• Frei Beda Toffanello

    18/04/1907

    01/03/1986

    Frei Beda Toffanello

    18.04.1907 - Gavello/Itália
    01.03.1986 - Curitiba/Paraná

    Nasceu em Gavello (Itália), aos 18 de abril de 1907. Atraído pela pregação de um capuchinho, entrou no seminário de Rovigo dos capuchinhos aos 6 de outubro de 1919. Iniciou (29.09.1923) o noviciado em Bassano del Grappa, tendo como mestre Frei Marcelino de Cartigliano. Terminado o noviciado, emitiu sua primeira profissão (30.09.1924) e a perpétua (08.12.1928) em Veneza, nas mãos do Ministro provincial, Frei Odorico de Pordenone. Ordenado sacerdote na Basílica de São Marcos, em Veneza, aos 21.03.1931, pelo então cardeal Dom Pedro La Fontaine.

    Seu pedido para ser missionário foi aceito e, aos 20 de setembro dee 1933, iniciou sua viagem ao Brasil, destinado para a Missão do Paraná, onde chegou com os freis Zeferino de Cassacco, Barnabé de Guarda Veneta, Galdino de Vigorovéa e Marcos de Longarone, aos 11 de outubro de 1933.

    Aqui, seu campo de apostolado foi Curitiba (1933-35; 1944-1948; 1971-1972), Butiatuba (1935-1936; 1937-1939; 1948-1949; 1955-1958; 1958-1961; 1968-1971), Capinzal (1936-1937), Jaguariaíva (1939-1941), Santo Antônio da Platina (1958; 1961-1962; 1967-1968), Bandeirantes (1967), Londrina (1972-1973) e Rio Branco do Sul (1973-1978).

    Nesses lugares trabalhou como professor, superior local, diretor do curso de pastoral, ecônomo local, vice-superior, reitor da igreja Nossa Senhora das Mercês, vigário paroquial e pároco. Quase sempre foi superior de fraternidades, ecônomo nas casas de formação, pastor dedicado nas paróquias e orientador espiritual. Vivia de maneira austera, mas sempre mostrando simplicidade e espontaneidade.

    Pregou muitos retiros aos nossos frades desde 1946 até 1958. Dirigiu a construção da torre da igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, inaugurada em 1949, mas sem os sinos; foi autorizado a estudar as reformas de nosso cemitério de Butiatuba (1969) e iniciou a nova igreja matriz de Almirante Tamandaré (1969).

    Sua vida foi dedicada à evangelização e à formação de sacerdotes. Pequeno de estatura, magro de corpo, mas grande alma. Foi exemplo de vida comunitária e fraterna. Amava a oração, tanto particular como comunitária. Gostava de cultivar amizades e apreciava um copo de vinho nas brincadeiras com os amigos. Tinha sempre saídas espirituosas e alegres.

    Em quase todas as segundas-feiras, Frei Beda visitava suas famílias conhecidas na região de Rio Branco do Sul, onde fora pároco. No último sábado de fevereiro (1986), quis celebrar as duas missas na paróquia de Itaperussu, onde tinha muitos amigos. O povo admirou-se de seu entusiasmo nas homilias. Era o canto do cisne! Ao meio dia almoçou com a família Peruzzolo e passou a tarde lembrando fatos do passado. Regressou ao convento de Butiatuba. Pelas três horas da manhã, ouvindo gemidos, um frei se levanta. Entrando no quarto de Frei Beda, encontra-o inconsciente. Levado imediatamente ao hospital Nossa Senhora das Graças foi constatada a gravidade do caso. Recebeu a absolvição e a unção dos enfermos através de Frei João Daniel Lovato, Ministro provincial.. Melhorou um pouco, mas na sexta-fera entrou em agonia. Faleceu na paz do Senhor à 3h20 de 1 de março, Sábado, de 1986, no mesmo hospital. Os médicos constataram insuficiência respiratória, broncopneumonia, doença pulmonar obstrutiva, tabagismo crônico. O arcebispo de Curitiba, DomPedro Fedalto, esteve presente aos funerais.

    Frei Beda foi um capuchinho muito simples, humilde e pobre. Um verdadeiro filho de São Francisco: morreu sem nada ter. Tinha medo da morte e por isso até se esquivava de visitar os doentes.

    Seus 79 anos foram de fidelidade e doação ao serviço da Igreja e da Ordem Capuchinha, na Província do Paraná e Santa Catarina.

  • Frei Ildefonso Marchesini (Olimpio)

    13/05/1923

    04/03/2010

    Frei Ildefonso Marchesini (Olimpio)

    Nasceu no dia 13 de maio de 1923, em Caxias do Sul-RS. Filho de Antonio Marhesini e Angelina Onzi. Professou em Flores da Cunha-RS no dia 06 de Janeiro de 1944 e foi Ordenado em Garibaldi-RS no dia 24 de Dezembro de 1950. Trabalhou no Rio Grande do Sul (Caxias do Sul como professor do seminário diocesano; em Veranópolis como professor; em Soledade, como professor do Ginásio e nas missões populares). Em 1969 vem para a Província do Brasil Central trabalhando como professor, Pároco e Vigário Paroquial (Sidrolândia, Rio Negro, Pedro Gomes, Sonora, Brasília e Campo Grande). Faleceu em Campo Grande-MS de complicações pulmonares com 87 anos, 67 de vida religiosa, e 60 de Presbítero. Está sepultado no jazigo da família em Caxias do Sul-RS. Sacerdote zeloso, paciente e bondoso.

  • Frei Domingos Bortoli Bruzamarello (Frei Sebastião)

    19/01/1939

    05/03/2004

    Frei Domingos Bortoli Bruzamarello (Frei Sebastião)

    Registro


    No Hospital Saúde, em Caxias do Sul, faleceu Frei Domingos Bortoli Bruzamarello (Frei Sebastião), de falência múltipla de órgãos. Transladado a Sananduva, foi velado na Igreja Matriz São João Batista. Da missa exequial, dia 6, participaram os bispos Dom Orlando Dotti, Dom Osório Bebber e Dom Pedro Sbalchiero, bispo de Vacaria, e 24 sacerdotes, 50 religiosos e numerosos fiéis.

     

    Frei Domingos nasceu na Linha Mão Curta, em Sananduva, a 19-1-1939, filho de + Henrique Bruzamarello e Maria Thereza Zanella, hoje com 90 anos, pais de três filhos e 11 filhas, uma das quais é Irmã Mafalda Bruzamarello, franciscana de Nossa Senhora Aparecida.

     

    A 25-1-1939, na capela São Paulo, Frei Domingos foi batizado pelo capuchinho Frei Domingos Rigon, pároco de Sananduva, e a 19-2-1941, foi crismado pelo capuchinho Dom Frei Cândido Maria Bampi, prelado de Vacaria.

     

    A 22-2-1952, ingressou no Seminário Seráfico São José, em Veranópolis, onde cursou, de 1952-4, as três primeiras séries ginasiais. Em Ipê, no Seminário Nossa Senhora de Fátima, concluiu o ginásio e cursou o 1° Ano Colegial. Em Marau, no Convento São Boaventura, concluiu o curso colegial. De 1960-2, bacharelou-se em Filosofia, na UNIJUÍ, e de 1963-7, cursou Teologia no Convento São Lourenço de Brindes de Porto Alegre. A 24-1-1957 ingressou no Noviciado dos Capuchinhos no Convento Sagrado Coração de Jesus de Flores da Cunha, tendo por mestre o Frei Urbano Poli, emitindo os votos temporários a 25-1-1958 e, a 25-1-1961, fez a Profissão solene, no Convento São Geraldo de Ijuí. Foi ordenado subdiácono, diácono e sacerdote em Porto Alegre, respectivamente aos 14 de setembro, 15 de setembro, e 10 de dezembro de 1967, na Paróquia Santo Antônio do Partenon, por Dom Vicente Scherer.

     

    Atuou como vigário paroquial, em Veranópolis (1968), Bom Jesus (1969-70) e Soledade (1971-2).

     

    De 1973-6 percorreu o Sul do Brasil, pregando missões populares. Em 1977, em Medellín, na Colômbia, realizou um curso de Missiologia. Retornou em 1978 às Missões Populares.

     

    A partir de 1979, integrou a Província do Brasil Central, trabalhando até junho como Vigário paroquial em Piracanjuba-GO, e de 1979-88 em Brasìlia. De 1989-90, com desejo de aprofundar sua definição vocacional, viveu fora da fraternidade, num sítio ao sul do Tocantins. De 1991-3 foi vigário paroquial em Coxim-MS. No primeiro semestre de 1994, cursou Missiologia na Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. A partir do 2° semestre de 1994 até fim de 1995, atuou nas Missões Populares. De 1996-9, foi superior do Convento São Sebastião, em Anápolis-GO, e vigário paroquial; de 2000-1, foi vigário paroquial em Piracanjuba-GO.

     

    A 23-10-2001 se rentegrou à Província do Rio Grande do Sul, atuando como vigário paroquial de Tramandaí, de 2001-2. Em 2003 atuava como capelão do Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha –RS, quando um exame de rotina dignosticou câncer no esôfago, que meses depois lhe ceifou a vida. Em seus 43 anos de vida religiosa e 37 anos de sacerdócio me encantou como religioso e sacerdote. Recordo suas palavras candentes na minha ordenação sacerdotal na Linha Mão Curta, em Sananduva, sua e minha terra natal, a 22-1-1989. Devo a Frei Domingos o despertar de minha vocação de sacerdote capuchinho. Conheci-o desde a infância, recordo suas visitas aos irmãos, parentes e amigos nos tempos de férias, especialmente à minha mãe, Ana Bruzamarello. Cada vez que ele partia, eu dizia que queria ir junto com ele. Tinha um carinho especial pelo meu pai, Felix Justino Pertile. Sua figura capuchinha de hábito, barba, cabelos longos e sandália, me cativava. Sempre animado, caminhava leve como pássaro, sorria e brincava. Eu e meus irmãos o amávamos. Antes que eu ingressasse no Seminário, celebrou uma missa na casa de meus pais e, na homilia, me disse: “Você vai ao Seminário, mas não esqueça das mãos e os pés calejados do teu pai, a dedicação da mãe, e sobretudo, não esqueça os chinelos de dedo, que recordam as tuas origens”. Estas palavras breves, densas de significado, me acompanham até hoje. Em 1986, meu pai precisava de cirurgia, mas estava sem condições financeiras. Frei Sebastião o levou a Brasília, e conseguiu a cirurgia no Hospital Militar, onde o visitava todos os dias e, depois, na residência dos freis o assistiu nos três meses que lá passou engessado, sem condições de andar. Assim Frei Sebastião procedia com todos os doentes que estavam sob seus cuidados nos hospitais e fora. Em Brasília acompanhou de perto o frei Odorico Dalmonin que, nos últimos anos, precisava ser auxiliado em tudo, dando-lhe banho diário, e levando-o a passeio. No início de 1970 acompanhou o longo sofrimento do próprio pai, vítima de câncer no esôfago. A uma senhora que chorava a morte de um familiar, disse: “Olha, eu não tenho nada para dizer a você, mas eu estou aqui”. Em 1985, em Brasilia, arrecadou alimentos, roupas, dinheiro e jóias para socorrer famílias nordestinas, vítimas da seca e/ou das enchentes. Conseguiu um caminhão e um avião cargueiro para lhes enviar os resultados da campanha. Com parte do dinheiro arrecadado fez abrir cisternas em vilarejos do sertão, e outra parte foi enviado à Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza (7 milhões de cruzeiros), para socorrer às vítimas das enchentes. Frei Domingos era um missionário carismático, tinha dom da palavra. Ouvindo seus sermões a viva voz ou ao microfone, muitos se converteram. Na Igrejinha de Fátima, em Brasília, era denominado de João Batista. Através da palavra sorria, fazia rir, chorava e fazia chorar. Com linguajar simples, ilustrava suas mensagens com comparações da vida e da natureza. Falava com poesia e emoção. Já de cabelos e barbas brancas, nos últimos anos, continuava a exercer o fascínio do tempo das missões. Brincava de papai Noel, para melhor atrair as crianças. Em Brasilia, além de atuar na paróquia e capelinha de Fátima, nas escolas e na OAB, notabilizou-se pelos programas religiosos radiofônicos e televisivos: ave-maria, momento da prece, missas dominicais, através dos quais, através dos quais levava palavras de esperança e respondia a questões sociais e religiosas. Rádio Planalto (Ondas Médias), Rádio Nacional de Brasília e Rádio da Amazônia, de cobertura nacional, disputavam sua participação, sem esquecer a atuação de Frei Domingos e dos Capuchinhos de Brasilia em programas religiosos e educativos da TV Globo, TV Manchete e TV Nacional. Ocasionalmente, participava de um ou outro programa radiofônico de entrevistas. Em Lagoa Vermelha-RS, nos últimos anos, conquistou os ouvintes da região com o programa “Paróquia Santo Antônio”, pela Rádio Cacique. Dedicava ao estudo do Grego e Hebraico para melhor conhecimento das Escrituras e nas suas pregações fundamentava os valores da família, os princípios da justiça social, da moral e da religião, com citações bíblicas precisas, no original. Frei Domingos cultivou o carisma paulino e franciscano da itinerância missionária, do desapego a lugares, do amor incondicional à evangelização. Nas homilias mostrava a necessidade da vida espiritual, através da oração pessoal, da contemplação e da oração comunitária, com o povo. Era decidamente a favor da paz, energicamente contra a luta armada, a guerra, a violência. Ao mencionar estes temas em suas pregações, ia às lágrimas. Na homilia em minha primeira missa, ao lembrar que os seguidores de Jesus e os filhos espirituais de São Francisco de Assis são portadores da paz, suplicou que eu resistisse incondicionalmente à luta armada, como meio para salvaguardar os direitos humanos. Disse: “Francisco não foi violento. Mas a vida, Nédio, reserva as suas surpresas. Se eu pudesse lhe dizer, dentro do possível, não seja violento. Não é do seu estilo, nem de seu pai, nem de sua mãe. Mas quando a dor é demais, quando a fome faz cantar o estômago e faz das tripas viola, quando o coração não tem mais nada a perder, quando os desamores da vida arrebentarem com os olhos e não se enxerga mais, o homem precisa viver. E, além das obediências à lei, além das obediências à instituição, está a obediência à lei de viver. Você precisa viver. Sempre você terá que dizer: eu não quero morrer. Eu quero viver! Nédio, hoje é fácil. E para mim é fácil falar, mas você terá que dizer ‘eu quero viver’. E tudo isso junto à comunidade”. Na missa funeral, um dos símbolos apresentados foi o microfone, instrumento que usou para anunciar o Evangelho. Logo que tomou conhecimento de sua morte, Dom Pedro Sbalchiero Neto, bispo de Vacaria, escreveu enviou uma a carta ao Frei Luiz Sebastião Turra, Provincial dos Capuchinhos, expressando sua gratidão pela via apostólica de Frei Domingos, evocando a imagem do pregador que guarda desde a infância: “Conheci o frei Domingos numa festa de Nossa Senhora da Salette, na capela do Santuário em Marcelino Ramos, quando animava a procissão. Conservo a imagem em minha memória. Agradeço a Deus por tê-lo conhecido assim”. Frei Nédio Pértile

     

    Informações pessoais


    Filho de Henrique Bruzamarello e Maria Thereza Zanella, nasceu em Sananduva a 19.1.1939. À Pia Batismal, recebeu o nome de SEBASTIÃO BRUZAMARELLO.

  • Frei Barnabé Ivo Tenani

    28/10/1898

    08/03/1981

    Frei Barnabé Ivo Tenani

    28.10.1898 - Guarda Vêneta/Itália
    08.03.1981 - Curitiba/Paraná

    Frei Barnabé nasceu aos 28 de outubro de 1898, em Guarda Vêneta, Província de Rovigo, Itália. Eram oito irmãos, filhos do casal Camilo Tenani e Sílvia Borgonzoni.

    No batismo recebeu o nome de Ivo. Fez seus estudos iniciais no colégio de Mogliano Veneto. Quando começou o curso de jornalismo em Florença, iniciou a primeira guerra mundial. Tinha 18 anos e foi chamado às armas, atuando motorista de um centro motorizado durante toda a guerra (1915-1918). Depois da derrota em Caporetto, salvou-se quase milagrosamente. Saindo do exército, pensou em dedicar-se à atividade comercial, da qual gostava muito. Por isso, foi para Trieste, onde pretendia abrir uma venda de queijos. Não conseguindo o que desejava, voltou a Pádua onde instalou uma fábrica de queijos. Seu negócio estava indo muito bem, mas seu comportamento começou modificar-se. Freqüentava a missa celebrada por São Leopoldo Mandic às 5h30 e com ele se confessava e dialogava sobre seu futuro.

    Em um dia de março de 1926, levantou-se e avisou sua mãe Sílvia que iria viajar. Arrumou-se e saiu com uma mala. Passados dias e sem saber notícias, sua mãe foi falar com o pároco. Este, pedindo-lhe desculpas, disse que tinha recebido o encargo de avisá-la que o filho estava com os Capuchinhos.

    Considerado vocação adulta (tinha 28 anos de idade) e por causa de formação, foi enviado diretamente ao noviciado em Bassano del Grappa, onde iniciou o noviciado (29.09.1926) e emitiu sua primeira profissão (04.10.1927). Cursou filosofia em Pádua (1927-1929) e a teologia em Veneza (1929-1932). No entanto, para contentar Frei Leopoldo Mandic (seu ex-diretor) e seus familiares fez a profissão perpétua em Pádua (04.10.1930). Recebeu a ordenação sacerdotal aos 25 de abril de 1932 na igreja do convento de Rovigo das mãos de Dom Anselmo Rizzi, bispo de ádria. Por ser ex-combatente foi ordenado 15 meses antes do tempo marcado, com dispensa de Roma. Após sua ordenação, completou os estudos teológicos, desenvolvendo o apostolado que lhe era possível.

    A seguir, pediu para ser missionário no Brasil e sua proposta foi aceita. Recebeu o crucifixo missionário na igreja do Santíssimo Redentor, em Veneza. Enquanto o povo o saudava e abraçava, de repente chega um frade pequeno que também abraça Frei Barnabé com muita comoção, desejando-lhe bom trabalho e que o acompanharia com suas preces. Era Frei Leopoldo Mandic, seu ex-diretor espiritual. Frei Barnabé parte, enquanto Frei Leopoldo o acompanha com o olhar e depois retorna meditativo ao convento.

    Frei Barnabé partiu de Veneza aos 17 de setembro de 1933, embarcando em Nápoles no navio Oceania aos 24 do mesmo mês com os freis Zeferino de Cassacco, Beda de Gavello, Galdino de Vigorovéa e Marcos de Longarone. Desembarcaram em Santos, São Paulo (07.10.1933). Em São Paulo, esperava-os o superior regular Frei Inácio de Ribeirão Preto que, com ele, viajaram até Jaguariaíva aos 11 de outubro de 1933. Após três dias, Frei Barnabé foi até Curitiba para aprender o português.

    Começou seu trabalho missionário em Tomazina (1933-1935)), atendendo seis capelas (Pinhalão, Anta, Jaboti, Japira, Barra Bonita, Sapé). Em todas esforçou-se para introduzir a devoção ao Coração de Jesus durante os dois anos de seu apostolado.

    Mestre de noviços - Aos 03 de janeiro de 1935 foi transferido para Curitiba, sendo nomeado mestre dos noviços. O noviciado tinha sido aberto no convento das Mercês aos 2 de fevereiro de 1935 com três clérigos e dois irmãos. No ano seguinte, já eram nove clérigos e dois irmãos. Em sua missão de mestre encontrou muita ajuda em Frei Inácio de Ribeirão Preto. Quando o noviciado passou para Butiatuba (1937), também foi para essa casa com os cargos de mestre, superior da casa e diretor do seminário. Enquanto exercia estas atividades, foi eleito (21.07.1941) Custódio provincial, sucedendo a Frei Inácio de Ribeirão Preto. Permaneceu até o final da guerra (1945).

    Aos 12 de agosto de 1946, o comissário para a América Latina (Frei Pascal de Pamplona), autorizava abrir o noviciado em Joinville. Frei Barnabé foi enviado a preparar esse novo lugar. Mas a malária, então lá existente, malogrou a tentativa.

    Contudo, continuou como mestre de noviços em Barra Fria, Santa Catarina (1955-1957) e em Siqueira Campos (1958-1960), onde também dirigiu a construção da sede do Noviciado. Foi o formador das primeiras gerações de noviços da Província.

    Superior – Frei Barnabé permaneceu no cargo de segundo conselheiro da Missão e Custódia de 1937 até 1941. Em seguida, foi eleito Custódio provincial, permanecendo até o final da guerra (1941-1945). Havia hostilidades contra os alemães e italianos. Mesmo assim, Frei Barnabé conseguiu das autoridades o envio, de seis em seis meses, de alguns sacos de café para o seminário de Butiatuba.

    Muitas dificuldades foram criadas pela segunda Guerra Mundial aos padres estrangeiros. No caso específico dos capuchinhos, além dos empecilhos daqui, foi interceptada a comunicação com o Ministro geral em Roma e, praticamente, impedida a vinda de novos sacerdotes. Apesar disso, com a ordenação dos primeiros capuchinhos paranaenses, foi possível construir e fazer funcionar o seminário São Francisco em Barra Fria, Santa Catarina, em 1942, adquirir um bom terreno em Ponta Grossa, em vista de um futuro seminário, manter vários compromissos assumidos com as dioceses e aceitar novas paróquias.

    Pastor de almas - Iniciou sua atividade de pastor de almas em Tomazina (1933), continuou-a em Curitiba (1934-1936), como mestre de noviços, auxiliando a igreja das Mercês e atendendo a capelania do Colégio Champagnat.

    Em Butiatuba (1937-1945) assumiu também o cargo de pároco responsável de Açungui, Votuverava (extintas) e Almirante Tamandaré. Em 1965, conseguiu, em apenas nove meses, construir a igreja de Rio Branco do Sul, cobri-la e usá-la para as funções. Em 1965, retornou a Rio Branco do Sul para ampliar a mesma igreja por ele feita. Em Joinville (1947-1948), atendia como reitor da igreja.

    Em 1949, foi transferido a Ponta Grossa para assumir a capelania da Rede Viação Paraná e Santa Catarina (Rede Ferroviária Federal), com sede em Ponta Grossa (1949-1950). Na região de Capinzal, SC, assumiu a paróquia de Santa Lúcia (1951-1954). Depois da construção de Siqueira Campos, foi para São Lourenço do Oeste, Santa Catarina, (1961-1963) como pároco. Passados alguns meses em Cruzeiro do Oeste e Guaratuba (1964), ajudou na paróquia de Florianópolis (1964). Por certo tempo viveu em Rio Branco do Sul e retornou novamente a Florianópolis (1968) como capelão do hospital Nereu Ramos. Depois de um ano como pároco de Tomazina (1969), viajou para a Itália. No seu retorno, foi para São Lourenço do Oeste mas residiu na capela de Galvão (1970-1973).

    Em seguida, foi para Londrina (1973-1974)) onde zelou da paróquia e do sanatório local. Em Palmas (1975-1976), ajuda o bispo capuchinho Dom Agostinho Sartori, ocupando-se das capelanias do Sanatório e da casa de idosos. Regressando para Butiatuba (1978) auxiliou na paróquia e na administração da casa.

    Na segunda metade de 1979, auxiliou pastoralmente em Santo Antônio da Platina. Sua última atividade foi em Rio Branco do Sul (1980), paróquia por ele fundada em 1944 e onde tinha sido vigário em 1965.

    Frei Barnabé dava sinais de cansaço físico. No dia 21 de dezembro de 1980, tendo-se dirigido ao hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, para uma consulta de rotina, ficou internado. Na véspera do Natal, aparentemente recuperado, recebeu alta retornando ao convento das Mercês. No dia do Natal teve uma recaída, sendo hospitalizado. O diagnóstico acusou derrame cerebral, com perda parcial da palavra e locomoção. Quatro dias depois, um novo derrame. Aos 6 de janeiro de 1981, retornou à Cúria provincial, onde prosseguiu o tratamento.

    Foi novamente internado (16-21.02.1981) por causa de uma pneumonia. Recuperou-se e retornou à Cúria, mas por breve tempo, porque problemas intestinais exigiram uma cirurgia. Seu organismo não reagiu e foi decaindo. Na madrugada do dia 8 de março de 1981, faleceu no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, com a idade de 82 anos.

    Está sepultado na capela jazigo em Butiatuba, a qual ele mesmo mandou construir para o repouso final de seus confrades.

  • Frei Constantino João Gozzo

    04/12/1897

    08/03/1985

    Frei Constantino João Gozzo

    04.12.1897 - Cellore/Itália
    08.03.1985 - Curitiba/Paraná

    Nasceu em Cellore, município de Illiasi, diocese de Verona (Itália), aos 4 de dezembro de 1897, filho de Luís Gozzo e Maria Spezie. Com 13 anos entrou no seminário de Rovigo dos capuchinhos. Iniciou o noviciado em Bassano del Grappa (26.08.1913) tendo emitido sua primeira profissão no mesmo local (01.09.1914).

    Durante o período de seus votos temporários foi convocado, com diversos companheiros de seminário, para atuar na Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), onde mereceu condecorações por bravura e gestos heróicos. Quis ficar na linha de frente nas lutas no Pasubio e Monte Grappa. No campo de batalha foi condecorado com a cruz ao mérito de guerra e com a medalha de prata de valor militar. Mais tarde, aos 2 de junho de 1971, a Sociedade Cultural Italiana de Curitiba concedeu-lhe o título de Cavaleiro de Vitório Vêneto, com a respectiva cruz e medalha. De vez em quando, com certa timidez, contava diversos fatos ocorridos durante a guerra. Retornando da guerra, fez sua profissão perpétua aos 15 de agosto de 1921, nas mãos de Frei Jacinto de Trieste, mais tarde nomeado bispo. Foi consagrado presbítero na Basílica de São Marcos, de Veneza, aos 5 de abril de 1924, pelo patriarca cardeal Dom Pedro La Fontaine.

    Convocado pelos Superiores para a Missão do Paraná, aqui chegou aos 7 de outubro de 1925. Portanto, sua ação apostólica aqui se estendeu por 60 anos, sem jamais ter retornado para visitas à sua terra natal.

    Sua vida religiosa e sacerdotal se confunde com a história de nossa Província, pois aqui chegou apenas 5 anos depois que os Capuchinhos vênetos tinham assumido a Missão que, posteriormente, se chamou do Paraná e Santa Catarina e, se transformou em Custódia em 1937, Comissariado em 1957 e, finalmente, Província em 1968.

    Todos estes eventos se constituíram em motivos de profunda alegria para Frei Constantino: poder admirar os frutos da primeira semeadura crescer e se desenvolver ao longo dessa caminhada franciscana e apostólica.

    Em seus 60 anos de vida apostólica, alternou as funções de pároco e vigário paroquial em diversos lugares da Província. Os Superiores não encontravam dificuldades em transferi-lo, sempre que as circunstâncias o exigissem e todas as fraternidades ficavam gratificadas com a sua presença. Sempre dizia o "sim".

    Trabalhou em Jaguariaíva (1925-1927; 1928-1929), São José da Boa Vista (1927), Cerro Azul (1929-1930; 1942-1944), Curitiba (1931-1934; 1962-1963; 1970-1981), Capinzal (foi o primeiro frade a residir em Santa Catarina; 1936-1941), Assaí (1946-1948), Santo Antônio da Platina (1949), Reserva (1950-1952), Engenheiro Gutierrez (1953-1958), Siqueira Campos (1960-1962), Ponta Grossa-Bom Jesus (1964-1969). Nestes lugares exerceu o cargo de vigário paroquial, pároco, reitor de igrejas. Na vida da fraternidade desempenhou os cargos de superior local, diretor dos Irmãos, professor, vice-superior local, diretor espiritual dos seminaristas e superior local.

    Era muito fraterno. Sabia desculpar e justificar a todos e jamais podia se ouvir um juízo negativo a respeito de algum irmão. Todos eram bons para ele. Na igreja das Mercês, onde esteve desde 1970 até a morte, dedicou-se ao atendimentos das bênçãos, na portaria; no Hospital Nossa Senhora das Graças atendia também aos doentes. Era incansável no ministério das confissões, tanto do povo como do clero e religiosos, a exemplo do seu santo confrade, o Apóstolo do confessionário: São Leopoldo Mandic. Construiu a casa paroquial de Capinzal e parte da igreja. Adquiriu a quadra e construiu a igreja provisória de Assaí. Pregou retiros para seminaristas, religiosas, maristas, frades de nossa Província e de São Paulo. Passou seus últimos anos de vida no convento das Mercês, em Curitiba, acolhendo, confortando e benzendo numerosíssimas pessoas que a ele recorriam. Como capelão do hospital Nossa Senhora das Graças, depois do almoço visitava todos os doentes que podia, dando-lhes esperança e confiança no Senhor.

    Faleceu no dia 8 de março de 1985 no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Nos seus funerais, estavam presentes Dom Pedro Fedalto (arcebispo de Curitiba), Dom Albano Cavallin (auxiliar de Curitiba, o Ministro geral dos Capuchinhos, Frei Flávio Roberto Carraro, o Ministro provincial Frei João Daniel Lovato e mais 34 sacerdoes. Frei. Flávio Carraro declarou: "A vida de Frei Constantino é para nós um testemunho profético: imitemola!". O Ministro provincial acentuou: "A sua vida fala a todos de bondade e misericórdia, de caridade e doação, de penitência e pobreza, do generoso sim e do silêncio, do amor à Eucaristia e à Virgem Maria, do ardor apostólico, da simplicidade e serenidade que a todos contagiava".

    As suas palavras, lembradas por todos no dia dos funerais, exprimem a síntese de sua vida: "O frei das bênçãos, dos doentes, do 'sim, sim'; 'reze três AveMarias para Nossa Senhora, a querida Mãe do céu".

    Está sepultado no cemitério de Butiatuba.

Ver Mais