• Frei Cirino Primon (João)

    20/08/1920

    01/07/1996

    Frei Cirino Primon (João)

    Nasceu no dia 20 de agosto de 1920, em Getúlio Vargas-RS. Filho de José Primon e Virginia Bosa. Professou no dia 06 de Janeiro de 1938 em Flores da Cunha-RS e ordenado sacerdote em 13 de Agosto de 1944, em Garibaldi-RS. Trabalhou em Ipê-RS por um ano, seguindo, após para as missões, juntamente com frei Amadeu Semin, em Portugal e Angola (por 23 anos). Em 1970 veio ao Brasil Central, trabalhando em Campo Grande, Brasília, Ceilândia e Coxim.  Faleceu no ano de 1996 de acidente automobilístico em Bandeirantes-MS, quando se dirigia para o retiro anual, juntamente com Frei Dionisio Zandoná e Domingos Ferreto (estes com ferimentos leves). Contava 76 anos, 58 de vida religiosa e 52 de Presbítero. Foi sepultado em Coxim-MS. Seu caixão foi carregado pelo povo por mais de 2 km. Posteriormente seus restos mortais foram transferidos para Rio Verde-MS. Destacou-se pelo espírito missionário e pelo amor aos pobres, especialmente crianças, tendo fundado e mantido diversas creches, especialmente em Ceilândia e Coxim.

  • Frei Mauro Vellozo Rodriguez

    15/12/1937

    01/07/2012

    Frei Mauro Vellozo Rodriguez

    * 15.12.1937, Ibirá-SP

    + 01.07.2012, Curitiba-PR

    Frei Mauro, filho de Joaquim Vellozo Jú­nior e Maria Rodrigues, nasceu em Vila Ventu­ra, município de Ibirá- SP, diocese de Rio Pre­to, aos 15.12.1937. É o primogênito dos 8 ir­mãos. Foi batizado aos 31.12.1937 na igreja matriz São Sebastião de Ibirá e crismado aos 08.05.1938 em Vila Ventura, também diocese de Rio Preto- SP, por Dom Lafayete Libânio. Recebeu a 1a Eucaristia aos 13.12.1949 na paróquia Santa Luzia, em Ibiaci, município de Primeiro de Maio-PR.

    Vida escolar - Fez o curso primário em Vila Ventura. De 1968 a 1969 cursou Madureza Ginasial no Colégio Estadual do Paraná. No Ensino Médio, estudou Contabilidade (1970-1971) em Siqueira Campos, concluindo-o em 1973, no Colégio São Francisco de Assis, em Curitiba. Estudou Filosofia e Teologia (1974-1977) em Ponta Grossa, concluindo em 1978 a Teologia no ITESC, em Florianópolis-SC. Cursou Espiritualidade Franciscana no CEFEPAL, em Petrópolis no ano de 1984. Em 1993 bacharelou-se em Teologia pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Fez Especialização em Teologia Espiritual no IFEAL, em Bogotá, Colômbia, em 1994 e1995.

    Formação Capuchinha - Participando das missões pregadas pelos nossos missionários capuchinhos, despertou nele o desejo de ser também missionário e sacerdote como eles. Mas como já estava com 20 anos de idade e somente com o estudo primário, inicialmente tornou-se Religioso Irmão. No dia 26.12.1957 chegou ao convento de Butiatuba-PR. No início do ano seguinte foi a Engenheiro Gutierrez, no Seminário São José, junto ao Seminário Santa Maria, onde fez o postulantado. Recebeu o hábito capuchinho aos 10.02.1959 em Siqueira Campos, com o nome de Frei Marcelino de Ibirá, sendo mestre de noviciado Frei Barnabé de Guarda Vêneta. Emitiu os votos temporários em Siqueira Campos, aos 11.02.1960, sendo o celebrante Frei Casimiro de Orleans e os votos perpétuos na Igreja das Mercês, aos 11.02.1963, sendo celebrante Frei José Vitalino GalvaNossa

    Como religioso trabalhou nestes lugares: Engenheiro Gutierrez (1960-1962), Ponta Grossa, convento Bom Jesus (1963-1969), Siqueira Campos (1970-1971), Butiatuba (1972), Ponta Grossa, convento Bom Jesus (1973-1977). Nestas fraternidades atuou como alfaiate, porteiro, sacristão, esmoler, vice-superior, vice- reitor, ecónomo local e na pastoral.

    Sacerdote - A partir do Concílio Vaticano II os Irmãos que quisessem, poderiam tornar-se padres, desde que cursassem Filosofia e Teologia. Frei Mauro aproveitou a oportunidade e pos-se a estudar. Enquanto estudava o 3° ano de Teologia recebeu os ministérios de leitorado e acolitado aos 17.04.1977, sendo celebrante Frei Clemente Vendramim. Dom Geraldo Micheletto Pellanda, bispo de Ponta Grossa lhe conferiu o diaconato, aos 14.08.1977 e o sacerdócio aos 04.12.1977, ambos na Igreja Bom Jesus, em Ponta Grossa. Celebrou a 1a missa em Presidente Castelo Branco-PR, aos 11.12.1977.

    Como sacer­dote trabalhou nas seguintes loca­lidades: Florianó­polis (Trindade)

    (1978-1979) cur­sou o 4° ano de teologia. Atuou como vigário e ecónomo local e vigário cooperador;

    Ponta Grossa, Imaculada (1980-1982), Missionário Popular; Irati, Paróquia (julho a dezembro de 1983) vigário cooperador; Petrópolis (1984) Espiritualidade Franciscana no CEFEPAL; Siqueira Campos (1985-1988), pároco; Ponta Grossa, Bom Jesus (1988-1993), pároco e professor; Colômbia, Bogotá, (1994-1995), Especialização em Teologia Espiritual no IFEAL; Curitiba, Paróquia das Mercês, (1996-1998), vigário paroquial; Curitiba, Casa de Oração (1998-2002), assis­tente regional da OFS, cursos, retiros, professor; Curitiba, Santuário São Leopoldo (2003-2005), cursos, retiros professor; Siqueira Campos (2006-2012), Gerente da Rádio Bom Jesus Cana Verde FM, vigário paroquial, professor, pregador de retiros.

    Lecionou as disciplinas Vocação Francis­cana, Regra Franciscana, Fontes Franciscanas e Espiritualidade Franciscana aos nossos aspirantes e Freis. Ministrou muitos cursos aos leigos e religiosas. Foi assistente espiritual da OFS. Dedicou-se, com muito afinco, a pregar retiros para religiosas/os e leigos. Em três anos (2001-2003), por exemplo, pregou mais de 70 retiros, todos anotados em sua agenda pessoal. Para isso, fazia longas viagens, enfrentando-as, no final da vida, com problemas fortes de saúde.

    Meios de comunicação - De 2005 até sua morte (2012), assumiu com decisão a Rádio Bom Jesus AM de Siqueira Campos e, mais tarde, fundou, em parceria, a Rádio Genoa FM. Renovou completamente os estúdios e apa­relhagem da Rádio Bom Jesus. Enfrentou lutas e dificuldades em obter autorizações dos Ministérios Públicos para aumentar a potência da Rádio Bom Jesus e instalar a Rádio Genoa FM, com moderna aparelhagem. Melhorou sensivelmente as antenas de transmissões. Abriu novos campos de evangelização pela Rádio. Embora não fosse técnico em radio-transmissão, demonstrava-se en­tusiasta, dinâmico e lutava para alcançar seus objetivos.

    Apreciações - Durante a Missa Exequial, o celebrante Dom Frei Cláudio Nori Sturm fez estas e outras considerações sobre o falecido: 1. Passou pela purificação do sofrimento e está na glória de Deus; 2. Assumiu os trabalhos com muita dedicação; 3. Levou muito a sério todos os trabalhos que lhe foram confiados; 4. Ajudou muitas pessoas com seus retiros a se encontrarem sempre mais com Cristo;

    5. Sorriso largo, meigo, gargalhadas agradáveis; 6. Olhava as coisas mais positivamente, embora aparecessem complicadas; 7. Um grande confrade, amigo e companheiro.

    O Ministro Provincial (Frei Cláudio Sérgio de Abreu), entre suas considerações, acentuou: 1. Estamos celebrando a vida de nosso irmão Frei Mauro; 2. Somos gratos pela sua vocação e pela generosidade à qual respondeu; 3. Colocou-se de maneira aberta para servir o Reino de Deus e os irmãos; 4. Freis, religiosos/as tiveram a graça de crescer um pouco com suas lições, orientações, palestras, direção espiritual; 5. Conhecemos muito bem seu dinamismo e deter­minação, que constatamos também nos momentos de calvário e sofrimento; 6. Mesmo nos últimos meses de sua vida, era uma pessoa de sonhos, com vontade de realizar tantas coisas; 7. Deixa um testemunho de paz, de amor, de dedicação naquilo que queria fazer e realizar; 8. Lembramos como era benquisto por onde passou, a capacidade que demonstrou de se comunicar; 9. Pude sentir e perceber quanto as pessoas o estimavam e gostavam de celebrar com ele e ouvir suas mensagens; 10. Era zeloso no trabalho que sempre realizou; 11. Um elemento interessante para a vida fraterna era seu cuidado com a horta. Nos lugares por onde passou, sempre cultivou a terra, como bom capuchinho, e dizia que “isto muito me ajuda a levar avante meus trabalhos”; 12. É bom lembrar suas pescarias e seu espírito esportivo com que as fazia, partilhava-as e se divertia com todos; 13. Como fraternidade capuchinha, louvamos a Deus pelo seu “sim” à vida religiosa e sacerdotal, pela sua fidelidade em seus 74 anos de vida, 52 de vida religiosa e 34 de sacerdócio; 14. Agradecemos a Deus por ter escolhido ser frade capuchinho e ser fiel até o fim da vida terrena. Frei Mauro, reze por nós porque nós estamos de coração aberto.

    Frei Juarez De Bona acompanhou muito a primeira fase da vida de Frei Mauro e dá este testemunho vivencial:

    “Vi pela primeira vez Frei Mauro em dezembro de 1969, quando, com outros Freis, ele fazia coleta de cereais em São Lourenço do Oeste (naquela época se chamava Frei Marcelino). No ano seguinte, foi ele quem respondeu minhas cartas de orientações para o ingresso ao Seminário (era vice-superior e vice-reitor do seminário dos Irmãos em Siqueira Campos). Morei com ele em Siqueira Campos em 1971 e Butiatuba em 1972. Foram os dois últimos anos do Seminário São José, para Irmãos Capuchinhos. Frei Davi Nogueira Barboza era o diretor e ele o vice. Frei Mauro era Frei alegre, determinado, muito líder, bem dinâmico, também excelente jogador de futebol. Tinha verdadeira paixão pelos estudos, pela espiritualidade e pelo que de novo surgia na Igreja. Naquela época estavam ocorrendo as grandes transformações pós-conciliares. Era entusiasta com os Irmãos pós-noviços e formandos. Era muito assíduo na oração e aberto aos novos tempos da formação. Frei Mauro, apoiado por Frei Davi, repassava aos pós-noviços e a nós formandos os conhecimentos de Teologia Espiritual que recebia nos encontros dos Religiosos em Ponta Grossa. Animava-nos em nos preparar melhor para os novos desafios que surgiam e que os “modelos antigos” de Irmãos deveriam se adaptar às exigências dos novos tempos.

    Nos cursos regulares, Frei Mauro estudava um ano à minha frente. Algumas disciplinas estudávamos juntos. Era muito aplicado, assíduo e conseguia bom aproveitamento. Nos finais de semana sempre se ocupava na pastoral da época.

    Mais tarde como sacerdote (ordenou-se após quase 18 anos de profissão religiosa), continuou com o mesmo zelo em tudo o que assumia. Sempre admirei seu grande senso de responsabilidade e entusiasmo em tudo o que fazia. Tinha humildade em buscar ajuda ou conhecimentos nas pessoas mais preparadas do que ele. Procurava estar sempre atualizado na sua área. Amava a Província, vibrava com ela e se entristecia quando alguém a abandonava. Dias antes de falecer, confidenciou-me que, diante da morte se avizinhando devido à gravidade da doença, sentia-se preparado espiritualmente e agradecido a Deus por tudo o que fez e que a vida lhe proporcionou”.

  • Frei Gaspar Zonta

    01/10/1912

    03/07/1985

    Frei Gaspar Zonta

    01.10.1912 - Fellette/Itália
    03.07.1985 - Ponta Grossa;Paraná

    Frei Gaspar Zonta nasceu a 1 de outubro de 1912, em Fellette, diocese de Pádua, Itália. Seus pais, Francisco e Angela Zonta, moravam perto do convento capuchinho de Bassano del Grappa e, daqueles frades sorveram a devoção e o espírito franciscano. Foi o terceiro de cinco irmãos. Um deles morreu na Segunda Guerra Mundial e outro, missionário em Angola, morreu de morte misteriosa, talvez envenenamento.

    Ainda menino ingressou no seminário diocesano de Pádua. Após uns anos de seminário diocesano, sentindose chamado pelo ideal franciscano, ingressou no seminário seráfico de Verona. Após ter concluído o ginásio, feito o noviciado em Bassano del Grappa (1930-1931), terminado o curso de filosofia e tendo cursado dois anos de teologia em Veneza, movido por ideal missionário, deixou a sua pátria querida e viajou para o Brasil, onde terminou os estudos.

    Chegou em Curitiba no início da segunda Guerra Mundial (1939), onde concluiu a Teologia, sendo ordenado sacerdote aos 4 de junho de 1939, na igreja das Mercês, juntamente com Frei Santes de Povigliano, pelas mãos do Arcebispo de Curitiba, Dom Eusébio ático Eusébio da Rocha.

    Frei Gaspar era de caráter acessível, brando, piedoso. Foi logo designado para a nobre e difícil missão da formação entre os religiosos. Primeiramente foi designado diretor (1940-1943; 1951-1952) e vice-diretor (1942; 1948) do seminário de Butiatuba. Posteriormente, por cinco anos (1944-1948), mestre de noviços em Butiatuba, contandose entre eles, o bispo Dom frei Agostinho Sartori. Assumiu o cargo de diretor dos teólogos, nas Mercês, Curitiba (1953-1954).

    Em 1955 passou a desempenhar a função de pároco na paróquia de Cruzeiro do Oeste e lá permaneceu até 1966. Esta paróquia abrangia quase todo o território da atual diocese de Umuarama. Seu trabalho nesta região, paróquia recém criada, foi assinalado por ardente zelo e paternal amor pelas pessoas. Visitava freqüentemente as comunidades da paróquia, atendendo sempre com carinho e sem distinção a todos os fiéis. Enriqueceu a sede paroquial com a comunidade das Irmãs Vicentinas. A estadia de Frei Gaspar em Cruzeiro do Oeste foi tão marcante pelo seu zelo e santidade e tão querido pelo povo que Ihe foi outorgado pela autoridade municipal o título de cidadão honorário.

    Nessa paróquia construiu a igreja, matriz, o salão social, lojas para aluguel e muitas capelas rurais. Pregou diversos retiros espirituais a leigos e fundou a Legião de Maria com homens em Ponta Grossa.

    Em 1965 naturalizou-se como cidadão brasileiro e nomeado diretor dos filósofos no Convento Bom Jesus, em Ponta Grossa (1965-1966). Eram os tempos turbulentos pós conciliares. Por isso Frei Gaspar sofreu muito. Em 1967 foi nomeado pároco da Imaculada Conceição, em Ponta Grossa. De 1967 a 1973 fez parte de nosso grupo missionário, com residência em Ponta Grossa. Inconformado com a onda de renovação conciliar entre seus irmãos, em 1975 ingressou no Instituto dos Frades Menores Missionários, recém fundado. Ali exerceu a função de mestre de noviços e superior das casas de União da Vitória e Toledo.

    Ele sofreu dois derrames que o deixaram por duas vezes à porta da morte. Estava pregando o retiro aos noviços. Cansado, depois do almoço se retirou para descansar. Como não chegasse para a oração da tarde, foram ao quarto dele e o encontraram agachado, no chão, ainda muito lúcido. Recebeu a absolvição e a Unção dos enfermos. Enquando era levado ao hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa, faleceu às 19h30 de 3 de julho de 1985 de enfarte cárdio-respiratório, edema agudo pulmonar e insuficiência cardíaca. Estava com 73 anos de idade, 55 de vida consagrada, e 46 de sacerdote.

    A missa exequial foi presidida por Dom Geraldo M. Pellanda, bispo de Ponta Grossa, concelebrada por Dom Agostinho Sartori, bispo de Palmas, por Frei Joáo Daniel Lovato, Ministro provincial dos capuchinhos e mais 24 sacerdotes, dos quais 10 eram capuchinhos. Foi sepultado no cemitério Chapada, a 500 metros do convento dos Frades Menores Missionários.

    Frei Gaspar, pastoralmente, incluiu-se no rol dos pioneiros que desbravaram o norte novíssimo do Paraná. Indulgente, bondoso, afável, nunca media esforços em trabalhos e sacrifícios. Foi daqueles homens que marcaram época e que abriram caminhos. 

  • Frei Timóteo Laziosi de Villafranca

    14/11/1880

    07/07/1954

    Frei Timóteo Laziosi de Villafranca

    14.11.1880 - Villafranca de Verona/Itália
    07.07.1954 - lha de São Miguel/Itália

    Frei Timóteo nasceu em Villafranca de Verona (Itália) aos 14 de novembro de 1880. Com 15 anos de idade recebeu o hábito capuchinho. Professou perpetuamente aos 02 de junho de 1901. Completou louvavelmente os estudos de filosofia e teologia. Em Veneza, no dia 26 de julho de 1903 foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Patriarca José Sarto, o futuro São Pio X.

    Por causa de seus dotes pedagógicos foi enviado como professor de religião nas escolas estatais de Zara e Trieste.

    Durante a guerra 1914-1918 esteve no campo de concentração de Linz (Áustria). Voltando, foi destinado como lente de teologia moral no estudantado de Veneza.

    Mas a alma dinâmica de Frei Timóteo desejava um campo de apostolado além mar. Em 1920, com a segunda turma de missionários vênetos, veio para o Paraná. Assumiu, com não pequeno sacrifício, a paróquia de Santo Antônio da Platina. Exerceu a pastoral em Siqueira Campos, Irati e Curitiba. Fez parte do Conselho no governo da Missão.

    Por motivos de saúde, em 1925, retornou à Província vêneta. Foi designado para Castelmonte. Aos pés de Nossa Senhora continuou seu apostolado recebendo e confessando os romeiros. De 1938 a 1944, dirigiu o boletim "La Madonna di Castelmonte", aumentando grandemente a difusão do mesmo.

    Sentindo que as forças o abandonavam, retirou-se à enfermaria de Veneza. No dia 7 de julho de 1954, voltou para a casa do Pai. Foi sepultado no cemitério da ilha de São Miguel.

  • Frei Matias Grossi de Gênova

    07/05/1821

    10/07/1873

    Frei Matias Grossi de Gênova

    07.05.1821 - Gênova/Itália
    10.07.1873 - Castro/Paraná

    Frei Matias (Michele Grossi) nasceu em Gênova aos 7 de maio de 1821. Era filho de Luiz Grossi e Joana Bobbio. Vestiu o hábito capuchinho aos 3 de março de 1839, no convento São Barnabé. Posteriormente o noviciado foi transferido para Sarzana (La Spezia). O mestre era Frei Cristóvão de Gameragna. Prefessou aos 3 de março de 1840, em Sarzana, província e diocese de La Spezia. O celebrante foi Frei Caetano Pizzardo de Savona e o Provincial era Frei Ângelo Beverino de La Spezia.

    Em 1850 foi enviado como missionário ao Brasil pela Propaganda Fidei, chegando em Jataí (Paraná), com Frei Timóteo de Castelnuovo.

    Frei Matias, de estatura alta e elegante, de aspecto nobre e ascético, de índole suave e tenaz, de gênio multiforme, infelizmente tinha pouca saúde. Não lhe faltava certamente o espírito de evangelizar os índios da floresta, mas a saúde física não o ajudava. Surgiu nele um drama interior que hoje, pode ser avaliado à plena luz, mas que nem todos os seus contemporâneos souberam compreender. Tendo constatado que suas repetidas tentativas entre os índios foram infrutuosas, por que então não exercer o apostolado onde o clima e o ambiente lho permitiam? Pesava-lhe demais, fervoroso como era, cair na melancolia e condenar-se a mais penosa esterilidade evangélica. Seguindo a voz da sua consciência, decidiu desenvolver sua atividade apostólica entre os civilizados.

    Um ano após sua chegada em Jataí, pediu a Frei Timóteo, seu superior, para retirar-se a Castro (Paraná), por motivo de saúde. Ao pároco, Padre Damásio José Correa que, ocupado como era também com encargos públicos e buscava ansiosamente um coadjutor, foi-lhe um grande presente da Providência receber aquele capuchinho inteligente e pleno de ardor. Não deixou fugir a ocasião e, para ligá-lo à paróquia, nominou-o imediatamente seu coadjutor. Era o dia 31 de dezembro de 1855. Ali ele revelou seu excepcional carisma de apóstolo e de organizador, os seus talentos de artista, de pintor, escultor e musicista.

    Iniciou imediatamente o seu apostolado, com zelo devorador, cativando a admiração e o amor dos fiéis e suscitando ondas de entusiasmo. O que muito contribuiu para grangear a simpatia popular foi a sua prodigiosa atividade no ciclo litúrgico da quaresma na preparação dos fiéis para a Páscoa. Organizou magistralmente a celebração da semana santa de 1856.

    Superando mil dificuldades, soube animar a liturgia da Paixão com ótima coreografia, com cantos, procisões e discursos. O sermão proferido na Quinta-feira Santa, após o lavapés, despertou profunda piedade nos fiéis. Na tarde de Sexta-feira Santa realizou-se o cortejo fúnebre da sepultura de Cristo. O povo ficou profundamente comovido. Na noite do Sábado Santo, Frei Matias passou de casa em casa para anunciar o Aleluia e levar a bênção pascal. Foi recebido com muito afeto e devoção. O Domingo de Páscoa foi celebrado com tanto esplendor litúrgico que deixou nos corações uma inefável suavidade. Somente em pouquíssimas paróquias, bem organizadas, podia ser assim solenizado o indescritível triunfo do mistério pascal. Talvez em nenhum outro lugar do Paraná, como afirma um cronista do tempo, viu-se realizado um espetáculo grandioso e devoto assim.

    Quando isto ocorreu (março de 1856), Frei Matias dirigia a comunidade cristã de Castro como vigário cooperador. A ascendência adquirida ajudou-lhe a atrair o povo a Deus com todas as funções do ministério paroquial.

    Frei Matias não trabalhou somente no centro, mas percorreu a cavalo ou a pé longas distâncias, num território com mais de 15.000 km². No relatório ao Comissário geral sobre seu apostolado assim escreve: "A estima que gozo, não digo para me envaidecer, é considerável. Emprego todos os meios para obter a honra do meu hábito. Passo continuamente de um a outro povoado nesta vastíssima paróquia, com 138 km de comprimento e 108 de largura. Aqui há um só pároco, e além do mais, é doente. Nestes lugares celebro a santa missa como também administro os sacramentos da penitência, do batismo, fazendo os meus discursos e recolho donativos para a construção da matriz".

    Frei Matias se aproximava das pessoas mais humildes e necessitadas e com elas partilhava as amarguras, sofrendo as fadigas mais extenuantes. Viajando nos povoados, colocava uma pedra, mesmo com dificuldades e lá surgia uma igrejinha. Deve-se a ele a criação de quase todas as antigas capelas do município de Castro, sementes de futuras paróquias, destacando-se entre elas Piraí do Sul, dedicada ao Menino Jesus, com o famoso santuário de Nossa Senhora das Brotas.

    O nome de Frei Matias está ligado a uma obra das mais grandiosas, existente ainda hoje, como um dos monumentos mais antigos do Paraná: a Igreja Matriz de Castro. Foi o arquiteto, o empresário e o diretor dos trabalhos desta obra. Uma verdadeira maravilha de templo.

    Como artista que era, esculpiu em madeira as imagens de Nossa Senhora das Dores, do Senhor dos Passos e Jesus Crucificado, ou Senhor do Bonfim, devoção muito difusa para suscitar nos fieis o pensamento da boa morte. Suas obras artísticas se encontram na Matriz de Castro.

    Este capuchinho, enquanto se sacrificava tanto nas obras da matriz e nas excursões apostólicas, idealizava outra iniciativa: construir uma casa de caridade, dividida em dois setores: um para as crianças pobres e outro para os idosos sem recursos. Com os subsídios recebidos da comarca local e a ajuda do povo, dedicou-se de corpo e alma à realização desta obra.

    O livro tombo de Castro, entre outras, afirma: "Frei Matias benzeu a igreja de Jaguariaíva em 1864".

    No arquivo da Câmara Municipal de Castro, encontram-se estas observações: "Desde 31 de dezembro de 1855, trabalhava o abnegado capuchinho, Frei Matias de Gênova. Este homem extraordinário, exemplo de renúncia e desprendimento; virtuoso, altruísta e digno, percorreu campos e sertões, recolhendo donativos para a construção da igreja matriz; e os donativos vários que obtinha, colocava-os em leilões, convertendo-os em dinheiro para emprega-lo na construção do grande templo".

    Escultor, pintor, aproveitava os momentos de permanência na cidade para fazer as imagens que, hoje, ornam os altares da matriz; modesto, procurou sempre ocultar o seu nome em todos os seus trabalhos; só aparecendo quando imprescindível. Nada revela o seu nome e, entretanto, muito trabalhou. Credenciado pela estima e consideração dos castrenses, ao ver o grande templo atingir seu objetivo, iniciou outra obra de vulto, o Hospício de Caridade e amparo à infância desvalida".

    Frei Matias faleceu em Castro aos 10 de junho de 1873, após 22 anos de frutuoso apostolado no Brasil.

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