• Frei Valentim Argemiro Rodigheri

    15/07/1921

    28/04/1998

    Frei Valentim Argemiro Rodigheri

     15.07.1921 - Marau/Rio Grande do Sul
    28.04.1998 - Itapoá/Santa Catarina

    Frei Valentim Argemiro Rodigheri nasceu aos 15 de julho de 1921, em Marau, Rio Grande do Sul, onde foi batizado e crismado. Entrou no seminário de Veranópolis dos capuchinhos aos 15 de julho de 1935, tendo como diretores Frei Crisóstomo e Frei Alberto. Emitiu sua primeira profissão aos 07 de março de 1941, na casa de noviciado de Flores da Cunha, sendo Ministro Provincial Frei José de Bento Gonçalves. Durante seus estudos fez a Profissão perpétua em Garibaldi, aos 12 de agosto de 1944. Depois de ter recebido as diversas ordens menores e o diaconato (26.01.1947), foi ordenado sacerdote aos 13 de julho de 1947 na matriz de São Pedro, em Garibaldi, por Dom José Barea, sendo ministro Provincial Frei Alberto de São Marcos. Celebrou sua Primeira missa na matriz de Marau, Rio Grande do Sul, aos 20 de julho de 1947.

    No Rio Grande do Sul trabalhou em diversos lugares, como Professor, assistente dos seminaristas, vigário paroquial, superior local e missionário popular. Chegou na Província do Paraná e Santa Catarina aos 07 de dezembro de 1962, onde permaneceu como hóspede até o dia de seu falecimento. Em nossa Província, onde viveu como hóspede desde 07 de dezembro de 1962, trabalhou em Cruzeiro do Oeste (1963), Umuarama (1964), Santo Antônio da Platina (1965), no hospital de Chapecó (1967), Rio Branco do Sul (1968), Capinzal (1973), Butiatuba (1976), Itapoá (1977), Curitiba (1981-1991), e em Itapoá desde 1992 até seu falecimento.

    Além do trabalho pastoral e da vida fraterna, dedicou-se bastante ao estudo da psicologia e ajudava outras pessoas nesta especialidade, especialmente em Curitiba como consultor espiritual na equipe da Mens Sana.

    Em novembro de 1997, Frei Valentim fez diversos exames, tendo depois retornado à sua residência. Posteriormente, novamente em Curitiba sujeitou-se a um cateterismo. Deste exame surgiram diversos Problemas: seu braço e perna esquerdos amorteceram. Inicialmente os médicos julgaram que não tinha sido um derrame. No entanto, frei Valentim melhorou apenas em parte. Depois de uma temporada de terapias e medicamentos, melhorou um tanto mas as seqüelas continuaram. Quis retornar para sua residência, onde permaneceu até seu desenlace final, ocorrido a 28 de abril de 1998. Neste dia, pelas 10h da manhã, faleceu na casa da capela de Itapoá nosso frei Valentim Rodigheri. Tinha combinado pescar com um seu amigo de Curitiba. Como o dia amanheceu não muito bom, esse amigo Prometeu apanhá-lo pelas duas horas da tarde. Nessa hora, quando chegou, entrou na casa, ficou na cozinha e esperou. Não ouvindo barulho, começou andar. A porta da capela estava aberta. Entrou e viu o Frei Valentim caído no chão, com a estola; já tinha iniciado a missa. Logo avisou os freis de nossa casa de Praia. Os freis Serafim de Oliveira e Orlando Busatto começaram a tomar as necessárias Providências. Frei Serafim telefonou para Butiatuba e a Cúria Provincial.

    Todas as casas foram avisadas do ocorrido. Houve comunicações com a Província do Rio Grande do Sul e com seus parentes naquele Estado e em Curitiba.

    O Ministro Provincial, com alguns Definidores, encontrava-se viajando de Assunção-Foz do Iguaçu para Céu Azul, onde foi localizado e onde se fazia a reunião definitorial. O corpo de Frei Valentim foi transportado de Itapoá, Santa Catarina, onde residia, para nossa casa de Butiatuba, Paraná, onde chegou às 21h30 acompanhado pelos freis Orlando Raymundo Busatto, Serafim Nissete de Oliveira e pelo diácono de Itapoá. Para seu enterro vieram de Marau, Rio Grande do Sul, três irmãos, uma irmã e uma sobrinha; de Curitiba, uma Prima. Todos chegaram pelas 07h da manhã em nossa Cúria Provincial, sendo posteriormente levados para Butiatuba.

  • Frei Alcides Rossa

    29/07/1935

    28/04/2008

    Frei Alcides Rossa

    * 29.07.1935 - Lacerdópolis-SC

    + 28.04.2008 - Curitiba-PR

    Frei Alcides Rossa, filho de Vitorio Rossa e Ema Pellegrini, nasceu em Barra Fria, hoje Lacerdópolis-SC, aos 29.7.1935 que, então, pertencia ao Município de Cam­pos Novos-SC. Padre Mathias Michelizzo batizou-o na igreja São Paulo Apóstolo, em Capinzal-SC, aos 28.9.1935. Dom Daniel Hostin, bispo de Lajes-SC, crismou-o na igreja de Herval Velho-SC, aos 11.2.1943.

    Recebeu a primeira eucaristia na igreja Nossa Senhora das Dores em Lacerdópolis, em missa presidida pelo Frei Augusto Wonelig, OFM.

    Após ter iniciado o primeiro grau na Escola Munici­pal Pinheiros (1947-1949), ingressou no Seminário São Francisco de Assis, em Lacerdópolis, aos 5.2.1949, recebido pelo diretor Frei Sebastião Vieira dos Santos. Continuou seus estudos no Semi­nário Santo Antônio de Pádua em Butiatuba- PR e no Seminário Santa Maria em Riozinho, Irati (1950-1954).

    Noviciado e estudos - Iniciou o novicia­do aos 23.1.1955, em Lacerdópolis, sendo mestre de noviços Frei Germano Guerino Barison, tendo recebido o nome religioso de Frei Gregório de Barra Fria. Terminado o no­viciado, emitiu sua primeira profissão religi­osa aos 24.1.1956 nas mãos de Frei Bamabé Ivo Tenani, mestre de noviços. Durante seus estudos de filosofia e teologia, fez sua pro­fissão perpétua aos 22.2.1959, na missa presidida por Frei Bernardo Francisco Felippe, quando Frei Patrício Kódermaz era o superior dos capuchinhos.

    Durante seus estudos de filosofia (1956-1958), no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, teve como diretores Frei Lúcio de Ásolo, Frei Bernardo Felippe e Frei Agostinho Sartori. No mesmo con­vento, completou o curso teológico (1959-1962), sob a orientação do di­retor Frei Agostinho Sartori. Após a ordenação sacerdotal, continuou o cur­so de pastoral no mesmo convento das Mercês (1963), orientado por Frei Ovídio Zanini. Passou parte desse mesmo ano em Butiatuba, ajudan­do como vice-diretor do seminário.

    Ordens Menores e Maiores - Enquanto estudava teologia foi rece­bendo as Ordens Menores (leitorado, 19.12.1959; acolitado, 11.6.1960) pelo arcebispo de Curitiba, Dom Manuel da Silveira D’Elboux; Diaconato (22.9.1962) e presbiterado (22.12.1962), conferidos por D. Jerônimo Mazzarotto, auxiliar de Curitiba, na igreja Nossa Senhora das Mer­cês. Em Lacerdópolis, entre seus familiares, parentes e conhecidos, celebrou sua primeira missa solene aos 30.12.1962.

    Lugares de atuação - Após sua ordenação presbiteral, Frei Alcides desenvolveu suas atividades nas seguintes fraternidades e paróquias: Siqueira Campos (1963) Butiatuba (1963;1965-1966), Londrina (1966 - 1967); Ponta Grossa (1964-1965;  1976-191980; 1987-1990), Florianópolis (1967-1976; 1997-2002), Curitiba/Mercês (1980-1984; 1990-1993; 1996-1997), Curitiba/Cúria Provinci­al (1984-1987; 1993-1996), Casa de Oração (2003-2006), Curitiba/Mercês (2007-2008), em contínuo tratamento até seu falecimento.

    Encargos - Nos vários lugares onde trabalhou, Frei Alcides desem­penhou estes encargos: Na fraterni­dade provincial: mestre de pós-noviços e professor nos seminários, vice- superior, ecónomo local e guardião, Definidor e secretário provincial, se­cretário da SEASF. Na pastoral atuou como vigário paroquial; pároco em Ponta Grossa, Bom Jesus, Curitiba (duas vezes) e Florianópolis; em Florianópolis atuou como coor­denador da pastoral da Arquidiocese, assessor técnico da Comarca, membro da equipe central de Pastoral e, por diversos anos, trabalhou na Pas­toral Universitária daquela cidade.

    Frei Alcides fez treinamento so­bre Criatividade Comunitária minis­trando diversos treinamentos. Em 1979 esteve em Medellín, na Colôm­bia, para um curso de dois meses sobre as conclusões de Puebla. Logo em seguida, expôs estes es­tudos, com muita clareza e didáti­ca, aos teólogos, em Ponta Grossa e nas reciclagens da Província. Continuou até fase adiantada o sa­lão paroquial e apoiou a construção do Sepaboje (Centro de Pastoral Bom Jesus) em Ponta Grossa Nes­ta paróquia, com os leigos animou a promoção humana, visitava fave­las, insistindo que ninguém devia passar fome nem viver sujo. Interes­sava-se pelas famílias em dificulda­des, procurando aliviá-las. Quando era pároco nas Mercês pintou ex­ternamente a igreja e retocou a par­te interna e construiu os confessio­nários externos da igreja das Mer­cês. Trabalhou nos Encontros do Diálogo e nos Meios de Comunica­ção Social. Ministrou muitos cursos de formação a lideranças e grupos, assessorou retiros para universitá­rios e outros grupos eclesiais e de promoção humana. Participou e deu cursos em vários estados do Bra­sil. Orientou espiritualmente cursos do CERNE e da CRB Nacional e ou­tros mais, em Florianópolis. Parti­cipou de peregrinações em vários santuários e visitou diversas na­ções.

    Frei Alcides era inteligente e sa­bia expor os assuntos com muita clareza. Sua oratória fluente e clara prendia a atenção dos ouvintes. Sua dinâmica e metodologia nas pales­tras motivaram os muitos convites para assessorar cursos aos mais variados grupos. Tinha mente aber­ta e atualizada diante dos proble­mas da Igreja e do mundo. Era de convivência fraterna alegre, parti­cipativa e receptiva. Manteve e cul­tivava amizades, mostrando lealda­de e fidelidade aos compromissos assumidos. Em seus trabalhos era muito preciso, atencioso e capaz. Sabia estar presente em todos os momentos para acompanhar ativida­des, celebrações religiosas, movi­mentos eclesiais e na vida fraterna. Quando foi guardião na Cúria Pro­vincial, onde funcionava também a enfermaria, era muito atencioso com os frades doentes e cuidava para que nada lhes faltasse e também colaborava na secretaria provincial, escrevendo editoriais e na revisão de textos. Como Definidor Provinci­al sabia dar um parecer sábio, pon­derado e prudente. Nas dificuldades e problemas sabia mostrar seu sor­riso característico, que comunicava e ensinava. Sabia respeitar as pes­soas, colocando-se no mesmo pla­no, mas, ao mesmo tempo, sendo muito franco. Procurou usar seus dons para servir a Igreja e a Ordem.

    Anos dolorosos - Nos últimos anos de sua vida, Frei Alcides en­frentou diversas dificuldades de saú­de, um verdadeiro calvário. Sofreu muito, mas nunca desanimou, demonstrando resistência admirável contra o mal que o devastava. Nes­ses revezes sempre demonstrou co­ragem na esperança de vencer. Após ter sido operado do coração por três vezes e ter tido complicações, ines­peradamente viu-se diante de proble­mas provocados por um tumor ma­ligno que, lentamente, foi invadindo seu organismo, obrigando-o a pas­sar por diversas cirurgias penosas. Com os enfermeiros, Freis e pesso­as que dele cuidavam, mostrava-se educado e amável. Passou o último mês de sua vida internado no Hospi­tal Nossa Senhora das Graças, definhando, imobilizado, sem poder falar e até sem comer pois o câncer atingiu seu esôfago. No dia 28 de abril de 2008, às 21 h10, faleceu serenamente. Se­gundo o médico André Portella Reichmann, estas foram as causas da morte: caquexia cancerosa, metástases hepáticas, neoplasia esto­macal, bronco aspiração, fístula ênterocutânea.

    Às 6h30 houve missa exequial na Igreja das Mercês, com a presença dos Freis do convento e da cúria pro­vincial e do povo. Às 11 h seu corpo foi transladado para Butiatuba, onde foi celebrada outra missa exequial, às15h30 na capela interna do con­vento de Butiatuba-PR, presidida por Frei Darci Catafesta, vigário provincial, e concelebrada pelos 14 sacerdotes presentes. No final da celebração, Frei Darci Catafesta leu esta pequena mensagem do Ministro Provincial, Frei Cláudio Nori Sturm, que se encon­trava em Veneza (Itália), participan­do do 127a Capítulo Provincial da Província-mãe de Veneza: “Acabo de ler a notícia do falecimento de nosso querido Frei Alcides Rossa. Estava pressentindo que não o encontraria mais vivo, depois de meu retorno de Veneza. Acompanhei seu calvário com grande compaixão. Ultimamen­te mostrava-se muito conformado e resignado. Faça chegar aos familia­res de Frei Alcides meus sentimentos de solidariedade".

    Terminada a missa, Frei Mauro V. Rodrigues presidiu a encomendação. A seguir, o corpo foi conduzido ao cemitério e, após as orações rituais proferidas também por Frei Mauro, foi depositado na sepultura, enquanto os presentes cantavam “Com minha Mãe estarei”. Sua alma gozava da visão beatífica do Senhor na Glória. Inte­ressante notar que choveu o dia in­teiro. Durante a missa, a chuva foi parando e quando foi sepultado o sol apareceu no horizonte, pondo-se len­tamente.

  • Frei Guilherme de Magredis

    13/03/1909

    04/04/1986

    Frei Guilherme de Magredis

    13.03.1909 - Magredis/Itália
    04.04.1986 - Pádua/Itália

    Nasceu no dia 13 de março de 1909, em Magredis, no município de Povoletto (Udine), de uma família profundamente cristã. Plínio nome de batismo tinha quatro anos quando um seu irmão, João, vestia o hábito capuchinho com o nome de Frei Vicente, depois sacerdote (1924), ministro provincial (19451948) e mestre dos noviços .

    Aos 18 de outubro de 1920, Plínio entrou no Colégio Seráfico de Rovigo. Apenas completados 16 anos de idade, em 17 de maio de 1924, com o nome de Frei Guilherme de Magredis, foi admitido ao noviciado de Bassano del Grappa, emitindo, aos 23 de maio de 1925, a profissão temporária e, aos 25 de março de 1930, a Profissão perpétua, em Veneza. Viveu sessenta e um anos de vida capuchinha, testemunhada com seriedade, dentro e fora do convento.

    Com 24 anos, aos 17 de dezembro de 1932, em Veneza na basílica patriarcal de São Marcos, foi consagrado sacerdote pelo Servo de Deus, Cardeal Pedro La Fontaine. Frei Guilherme doou os seus 54 anos de sacerdócio ao serviço das almas, confiados cordialmente à Maria. Desde jovem se inscreveu em algumas associações, particularmente marianas: Maria, Rainha dos Corações, Senhora do Carmo, Almas vítimas, Trânsito de São José.

    Após ter trabalhado como pregador em Veneza (1932-1933), Asolo (1933-1934), Bassano del Grappa (1934-1935) e Rovigo (1935-1936), sentiu o chamado ao ideal missionário. Fez seu pedido em maio de 1933. Mas somente obteve a resposta aos 25 de junho de 1936, quando se encontrava em Rovigo, comunicada pelo Ministro provincial Venceslau de São Martinho de Lúpari que Ihe anunciou a escolha para ser missionário no Paraná.

    Aos 19 de agosto de 1936, junto com Frei Epifânio da Galliera Vêneta, partiu de Veneza com destino ao porto de Nápoles. Aproveitaram a ocasião para visitar Assis e Roma, para pedir a proteção ao Pai São Francisco e aos mártires.

    Aos 11 de setembro de 1936 chegou ao porto de Santos, de onde veio ao Paraná. Aos 14 de setembro chegou a Jaguariaíva, onde recebeu a obediência como professor no Seminário de Butiatuba (1936-1941) e, ao mesmo tempo, para cuidar das Capelas.

    Durante 10 anos trabalhou junto à população de Açungui, Rio Branco do Sul, Campo Magro e Cerro Azul (1942). Ainda hoje o povo lembra o intrépido cavaleiro capuchinho, que chegava com a sua bondade e serenidade.

    Frei Guilherme contagiava os confrades e os seminaristas com a sua alegria, contando os acontecimentos e peripécias de sua vida passada nos matos.

    Em fevereiro de 1942 foi transferido para Cerro Azul. Em fevereiro de 1944, foi destinado pároco de Venceslau Braz onde permaneceu até a metade de 1946. Nesse ano, enquanto desenvolvia com muito fervor apostólico sua atividade paroquial, foi chamado a Curitiba para atender a formação dos clérigos, no estudo de Filosofia e Teologia onde permaneceu de 1946 a 1949. Nos anos de 19501952 dedicou-se como diretor de nossas missões populares. No final de 1952, chegou a Mandaguaçu sendo o primeiro pároco. Construiu a casa paroquial e iniciou a igreja matriz. Em 1953, voltou à equipe missionária, quando em seguida foi nomeado pároco em Santo Antônio da Platina (1953-1966), para substituir Frei Inácio dal Monte, que tinha sido nomeado Bispo.

    Em 1955, em Santo Antônio da Platina, construiu um asilo para os velhos, com capacidade para 100 leitos. Aos 24 de maio de 1957, organizou-se uma grande festa para inaugurar a igreja e o asilo, quando, na oportunidade, Ihe foi concedido como reconhecimento o título de cidadão honorário de Santo Antônio da Platina. Passou seus últimos anos no Brasil, (1966-1970) vivendo no convento das Mercês, Curitiba, como vigário paroquial e capelão do hospital Nossa Senhora das Graças.

    O prefeito de Santo Antônio da Platina sancionou, aos 19.09.1969, a lei denominando Avenida frei Guilherme Maria a artéria que liga o prolongamento da rua Rui Barbosa à BR 113, dando acesso à cidade e passando bem em frente ao Asilo, por ele construído.

    Na vida de fraternidade exerceu muitos encargos: professor, vice-diretor do seminário em Butiatuba, conselheiro local, diretor dos clérigos em Curitiba, responsável pela OFS local, professor no curso de pastoral, superior local e vice-superior.

    Depois de se alegrar ao ver a Missão passar a Custódia, em 1937, a Comissariado, em 1957 e, finalmente, a Província, em 1968, com mais de 34 anos de sacrificada vida missionária, em maio de 1970, Frei Guilherme retornou à sua Província vêneta.

    Assim se expressa na carta de despedida ao Ministro provincial do Paraná e Santa Catarina: "Não posso fazer calar a saudade da terra que tenho banhado com os suores do trabalho apostólico por 34 anos, e obras realizadas, as almas que tenho conduzido aos prados de Deus. Procurarei suavizar esta saudade rezando e pedindo a felicidade de todos".

    Retornando à Província Vêneta, dedicou-se por 16 anos como confessor no convento de Pádua, do verão de 1970 até a primavera de 1986.

    Frei Guilherme, com graves problemas de coração e de pulmões, primeiramente tratou-se no hospital de Pádua. Trazido para o convento, faleceu aos 77 anos, no dia 4 de abril de 1986, no mesmo leito onde morreu São Leopoldo Mandic, no convento de Pádua.

    Era um homem impregnado de Deus. Era um frei que se sentia bem em fraternidade. Amava o silêncio do convento. O grande sustentáculo do seu fecundo apostolado era a oração. Dedicava-se com interesse e alegria à profunda oração e à vida interior. Tinha o dom da oração. Oito cadernos por ele escritos contêm esquemas de orações, homilias e notas de seus exercícios espirituais, revelando toda a sua alma franciscana: simples e serena.

  • Frei Patrício de Nébola

    04/04/1911

    05/04/1981

    Frei Patrício de Nébola

    04.04.1911 - Nébola/Eslováquia
    05.041981 - São José dos Pinhais/Paraná

    Caçula de nove filhos, entrou a fazer parte da casa de Miguel Kodermaz e de Carolina Sturm aos 4 de abril de 1911, na risonha Nébola rodeada dos bosques eslavos. A exemplo do irmão mais velho, Luís, ingressou com 14 anos no Seminário Diocesano de Gorizia. Conta-se que, diante da morte de um pároco capuchinho, tivesse decidido um dia substituir-lo. Após ter passado três meses com seu irmão Luís, sacerdote diocesano, decidiu mudar de caminho. Por isso, em setembro de 1927, entrou no pequeno seminário para os aspirantes eslavos em Santa Cruz de Aidússina e, no ano seguinte, foi para o seminário de Verona.

    Aos 14 de agosto de 1929, iniciou o noviciado em Bassano del Grappa e fez sua primeira profissão (15.08.1930). Continuou seus estudos em Thiene (1930-1932), passando então para Bassano para iniciar o curso de filosofia. Em 1933, foi para o novo estudantado de Pádua (apenas inaugurado), onde emitiu sua profissão perpétua (04.10.1933). Iniciou a teologia em údine, completando em Veneza, onde recebeu as ordens menores e maiores. O cardeal patriarca Dom João Adeodato Piazza ordenou-o sacerdote aos 14 de agosto de 1938.

    Durante os estudos era o mais idoso de seus confrades e também o mais maduro. Por isso, sempre era eleito como responsável para manter a disciplina e a ordem, quando se ausentava o diretor. Gostava muito de estudar dogmática e ciências sacras. Demonstrava grande diligência, aliada à sua boa inteligência. Após sua ordenação, continuou a viver, durante seis meses, na região vêneta. Seus colegas dizem que ele teria gostado de trabalhar com seus compatriotas eslavos, onde já trabalhava seu irmão sacerdote, padre. Luiz Kódermaz.

    Não apresentou algum pedido para ser missionário no Paraná, mas aceitou a proposta de seu Ministro provincial para integrar um novo grupo.

    Um fato une-se à viagem de Frei Patrício. O Custódio Frei Inácio de Ribeirão Preto estava lutando, com muita dificuldade, para organizar o estudo de filosofia e teologia em Curitiba. Tinha pedido e insistido com o Ministro provincial (Frei Jerônimo Bortignon de Fellette) que necessitava de dois professores e alguns clérigos. Por isso, foi organizado um grupo de dois padres, três clérigos teólogos e um irmão leigo. Frei Patrício foi escolhido como chefe desse grupo.

    Recebido o crucifixo missionário em Gorizia, Frei Patrício, com seu grupo, embarcou em Trieste, aos 05 de janeiro de 1939, no navio Neptunia. A viagem foi boa e, após breve parada em Recife (16.01.1939), desembarcou em Santos, SÃo Paulo (20.01.1939), viajou de trem chegando em Curitiba aos 22 do mesmo mês.

    Pela sua cultura e vida capuchinha autêntica foi nomeado, no mesmo ano, diretor e professor do estudantado de Curitiba e reitor da Igreja das Mercês. Em 1946 dirigiu o seminário São Francisco, em Barra Fria, Santa Catarina. Sua presença nesse seminário foi importante porque aumentaram as vocações e melhorou o nível de ensino, preparando-os melhor para o seminário de Butiatuba, Paraná. Em 1948 voltou como prefeito dos estudos e superior do convento das Mercês, em Curitiba. No mesmo ano (06.06.1948), substituiu Frei Inácio Dal Monte na árdua missão de Custódio provincial, cargo em que permaneceu até julho de 1954.

    Frei Zacarias de São Mauro, ministro provincial de Veneza e visitador, durante sua visita em 1955 incentivou a formação de um seminário para vocações de irmãos leigos. Ele mesmo, aos 20 de abril de 1955, inaugurava o seminário São José com esta finalidade e a Frei Patrício Kódermaz foi confiada esta nova iniciativa.

    Dois anos após sua chegada, Frei Patrício foi eleito (14.08.1941) segundo conselheiro da Custódia, permanecendo durante todo o período da guerra, sendo confirmado aos 08 de agosto de 1948. Frei Inácio de Ribeirão Preto foi nomeado (26.05.1949) bispo, Frei Patrício, como primeiro conselheiro, assumiu a direção da Custódia e preparou as festas para o novo bispo.

    Na eleição feita pelos religiosos, o Ministro geral nomeou-o (06.06.1949) Custódio. Depois do triênio, foi novamente reeleito (1951-1954). No início desse segundo triênio, transferiu a sede da Custódia de Curitiba para Ponta Grossa, no convento Imaculada Conceição.

    A Custódia tinha sido promovida, aos 20 de dezembro de 1957, a Comissariado provincial. Frei Patrício foi chamado a ser o primeiro Comissário (08.01.1958) até 11 de novembro de 1963. Mais tarde, foi novamente eleito (25.10.1966) quarto conselheiro do Comissariado.

    Como superior, Frei Patrício demonstrou grande espírito seráfico, capacidade organizadora e dinâmica atividade. Sua vida de oração, mortificada e apostólica dava-lhe mais força quando isto pedia aos seus irmãos. Zelou muito pela observância regular. Chegou a afirmar que nos conventos de Curitiba e Butiatuba existia a mesma observância dos conventos da Província de Veneza (relatório de 1951). Insistia que os frades não faltassem aos retiros espirituais anuais.

    Na celebração de seus 25 anos de vida sacerdotal (14.08.1963), recebeu muitas homenagens que exaltaram suas qualidades como orientador dos capuchinhos.

    Quando guardião do convento das Mercês (1948) continuou e terminou a torre das Mercês iniciada por Frei Beda Toffanello que a levantou até o setor dos sinos. Quando Custódio provincial, animou e colaborou para que Frei Nereu Bassi instala-se os atuais sinos, inaugurados aos 08 de junho de 1952.

    Durante seu segundo triênio (1951-1954), construiu o convento Imaculada Conceição de Ponta Grossa, para onde transferiu a sede de governo. E quando Comissário provincial, iniciou (1958) o convento Bom Jesus para nele instalar o curso de filosofia, inaugurado aos 07 de março de 1961.

    A maior obra material de Frei Patrício foi a construção do seminário Santa Maria em Engenheiro Gutierrez que, ainda inacabado, o inaugurou no início do ano escolar de 1953. Uma obra com 71 metros de frente, 53 de fundo, três andares e quatro na ala esquerda, calculado para 200 seminaristas.

    Apoiou a construção e manutenção do Ginásio Assunção de Uraí, o Ginásio Anchieta de Capinzal, o Ginásio São Francisco de Assis de Curitiba. Dirigiu o Seminário São José (Butiatuba) para os irmãos não clérigos e abriu as Escolas Vocacionais de Laurentino, Ouro e São Lourenço do Oeste. Aceitou a Capelania Ferroviária de Ponta Grossa e as Capelanias Militares de Curitiba e Ponta Grossa.

    Continuou a estruturação de nossa vida e ação apostólica assumindo as paróquias de Londrina, Arapongas, Cruzeiro do Oeste, São Lourenço do Oeste, Laurentino, Alfredo Wagner, Florianópolis, Mandaguaçu e Alto Paraná.

    Participou de Capítulo provincial em Veneza (1951, 1954), do Capítulo geral de 1958, de muitas reuniões e assembléias dos religiosos do Brasil, do encontro dos superiores capuchinhos do Brasil com o visitador geral Frei Agatângelo de Langasco. Esteve presente aos festejos do jubileu de ouro de Dom Inácio de Ribeirão Preto em Guaxupé (1962) e no seu enterro (31.05.1963). Acabou a igreja e a torre de São Lourenço do Oeste e muitas outras obras. A cidade de S. Lourenço do Oeste concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário (1969), mas ele não quis recebê-lo.

    Frei Patrício mostrou o mesmo entusiasmo e eficiência no trabalho pastoral como pároco em São Lourenço do Oeste (1964-1966), em Santo Antônio da Platina (1967). Seu coração e sua alma sentiram-se realmente realizadas quando pode fazer parte da equipe missionária. Missionário volante desde o ano de 1967 até a morte.

    Apóstolo ardente, trabalhador incansável. Capuchinho orante e austero. Sabia harmonizar o espírito seráfico, a capacidade organizadora e a atividade. O que exigia dos outros, testemunhava-o com sua vida. Sua alegria chegava ao ápice quando constatava que o espírito de fraternidade entrava e residia em todos os lugares.

    Frei Patrício tinha terminado de pregar as missões em Ituporanga, SC. Quis viajar até Ponta Grossa, PR e aproveitou a passagem de um caminhão até Curitiba. Perto de São José dos Pinhais, o caminhão teve um acidente; rivou e tombou várias vezes. Frei Patrício sofreu grave lesão cerebral nos ferros torcidos da cabina. Eram 05h30 horas de 20 de março de 1981. Atendido imediatamente, foi levado ao hospital de S. José dos Pinhais onde, por 17 dias, foi atendido pelo dr. Luiz Ernani Mdalozzo. Faleceu no dia 5 de abril de 1981, às 23h15, no hospital de São José dos Pinhais, perto de Curitiba.

    Foi sepultado no cemitério de Butiatuba.

  • Frei Luiz Alves de Souza

    01/08/1930

    05/04/1994

    Frei Luiz Alves de Souza

    01.08.1930 - Varginha/Minas Gerais
    05.04.1994 - Curitiba/Paraná

    Frei Luiz Alves de Souza (Rufino de Varginha) nasceu em Varginha, Minas Gerais, a 1 de agosto de 1930, filho de Luís Ezequiel de Souza e Elisa Alves da Silva.

    Ingressou ao seminário Santo Antônio, em Butiatuba, Paraná, aos 24 de março de 1944, tendo como diretor Frei Gaspar Zonta de Fellette. Recebeu o hábito capuchinho, em Butiatuba, aos 15 de janeiro de 1948 e teve como mestre de noviços também Frei Gaspar. Professou temporariamente aos 14 de janeiro de 1949 na mesma casa e, perpetuamente, aos 2 de fevereiro de 1952, no convento das Mercês, em Curitiba, Paraná, sendo ordenado sacerdote aos 26 de maio de 1956 pelas mãos de Dom Manuel da Silveira d'Elboux, arcebispo de Curitiba, na catedral metropolitana.

    Frei Luiz era muito erudito. Possuía vasto domínio das línguas latina, grega, portuguesa, francesa e castelhana. Dominava tão bem o latim quanto o português, quer escrevendo, quer compondo poesias. Foi grande músico: compositor, arranjista, cantor e regente. Era autodidata, mas também fez vários cursos de aperfeiçoamento nestas áreas: Música (composição e música religiosa, em 1967 e 1968), em Curitiba; Letras, na Faculdade dos Maristas (como assistente); Licenciatura em Filosofia, pela Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

    Durante quase toda a sua vida, Frei Luiz trabalhou nos seminários como professor de Música, Português, Latim, Grego e Literatura. De 1957 a 1960 atuou no seminário Santa Maria, em Engenheiro Gutierrez, Paraná. De 1961 a 1967, em Butiatuba, Paraná. Em 1968 retornou ao seminário Santa Maria, trabalhando aí até 1975. Em 1976 foi transferido para Uraí, Paraná, como vigário paroquial e vice-superior. Em 1977, foi para Siqueira Campos, Paraná, e em 1978 retornou a Uraí. De 1980 a 1984 residiu no convento Bom Jesus, em Ponta Grossa, Paraná, como professor. Em 1985 até 1994, trabalhou na Cúria provincial, em Curitiba, Paraná, como arquivista.

    Em Curitiba, Frei Luiz trabalhava, também, com o Movimento do Diálogo, do qual era muito querido e participou de muitos encontros com os casais.

    A saúde, nos últimos anos, não andava boa. Sua renhida luta para conviver com a dependência do álcool era antiga e penosa. Suas forças vinham paulatinamente definhando. Na quaresma de 1994 ele demonstrou uma reação digna de um herói: prometeu publicamente que iria mudar. Ficou uns 20 dias sóbrio, mas foi vencido pela sua impiedosa inimiga.

    Na Páscoa, dia 3 de abril de 1994, teve mais uma recaída. Na tarde do dia 4 já apresentava sinais de sobriedade. Como de costume, quando estava voltando à normalidade, isolava-se e sentia-se bem assim. Procurava não participar da vida comum da fraternidade, ficava no seu quarto de onde saia furtivamente para tomar um gole de café na cozinha e regressava ao seu cantinho. Lá, escutava suas músicas. Em conversa aberta, franca e fraterna ele agradecia a compreensão dos freis em aceitá-lo naqueles momentos de sofrimento e humilhação.

    Veio a falecer aos 5 de abril de 1994, cujo laudo médico constatou parada cardíaca fulminante.

    A missa de corpo presente foi presidida pelo Ministro provincial, Frei Atílio Galvan, com participação de bom número de freis. A capela de Butiatuba estava repleta de amigos, confrades e parentes. Uma presença muito especial chamava a atenção de todos: era a mãe de Frei Luiz, dona Elisa, que veio de São Paulo.

    Podemos dizer que este frei passou pelo mundo só fazendo o bem, pois mesmo nos seus momentos de fraqueza não agredia ninguém. Ao contrário: todos os seus alunos o recordaram com muito carinho. Era aquele mestre que chegava a adaptar as notas agudas e graves de um canto à capacidade vocal de seus pupilos. Exultava de alegria quando alguém solicitava os seus serviços. Levou risca a doutrina do Divino Mestre: «Eu vim para servir e não para ser servido».

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