, na região vêneta. Seus colegas dizem que ele teria gostado de trabalhar com seus compatriotas eslavos, onde já trabalhava seu irmão sacerdote, padre. Luiz Kódermaz.

    Não apresentou algum pedido para ser missionário no Paraná, mas aceitou a proposta de seu Ministro provincial para integrar um novo grupo.

    Um fato une-se à viagem de Frei Patrício. O Custódio Frei Inácio de Ribeirão Preto estava lutando, com muita dificuldade, para organizar o estudo de filosofia e teologia em Curitiba. Tinha pedido e insistido com o Ministro provincial (Frei Jerônimo Bortignon de Fellette) que necessitava de dois professores e alguns clérigos. Por isso, foi organizado um grupo de dois padres, três clérigos teólogos e um irmão leigo. Frei Patrício foi escolhido como chefe desse grupo.

    Recebido o crucifixo missionário em Gorizia, Frei Patrício, com seu grupo, embarcou em Trieste, aos 05 de janeiro de 1939, no navio Neptunia. A viagem foi boa e, após breve parada em Recife (16.01.1939), desembarcou em Santos, SÃo Paulo (20.01.1939), viajou de trem chegando em Curitiba aos 22 do mesmo mês.

    Pela sua cultura e vida capuchinha autêntica foi nomeado, no mesmo ano, diretor e professor do estudantado de Curitiba e reitor da Igreja das Mercês. Em 1946 dirigiu o seminário São Francisco, em Barra Fria, Santa Catarina. Sua presença nesse seminário foi importante porque aumentaram as vocações e melhorou o nível de ensino, preparando-os melhor para o seminário de Butiatuba, Paraná. Em 1948 voltou como prefeito dos estudos e superior do convento das Mercês, em Curitiba. No mesmo ano (06.06.1948), substituiu Frei Inácio Dal Monte na árdua missão de Custódio provincial, cargo em que permaneceu até julho de 1954.

    Frei Zacarias de São Mauro, ministro provincial de Veneza e visitador, durante sua visita em 1955 incentivou a formação de um seminário para vocações de irmãos leigos. Ele mesmo, aos 20 de abril de 1955, inaugurava o seminário São José com esta finalidade e a Frei Patrício Kódermaz foi confiada esta nova iniciativa.

    Dois anos após sua chegada, Frei Patrício foi eleito (14.08.1941) segundo conselheiro da Custódia, permanecendo durante todo o período da guerra, sendo confirmado aos 08 de agosto de 1948. Frei Inácio de Ribeirão Preto foi nomeado (26.05.1949) bispo, Frei Patrício, como primeiro conselheiro, assumiu a direção da Custódia e preparou as festas para o novo bispo.

    Na eleição feita pelos religiosos, o Ministro geral nomeou-o (06.06.1949) Custódio. Depois do triênio, foi novamente reeleito (1951-1954). No início desse segundo triênio, transferiu a sede da Custódia de Curitiba para Ponta Grossa, no convento Imaculada Conceição.

    A Custódia tinha sido promovida, aos 20 de dezembro de 1957, a Comissariado provincial. Frei Patrício foi chamado a ser o primeiro Comissário (08.01.1958) até 11 de novembro de 1963. Mais tarde, foi novamente eleito (25.10.1966) quarto conselheiro do Comissariado.

    Como superior, Frei Patrício demonstrou grande espírito seráfico, capacidade organizadora e dinâmica atividade. Sua vida de oração, mortificada e apostólica dava-lhe mais força quando isto pedia aos seus irmãos. Zelou muito pela observância regular. Chegou a afirmar que nos conventos de Curitiba e Butiatuba existia a mesma observância dos conventos da Província de Veneza (relatório de 1951). Insistia que os frades não faltassem aos retiros espirituais anuais.

    Na celebração de seus 25 anos de vida sacerdotal (14.08.1963), recebeu muitas homenagens que exaltaram suas qualidades como orientador dos capuchinhos.

    Quando guardião do convento das Mercês (1948) continuou e terminou a torre das Mercês iniciada por Frei Beda Toffanello que a levantou até o setor dos sinos. Quando Custódio provincial, animou e colaborou para que Frei Nereu Bassi instala-se os atuais sinos, inaugurados aos 08 de junho de 1952.

    Durante seu segundo triênio (1951-1954), construiu o convento Imaculada Conceição de Ponta Grossa, para onde transferiu a sede de governo. E quando Comissário provincial, iniciou (1958) o convento Bom Jesus para nele instalar o curso de filosofia, inaugurado aos 07 de março de 1961.

    A maior obra material de Frei Patrício foi a construção do seminário Santa Maria em Engenheiro Gutierrez que, ainda inacabado, o inaugurou no início do ano escolar de 1953. Uma obra com 71 metros de frente, 53 de fundo, três andares e quatro na ala esquerda, calculado para 200 seminaristas.

    Apoiou a construção e manutenção do Ginásio Assunção de Uraí, o Ginásio Anchieta de Capinzal, o Ginásio São Francisco de Assis de Curitiba. Dirigiu o Seminário São José (Butiatuba) para os irmãos não clérigos e abriu as Escolas Vocacionais de Laurentino, Ouro e São Lourenço do Oeste. Aceitou a Capelania Ferroviária de Ponta Grossa e as Capelanias Militares de Curitiba e Ponta Grossa.

    Continuou a estruturação de nossa vida e ação apostólica assumindo as paróquias de Londrina, Arapongas, Cruzeiro do Oeste, São Lourenço do Oeste, Laurentino, Alfredo Wagner, Florianópolis, Mandaguaçu e Alto Paraná.

    Participou de Capítulo provincial em Veneza (1951, 1954), do Capítulo geral de 1958, de muitas reuniões e assembléias dos religiosos do Brasil, do encontro dos superiores capuchinhos do Brasil com o visitador geral Frei Agatângelo de Langasco. Esteve presente aos festejos do jubileu de ouro de Dom Inácio de Ribeirão Preto em Guaxupé (1962) e no seu enterro (31.05.1963). Acabou a igreja e a torre de São Lourenço do Oeste e muitas outras obras. A cidade de S. Lourenço do Oeste concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário (1969), mas ele não quis recebê-lo.

    Frei Patrício mostrou o mesmo entusiasmo e eficiência no trabalho pastoral como pároco em São Lourenço do Oeste (1964-1966), em Santo Antônio da Platina (1967). Seu coração e sua alma sentiram-se realmente realizadas quando pode fazer parte da equipe missionária. Missionário volante desde o ano de 1967 até a morte.

    Apóstolo ardente, trabalhador incansável. Capuchinho orante e austero. Sabia harmonizar o espírito seráfico, a capacidade organizadora e a atividade. O que exigia dos outros, testemunhava-o com sua vida. Sua alegria chegava ao ápice quando constatava que o espírito de fraternidade entrava e residia em todos os lugares.

    Frei Patrício tinha terminado de pregar as missões em Ituporanga, SC. Quis viajar até Ponta Grossa, PR e aproveitou a passagem de um caminhão até Curitiba. Perto de São José dos Pinhais, o caminhão teve um acidente; rivou e tombou várias vezes. Frei Patrício sofreu grave lesão cerebral nos ferros torcidos da cabina. Eram 05h30 horas de 20 de março de 1981. Atendido imediatamente, foi levado ao hospital de S. José dos Pinhais onde, por 17 dias, foi atendido pelo dr. Luiz Ernani Mdalozzo. Faleceu no dia 5 de abril de 1981, às 23h15, no hospital de São José dos Pinhais, perto de Curitiba.

    Foi sepultado no cemitério de Butiatuba.

  • Frei Luiz Alves de Souza

    01/08/1930

    05/04/1994

    Frei Luiz Alves de Souza

    01.08.1930 - Varginha/Minas Gerais
    05.04.1994 - Curitiba/Paraná

    Frei Luiz Alves de Souza (Rufino de Varginha) nasceu em Varginha, Minas Gerais, a 1 de agosto de 1930, filho de Luís Ezequiel de Souza e Elisa Alves da Silva.

    Ingressou ao seminário Santo Antônio, em Butiatuba, Paraná, aos 24 de março de 1944, tendo como diretor Frei Gaspar Zonta de Fellette. Recebeu o hábito capuchinho, em Butiatuba, aos 15 de janeiro de 1948 e teve como mestre de noviços também Frei Gaspar. Professou temporariamente aos 14 de janeiro de 1949 na mesma casa e, perpetuamente, aos 2 de fevereiro de 1952, no convento das Mercês, em Curitiba, Paraná, sendo ordenado sacerdote aos 26 de maio de 1956 pelas mãos de Dom Manuel da Silveira d'Elboux, arcebispo de Curitiba, na catedral metropolitana.

    Frei Luiz era muito erudito. Possuía vasto domínio das línguas latina, grega, portuguesa, francesa e castelhana. Dominava tão bem o latim quanto o português, quer escrevendo, quer compondo poesias. Foi grande músico: compositor, arranjista, cantor e regente. Era autodidata, mas também fez vários cursos de aperfeiçoamento nestas áreas: Música (composição e música religiosa, em 1967 e 1968), em Curitiba; Letras, na Faculdade dos Maristas (como assistente); Licenciatura em Filosofia, pela Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

    Durante quase toda a sua vida, Frei Luiz trabalhou nos seminários como professor de Música, Português, Latim, Grego e Literatura. De 1957 a 1960 atuou no seminário Santa Maria, em Engenheiro Gutierrez, Paraná. De 1961 a 1967, em Butiatuba, Paraná. Em 1968 retornou ao seminário Santa Maria, trabalhando aí até 1975. Em 1976 foi transferido para Uraí, Paraná, como vigário paroquial e vice-superior. Em 1977, foi para Siqueira Campos, Paraná, e em 1978 retornou a Uraí. De 1980 a 1984 residiu no convento Bom Jesus, em Ponta Grossa, Paraná, como professor. Em 1985 até 1994, trabalhou na Cúria provincial, em Curitiba, Paraná, como arquivista.

    Em Curitiba, Frei Luiz trabalhava, também, com o Movimento do Diálogo, do qual era muito querido e participou de muitos encontros com os casais.

    A saúde, nos últimos anos, não andava boa. Sua renhida luta para conviver com a dependência do álcool era antiga e penosa. Suas forças vinham paulatinamente definhando. Na quaresma de 1994 ele demonstrou uma reação digna de um herói: prometeu publicamente que iria mudar. Ficou uns 20 dias sóbrio, mas foi vencido pela sua impiedosa inimiga.

    Na Páscoa, dia 3 de abril de 1994, teve mais uma recaída. Na tarde do dia 4 já apresentava sinais de sobriedade. Como de costume, quando estava voltando à normalidade, isolava-se e sentia-se bem assim. Procurava não participar da vida comum da fraternidade, ficava no seu quarto de onde saia furtivamente para tomar um gole de café na cozinha e regressava ao seu cantinho. Lá, escutava suas músicas. Em conversa aberta, franca e fraterna ele agradecia a compreensão dos freis em aceitá-lo naqueles momentos de sofrimento e humilhação.

    Veio a falecer aos 5 de abril de 1994, cujo laudo médico constatou parada cardíaca fulminante.

    A missa de corpo presente foi presidida pelo Ministro provincial, Frei Atílio Galvan, com participação de bom número de freis. A capela de Butiatuba estava repleta de amigos, confrades e parentes. Uma presença muito especial chamava a atenção de todos: era a mãe de Frei Luiz, dona Elisa, que veio de São Paulo.

    Podemos dizer que este frei passou pelo mundo só fazendo o bem, pois mesmo nos seus momentos de fraqueza não agredia ninguém. Ao contrário: todos os seus alunos o recordaram com muito carinho. Era aquele mestre que chegava a adaptar as notas agudas e graves de um canto à capacidade vocal de seus pupilos. Exultava de alegria quando alguém solicitava os seus serviços. Levou risca a doutrina do Divino Mestre: «Eu vim para servir e não para ser servido».

  • Frei Bruno Baptista Rodrigues

    15/12/1939

    05/04/2000

    Frei Bruno Baptista Rodrigues

    15.12.1939 - Guardinha/Minas Gerais
    05.04.2000 - Curitiba/Paraná

    Frei Bruno nasceu aos 15.12.1939 em Guardinha, Minas Gerais, município de São Sebastião do Paraíso, na diocese de Guaxupé, filho de José Rodrigues Chagas e Ana de Pádua. No ano seguinte, foi batizado (18.02.1940) na paróquia de São Sebastião do Paraíso.

    Entrou no seminário em Barra Fria, Santa Catarina, aos 21.04.1951, sendo seu primeiro diretor Frei Gilberto de Badia e, em seguida, Frei Sebastião Vieira dos Santos.

    Vestiu o hábito capuchinho aos 10.02.1959 em Siqueira Campos, e teve como mestre Frei Barnabé Ivo Tenani, sendo Frei Patrício Kódermaz o superior provincial. Emitiu a profissão temporária, aos 11.02.1960, no mesmo local, nas mãos do mestre de noviços, Frei Barnabé Ivo Tenani.

    Em Curitiba, já estudante, emitiu a profissão perpétua aos 15.02.1964, durante a missa presidida por Frei Clemente Vendramim, sendo superior provincial Frei Orlando Busatto.

    Durante seus anos de estudos, recebeu as ordens menores de Leitor, aos 23.05.1964, na igreja dos Palotinos e das mãos de Dom Inácio Krausen (auxiliar de Curitiba); de Acólito, aos 30.08.1964, em nossa igreja das Mercês, do bispo Dom Jerônimo Mazzarotto (auxiliar de Curitiba); do Diaconato, aos 13.03.1965, na igreja dos Passionistas, conferido por Dom Geraldo Micheletto Pellanda, bispo de Ponta Grossa.

    Foi ordenado sacerdote pelo arcebispo de Curitiba, Dom Manuel da Silveira D'Elboux, aos 10.07.1966, em nossa igreja das Mercês, Curitiba, sendo superior provincial Frei Orlando Raimundo Busatto. Celebrou sua primeira missa solene em Ibaiti, aos 17.07.1966, diocese de Jacarezinho.

    Desenvolveu seu ministério sacerdotal nos seguintes lugares: Siqueira Campos (1966), Butiatuba (1967-1968), Engenheiro Gutierrez (1969-1978), como vigário paroquial. Em 1979, freqüentou o curso de Espiritualidade Franciscana –CEFEPAL- em Petrópolis, Rio de Janeiro. Em Arapongas permaneceu de 1980 a 1983 como pároco da paróquia Santo Antônio. De 1984 a 1989 residiu em Siqueira Campos, auxiliando na paróquia e sendo diretor e mestre dos postulantes e superior.

    Atuou por diversos anos na área da formação dos vocacionados: por quase dez anos permaneceu no Seminário Santa Maria, em Engenheiro Gutierrez (1969-1978); em Siqueira Campos orientou os postulantes à nossa vida durante quase cinco anos (1984-1989).

    Quando estava em Siqueira Campos iniciou (1989) fez parte da equipe do Projeto de História da Província. Depois de ter passando um ano em Curitiba (1990), foi para São Paulo onde fez um curso de história (1991-1994). Após seu retorno de São Paulo, residiu em Ponta Grossa (1995), como responsável pelo Projeto Histórico da Província. Neste seu trabalho, visitou muitas paróquias do Paraná e Santa Catarina, conseguindo fotocopiar muitos livros tombos onde nossos freis trabalharam por anos. Iniciou o Centro Histórico tentando dar uma primeira organização ao material que tinha recolhido. Além dos livros tombos, Frei Bruno recolheu muitos objetos que pertenceram aos nossos frades e livros de história, visando melhorar o museu histórico da Província. Teve muito contato com a Universidade de Ponta Grossa, onde envolveu alguns alunos em pesquisar algumas facetas de nossa Província.

    Nos últimos anos, além de responsável pelo nosso Centro Histórico, desde 1995 foi convidado a fazer parte da coordenação da Comissão do Departamento de História Franciscana (DEHIF) em nível nacional. Em 1998, o coordenador Frei Alfredo Sganzerla renunciou, Frei Bruno foi convidado a assumir a coordenação do DEHIF, levando-a avante até o seu falecimento. O DEHIF assegura que Frei Bruno sempre mostrou grande amor, forte empenho e admirável garra nesse trabalho histórico da Família Franciscana. Viajou por diversos lugares e Estados ministrando cursos sobre história e pesquisando. Publicou alguns artigos.

    Desde a metade de dezembro de 1999 viveu na Cúria provincial, em tratamento no hospital Nossa Senhora das Graças. Foi diagnosticado câncer. Após alguns interventos cirúrgicos foi perdendo forças físicas. No entanto, sua resistência moral conservou-se sempre alta e, poucos dias antes de falecer, ainda falava de retornar às suas atividades e até participar do Congresso Franciscano em Canindé, Ceará.

    Uns dias antes de seu falecimento (28.03.2000, domingo), o Ministro provincial com a presença de freis e familiares deu-lhe a Unção dos Enfermos, que a recebeu consciente e tranqüilamente, com a absolvição e indulgência plenária. Na hora de seu falecimento, estava presente nosso Frei Pedro Cesário Palma. O Doutor Marcelo Ferreira indicou como causa da morte: insuficiência respiratória aguda, metastases hepáticas e pulmonares, melanoma maligno. Familiares e freis passaram o dia velando seus restos mortais.

    Na missa exequial, celebrada em nossa capela da fraternidade de Butiatuba, destacaram-se as suas qualidades: Frei Bruno lutou e foi um vencedor. Viveu 60 anos bem vividos: 40 anos de vida capuchinha com fidelidade aos seus votos religiosos; destes, 34 anos como sacerdote, vividos com dignidade. Sua vida pode ser resumida em três palavras: religioso tenaz com vontade firme, decidida e determinada; um religioso zeloso em tudo o que fez tanto no ministério sacerdotal como na vida interna das fraternidades onde trabalhou; um religioso dedicado ao que tinha assumido; um religioso idealista diante dos objetivos que se propunha alcançar e, às vezes, com tanta decisão que era difícil demovê-lo de alguma coisa. Desde antes do Natal de 1999, o Ministro provincial avisou-o da gravidade do mal e, por várias vezes, respondeu que espiritualmente, estava ótimo. Manifestava, através de suas atitudes e gestos sempre otimistas, que foi um vencedor porque acreditou na força da ressurreição.

    Está sepultado em nosso cemitério de Butiatuba. 

  • Frei Miguel Hilário Bottacin

    14/08/1921

    10/04/1997

    Frei Miguel Hilário Bottacin

    14.08.1921 - Loreggiola/Itália
    10.04.1997 - Curitiba/Paraná

    Frei Miguel nasceu em Loreggiola (Itália) aos 14 de agosto de 1921, filho de Graciano Bottacin e Maria Ceccon. Entrou no seminário de Rovigo no final de 1938. Por causa de sua idade, considerada alta naqueles tempos, optou pela vida de religioso. Foi recebido no noviciado de Bassano del Grappa aos 11 de outubro de 1939, onde também emitiu sua profissão temporária (12.10.1940).

    Permaneceu no mesmo convento do noviciado e, após dois anos, foi transferido para Lendinara. Em seguida, foi para Villafranca de Verona, onde consagrou-se definitivamente, aos 19 de março de 1945, à vida consagrada. Nesse mesmo convento permaneceu até 1957.

    Foi nesse convento de Villafranca que Frei Miguel começou mostrar-se conversador, extrovertido, devoto de Nossa Senhora e dos Santos, com religiosidade em sinais externos. Escutava os outros, interessava-se pelas pessoas e pelos seus problemas. Para dar uma resposta precisa, segura e consoladora, com freqüência pedia um momento de reflexão. Com o correr dos anos, no Brasil aperfeiçoou esta tendência de escutar e aconselhar.

    Com mais três frades missionários embarcou no navio Conte Biancamano aos 02 de julho de 1957, rumo ao Brasil. Desembarcaram em Santos, SP, (18.07.1957) e no dia 21 do mesmo mês entravam no convento das Mercês, em Curitiba, Paraná.

    Passou o primeiro ano (1957-1958) em Curitiba e Butiatuba, aprendendo a língua portuguesa. No seminário Santa Maria de Engenheiro Gutierrez assumiu o encargo de zelar pelos irmãos leigos e candidatos (1958-1959). Quando os irmãos leigos foram para Siqueira Campos, lá os acompanhou (1960). Após breve período em Butiatuba, assumiu a portaria em Curitiba (1961-1964) e o setor da enfermaria. Continuou na mesma atividade da portaria em Ponta Grossa (1965-1967) e cuidava dos irmãos leigos.

    Aos 21 de janeiro de 1968 foi enviado para a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde permaneceu até seu falecimento. Inicialmente auxiliava na pastoral e prosseguia atendendo pessoas para orientação. Foi nesse contexto de contínuo atendimento na paróquia e na orientação das pessoas que resolveu encaminhar-se ao sacerdócio. Feitos os necessários estudos, foi ordenado sacerdote por Dom Pedro Fedalto aos 8 de dezembro de 1973, na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde trabalhava. Inicialmente trabalhou como vigário paroquial, mas em 1976 foi nomeado pároco nesse mesmo local.

    Atender, ouvir os problemas das pessoas, tentar ajudá-las por meio de uma orientação, foi um trabalho que sempre gostou de fazer. Seu trabalho pastoral na Vila Nossa Senhora da Luz, a partir de 1968, foi definitivo para uma dedicação total ao serviço de atendimento e acolhimento, bem como para sua vocação sacerdotal. Com esforço e dedicação conseguiu realizar os estudos teológicos no Instituto dos Claretianos para ser ordenado sacerdote aos 08 de dezembro de 1973, em Curitiba.

    Sua dedicação passou a ser total à pastoral, com prioridade à escuta e ao aconselhamento, e com um incentivo ao povo de uma confiança na força de Deus, por meio da religiosidade das bênçãos, orações e partilha.

    A procura foi aumentando sempre e era feita por todo tipo de pessoas das mais diversas classes e variadas situações. Sua característica de dizer sempre sim foi desenvolvendo cada vez mais sua dedicação ao trabalho pastoral, a ponto de ter exagerado, humanamente falando.

    Conselhos simples e até populares, tinham a força de serem seguidos. E isto era feito para todo tipo de pessoas - pobres, ricos, autoridades, empresários, padres, seminaristas, religiosos, religiosas, - tanto de Curitiba e região, como de outras cidades do Paraná e também de outros Estados. Era o confessor do Seminário Arquidiocesano de Curitiba, de alguns mosteiros e conventos. Mesmo sem dotes de comunicação tinha sua força nos MCS (Meios de Comunicação Social), especialmente através da rádio. Fazia três programas diários e rezava 3 missas semanais numa Rádio local de Curitiba.

    Para muita gente era suficiente sua palavra e seu "Deus te abençoe", mesmo por telefone, para ficarem tranqüilas e acreditarem mais nas suas próprias forças e na força da graça de Deus.

    Seu ministério sacerdotal, realizado com muita dedicação e disponibilidade, passou a motivar as pessoas a partilharem com os pobres, particularmente com as crianças e os idosos. Várias obras voltadas aos pobres destacaram-no em Curitiba, inclusive duas Creches. Saciar a fome dos necessitados, também foi sua preocupação constante e nisto era ajudado pelas pessoas que o procuravam e viam nele um testemunho de vida. Desde 1981, frei Miguel exercia as funções de vigário paroquial, residindo na capela São Leopoldo Mandic, em Curitiba, por ele construída. Amigo dos pobres, homem de oração, foi um dos maiores promotores da devoção de São Leopoldo Mandic.

    Sua grande dedicação às almas, talvez tenha apressado sua passagem deste mundo. Prova disto está que no dia de sua morte havia recebido ordem médica de repouso, porque tinha feito o exame de cateterismo. Ordem esta que não obedeceu para não deixar as Irmãs sem a missa e as confissões. Sentiu-se mal exatamente quando atendia as religiosas. Socorrido imediatamente foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, mas não resistiu, vindo a falecer nesse dia 10 de abril de 1997. O atestado de seu falecimento, acusou o seguinte: Arritmia Ventricular e Aterosclerose Coronariana.

    Seu corpo foi velado e sepultado nesta Capela-santuário São Leopoldo Mandic, por ele construída e onde residia. Durante o velório, passaram pelo local aproximadamente 30.000 (trinta mil) pessoas, o que demonstra o quanto era querido e admirado pelas pessoas a quem tanto ajudou. Suas exéquias realizaram-se com a presença do frei Atílio Galvan, Ministro Provincial, de vários freis, padres de outras Congregações, padres diocesanos, religiosas e uma multidão de fiéis: cerca de 5.000 pessoas.

    O povo o considera como milagreiro, uma vez que confunde graça com milagre propriamente dito, que supõe uma cura impossível da explicada científica e humanamente. O importante é perceber que seu testemunho de vida, de amor, de simplicidade, partilha, serviço e luta pelo bem marcou a vida de muitas pessoas e influenciou a vida da própria igreja em Curitiba. Nada melhor que as pessoas continuem a rezar, confiantes de que com Deus nos sentimos melhor e mais compromissados com a doação aos outros, como foi o exemplo deixado por Frei Miguel. Seu túmulo é constantemente visitado por muitas pessoas.

Ver Mais