01São Francisco Fahelante

Mártir japonês da Terceira Ordem (+1597). Canonizado por Pio IX em 6 de junho de 1862.

 

Nascido em uma família pagã. Depois de um longo catecumenato foi batizado. Com entusiasmo viveu a sua fé, ingressou na Ordem Terceira Franciscana e tomou o nome de Francisco, por sua devoção a São Francisco de Assis. Ele ajudou os missionários na pregação do evangelho, como catequista na preparação para o batismo dos neófitos, assistência e cuidado dos doentes em hospitais que havia sido erguido ao lado dos conventos de Meaco, Osaka e Nagasaki; em escolas onde se acolhiam muitas crianças cristãs e pagãs, às quais recebiam uma educação sólida. A direção desses trabalhos foi confiada ao terceiro.

 

Então veio a perseguição que, como um furacão, tudo destruiu. Foi grande o sofrimento dos cristãos quando viram os pais e terceiros vinculados como criminosos e presos entre a brutalidade dos soldados e os insultos dos monges. São Pedro Batista, ao abandonar sua amada igreja de Santa Maria dos Anjos, testemunhou com tanto fervor de oração: “Ave, Maria, virgem sublime, exaltada sobre os anjos”. Quando a procissão chegou aos hospitais em São José e Sant’Ana, a emoção atingiu o seu auge.

 

Quando os pacientes curados, assistidos pelo amor dos frades e agora levados à morte, caíram em prantos: “E agora, o que será de nós? Quem vai nos ajudar a cuidar de nós? Quem irá confortar-nos em nosso sofrimento? Eles eram para nós, pais, benfeitores e anjos da guarda! ”

 

São Pedro Batista os consolou: “Coragem, meus filhos, lembrem-se que no céu há um Deus que é Pai, especialmente dos pobres e humildes. Confio-os à nossa Mãe Maria. Adeus, queridos filhos, adeus. Até o céu!”. Entre Osaka e Nagasaki aumentou o grupo com dois novos companheiros, Francisco e Pedro, que a princípio não eram do número dos mártires, mas foram convidados a acompanhá-los e ajudá-los durante a viagem. Eles tiveram que sofrer os insultos dos soldados, mas não quiseram ir embora, e, consequentemente, foram acorrentados e crucificados, no dia 05 de fevereiro de 1597.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

02Santa Inês de Praga

Clarissa da Segunda Ordem (1205-1282). Canonizada por João Paulo II no dia 12 de novembro de 1989.

 

Também conhecida como Santa Agnes de Praga. Nasceu em 1205 em Praga, República Tcheca. Era filha do Rei da Bohemia, hoje República Tcheca e foi educada em Trebniz pelas freiras Cistercienses. Era apenas uma garota e já demonstrava fervor e desejo de se consagrar a Deus e viver intensamente a fé cristã. Por ser muito jovem e bonita não foram raros os rapazes que desejavam desposá-la. Porem, os seus planos para o futuro eram outros. Inês recusava a todos com gentileza declarando que o seu único compromisso era com Jesus.

 

Porém um dos homens que deseja tê-la como esposa era o Imperador Frederico II. Ele era o mais insistente dos pretendentes, chegando às vezes a abordá-la para pedi-la em casamento. Como Inês percebeu que apenas suas palavras não seriam suficientes, passou a entregar-se a suas orações com mais fervor, e provar a ele e a todos que a desejassem desviá-la do seu caminho que Deus era o seu maior desejo.

 

Mas eram tantos os que vinham interceder a favor do Imperador que Inês viu-se obrigada a escrever ao Papa Gregório IX para que intercedesse por ela e a ajudasse a livrar-se desse tormento. O Papa ficou admirado com a tenacidade e a fé de Santa Inês e enviou um de seus mais hábeis assessores para pessoalmente defender Inês, desencorajando o Imperador apaixonado. A firmeza com que o religioso e Santa Inês explicaram o que significava consagrar-se a Deus finalmente convenceram a Frederico II a renunciar o seu amor de homem, e ele tornou-se inclusive uma pessoa de fé inabalável.

 

Santa Inês pode então ficar livre para abraçar a sua verdadeira vocação. Suas primeiras ações foram construir um hospital para os pobres, um Convento para os Franciscanos e distribuir a sua riqueza para os pobres.

 

Logo em seguida fundou o Convento de São Salvador, cujos cinco primeiros membros a ingressar na Instituição foram enviados por Santa Clara de Assis. Santa Inês de Praga tomou seu hábito em 1234 e ingressou na Ordem das Clarissas. Algum tempo depois, devido a sua competência, humildade e bondade foi convidada para exercer a posição de Abadessa. A principio não queria a posição, mas mais tarde devido à insistência de Santa Clara aceitou. Dedicou 50 anos a expandir o Convento e a Ordem das Clarissas. Ela gostava de cuidar dos pobres e remendava pessoalmente as roupas dos leprosos e cuidava deles, e milagrosamente, nunca contraiu a terrível doença. Ela tinha o dom da profecia e curava vários doentes apenas com seu toque e oração e às vezes tinha visões. Apesar de nunca terem se encontrado, Santa Clara de Assis e ela trocaram extensas cartas durante duas décadas e várias dessas cartas ainda existem até hoje, e provam uma sabedora fora do comum no entendimento da Fé e de Jesus.

 

Faleceu em 6 de março de 1282 no Convento São Salvador, em Praga, de causas naturais. Beatificada em 1874 pelo Papa Pio IX e canonizada em 12 de novembro de 1989 pelo Papa João Paulo II. Seu túmulo logo se tornou um local de peregrinação e vários milagres foram atribuídos a sua intercessão.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

03Bem-aventurado Inocêncio Berzo - Capuchinho

Sacerdote da Primeira Ordem (1844-1890). Beatificado por João XIII no dia 12 de novembro de 1961.

 

Inocêncio, filho de Pedro Scalvinoni e de Francisca Poli, nasceu no dia 19 de março de 1844 em Valcamonica (Brescia), no batismo foi chamado João. Ele ficou órfão cedo de pai. Entrou para o seminário e foi ordenado sacerdote em 02 de junho de 1867. Coadjutor da paróquia, distinguiu-se pelo seu desapego das coisas, presença regular no confessionário e sua caridade para com os pobres, cuidar dos doentes e pregação humilde.

Nomeado pelo seu bispo vice-reitor do Seminário, um ano mais tarde foi novamente destinado ao trabalho pastoral paroquial em Berzo, onde desenvolveu uma intensa atividade apostólica, baseada na oração, bom exemplo e uma pregação simples e paternal, acompanhamento individual às pessoas para conduzi-las a Deus. Mas o Senhor o chamava para uma vida mais austera. Após a preparação espiritual mais intensa, superando muitas dificuldades, pediu para ser admitido entre os Frades Menores Capuchinhos, onde ingressou em 1874, com o nome de Frei Inocêncio, quando tinha 30 anos.

Viveu em Albino. Depois, foi para o convento da Santíssima Anunciata, como vice mestre de noviços. Em 1880, foi-lhe confiada à redação dos Anais Franciscanos, em Milão. Partiu para Crema, levando, por toda a parte, o brilho da sua santidade. Transferido outra vez para o convento da Santíssima Anunciata. Encontrou, no eremitério do Convento, a forma de se submergir na união com Deus que era própria do seu temperamento, de saciar a sua ânsia de sacrifício, de penitência e vida escondida. Seu ideal era atuar sem estar em evidência, o exercício de prolongadas horas de oração e contemplação, desempenhar os mais humildes serviços do Convento, tais como, pedir esmola de porta em porta com a pregação do bom exemplo e de boas palavras. A beleza da sua alma transparecia em todas estas manifestações.

Pregou retiros aos seus irmãos, a quem inundava com a abundância do seu espírito seráfico. Neste ministério da pregação teve de fazer muita violência sobre si mesmo, sobretudo, porque não se considerava capaz.

Morreu com 46 anos de idade, aos 3 de março de 1890, na enfermaria do convento de Bergamo, quando estava pregando retiro aos seus irmãos. O Senhor chamou a Si o servo bom e fiel que viveu na humildade e na pobreza. Os seus conterrâneos de Berzo reclamaram para si o seu corpo. Os documentos mais valiosos da sua vida são os seus escritos, especialmente, os seus Diários, onde apresenta longa série de ditos dos Santos com os quais alimentava especialmente o seu espírito. A sua devoção era o Santíssimo Sacramento e a Via Sacra.

Em 1961, aos 12 de novembro, o Papa João XXIII inscreveu-o no Catálogo dos Beatos. No discurso da sua beatificação, o Sumo Pontífice afirmou: “eis aqui um santo original que exteriormente não faz história, que não tem coisas para se contar, que se move no meio de acontecimentos sem importância, mas que é precisamente um santo moderno, um santo para o nosso tempo; quer porque viveu entre nós, quer porque é um modelo de oração e de austeridade”.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

04Bem-aventurado Cristóvão de Milan

Sacerdote da Primeira Ordem (1400-1485). Aprovou seu culto Leão XIII no dia 26 de julho de 1890.

Cristóbal Macassoli nasceu em Milão em começos do século XV. Transcorreu sua infância na inocência e na bondade, sob os cuidados solícitos de seus pais. Fazia os 20 anos quando se fez franciscano, quando São Bernardino de Siena (1389-1444) percorria as cidades de Itália pregando incansavelmente o evangelho, e suscitando uma profunda mudança nas almas, com grandiosas conversões, e trabalhava intensamente para voltar a Ordem Franciscana à primitiva observância da regra como a havia ditado e praticado São Francisco de Assis.

Cristóvão, ardendo em amor a Deus e aos irmãos, percorrendo o caminho da virtude, com pureza de coração, com uma viva confiança em Deus, na austera observância da pobreza, se colocou no caminho luminoso de São Bernardino, místico sol do século XV. Ordenado sacerdote, foi insigne por sua pregação e santidade, e por sua entrega generosa e sem medida ao ministério apostólico. Sua fama foi crescendo, já pelas numerosas conversões que obrou, já pelos poderes taumatúrgicos que se lhe atribuíram. Com o exemplo e com a palavra edificou a Igreja de Cristo.

Com o Beato Pacífico Ramati de Cerano fundou o convento de Santa María das Graças em Vigevano, cuja admirável igreja foi construída por Galeazzo Sforza e consagrada em 1476. Ali fixou sua residência depois de uma vida de grande atividade apostólica. Pronto a fama de sua santidade se estendeu tão amplamente, que ainda de partes longínquas chegavam a ele numerosos fieis para pedir sua oração e escutar sua palavra sempre cheia de caridade e compreensão, para que bendissesse aos enfermos e às crianças. Deus a miúdo glorificou a santidade de seu servo fiel com prodígios.

Morreu em 5 de Março de 1485, aos 85 anos de idade. Seu corpo, rodeado da veneração de seus devotos, foi sepultado na igreja de Santa Maria das Graças, na capela de São Bernardino. Em 1810 suas relíquias foram trasladadas à catedral de Vigevano. Um antigo testemunho do culto que lhe foi rendido é o quadro do altar de Santa Maria das Graças de 1653, no qual o Beato é representado junto com São Bernardino ao lado da Virgem. Leão XIII aprovou seu culto em 25 de Julho de 1890.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

05São José da Cruz

Sacerdote da Primeira Ordem (1654-1734). Canonizado por Gregório XVI no dia 26 de março de 1839.

São João José da Cruz nasceu na ilha de Ischia, a 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho de José Calosinto e Laura Gargiulo. Seu nome de batismo foi Carlos Caetano Calosinto e seus primeiros estudos foram no colégio dos padres agostinianos, ai mesmo na ilha. Aos quinze anos optou pela vida religiosa, ingressando na Ordem dos Franciscanos Descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como Alcantarinos.

Devotíssimo da Paixão de Cristo, flagelava-se até se ferir. Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação do padre José Robles. Foi o mais jovem dos doze frades que, em 15 de julho de 1674, assumiram a direção do Santuário de Santa Maria de Occorrevole, onde ele resolveu construir um convento.

Diante das dificuldades encontradas no local, ele logo deu o exemplo. Não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulou assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco. Em pouco tempo construíram um grande convento. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

Ao completar vinte e quatro foi nomeado mestre dos noviços em Nápoles e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas e tinha o hábito de se levantar de madrugada para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Seu modelo de vida foi São Francisco de Assis.

Foi eleito provincial no Capítulo de Grumo, em 1703. Abriu muitas casas em Nápoles, atraindo uns 200 religiosos à observância e reorganizou os cursos. Terminado o seu mandato, o arcebispo Francisco Pignatelli o convocou para dirigir 73 mosteiros e retiros, ainda em Nápoles. Semelhante tarefa recebeu do cardeal Inácio Caracciolo na diocese de Aversa. Diversas pessoas ilustres do clero o procuravam para pedir conselhos. Também recorreram a ele São Francisco de Jerônimo e Santo Afonso Maria de Ligório.

Morreu no dia 5 de março 1734, portanto, com 80 anos de idade. Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. Suas relíquias foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, sua terra natal.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

06Bem-aventurado Jeremias de Valáquia - Capuchinho

Religioso da Primeira Ordem (1556-1625). Beatificado por João Paulo II no dia 30 de outubro de 1983.

 

Beato Jeremias de Valáquia, batizado com o nome de Jon Stoika, nasceu a 29 de Junho de 1556, em Tzazo, na região de Valáquia, na Romênia, no seio de uma família que se distinguia pela sua fé católica numa região marcada pela heresia.

Após uma infância e juventude vividas cristãmente, quando tinha 18 anos, deixou a sua pátria e veio para Itália, segundo confidenciou à sua mãe, por ser uma terra de bons cristãos. A sua mãe, Margarida Barbato, católica fervorosa, tinha-lhe segredado diversas vezes: “Vês, Jon, aquelas avezinhas que rasgam os céus na direção do sul e dão a impressão de pequeninos monges a esvoaçar? Tu mesmo abrirás voo para a Itália, terra abençoada, onde os habitantes são bons cristãos e todos os religiosos são santos”.

Depois de ter atravessado os Caparzi, chegou a Alba Real, então capital da Transilvânia e ali ficou ao serviço do Príncipe Estevão Bathery. Após dois anos de espera, acompanhou um célebre médico italiano que se dirigia para Bari. Aqui, encontrou-se com um amargo desmentido de tudo aquilo que lhe dissera a mãe: não encontrou bons cristãos. Naquele movimentado porto de mar encontrou, pelo contrário, gente da pior espécie: blasfemos, borrachos, ladrões, comerciantes e policiais corruptos. Quando pensava empreender viagem de regresso à sua terra natal, foi aconselhado a ficar em Nápoles num momento em que o tempo era propício para a vida de piedade.

Decorria a Quaresma de 1578. Tempo de penitência: igrejas repletas de fiéis, procissões muito devotas, gente atenta a ouvir a Palavra de Deus. Conclui que aqui há bons cristãos. Haverá também, aqui, aqueles religiosos santos de que lhe falou a sua mãe? Tendo entrado na igreja dos Capuchinhos, assistiu com devoção às celebrações litúrgicas realizadas pelos irmãos capuchinhos. Ficou comovido e, ali mesmo, tomou a decisão : “Vou ser um deles”.

Apresentou-se ao Ministro Provincial, Fr. Urbano de Giffoni que, depois de ter experimentado a vocação do jovem, acolheu o seu pedido e mandou-o para Aurunna a fim de iniciar o noviciado. Mudou, então, o nome de Jon pelo de Frei Jeremias de Valáquia. Fez a primeira profissão religiosa a 8 de Maio de 1579, quando tinha 23 anos de idade. Depois de 4 anos de indescritíveis emigrações encontrou, finalmente, a sua casa na Ordem dos Capuchinhos.

A partir daquele momento empenhou-se vivamente em percorrer o caminho da santidade seguindo as pegadas de São Francisco. Depois de ter prestado serviço como cozinheiro, hortelão, sacristão e também de esmolar para os irmãos em vários conventos da Campania, no ano de 1585, acabou por ser mandado para Santo Euframo Novo, em Nápoles, como encarregado de assistir os doentes na grande enfermaria da Província. Seria aqui, neste ofício de bom samaritano, que iria revelar o seu carisma muito particular e onde se doaria totalmente por amor de Cristo. Reservava para si o cuidado dos mais necessitados, dos que tivessem maiores chagas ou feridas, dos mais difíceis e de pior trato e até dos mais desequilibrados. Mãe alguma teria cuidado o seu filho com tanta ternura como Frei Jeremias cuidava dos seus pobres irmãos.

A fama da sua santidade espalhou-se por toda a parte. As pessoas vinham de todas as partes ter com ele. Realizou milagres, distinguia-se pela sua caridade com os pobres, ensinava o catecismo aos pequeninos que se sentiam atraídos por ele. Foi profundamente devoto de Nossa Senhora.

Ali viveu a cuidar os seus doentes cerca de 40 anos, num serviço generoso, sempre de rosto alegre e sereno. Rezava, frequentemente, dizendo: “Senhor, eu te dou graças porque sempre estive a servir e nunca fui servido, sempre fui súbito e nunca mandei em ninguém”.

Manteve-se no seu posto de trabalho e de sacrifício até a morte que o visitou na noite de 5 de março de 1625 quando tinha 69 anos de idade. Morreu, precisamente, vítima do amor e da obediência, quando, em Torre de Grecco, tinha ido visitar um doente que ali se encontrava.

Amado por ortodoxos e por católicos, este humilde capuchinho constitui, hoje, a glória e a esperança da sua Pátria, a Romênia. A 30 de Outubro de 1983, o Papa João Paulo II, com motivo do Ano Santo da Redenção, inscreveu-o no Catálogo dos Beatos. 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

07São Pedro Sukeyiro

Mártir japonês, da Terceira Ordem (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

Pedro Sukeyiro havia se tornado cristão e franciscano secular em Meaco, com os missionários franciscanos, aos quais tinha prestado toda a colaboração na qualidade de catequista para a instrução e formação dos neófitos, na assistência aos enfermos nos hospitais da missão e na educação dos meninos das diversas escolas.

Quando, em 1596, desencadeou-se a perseguição de Hideyoshi que, como furacão, se abateu sobre homens e instituições, tudo destruindo, os missionários e os terciários japoneses de Meaco e Osaka foram aprisionados e levados a Nagasaki, a fim de serem crucificados.

Durante a viagem Pedro Sukeyiro e Francisco Fahelante, dois cristãos originários de Meaco, a quem os missionários tinham como colaboradores inscritos na Ordem Terceira de São Francisco, quiseram acompanhar os prisioneiros para servi-los e apoiá-los, ajudando-os nas dificuldades do caminho.

Ocupados com esse serviço voluntário, fizeram-no tão perfeitamente, que impressionaram um dos guardas, que exclamou: “Os cristãos são realmente valentes, unidos entre si com laços de verdadeira caridade e fraternidade.”

Em vista de sua persistência neste serviço, também a eles foi decretada a ordem de captura. E dessa maneira foram associados aos outros prisioneiros e martirizados com eles. Na manhã de 5 de fevereiro de 1597 os santos mártires chegaram a Nagasaki.

Escolheu-se como lugar de suplício uma parte plana de uma colina próxima do mar, que se parece muito com o Calvário, tanto na forma como nas sendas tortuosas por onde se chega a ela e de onde se pode ver a cidade.

O governador tinha feito levantar 26 cruzes: as seis do meio para os franciscanos e as outras para os japoneses. Daquele dia em diante o local passou a ser chamado “Monte dos Mártires” ou “Colina Santa”, pelo sangue de cristãos derramado por quase meio século.

Nas primeiras horas da noite, Fazamburo tinha publicado um edito no qual anunciava a execução dos mártires e se proibia a todos, sob pena de morte sair da cidade para acompanhar os condenados. Nas portas da cidade foram colocados soldados com a ordem de não deixar passar ninguém. Precauções inúteis!

Quando se soube que os condenados estavam chegando, todos, cristãos e pagãos, precipitaram-se até as portas da cidade e como torrente envolveram os guardas, precipitando-se para os mártires, a fim de acompanhá-los ao local do suplício.

Pedro Sukeyiro e os demais companheiros, na manhã de 5 de fevereiro de 1597, como invictos heróis, cantando, sofreram o martírio da crucifixão.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

08São Miguel Kosaki de Isco

Mártir japonês, da Terceira ordem (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Miguel Kosaki, originário de Isco, Japão, era um fervoroso cristão da terceira ordem; era um ativo catequista no serviço missionário de Meaco. Seu filho, Tomás, viveu com os franciscanos desde a idade de quinze anos, trabalhando como acólito e catequista.

 

Na perseguição religiosa, Miguel com o seu filho Tomás, franciscanos e outros terciários foram presos e condenados à crucifixão. Enquanto eles subiam a Santa Colina, os cristãos se prostraram diante deles pedindo que não os esquecessem quando chegassem diante de Deus. Uns enxugavam o sangue que escorriam dos condenados; outros se tornavam cristãos e pediam que fossem martirizados.

 

São Pedro Batista, ao ver a Colina, disse aos companheiros: “Filhinhos, louvemos ao Senhor do céu e da terra. Com alegria, podemos repetir com o apóstolo das gentios:  Combatemos o bom combate, chegamos ao fim da carreira, agora nos aguarda a coroa da justiça, que será colocada em nossas frontes pelo Justo Juiz, por amor do qual vamos morrer. Um pouco de sofrimento e logo seremos felizes na companhia dos eleitos!”

 

Os companheiros responderam: “Amém!” e cantaram hinos de ação de graças ao Senhor. O governador, surpreendido pela alegria dos condenados, dirigiu a São Pedro Batista: “Por que estão eles tão contentes com a condenação à morte na cruz?” Ele assim respondeu: “Para entender isso, será necessário ser também cristão. Cristo disse:  Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Os pagãos nunca podem compreender os tesouros da religião de Cristo!”

 

Então, os mártires subiram para o calvário, mansos como cordeiros, absortos em Deus. Miguel, com o seu filho e demais companheiros, ao chegar na Santa Colina, colocou-se junto à sua cruz, na qual foram atados os pés, mãos e as costas, sendo o pescoço preso por um aro de ferro.

 

A cruz foi levantada e assim permaneceu à espera do cumprimento do mesmo ritual de todos. As vítimas puseram-se a cantar o “Te Deum” e o bispo abençoou um por um. Os soldados com suas lanças, transpassaram-lhes o coração e abriram-lhes as portas do céu.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

09São Luís Ibaraki

Mártir japonês, terceiro Franciscano (1586-1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Luís de Ibaraki, menino de 11 anos, é como a obra mestra pedagógica da escola de São Pedro Batista e de seus coirmãos. Órfão de pai e mãe, tinha vivido com seus tios, que o acolheram em casa como filho. Logo foi recomendado aos santos Leão Karasuma e Paulo Ibaraki, que foram seus preceptores.

 

Desejando fazer-se franciscano e sacerdote, foi recebido no seminário. Foram seus grandes amigos e colegas de martírio S. Antônio de Nagasaki, de treze anos e Santo Tomás de Kosaki, quinze anos. Sereno, cordial, afável passou como um meteoro de luz. Viveu como um anjo. Sempre o primeiro na oração, era acólito, cantor, servia com fervor na Santa Missa e ensinava catecismo aos meninos menores que ele, São Pedro Batista, deu-se conta rapidamente de sua boa índole e o mantinha sempre consigo nas celebrações litúrgicas e nas obras de assistência e de evangelização.

 

Seu fervor suscitava admiração até mesmo nos pagãos. A um nobre que tentou persuadi-lo a afastar-se da fé, respondeu: “Jamais me afastarás de minha fé, que me está muito arraigada. Antes, por que não te fazes cristão? Encontrarás o segredo da felicidade!”

 

A 3 de janeiro de 1597 começou a difícil viagem até Nagasaki. Em várias cidades foi exposto com os demais à burla do povo. No entanto, muita gente mostrava simpatia pelos mártires, especialmente pelo menino. Em Corazu, no caminho de Nagasaki, o governador Fazamburo tratou de convencer Luís a abandonar a fé e lhe ofereceu riquezas e honras para fazê-lo apostatar.

 

Ele respondeu que estava feliz por renunciar à sua vida e morrer por Jesus. Nos últimos dias os padres Francisco Pasio e João Rodrigues o assistiram. Recusou uma nova tentativa do governador que o incitava a renegar a Cristo em troca da vida e de riquezas. Ele respondeu: “De maneira alguma abandonarei a este Cristo que me está abrindo as portas do céu e me envia seus anjos para colocar em minha cabeça uma coroa de fúlgida glória. Fica tu com tuas riquezas que não quero. Contento-me somente com as do céu”.

 

Chegando à santa Colina de Nagasaki, beijou a cruz na qual deveria ser atado e martirizado. Recitou com Antônio e Tomás o salmo: “Louvai, meninos ao Senhor – Laudate pueri Dominum…”.  Antes de ser atravessado pelas lanças dos soldados, gritou: “Paraíso! Paraíso!”

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

10Mártires franciscanos na Etiópia

Sacerdotes missionários franciscanos na Etiópia, mártires da Primeira Ordem. João Paulo II os proclamou bem-aventurados na Basílica Vaticana, no dia 20 de novembro de 1998, solenidade de Cristo Rei.

 

Liberato Lourenzo Weiss, nasceu em Konnersreuth, Baviera, a 4 de Janeiro de 1675. Aos 18 anos fez-se franciscano. Ordenado sacerdote foi enviado como missionário a Etiópia.

 

Samuel Antonio Francisco Marzorati, nascido em Biuno Superior, perto de Varese, a 10 de Setembro de 1670, fez-se franciscano aos 22 anos a 5 de março de 1792, em Lugano, Suiça. Ordenado sacerdote, depois de um período de apostolado em sua pátria, foi enviado como missionário a Etiópia, onde sofreu o martírio.

 

Miguel Pio Fasoli, nasceu em Zerbo, perto da Parvia, a 3 de maio de 1676. Feito franciscano e sacerdote, exerceu seu apostolado em sua pátria por algum tempo e depois partiu como missionário para a Etiópia. Sofreu o martírio com os outros dois companheiros.

 

Estes três irmãos desenvolveram juntos um largo apostolado na Etiópia, no meio de contradições e perseguições. Com a conivência do imperador foram lapidados barbaramente por uma multidão. Antes do martírio fizeram a profissão de fé cantando o Magnificat e saíram ao encontro da morte, depois de terem pregado o Evangelho na Etiópia com a palavra e o serviço aos humildes necessitados.

 

Em 1716 desencadeou-se a perseguição contra os católicos e os missionários eram aprisionados e incitados a apostatar da fé católica.

 

Recusando-se, estes beatos foram assassinados em Aba, a 3 de Março de 1716.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

11Bem-aventurado João Batista de Fabriano

Sacerdote da Primeira Ordem (1469-1539). Seu culto foi aprovado por Leão XIII no dia 7 de setembro de 1903.

 

Nasceu em Fabriano, na nobre família Righi, por volta de 1470, João viveu a espiritualidade cristã no seio da família, num ambiente verdadeiramente medieval.

 

Professou na Ordem Franciscana e viveu no convento de Forano; mais tarde, para alcançar maior perfeição, fez-se eremita numa gruta chamada «La Romita», em Massaccio. Viveu na penitência e na austeridade, rezando, lendo os Padres da Igreja e entregando-se às pessoas com quem contatava.

 

Morreu em 1539 e está sepultado na igreja franciscana de São Tiago della Romita em Ancona, onde é venerado.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

12São Luís Orione

Sacerdote da Terceira Ordem Franciscana (1872-1940). Fundador da Pequena Obra da Providência.

 

Orione é um dos maiores e mais conhecidos dos apóstolos da caridade do nosso tempo, que nos deu um luminoso testemunho de amor a Cristo e aos irmãos, mediante uma profunda fidelidade e devoção à Santa Igreja de Roma e ao Papa.

 

Nascido em Pontecurone, em 23 de junho de 1872, de uma família muito pobre, mas de uma fé viva, grande honestidade e assíduo trabalho.

 

Muito cedo sentiu o impulso para a vocação sacerdotal e religiosa. Passou seis meses com os frades franciscanos de Voghera; porém, o Senhor, não lhe reservava a vocação de frade franciscano. Amava a São Francisco e seu ideal de pobreza evangélica. Em toda a sua vida procurou viver seus exemplos e a espiritualidade franciscana. Ingressou na Ordem Terceira.

 

Durante três anos foi aluno entusiasta de São João Bosco, estando com ele na hora de sua morte. Também o Senhor não o queria salesiano. No seminário diocesano de Tortona preparou-se para o sacerdócio. Aos vinte anos encontrou-se com um jovem expulso da catequese por indisciplina e daquele encontro nasceu sua congregação: a Pequena Obra da Divina Providência. Desta surgiu o ramo feminino com o nome de Pequenas Missionárias da Caridade.

 

Em 1903, Dom Orione recebeu a aprovação canônica aos “Filhos da Divina Providência”, Congregação Religiosa de Padres, Irmãos e Eremitas da Família da Pequena Obra da Divina Providência. A Congregação e toda a Família Religiosa propunham-se a “trabalhar para levar os pequenos os pobres e o povo à Igreja e ao Papa, mediante obras de caridade”.

 

Dom Orione teve atuação heroica no socorro às vítimas dos terremotos de Reggio e Messina (1908) e da Marsica (1915). Por decisão do Papa São Pio X, foi nomeado Vigário Geral da Diocese de Messina por 3 anos. Vinte anos depois da fundação dos “Filhos da Divina Providência”, em 1915, surgiu como novo ramo a Congregação das “Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade”, Religiosas movidas pelo mesmo carisma fundacional.

 

O zelo missionário de Dom Orione cedo se manifestou com o envio de missionários ao Brasil em 1913 e, em seguida, à Argentina, ao Uruguai e diversos países espalhados pelo mundo. Dom Orione esteve pessoalmente como missionário, duas vezes, na América Latina: em 1921 e nos anos de 1934 a 1937, no Brasil, na Argentina e no Uruguai, tendo chegado até ao Chile. Foi pregador popular, confessor e organizador de peregrinações, de missões populares e de presépios vivos. Grande devoto de Nossa Senhora, propagou de todos os modos a devoção mariana e ergueu santuários, entre os quais o de Nossa Senhora da Guarda em Tortona e o de Nossa Senhora de Caravaggio; na construção desses santuários será sempre lembrada a iniciativa de Dom Orione de colocar seus clérigos no trabalho braçal ao lado dos mais operários civis.

 

Em 1940, Dom Orione atacado por graves doenças de coração e das vias respiratórias foi enviado para Sanremo. E ali, três dias depois de ter chegado, morreu no dia 12 de Março, aos 68 anos, sussurrando suas últimas palavras: “Jesus! Jesus! Estou indo.”

 

Vinte e cinco anos depois, em 1965, seu corpo foi encontrado incorrupto e depositado numa urna para veneração pública, junto ao Santuário da Guarda, em Sanremo na Itália.

 

O Papa Pio XII o denominou “pai dos pobres, benfeitor da humanidade sofredora e abandonada” e o Papa João Paulo II depois de tê-lo declarado beato em 26 de outubro de 1980, finalmente o canonizou em 16 de maio de 2004.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

13Bem-aventurado Angelo de Pisa

Sacerdote da Primeira Ordem (1194-1236). Leão XIII aprovou seu culto no dia 4 de setembro de 1892.

 

Agnelo de Pisa é a glória não só de Pisa, sua cidade natal, senão de Oxford, onde morreu em 1236. Percorrer, através de seus pés descalços seu itinerário entre o Arno e o Tamesis é seguir uma das etapas mais importantes da difusão do franciscanismo na Europa. O jovem Agnelo conheceu São Francisco em Veneza e foi um dos muitos atraídos por sua palavra e exemplo. Seguindo-o descalço, por amor da Dama Pobreza, logo mostrou seus dotes de ótimo organizador e realizador, apesar da modéstia de verdadeiro franciscano, que conservou durante toda a sua vida.

 

Por isso foi enviado muito jovem para a França pelo mesmo São Francisco, com um grupo de irmãos destinados a fundar os primeiros conventos franciscanos em Paris. Frei Agnelo foi o primeiro custódio, o superior das casas ali fundadas por ele, dando provas de grande zelo e de exemplar sabedoria.

 

Por isso, no Capítulo Geral de 1223, São Francisco o incumbiu de uma tarefa todavia mais exigente: a conquista espiritual de todo um país, a Inglaterra, fundando ali uma Província Franciscana.

 

Frei Agnelo desembarcou em Dover com oito companheiros, a 10 de Setembro de 1224. Já nos finais daquele ano dois conventos haviam sido fundados por ele; um em Cornhill, perto de Londres, outro em Oxford. Nos anos seguintes as casas franciscanas se multiplicaram na Inglaterra a despeito de todas as previsões.

 

Frei Agnelo compreendeu a importância dos estudos e do ensino para o porvir da Ordem e de sua Província de Oxford, onde ele havia fundado o segundo convento, era e ainda hoje permanece – o maior centro universitário do país.

 

Os Dominicanos já haviam ali uma casa de estudos; o mesmo fizeram poucos anos depois os franciscanos com Frei Agnelo, que convidou a ensinar teologia ali o próprio chanceler da Universidade, Roberto Grossatesta. A escola franciscana de Oxford logo adquiriu grandíssimo destaque e assim permaneceu nos séculos que seguiram.

 

Toda a província franciscana da Inglaterra adquiriu renome por sua virtude e doutrina. Tanto êxito, no entanto, não diminuíram a humildade de Frei Agnelo, que não se ensoberbeceu, nem mesmo ao ser escolhido conselheiro do Rei Henrique III, ou ainda ao se tornar o sábio mediador nas controvérsia políticas e diplomáticas. Por obediência aceitou a ordenação sacerdotal.

 

Como padre provincial foi a Assis para o capítulo de 1230, voltando em seguida para a Inglaterra. Pouco depois morreu com a idade de 42 anos, em Oxford, no ano de 1236. Sua fama de santidade prontamente rodeou esse inglês de Pisa, símbolo vivente da unidade espiritual dos dois países.  Leão XIII a 4 de Setembro de 1892 aprovou seu culto.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

14Bem-aventurada Josefina Gabriela Bonino

Fundadora das Irmãs da Sagrada Família de Savigliano (1843-1906).

 

Nasceu em Savigliano, no Piemonte, e, sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré fundou uma congregação religiosa para educar órfãos e assistir aos enfermos pobres.

 

Educada religiosamente no seu lar, aprende, com as palavras e o exemplo dos pais, o amor, o respeito e a generosidade para com os pobres e os necessitados.

 

Indo morar para Turim, recebe a educação com as Irmãs de S. José, progredindo na sua vida espiritual com a oração e os sacramentos. De novo em Savigliano, cuida do seu pai doente até que ele morra e continua as suas práticas de vida cristã.

 

Aos 18 anos fez voto temporal de castidade; então, com o desejo de desprender-se mais das comodidades familiares, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e, pouco depois, na Oedre Terceira Franciscana. Dedicou-se a colaborar nas obras paroquiais. Doente com uma neoplasia na coluna vertebral, submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. A sua cura foi considerada milagrosa, e foi a Lourdes em ação de graças à Santíssima Virgem. Depois da morte da sua mãe, consagra-se à obra “Colombo” em favor das meninas órfãs de Savignano, trabalho que é criticado pela “gente bem” da sua terra natal.

 

Finalmente decide-se a fundar um instituto religioso para a educação das órfãs, para a sua formação escolar e religiosa, e para o serviço dos enfermos pobres. Com a idade de 38 anos vem a ser Superiora do seu Instituto, cargo que desempenhará com prudência e sabedoria até à morte.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

15Bem-aventurado Andrés Carlos Ferrari

Cardeal Arcebispo de Milão, da Terceira Ordem (1850-1921) beatificado por João Paulo II no dia 10 de maio de 1987.

 

Andrés Ferrari nasceu em Lalatta, diocese de Parma, no dia 13 de agosto de 1850. De pais humildades, frequentou o seminário, ordenou-se padre a 19 de dezembro de 1873.

 

Como pároco, teve especial cuidado com a juventude. Pouco tempo esteve à frente do trabalho paroquial, pois foi nomeado professor e reitor do seminário de Parma. Distinguindo-se por sua piedade, doutrina e direção de almas, Leão XIII nomeou-o Bispo de Gustalla, no dia 23 de Junho de 1890, não contando ainda 40 anos de idade. Foi tal o seu proceder à frente da pequena diocese que o mesmo Sumo Pontífice resolveu transferi-lo para outra maior e mais importante, a de Como.

 

Nos anos em que permaneceu nessa diocese, percorreu-a de lés a lés, visitando todas as freguesias, por menores e remotas que fossem. Empenhou-se sobremaneira na formação do clero e desenvolvimento da Ação católica. No consistório de 18 de maio de 1894, Leão XIII, que estimava o Bispo de Como, inclui-o no número de Cardeais, e três anos depois confiou-lhe o governo da Arquidiocese de Milão.

 

No dia em que foi nomeado Arcebispo dessa cidade, o Servo de Deus acrescentou o nome de Carlos ao de André, que recebera no batismo, para honrar S. Carlos Borromeu, Pastor imortal e glória da igreja milanesa. O que ele fez neste novo campo de apostolado, é-nos referido por João Paulo II na homilia que proferiu no dia da beatificação do Cardeal, a 10 de maio de 1987; «Cristo foi a “porta” da santidade para o cardeal André Carlos Ferrari que, depois de ter sido Bispo de Guastalla e de Como, dirigiu por cerca de 27 anos a Arquidiocese de Milão, seguindo com fervor apaixonado as pegadas dos grandes predecessores, Ambrósio e Carlos.

 

Sustentado por fé robusta e zelo iluminado, ele soube indicar com tino seguro o caminho a percorrer entre novas e difíceis realidades emergentes no contexto religioso e social do seu tempo. Soube ver os problemas pastorais, que as circunstâncias históricas apresentavam, com o olhar do Bom Pastor, indicando os modos para os enfrentar e resolver.

 

Visitou quatro vezes a vasta arquidiocese ambrosiana, indo às localidades mais distantes e inacessíveis, mesmo a cavalo e a pé, onde deste tempo imemoriável não se tinha visto um Bispo. Por esta razão, ante a sua pastoral incansável, alguns diziam: “S. Carlos voltou”. A solicitude do Pastor foi expressa também na promoção de formas novas de assistência, adequadas às mudanças dos tempos eaos jovens abandonados, os trabalhadores e os pobres”.

 

O bem-aventurado André Carlos Ferrari faleceu em Milão, no dia 2 de Fevereiro de 1921. Amou a São Francisco e o franciscanismo, apreciou a carismática figura de P. Lino Maupas, e animou o Padre Agustín Gemelli na fundação da Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão. Tornou-se terceiro franciscano no dia 30 de junho de 1876 e um ano depois fez a sua profissão. Em 1965 foram exumados seus restos e se encontravam ainda intactos.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

16Cândido Barbieri

Servo de Deus. Sacerdote da Primeira Ordem (1819-1907). Em processo de beatificação.

 

O padre Cândido Barbieri nasceu em Nonantola, província de Modena, no dia 11 de agosto de 1819. No batismo foi chamado de José. Completou seus estudos elementares e ginasiais na abadia beneditina local e continuou no Colégio dos Jesuítas de Modena. Aos 21 anos, atraído pelo ideal franciscano, entrou para o convento de S. Cataldo no dia 24 de setembro de 1840. Sacerdote no dia 23 de setembro de 1843, dedicou-se com fervor juvenil à pregação com grande proveito dos fiéis. Em 1852 foi nomeado superior do convento de São Francisco de Mirándola, onde de destacou na assistência aos enfermos da peste asiática.

 

Desejoso de salvar almas pediu para partir como missionário na América Latina. Esteve um ano em Roma no convento de São Pedro de Montorio para aprender espanhol e os costumes dos povos que haveria de evangelizar. No dia 18 de abril de 1856 embarcou com Frei Leonardo de Fanano, para iniciar a missão franciscana em Montevidéu.

 

Uma terrível epidemia pouco depois o privou de todos os seus confrades, que, um a um morreram em seus braços. Sem desanimar-se regressou à Itália e pediu ao Provincial e ao Ministro Geral o envio de novos missionários. Conseguiu 10 sacerdotes e alguns irmãos, que depois de um difícil viagem, em que estiveram a ponto de naufragar, chegaram a Montevidéu e foram acolhidos com muita alegria por aqueles a quem ele havia ajudado.

 

Depois de dois anos de intenso trabalho e dinâmica organização, viu-se no meio de uma guerra de calúnias, até ver-se obrigado a refugiar-se em Potosi, paternalmente acolhido e defendido pelo bispo, vigário apostólico do Uruguai. Em 1860 foi nomeado pároco de La Cruz, em Corrientes. Ali ergueu a nova igreja e durante 15 anos trabalho no meio dos silvícolas.

 

A revolução capitaneada por Francisco Solano López, que agitou o Uruguai, Argentina e Brasil, provocou muitas privações e sofrimentos também ao Pe. Cândido, que a duras penas conseguiu salvar a sua vida e de seus fiéis. Os revolucionários o amarraram durante três dias e três noites a uma árvore, e um deles fez em seu rosto uma ferida, cuja cicatriz levou por toda a sua vida.

 

No Brasil, sob a dependência do bispo do Rio Grande do Sul, que o encomendou o cuidado pastoral de São Luís das Missões em 1875, em 1876 S. Francisco de Borja, e em 1877 de São Patrício. Uma grave queda de um cavalo afetou sua saúde até o ponto de decidir regressar à Itália. Antes disso, o imperador do Brasil, Pedro II, o condecorou por seus méritos e lhe deu cidadania brasileira. Depois de 22 anos de apostolado missionário voltou em novembro de 1878 a Mirandola, onde voltou às suas pregações em povoados e cidades. Em 1885 foi nomeado pároco e superior em S. Cataldo de Modena, serviço que prestou durante 22 anos. Morreu aos 88 anos de idade no dia 9 de janeiro de 1907.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

17Mártires da Irlanda

Bem-aventurados O’Devany Connor († 1612), Bispo e John Kearney (1619-1653), sacerdote da Primeira Ordem, Mártires da Irlanda.

 

Bem-aventurados O’Devany Connor, Bispo de Primeira Ordem, nascido em Rapphoe, Condado de Donegal, na sua juventude, tornou-se franciscano em 1550. Em 1582, o Papa Gregório XIII o consagrou Bispo de Down y Connor, na igreja de Santa Maria dell’Anima, em Roma, em 13 de maio. Em 1588 ele foi preso e passou vários anos na prisão. Liberado, ele continuou seu ministério, ignorando as dificuldades crescentes. Preso junto com P. Patrik O’Loughran, foram julgados em conjunto. Foram enforcados em 1º de fevereiro de 1612. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.

 

Beato John Kearney, sacerdote da Primeira Ordem, nascido em Cashel em 1619, filho de John e Elizabeth Creagh Nee. Killkenny tornou-se franciscano, estudou seis anos em Louvain, em Bruxelas, ordenou em 1642. Em 1644, ao voltar para a Irlanda, foi preso, torturado e condenado à morte. Ele escapou e voltou para a Irlanda através de Calais. Ele se dedicou ao ensino e à pregação. Preso na primavera de 1653, no processo em Clonmel, a acusação era que ele exerceu o ministério sacerdotal contra a lei. Enforcado em 21 de março de 1653. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

18São Salvador de Horta

Religioso da Primeira Ordem (1520-1567). Canonizado por Pio XI em 17 de abril de 1938.

 

Este santo é realmente uma figura ímpar, um santo muito pobre, humilde, quase analfabeto, desprezado e até perseguido antes de ser reconhecido como o “grande taumaturgo do século XVI.”

 

Nascido na Espanha, em Santa Colomba de Farnés, perto de Gerona, em dezembro de 1520, de uma família pobre, pobre continuou ao longo de sua vida. Ele ficou órfão quando era adolescente, deixou sua terra natal para procurar trabalho em Barcelona, ??onde aprendeu sapataria e poderia se sustentar e também ajudar no sustento de sua irmã mais nova, Blasia. Uma vez casada, Salvador finalmente foi capaz de seguir sua vocação religiosa. De Barcelona foi para a Abadia de Montserrat, onde foi recebido pelos beneditinos, que esperavam tê-lo como um dos seus convertidos, mas a vocação de Salvador foi de extrema pobreza e humildade, por isso não vestiu o hábito beneditino, mas retornou a Barcelona e tomou o hábito franciscano.

 

Em 03 de maio de 1551 foi recebido no convento de Barcelona, ??onde ele rapidamente chamou a atenção dos religiosos para a sua grande piedade. A ele foram confiados os trabalhos mais simples e cansativos. Ao redor deste irmão humilde do convento, os milagres começaram a aparecer cada vez mais numerosos e barulhentos. Logo se viu diante da falta de compreensão de seus confrades e da hostilidade religiosa de seus superiores. Pensavam que o irmão estava endemoniado. Foi isolado e para liberar o demônio exorcizado. Mas os milagres continuaram e desconcertante caso foi levado para a Inquisição, que não se pronunciou. Ao contrário, o povo foi mais lúcido para reconhecer o sopro de santidade. Em torno do irmão desprezado se juntou uma multidão de carentes, doentes, aflitos, entre os quais se multiplicaram os feitos prodigiosos. Para removê-lo da curiosidade popular, Salvador foi transferido de convento para convento. Ele sempre manteve a calma em sua longa e humilhante peregrinação, feliz com seu trabalho e sua fervorosa oração.

 

De Tortosa foi enviado para Bellpuig, portanto há doze anos Horta, portanto, com outro nome, tinha a intenção de Reus, onde espera a perseguição ainda mais, um movimento adicional à Barcelona, ??casa da Inquisição. Uma vez que a Espanha não foi suficiente para esconder os seus milagres, com base na necessidade de irmãos na Sardenha, que então dependia da coroa espanhola, foi enviado para a ilha, o mosteiro de Santa Maria de Jesus, na temporada passada um calvário doloroso, onde para finalmente encontrei um verdadeiro paraíso de paz, nos últimos dezoito meses de sua vida. Ele morreu aos 47 anos no Cagliari, em 18 de março de 1567. Seu túmulo tornou-se famoso por seus milagres. A santidade que não foram capazes de reconhecer seus irmãos, sempre foi reconhecido pelo povo de Deus em todos os lugares onde ele foi enviado Frei Salvador. Seu corpo é venerado na igreja de Santa Rosália.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

19São José

Esposo da Virgem Maria, pai legal de Jesus, patrono da Igreja, dos carpinteiros e dos doentes.

 

Festa para toda a Igreja, para os carpinteiros,  para os pais e suas famílias, para os doentes que honram São José como seu patrono. O nome de José é muito comum e por isso mesmo são muitos os que hoje festejam seu onomástico. Também é festa para a Ordem Franciscana, pois São José é um dos seus protetores: muitos santos religiosos têm por ele uma terna devoção. Muitos membros da Ordem difundiram amplamente seu culto.

 

São raros os dados sobre as origens, a infância e a juventude de José, o humilde carpinteiro de Nazaré, pai terrestre e adotivo de Jesus Cristo, e esposo da Virgem de todas as virgens, Maria. Sabemos apenas que era descendente da casa de David. Mas, a parte de sua vida da qual temos todo o conhecimento basta para que sua canonização seja justificada. José é, praticamente, o último elo de ligação entre o Velho e o Novo Testamento, o derradeiro patriarca que recebeu a comunicação de Deus vivo, através do caminho simples dos sonhos. Sobretudo escutou a palavra de Deus vivo. Escutando no silêncio.

 

Nas Sagradas Escrituras não há uma palavra sequer pronunciada por José. Mas, sua missão na História da Salvação Humana é das mais importantes: dar um nome a Jesus e fazê-lo descendente de David, necessário para que as profecias se cumprissem. Por isso, na Igreja, José recebeu o título de “homem justo”. A palavra “justo” recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arrogou para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Esperou a chamada do Senhor e em silêncio respeitou o mistério, deixando-se orientar pelo Altíssimo.

 

Quando recebeu a tarefa, cumpriu-a com dócil responsabilidade: escutou solícito o anjo, quando se tratou de tomar como esposa a Virgem de Nazaré, na fuga para o Egito e no regresso para Israel (Mt 1 e 2, 18-25 e13-23). Com poucos mas significativos traços, os evangelistas o descreveram como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerceu a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.

 

Somente uma fé profunda poderia fazer com que alguém se mostrasse tão disponível à vontade de Deus. José amou, acreditou, confiou em Deus e no Messias, com toda sua esperança. Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte. Os teólogos acreditam que José tenha morrido três anos antes da crucificação de Jesus, ou seja quanto Ele tinha trinta anos.

 

Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o Papa Pio IX o proclamou São José, padroeiro universal da Igreja e, a partir de então, passou a ser venerado no dia 19 de março. Porém, em 1955, o Papa Pio XII fixou também, o dia primeiro de maio para celebrar São José, o trabalhador. Enquanto, o Papa João XXIII, inseriu o nome de São José no Cânone romano, durante o seu pontificado.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

20Bem-aventurado Hipólito Galantini

Religioso da Ordem Terceira (1565-1619). Fundador da Congregação da Doutrina Cristã. Beatificado por Leão XII em 12 de julho de 1825.

 

Galantini Hipólito nasceu em Florença de uma família de trabalhadores muito honesta. Ele era um tecelão de pano e seguia a antiga tradição florentina. Sério, honesto, atencioso, dedicava as horas de folga no trabalho para a educação religiosa das crianças, especialmente as crianças de rua. Ele se juntou a outros artesãos também honestos. No ensino catequético mostrou aptidão de tal forma que o Cardeal Alessandro Medici, depois o Papa Leão XI, nomeou-o professor da doutrina cristã da Arquidiocese de Florença.

 

Desejoso de uma maior perfeição, pediu para ser admitido entre os Capuchinhos, mas devido a sua saúde não pode realizar seu sonho. Ele retomou sua atividade de ensino religioso com renovado vigor, enquanto ajudava seu pai no trabalho manual.

 

Em 14 de outubro de 1602 em um oratório, que doaram os seus concidadãos, tomou o hábito como terceiro franciscano e fundou a Congregação de São Francisco de Assis para a Doutrina Cristã. Em outras cidades, fundou congregações iguais, como em Lucca, Pistoia, Modena, Volterra e em outros lugares, onde permaneceu por algum tempo. Verdadeiro filho do povo, Hipólito foi inteiramente dedicado ao apostolado da instrução religiosa para as classes mais baixas. No campo prático do apostolado é, sem dúvida, uma das principais figuras. Pertenceram à sua Congregação personagens de posição social elevada, que nãom se sentiam humilhados em se juntar a ele, um trabalhador pobre, para se tornarem professores de catequese do povo.

 

Por 14 anos, ele sofreu de uma enfermidade atroz, que suportou com grande espírito de sacrifício e renúncia. Ele morreu em Florença, em 20 de março de 1619, aos 54 anos, chorado por todos. Tal era sua fama de santidade, que seu túmulo se tornou uma rota de peregrinações devotas. Pessoas de todas as esferas da vida pediamgraças a Deus pelos méritos de teu bem-aventurado servo.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

21Bem-aventurado João de Parma

Sacerdote e Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores (108-1289), cujo culto mereceu a aprovação de Pio VI (01/03/1777)

 

João Buralli nasceu em Parma em 1208. Dotado de excepcionais dotes de inteligência, a conselho de um tio, sacerdote e capelão do hospício de São Lázaro, dedicou-se aos estudos com afinco e proveito. Doutorado em filosofia, foi encarregado de lecionar lógica na sua cidade de Parma. Mas, porém, do que pela sabedoria humana, sentia-se atraído pelo espírito evangélico de São Francisco. E assim, aos 25 anos ingressou na ordem dos frades menores, quando frei Elias era ministro geral. Depois da profissão, tendo em conta a sua cultura, os superiores enviaram-no a Paris para aperfeiçoar os estudos, e aí recebeu a ordenação sacerdotal. Começou então uma intensa atividade apostólica, distinguindo-se na pregação pelo conteúdo e pela forma agradável de expor a doutrina, e até pelo belo timbre de voz de que era dotado. Além disso, tinha noções de música e era um ótimo cantor.

 

Foi encarregado pelos superiores de lecionar teologia em vários centros de estudos da ordem, como Bolonha, Nápoles, e finalmente Paris, onde comentou a Bíblia e as Sentenças de Pedro Lombardo, como era da praxe. No capítulo geral da Ordem realizado em Lião em 1247, frei João de Parma, com 47 anos, foi eleito ministro geral, o sexto depois de São Francisco, e desempenhou durante dez anos. A tarefa não era nada fácil, pois a ordem encontrava-se em ebulição por questões da pobreza e do modo de vida dos irmãos. Como precursor da autêntica democracia, quis contatar com todas as fraternidades dispersas pela Europa, sujeitando-se a constantes e cansativas viagens a pé. A todos se apresentava não como superior, mas como servo, dando exemplo de humildade, prudência e austeridade. Em 1240 encontrou-se na Inglaterra com o rei Henrique III, e nesse mesmo ano visitou na França São Luís IX, de partida para a cruzada, Inocêncio IV enviou-o a Constantinopla como anjo da paz para tratar da reunificação dos católicos com o patriarca Manuel II. Embora não tivesse conseguido o resultado que se desejava, a personalidade do legado pontifício foi objeto de estima e admiração por parte dos gregos ortodoxos, pela sua vida exemplar e profunda cultura. De volta para o ocidente, regressou a Paris, e com o seu jeito paciente conseguiu acalmar os espíritos, de modo a serem readmitidos os religiosos no ensino universitário, contra as propostas de Guilherme de Santamore.

 

Havia na ordem duas tendências aparentemente inconciliáveis: a dos espirituais, que propugnavam por um retorno à rigidez da pobreza primitiva, e a dos conventuais, que advogavam uma interpretação mais benigna. No capítulo geral de 2 de fevereiro de 1257 João Parma apresentou a demissão de ministro geral e foi substituído por São Boaventura. Durante 30 anos viveu retirado no eremitério de Gréccio, em ambiente de austeridade e contemplação. João XXIII e Nicolau III ofereceram-lhe o barrete cardinalício, que ele sempre recusou com humildade. O papa incumbiu-o duma nova missão conciliatória à Grécia, que ele encetou, mas não concluiu, porque durante a viagem caiu doente, e a 19 de março de 1289 morreu em Camerino, onde foi sepultado na igreja de São Francisco. Os seus restos mortais, traslados para a catedral em 1873, tornaram-se meta de peregrinações.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

22São Benvindo

Bispo de Osimo, Primeira Ordem (1188-1282). Martin IV aprovou seu culto como um santo em 1284.

 

Benvindo Scotívoli, nascido em Ancona, em 1188, estudou direito em Bolonha, sob a orientação de São Silvestre Guzzolini, cânone de Osimo, mais tarde fundador dos monges Silvestrinos. Foi nomeado capelão papal em Ancona. Em 1º de agosto de 1263, foi nomeado administrador da diocese de Osimo, que havia sido anexada a Numana por Gregório IX em punição devido à sua adesão ao partido de Frederico II. Reestabelecida a sua sede no dia 13 março de 1264, Urbano IV confiou seu governo para Benvindo, que em 1267 também foi encarregado por Clemente IV para o governo de Ancona. Durante este período, foi ordenado sacerdote em São Nicolau de Tolentino. Ele era muito devoto de São Francisco de Assis, por isso acolheu em sua diocese os Frades Menores e pediu para ingressar na Primeira Ordem. Vestiu com o fervor o hábito e insistiu em viver o espírito seráfico.

 

Benvindo foi um grande reformador. Por uma disposição de 15 de janeiro de 1270 proibiu o mosteiro de San Florencio Pescivalle, do qual era administrador, de vender os bens. Em um sínodo no dia 07 fevereiro de 1273 proibiu a venda das propriedades da igreja e em 1274 colocou em ação as reformas do capítulo da catedral e defendeu os direitos da Diocese sobre a cidade de Cingoli.

 

Em seu ministério episcopal sempre teve como único objetivo promover a glória de Deus, desprezar as riquezas e as coisas mundanas, trabalhar duro para o bem da sua alma e as almas confiadas aos seus cuidados. Ele combinou sua performance em força e suavidade de costumes, para o triunfo da justiça e da paz no vínculo do amor. Foi um verdadeiro e bom pastor do seu rebanho e guardião vigilante das leis de Deus e da Igreja. Zeloso na pregação evangélica e instrução catequética, muitas vezes visitou a diocese, realizou um Sínodo diocesano em que ditou sábias regras para promover a disciplina eclesiástica. Promoveu a cultura e a formação dos novos diáconos, que estavam se preparando para o sacerdócio, com a palavra inspirada e com o bom exemplo, e com sua vida santa.

 

Benvindo morreu em 02 de março de 1282, aos 94 anos de idade. Ele foi enterrado na catedral de Osimo em um mausoléu nobre, por ordem do clero e do povo. Sobre seu túmulo tiveram milagres e graças.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

23Bem-aventurado Marcos de Montegallo

Sacerdote da Primeira Ordem (1425-1496). Gregório XVI aprovou seu culto em 20 de setembro de 1839.

 

Marcos nasceu em 1425 em Fonditore, povoado de Montegallo, onde seu pai Claro de Marchio, havia se retirado há alguns anos para fugir das facções violentas que assolaram o Ascoli Piceno. Ele retornou a esta cidade para facilitar os estudos de Marcos, que logo ingressou na Universidade de Perugia, e daí para Bolonha, onde obteve o doutorado em Direito e Medicina. Em Ascoli exerceu durante um tempo a profissão médica. Para atender aos desejos de seu pai em 1451 ele se casou com Clara Tibaldeschi, mulher nobre, com quem viveu em continência. Com a morte de seu pai no ano seguinte, por acordo comum, o casal abraçou a vida religiosa. Ela foi recebida pelas Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara das Damas Pobres em Ascoli e ele ingressou no Convento dos Frades Menores da Fabriano.

 

Fez o noviciado em Fabriano, foi superior em San Severino, logo começou a missão de pregador, sob a orientação do grande confrade e companheiro São João de Marcas. As feridas principais de seu século foram a guerra civil e da usura (agiotagem), praticada principalmente por judeus. Marcos, com fervorosa pregação, trouxe a paz e harmonia e acalmou as facções em Ascoli, Camerino, Fabriano e outras cidades. Contra o abuso dos agiotas estabeleceu-se casa de penhores em Ascoli (1458), Fabriano (1470), Fano (1471), em Acervia (1483), em Vicenza (1486), em Ancona, Camerino, Fermo e Ripatransone (1478).

 

Em 1480, juntamente com outros confrades, foi nomeado pelo Papa Sisto IV pregador e coletor para a cruzada. Ele também foi diretor espiritual da recém-canonizada Camilla Batista Varano. Também encontrou tempo para escrever vários livros, incluindo “La Tavola della Salvezza”, que publicou em Florença, em 1494.

 

Em 19 de março de 1496, em Vicenza, onde ele estava pregando, foi surpreendido pela morte e foi sepultado na igreja franciscana de San Biagio Vecchio, que era objeto de culto público. Em Ascoli Piceno, na igreja franciscana, há uma pintura do bem-aventurado, datada de 1506. Em Montegallo foram erguidos altares em sua honra. Não muito tempo depois de sua morte foi feito a um rito latino que exalta louvores sua vida santa.

 

Marcos de Montegallo pertence ao grande grupo de pregadores do Evangelho e da penitência, inatingível para o seu equilíbrio sobrenatural, como São Bernardino de Siena. Eles produziram uma primavera de vida cristã, um extraordinário florescimento de santidade.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

24Bem-aventurado Diogo José de Cádiz - Capuchinho

Sacerdote da Primeira Ordem (1743-1801) foi beatificado por Leão XIII em 23 de abril de 1894.

 

Nasceu em Cádiz a 30 de março de 1743, filho de José Lopes Caamaño, galego e de Garcia Pérez, andaluza. Viveu a sua meninice em Ubrique, onde estudou as primeiras letras, passando logo ao colégio dos dominicanos de Ronda para iniciar o curso de humanidades e filosofia, onde não teve grandes êxitos escolares. Aos quinze anos solicitou a entrada na Ordem aos capuchinhos de Ubrique. O seu pedido foi aceito. Vestiu o hábito em Sevilha no dia 12 de novembro de 1757, recebendo o nome de frei Diogo José de Cádiz.

Durante o noviciado deu mostras de grande fervor que diminui durantes os estudos de filosofia. Ao começar o segundo curso de teologia, deu-se nele uma rápida transformação espiritual. Por obra da graça, impôs-se a sim mesmo um método de vida de grande perfeição, patente na sua extraordinária vida interior. Foi ordenado sacerdote em Carmona (Sevilha). Pouco depois foi destinado a Ubrique onde começou a pregar os primeiros sermões, dirigidos especialmente à reforma dos costumes, à reconciliação dos inimigos e a combater aos erros do seu tempo. Estava convencido da sua missão apostólica providencial, servindo-se de duas armas eficazes: uma vida santa e uma sólida e ampla formação intelectual. Considera como fundamento e bases de todo o seu apostolado, o estudo, a oração e a penitência. 

A partir de 1771 dedica-se por completo às missões populares. A primeira foi em Estepona (Málaga), seguindo-se outras em Castela, Madri, Navarra, Aragão, Catalunha, Valencia e Murcia. Era reclamado por toda a Espanha. A sua reputação de homem de Deus e varão apostólico estendeu-se por toda a geografia espanhola. As suas pregações eram acompanhadas de forte comoção popular trazendo consigo uma profunda renovação da vida religiosa e moral, com repercussões na vida pública. Muitas vezes teve de pregar nas praças públicas, devido grandes multidões que não cabiam nas igrejas. No dizer de Menéndez y Playo, Frei Diogo é a figura mais representativa da oratória religiosa espanhola depois de São Vicente Ferrer e de São João de Ávila: “desde então para cá, não ressoou palavra eloquente e inflamada dentro das fronteiras de Espanha” (Heterodoxos españles II, 711).

Em 1782 pregou em Toledo, Ocaña e Aranjues, privando com o rei Carlos III e a corte, onde passou a ser estimado e venerado. Até 1795 calcorreou praticamente todo o território espanhol. Percorreu a pé 52000 quilómetros e deixou-nos mais de três mil sermões e muitas cartas espirituais, realizando o seu desejo de ser “capuchinho, missionário e santo”. Os últimos anos, de 1795 a 1801, foram passados em Andaluzia, sempre ocupado em trabalhos apostólicos e missionários. Fomentou com eficácia a devoção à SS. Trindade e a Maria com Mãe do Divino Pastor. Como eminente teólogo, foi eleito consultor de várias dioceses, cônego honorário em muitos cabidos de catedrais, sócio de universidades e institutos culturais, além de eficiente e ativo capelão militar.

Morreu a 24 de março de 1801 em Ronda (Málaga), onde costumava passar largas temporadas na cura de almas, em casa de alguns amigos que lhe prepararam um quarto e capela, em frente da igreja da Virgem da Paz, padroeira de Ronda, de quem frei Diogo era fervoroso devoto. A sua morte causou grande consternação em Espanha e foi anunciada até no Boletim Oficial do Estado a 26 de maio desse ano.

A mensagem de frei Diogo produziu abundantes frutos espirituais na sociedade espanhola do século XVIII, então em grandes convulsões sociais. Apesar das mudanças políticas que agitaram o país nos anos posteriores à sua morte, logo se iniciou o processo de beatificação. Leão XIII beatificou-o em 22 de abril de 1894.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

25Anunciação do Senhor

Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço.

Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno:“A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade.”

Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’” (cf. Lc 1,26-38).

Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: “Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:

“Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”.

26Ven. João Batista de Borgonha

Sacerdote da Primeira Ordem (1700-1726). Em processo de beatificação.

 

Nascido em Borgonha, França, viveu em Roma e morreu em Nápoles. Parece ter voado sobre a terra respirando o ar do céu. Ele viveu em silêncio numa serena fortaleza, sacrificando-se para o Senhor em uma doença longa e contínua. Com a sua morte começou uma chuva de graças e favores. Era chamado de anjo pela pureza, mártir pelos sofrimentos, serafim do amor a Deus e ao próximo.

Nascido 30 de julho de 1700, em Nozerly, muito pequeno perdeu seu pai e mãe. Ele recebeu sua primeira comunhão e confirmação na igreja franciscana do lugar. Aos 12 anos, pr interesse em seu irmão mais velho, camareiro de Clemente XI, foi para Roma e frequentou o Roman College dos Jesuítas. Seu diretor espiritual o definiu como “um anjo em tudo semelhante a São Luís Gonzaga”. Fascinado com o retiro de São Boaventura no Palatino, São Pio X definiu como “viveiro de santos e de sábios”, apesar da oposição de seus familiares, ingressou na comunidade, embora soubesse dos rigores do convento.

Fez o noviciado no santuário de Santa Maria delle Grazie, em Ponticelli Sabino (Rieti), imitando os santos que viveram lá: San Carlos de Sezze, São Leonardo de Porto Maurício, o Beato Boaventura de Barcelona, e assim por diante. Com uma queda fatal enquanto regava o jardim, ele começou o seu calvário doloroso. Ele estudou filosofia no Retiro em San Cosimato Vicovaro (Roma), a teologia no Palatino de Roma, sempre com a saúde debilitada.

Feliz por juntar-se às dores da Paixão de Jesus, alegremente enfrentou um sofrimento indescritível, repetindo muitas vezes: “O Senhor me faz sofrer, porque me quer!”. “Desde a cruz para o céu há um só passo!”. Admirando a sua resignação, seus superiores queriam que ele se ordenasse padre. No Ano Santo de 1725, em São João de Latrão, o Papa Clemente XIII o ordenou presbítero. Ao impor as mãos sobre a sua cabeça, edificado pelo seu rosto angelical, exclamou: “Meu filho, em breve se tornarás santo!”. Para curar uma doença misteriosa que o incomodava, foi enviado por um tempo para os conventos de Lazio: Montorio Romano, Fara Sabina, Vallecorsa e finalmente a Nápoles na enfermaria interprovincial de Santa Cruz. Apesar dos muitos cuidados dos confrades e de médicos ilustres, após 10 meses morreu santamente no dia 22 de Março de 1726, com a idade de 26 anos. Hoje ainda é um modelo para os jovens e os órfãos, um exemplo para o doente, uma pérola sacerdotal. Sua glorificação é solicitada pela França, Alemanha e a Ordem dos Frades Menores.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

27Santo Alberto Chmielowski

Religioso da Terceira Ordem Regular (1843-1916). Fundados dos Servos e Servas dos Pobres de São Francisco. Canonizado por João Paulo II no dia 12 de novembro de 1989.

 

Nasceu a 20 de Agosto de 1845, como primogênito de Alberto Chmielowki e de Josefa Borzylawska. Foi batizado a 26 desse mês, com o nome de Adão Hilário Bernardo. A família era abastada, detentora de enormes propriedades.

Aos sete anos, perdeu o pai. A mãe mudou-se para Varsóvia, onde Adão prosseguiu os estudos, primeiro na escola de cadetes, depois no instituto de agronomia, para melhor se dedicar à sua lavoura.

Por volta dos 18 anos, participou na insurreição contra o domínio do Czar. Foi ferido, na batalha de Melchow e levado prisioneiro. No cárcere, foi-lhe amputada uma das pernas, operação que agüentou com heróica valentia. Após um ano, conseguiu fugir. Matriculou-se em Paris, numa academia de pintura. Foi para a Bélgica e, posteriormente, para Mônaco, regressando depois a Varsóvia, onde formou-se em pintura e arquitetura. As suas telas tornaram-no muito popular e conhecido. Entretanto, começou a preocupar-se e a afligir-se com os necessitados e pobres.

Em 1880, entrou para a Companhia de Jesus cujo noviciado abandonou, atormentado por escrúpulos e acometido por uma séria enfermidade. Refeito da doença, hospedou-se em Cracóvia, fazendo-se pobre com os pobres, à semelhança de Cristo, que de tudo Se despojou em favor dos outros. Ia distribuindo os haveres, ganhos com os trabalhos de pintor notável, entre os mais necessitados, que reunia nos albergues públicos, onde também ele dormia.

Tornou-se franciscano da Ordem Terceira. Portando o hábito de burel, prosseguiu na sua caridade para com os indigentes. Como não se sentisse capaz de sozinho socorrer tantos pobres, com a aprovação do bispo de Cracóvia, reuniu alguns companheiros e lançou os fundamentos de uma nova congregação, os Servos dos Pobres, mudando o seu nome para Alberto, ao fazer os seus votos de pobreza, castidade e obediência. Não escreveu nenhuma Regra, mas o seu exemplo e proceder foram incentivo e modelo inédito de viver à maneira de Cristo.

Construiu oficinas várias, para os necessitados poderem ganhar alguma coisa e reconstituírem a vida. Jamais aceitou bens imóveis ou auxílios econômicos estáveis. Vivendo em casas do Estado ou da Diocese, limitava-se a receber o que lhe iam dando, dia a dia. Nos albergues acolhia todos os infelizes, sem querer saber suas origens, raça, etnia ou religião.

A 15 de Janeiro de 1891, ao reparar nas necessidades de tantas mulheres, com a cooperação de Ana Francisca Lubanska e Maria Cunegundes Silokowka, seduzidas pelo seu exemplo, fundou um ramo feminino da sua associação, para que alimentassem as famintas e as acolhessem em abrigos decentes, sobretudo nos casos de epidemias.

Com palavras de ânimo e conselhos apropriados, com pregações sobre os desajustamentos sociais, ressaltando a obrigação de todos, sobretudo os mais favorecidos em riquezas, de ajudarem os ignorantes e miseráveis, Santo Alberto não só formava os seus seguidores como suscitava nos ricos um desprendimento que os impulsionasse a uma generosa caridade.

Em 25 de Dezembro de 1916, já com várias comunidades ao serviço dos pobres e com mais de uma centena de discípulos, entregou a sua alma a Deus.

28Bem-aventurada Joana Maria de Maillé

Relutante em casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon.

Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus.

Na idade de dezesseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e de seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.

Providencialmente, o tutor morreu repentinamente na manhã do dia do casamento, e a impressão no noivo foi tão grande, que propôs a Joana viverem em perfeita continência, isto é, como irmão e irmã. Seu consentimento é imediato, já que estava preparada para isto pelo seu voto de virgindade.

Apesar das premissas, o casamento funcionou e bem: como base da união eles colocaram o Evangelho, e viveram-no plenamente, resultando em muitas boas obras, como: adotar algumas crianças abandonadas, alimentar e cuidar dos pobres, ajudar os empestados… Na verdade, tinham muito que fazer. Nunca se viu tanto movimento no castelo desde que se espalhou a notícia de o casal ser extremamente caridoso.

E pensar que não faltavam problemas para eles, como quando Roberto teve que ir para a guerra (estamos na época da Guerra dos Cem Anos), foi ferido e preso pelos britânicos. Para libertá-lo Joana pagou um resgate elevado, o que afetou fortemente o patrimônio do casal. No entanto, eles não perderam a fé, e uma vez instalados, marido e mulher, lado a lado, primeiro tratam dos contagiados pela peste negra, depois, dos leprosos.

Roberto morreu em 1362 e Joana, viúva aos 30 anos, vê toda a família de seu marido se voltar contra ela. A principal acusação: ter esbanjado a fortuna da família. Assim, ela foi expulsa do Castelo de Silly e ficou sem casa, sem um tostão, forçada a viver da caridade. Mas, mesmo na rua, os parentes ricos continuavam a persegui-la: enviavam seus serviçais para lançar-lhe insultos quando ela passava, porque não queriam rebaixar-se para fazê-lo pessoalmente.

Ela renunciou a todos os seus bens e foi morar em um casebre construído junto ao convento dos Frades Menores Franciscanos de Tours, onde levava uma vida de penitência, contemplação e pobreza contínua, a mendigar o pão. Ela gozava de várias aparições da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo Ivo, o qual recomendou que ela ingressasse na Ordem Terceira de São Francisco.

Joana sofria e, com um amor sem limites, não tinha um mínimo de ressentimento. E para sabermos onde ela encontrava tal força e tanta bondade, olhemos para suas longas horas de oração, sua grande penitência, seus sacrifícios. Escolheu para vestir uma túnica grosseira e rude, muito semelhante à roupa de seus amados franciscanos, de cuja intensa espiritualidade vive.

Continuou a fazer caridade com os doentes e os prisioneiros condenados à morte, se não mais com dinheiro, com a sua presença e seus humildes serviços, consolando-os quando não podia fazer nada melhor, e intercedendo por sua libertação quando atingiu popularidade e pode usá-la em proveito do próximo.

Devido a sua reputação como uma mulher de Deus ter se espalhado pela França, muitos a procuravam pedindo conselhos, e entre aqueles que bateram à sua porta havia também alguns daqueles que a tinham insultado antigamente e que ela recebe com amor e paciência.

O rei de França, Carlos VI, que estava em Tours, foi visitar a penitente famosa que lhe pediu para libertar alguns prisioneiros e dar a outros a ajuda de um capelão.

Em 1395, Joana mudou-se para Paris onde se encontrou outra vez com o rei da França, Carlos VI e sua esposa, Isabel da Baviera. Ela aproveitou a oportunidade para criticar o luxo da corte e a vida licenciosa dos cortesãos. Em Paris, ela visitou a Saint-Chapelle para venerar as relíquias da Paixão de Cristo.

Apesar da frágil saúde e das dificuldades de sua vida penitente, Joana atingiu a idade de 82 anos e morreu em 28 de março de 1414 cercada de uma sólida reputação de santidade e foi sepultado na igreja franciscana. Infelizmente o seu túmulo foi profanado pelos calvinistas nas guerras de religião.

Sua fama de santidade era tão difundida, que os fiéis a veneravam espontaneamente. Como resultado, em apenas 12 meses foi instaurado o processo diocesano informativo para sua canonização. Mas, mesmo após a morte Joana tem que esperar: sua beatificação só ocorreu muito mais tarde, em 1871, pelo Papa Pio IX.
Aparição de Santo Ivo a Beata Joana Maria de Maillé.

A Beata relatou uma visão de Santo Ivo em uma época difícil de sua vida. A jovem baronesa tinha ficado viúva e fora expulsa do seu castelo pelos parentes, que alegavam que ela tinha encorajado a excessiva caridade de seu esposo, em detrimento do novo herdeiro. Após ser maltratada, inclusive pelo serviçal a quem tinha dado refúgio, ela retornou a sua família em Tours.

A aparição é contada por dois historiadores da Ordem Terceira. Santo Ivo “aconselhou-a a deixar o mundo e a tomar o hábito que ele estava usando”. Outro biógrafo diz: “Se vós deixardes o mundo, gozareis, mesmo aqui na Terra, as alegrias do Paraíso”.

Os mesmos autores especulam se Joana não hesitou diante da perspectiva de renunciar a tudo. “Pobre pequena baronesa! Ela ficou amedrontada diante da prometida liberdade da pobreza e acreditou que poderia desfrutar da paz no último refúgio, seu lar. Mas a vontade de Deus era outra”.

Joana deve mesmo ter hesitado, pois somente depois de uma visão de Nossa Senhora, que repetiu o mesmo conselho, é que ela tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

 

Fonte: Cecily Hallack e Peter F. Anson, em “Estes fizeram a paz: Estudos dos Santos e Beatos da Ordem Terceira de São Francisco”, cap. VI, p. 152-3

29Bem-aventurado Luís de Casoria

Sacerdote da Primeira Ordem (1814-1885). Fundador das Filhas de Santa Isabel. Beatificado por João Paulo II em 18 de abril de 1993. (Sua festa é no dia 30 de março).

 

Luís nasceu em 11 de março de 1814 em Casoria (Nápoles), filho de Vicente e Palmentieri Candida Zegna, uma família muito humilde. Logo cedo se interresou pela vida religiosa e, em 1832, foi recebido na Ordem dos Frades Menores. Enviado como noviço a Lauro, perto de Nola, permaneceu ali até sua ordenação. Em 1841 foi pedido a ele o ensino da Filosofia, matemática, física e química. Enquanto orava na igreja de San José dei Ruffi em Nápoles, ele desmaiou, caindo no chão inconsciente. Posteriormente, dedicou-se às mais variadas obras sociais e caritativas. Instituiu uma enfermaria e uma farmácia para os franciscanos pacientes. Ele se dedicou à divulgação da Ordem Terceira em Campania e dizia: “A Ordem Terceira sem uma obra de caridade, não me agrada nem a desejo.”

Em 1854, o genovês padre Juan Bautista Olivieri o inspirou com o trabalho destinado a resgatar e formar cristãmente as crianças negras africanas, vendidas como escravas. A esta obra dedicou Luis com entusiasmo apaixonado e começou a acolher em 8 de novembro de 1854 no convento que morava, na chamada Escudillo de Palma, os dois primeiros negros encomendados pelo P. Olivieri, que os educou em casa, obtendo resultados animadores. Esta primeira experiência levou Luis a promover o envio de missionários para a África, porque “a África deve converter a África.” Em agosto de 1856 em La Palma, Luis conheceu nove crianças negras, dos quais cinco foram batizadas pelo cardeal de Nápoles. Em 09 de abril de 1857, ele embarcou para o Cairo, visitou os lugares santos e voltou para Alexandria com 12 outras crianças negras. Esta pequena família de futuros missionários cresceu tanto que em 1858 já eram 38 e em 1859 eram 45 e, em seguida, chegou a 64.

Igual projeto realizou Luís para as meninas negras. Com a ajuda de Anna Maria Santíssima Lapini, fundadora da Irmãs Stigmatinas, fundou uma escola para negras em Florença e outro em Capodimonte, em Nápoles. Em 1864, em Nápoles, fundou uma academia de religião e ciência, que ganhou o apoio de escritores ilustres. Ele fundou também o jornal “La Caritá”. Estes esforços generosos atraiu a admiração de muitos, inclusive anticlericais e foi condecorado com a Cruz da Ordem do Santos Maurício e Lázaro.

Também promoveu numerosas obras de caridade para órfãos, surdos, deficientes e doentes em geral. Fundou vários institutos que se baseavam principalmente em duas congregações fundadas por ele: os terceiros franciscanos regulares, chamados Frati Bigi da caridade homens, e a Congregação da Irmãs Bigie ou Elisabetinas para as mulheres. Para a residência de seus missionários obteve da Congregação de Propaganda e Fé a estação africana de Scellal, onde esteve pessoalmente e tomou posse em 12 de novembro de 1875.

Encomendeu aos seus Frati Bigi a obra de educar os jovens negros. Ele então se dedicou com maior intensidade à vida espiritual de oração e íntima união com Deus que sempre conseguiu conciliar com o seu apostolado de caridade maravilhoso. Cansado e triste com algumas dificuldades em seu trabalho evangélico, a morte o surpreendeu aos 71 anos, na manhã de 30 de março de 1885. Seu corpo repousa no hospício de Posillipo.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

30São Pedro Regalado

Sacerdote da Primeira Ordem (1390-1456). Canonizado por Bento XIV (29 de julho de 1746).

 

Pedro Regalado nasceu em Valladolid em 1390. Aos nove anos seu pai morreu. A mãe o educou piedosamente. Muito jovem ingressou na Ordem dos Frades Menores e logo se distinguiu por sua piedade, mortificação e pobreza, bem como pelo amor de silêncio e solidão. Começava na Espanha a Reforma franciscana buscando o florescimento da primitiva austeridade de vida religiosa.

Pedro, ao estudar a Regra franciscana, convenceu-se de que a vida real dos frades não correspondiam às suas exigências. Enquanto na Itália São Bernardino de Sena promoveu reformas, na Espanha Pedro Villacreces fazia o mesmo no eremitério de Aguilera. Em 1405 ele se uniu a Pedro Regalado, um colaborador eficaz. Em 1415 rezou a sua primeira Missa. Em Abrojo fundou uma nova ermida, onde Pedro Regalado era mestre superior dos noviços. Os dois eremitérios de Abrojo e de Aguilera logo adquiriram grande fama pelo zelo de seus fundadores e pelos estatutos contendo prescrições extremamente severas. Isso só fez aumentar as vocações na Espanha, florescendo a vida franciscana e de santidade.

Padroeiro dos toureiros
São Francisco de Assis foi o padroeiro dos lobos e São Pedro Regalado o padroeiro dos toureiros. Dele se conta que indo um dia por um caminho, encontrou um enorme e bravo touro que havia escapado ferido de uma corrida em Valladolid, atacando e ferindo viajantes e todos aqueles que por ali passavam e se punham à sua frente, fazendo jus à sua herança natural.

Passava por ali São Pedro Regalado com um discípulo quando o touro bravo os atacou, correndo e investindo na sua direção, refugiando-se o seu acompanhante por de trás dele com enorme e natural receio.  São Pedro, olhando e implorando ao céu, mostrou-lhe o seu bastão e disse-lhe: ”pare touro”.

O touro bravo e ferido, deteve-se e São Pedro acariciou-o e curou as suas feridas, depois benzeu-o e mandou de volta para o campo. São Pedro Regalado foi a partir deste episódio considerado o “padroeiro dos toureiros”.

São Pedro morreu em 1456 no convento de “La Aguilera“ em Aranda del Duero.

Foi canonizado em 1746 pelo Papa Bento XIV e é desde então “ patrono “ de Valladolid e todas as suas dioceses.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

31Bem-aventurada Isabel Vendramini

Em Pádua, no território de Veneza, beata Isabel Vendramini, virgem, que dedicou sua vida aos pobres e, após superar muitas adversidades, fundou o Instituto de Irmãs Isabelas da Terceira Ordem de São Francisco (1860).

Etimologicamente: Isabel = Aquela a quem Deus dá saúde, é de origem hebraica. A beata Isabel, fundadora das Religiosas Terciárias Franciscanas Isabelinas de Pádua, família religiosa consagrada a servir aos pobres, centrou sua vida na contemplação de Cristo pobre e crucificado, a que reconhecia e servia depois nos pobres seus irmãos.

Isabel (Elisabetta) Vendramini nasceu em Bassano del Grappa (Itália) em 9 de Abril de 1790. Era de índole dócil e muito caritativa. Nas religiosas agostinhas recebeu a educação própria daquele tempo, com uma intensa vida espiritual. Jovem brilhante, gostava de vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e se retirava a miúdo ao campo para orar.

Depois de seis anos de noivado, em vésperas da boda, o Senhor lhe deu a conhecer com claridade sua chamada, e para Isabel constituiu uma verdadeira conversão. No ano 1821 vestiu o hábito de Terciaria Franciscana com o nome de Margarita, em Fassano. Logo foi a Pádua e ali fundou, em 4 de outubro de 1830, uma família religiosa consagrada a Deus na observância da Terceira Ordem Franciscana para servir os pobres. No ano seguinte fizeram a profissão as primeiras religiosas. Se dedicaram à educação da juventude e a atender às senhoras anciãs, sãs e enfermas.

Faleceu em Pádua em 2 de abril de 1860. Foi beatificada por João Paulo II em 4 de novembro de 1990.