01Bem-aventurado João Francisco Burté

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1740-1792). Beatificado por Pio XI no dia 27 de outubro de 1926.

 

João Francisco Burté nasceu no dia 21 de junho de 1740 em Rambervillers, Lorena, filho de João Batista e Ana Maria Colot. Aos 16 anos, solicitou ingresso entre os Irmãos Menores Conventuais do convento de Nancy. Ele iniciou o noviciado em 24 de maio de 1757, e depois de um ano totalmente dedicado ao Senhor, ele professou. No mesmo convento continuou seus estudos. Havia ali numerosos religiosos preparados em diversas disciplinas. Quando em Nancy foi instituída a Faculdade de Teologia, bom número dos Frades Menores Conventuais foram chamados para ensinar. João Francisco, que havia se distinguido pelo aproveitamento nos estudos, com apenas quatro anos de sacerdócio foi chamado para ensinar teologia, primeiro no convento, e logo na faculdade diocesana, depois de um brilhante exame.

Em 1775, ele foi nomeado guardião do convento. Depois de três anos, ele foi responsável por representar sua Província religiosa em Paris. Ele foi escolhido como um pregador do rei, porque todos o consideravam um religioso doutor, piedoso, eloquente e modesto. Por sua destacada cultura, o recomendaram ao trabalho de Bibliotecário no grande convento em Paris, onde foi nomeado guardião de mais de 60 religiosos.

Em 1789 veio o desastre da Revolução Francesa. Em 1790 foram suprimidas as ordens religiosas, e os edifícios da Igreja foram declarados de propriedade do Estado. O que se viu em seguida na França foi a luta aberta à oposição, à dispersão e ao assassinato. João Francisco e seus religiosos manifestaram sua adesão à fé, rechaçando o juramento da lei emanada do Estado contra a Igreja.

Em 12 de agosto de 1792, o bem-aventurado João Francisco, juntamente com seus religiosos foi preso, levado para o convento dos Carmelitas, transformado em cárcere. Ali foi interrogado, investigado, assim como os bispos e outros sacerdotes. Frei João se mostrou, nestas situações terríveis, sempre como um autêntico sacerdote, franciscano genuíno, rico em zelo e caridade, sobretudo com os sacerdotes perseguidos. A Igreja do Carmo estava repleta de presos, mas não se ouvia um só lamento, a Missa estava proibida e os detentos se uniam em constante oração diante do altar-mor. Entre os presos também havia três bispos. Eles prepararam um grande massacre. A guilhotina parecia demasiada lenta para cortar 500 ou 600 cabeças por dia…

Era domingo, 2 de setembro de 1792. Duas dezenas de homens armados com lanças, espadas, machados e armas de fogo atacaram João e os 180 sacerdotes prisioneiros. Eles foram barbaramente assassinados. As vítimas serenamente rezavam ou realizavam atos de heroísmo. E assim a vida do bem-aventurado João Francisco foi heroicamente imolada por sua profissão de fé. No momento do martírio tinha 52 anos.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

02Bem-aventurado Severino Girault

Sacerdote, mártir da Terceira Ordem Regular (1728-1792). Foi beatificado por Pio XI no dia 27 de outubro de 1926.

 

Entre os muitos mártires da Revolução Francesa, recorda-se em especial alguns que foram brilhantes na fé e no sacerdócio católico, filhos da Ordem Franciscana, martirizados em 2 de setembro de 1792, entre eles Severino Girault, da Terceira Ordem Regular.

Nascido em Rouen em 14 de janeiro de 1728, no batismo foi chamado de Jorge, mas ao entrar no convento da Terceira Ordem Regular de São Francisco da mesma cidade, mudou para Frei Severino. Em 1750 fez a profissão religiosa e, quando se mudou para Saint-Lo, recebeu as ordens sacras em Paris ao ser ordenado presbítero em 1754. Em 1773, ele foi chamado a Paris para ocupar o cargo de secretário-geral. Anteriormente, ele havia sido Visitador da Província da Normandia.

Em Paris, ele viveu no mosteiro de Notre Dame de Nazaré, onde ele era um bibliotecário. Com a eclosão da Revolução Francesa foi o confessor das Irmãs Franciscanas de Santa Isabel, sob a direção da Ordem Terceira e, ao mesmo tempo, primeiro assistente do Vigário Geral. Em 1790, os religiosos foram convidados a declarar se queriam continuar a viver na casa e sob a Regra da Ordem e todos decidiram ficar. Com a mesma firmeza se comportaram as freiras confiadas aos seus cuidados. O convento de Santa Isabel continuou funcionando até 20 de agosto de 1792, enquanto que o de Notre-Dame de Nazaré foi evacuado em abril do mesmo ano, e seus religiosos foram anexados ao da rua Picpus.

Ninguém sabe onde Frei Severino foi preso. Em todo caso, estava no convento dos Carmelitas antes de 2 de setembro e foi o primeiro a ser morto no massacre. Bardez, testemunha ocular, refere-se ao seu final: “A primeira vítima foi o abençoado Severino Girault, diretor das Irmãs de Santa Isabel, que recitou o ofício divino junto à fonte. Eu vi o sabre ferindo a cabeça dele e quando ela caiu. Dois armados revolucionários armados com uma lança a transpassaram”.

Severino Girault, que na época do martírio tinha 64 anos, era conhecido por seu zelo sacerdotal e sua caridade para com os perseguidos, e pela coragem heroica com que sofreu o martírio, dando um maravilhoso testemunho da sua fé.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

02Bem-aventurado Apolinário de Posat - Capuchinho

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1739-1792). Beatificado por Pio XI no dia 27 de outubro de 1926.

 

Entre os 191 mártires trucidados pelos revolucionários franceses em Paris a 17 de outubro de 1792 estava também um capuchinho suíço, João Tiago Morel, ou seja, o Pe. Apolinário de Posat. Nascera 12 de junho de 1739 no vilarejo de Préz-vers-Noréal, perto de Friburgo, filho de João Morel e Maria Elizabeth Maître. Completou sua formação religiosa e escolástica na escola paroquial de Francisco José Morel, seu tio. Depois dos estudos teológicos, ordenado padre, em 1747, foi enviado para Préz-vers-Noreál, e logo depois para Belfaux onde o tio tinha sido transferido como pároco em 1752. Três anos depois aperfeiçoou sua formação no colégio São Miguel em Friburgo, dirigido pelos jesuítas e morou na casa da mãe que, desde 1750, fora feita parteira profissional de Friburgo pelo Estado.

A sua inclinação à piedade e à vida religiosa fazia prever sua próxima entrada na Companhia de Jesus mas, no dia 26 de setembro, aos 23 anos, vestia o hábito capuchinho no convento de Zug, com o nome de Frei Apolinário de Posat. Terminado o noviciado e emitida a profissão religiosa, foi encaminhado logo para as ordens sacras, sendo ordenado sacerdote a 22 de setembro de 1764 em Bulle, sua terra de origem. De 1765 a 1769 foi para Lucerna, onde estudou teologia com o Pe. Ermano Martinho de Reinach.

Bem preparado na piedade e na ciência, lançou-se no apostolado itinerante a serviço das várias paróquias e nas missões populares, de 1769 a 1774, mudando frequentemente para os conventos de Sion, Porrentruy, Bucce e Romont. No fim de agosto de 1774, por seis anos consecutivos, foi professor e diretor dos estudantes capuchinhos de teologia de Friburgo. Foi vigário conventual de Sion em 1780 e por um ano retomou a atividade missionária, sendo finalmente transferido, ainda como vigário, para o convento de Bulle.

Em 1785, em Stans, tornou-se diretor da escola anexa ao convento e catequista dos rapazes do vilarejo vizinho de Buren. Os seus dotes de apóstolo e a capacidade de explicar, de maneira atraente a doutrina, atraia muita gente que se ajuntava aos seus pequenos discípulos.

O seu confessionário era muito procurado. Depois da oração coral da meia noite ele quase nunca voltava a repousar, mas se dedicava aos estudos, à oração e à meditação.

Um apóstolo tão eficaz inquietou os inimigos da fé, iluministas e jurisdicionalistas, que começaram a difundir calúnias dizendo que as lições de catecismo do frade não eram ortodoxas ou desacreditando o seu ensinamento escolástico levando-o ao ridículo ou maquiando a sua reputação moral. A campanha diabólica crescia e Frei Apolinário foi constrangido pelos superiores a defender-se com um memorial. Para evitar maiores complicações aos confrades foi transferido para Lucerna aos 16 de abril de 1788.

Tempos depois o Provincial de Bretanha, Vitorino de Rennes, propôs a Frei Apolinário de Posat de trabalhar como missionário na Síria, junto aos confrades franceses. A Providência dispôs diversamente: Paris seria seu último campo de apostolado e o altar do seu sacrifício. As coisas se precipitaram, estourou a revolta, a 14 de julho de 1789 a Bastilha caiu nas mãos dos revoltosos e a revolução estendeu-se por todo território francês. O superior de Marais encarregou Frei Apolinário, que conhecia o tedesco de seguir os outros cinco mil tedescos presentes na cidade.

Suspensas as ordens religiosas e fechados 3 mil conventos e mosteiros, ele foi feito vigário para os fiéis de língua tedesca na paróquia de São Suplício e capelão dos encarcerados de Tournelle. Fechado no convento de Marais, encontrou alojamento em uma casa de leigos que ele utilizou como um convento de Clausura. Confiscados todos os bens eclesiásticos e promulgada a Constituição Civil do clero, os sacerdotes de São Suplício refutaram abertamente o juramento. Entre eles estava o Frei Apolinário que mais uma vez foi golpeado pela calúnia, como se ele tivesse aceito o juramento. Ele se defendeu com um opúsculo intitulado“Le Séducteur Démasqué’ dizendo que, obedecer à Igreja equivalia obedecer ao Espírito que fala através da Hierarquia e acrescentava: “Nós devemos escutar a Igreja e não a Comuna de Paris. É a sabedoria eterna que a comanda”.

De 13 para 14 de agosto de 1792 assistiu a um moribundo e de manhã celebrou a missa e depois se apresentou aos comissários da Sessão de Luxemburgo, declarando que não prestara juramento, apesar de não ser um conspirador. Foi imediatamente colocado junto aos 160 refratários na igreja do Carmo. Aos 13 de agosto de 1792 foi promulgado o decreto de deportação, para esconder o massacre já decidido para o domingo seguinte. O Comissário que presidiu às execuções, dizia-se desconcertado: “Eu não entendo mais nada; estes padres marcham para a morte com alegria como se fossem para as núpcias”.

“… Aleluia, aleluia, aleluia! Em verdade, em verdade vos digo, logo a França, impregnada pelo sangue de tantos mártires, verá florir a religião no seu solo”, disse Frei Apolinário antes de morrer.

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04Santa Rosa de Viterbo

Virgem da Terceira Ordem (1234-1252). Canonizada por Calixto III em 1457.

 

Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.

Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.

No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.

Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.

No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi “canonizada” pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi “canonizada” pelo povo.

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

05Bem-aventurado Gentil de Matelica

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (+1340). Pio VI concedeu em sua honra ofício e Missa.

 

Gentil nasceu em Matelica, nas Marcas, filho da nobre família Finiguerra. Ele logo decidiu dedicar-se a Deus ingressando entre os Frades Menores no convento de Matelica. Desejoso de maior solidão, ele foi até o Santuário de La Verna. Ali permaneceu muitos anos santificando aquele lugar com a oração, a penitência e íntima união com Deus. Inclusive foi nomeado guardião.

Após esta intensa preparação espiritual se dirigiu a terras de missão. Chegou ao Egito e permaneceu no Cairo para aprender a difícil língua árabe. Apesar de sua intensa dedicação, as dificuldades pareciam insuperáveis, até que o Senhor o ajudou de forma surpreendente, pois logo começou a falar árabe e as línguas dos países vizinhos. Além de evangelizar no Egito, excursionou até a Ásia Menor, Armênia e Pérsia.

No espaço de poucos anos chegou aos mais importantes centros de Pérsia. Frei Gentil trabalhou intensamente em meio a dificuldades de viagem e adaptação às diversas populações. Deixando os confins da Pérsia, chegou a Erzerum, cidade completamente muçulmana. A hostilidade tradicional dos seguidores de Maomé se manifestou repentinamente. Mas conseguiu algumas conversões. De Erzerum, pelo caminho das caravanas, se dirigiu a Trebisonda, um importante porto. Os testemunhos que ficaram de seu apostolado são significativos.

De fato, durante séculos os fiéis de Trebisonda chamavam-se os “cristãos de Frei Gentil”. O Espírito Santo havia atuado naquele país através de Frei Gentil. De Trebisonda passou à Crimeia, onde trabalharam missionários franciscanos e dominicanos. A sua presença e sua pregação despertaram naqueles povos novo entusiasmo. Da Crimeia voltou para a Pérsia, onde permaneceu em Salmestre perto Tabriz. Os prolongados trabalhos apostólicos foram minando suas forças e preparando para o encontro com Cristo. Enquanto estava catequizando um grupo de novos convertidos foi violentamente aprisionado por alguns sectários que, em nome da autoridade muçulmana, o levaram ao governador, que o condenou à morte. Amarrado a um poste, com um violento golpe de cimitarra foi decapitado. Isso aconteceu em Tabriz em 05 de setembro de 1340. Seu corpo jaz na igreja dos franciscanos em Veneza.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

06Bem-aventurado Liberato de Loro Piceno

Sacerdote da Primeira Ordem (1214-1258). Pio IX no dia 26 de setembro de 1868 concedeu ofício e Missa em sua honra.

 

Liberato nasceu em Loro Piceno, Província de Macerata, nas Marcas. Vestiu o hábito franciscano em Soffiano, lugar solitário ao redor Sarnano, onde ainda hoje se vêm os restos de um antigo conventinho.

Era 1234, quando o jovem Liberato guiado pelo Espírito Santo, renunciou às terras e bens que tinham sido dadas a ele por seu tio Fidesmido e as transferiram para seu irmão Walter, escolhendo para viver o convento de Roccabruna, na arquidiocese de Urbino. Consagrado sacerdote e disposto a dedicar a vida à penitência e à contemplação, retirou-se para o eremitério de Soffiano, não muito longe do castelo de Brunforte, onde sua vida era mais celestial do que terrena.

Os “Fioretti” nos relacionam alguns detalhes de sua vida: “No eremitério de Soffiano havia antigamente um irmão menor (Liberato de Loro Piceno) de grande santidade e graça, que parecia completamente divinizado, como muitas vezes ao estar em êxtase. E aconteceu que, enquanto ele estava falando com Deus, porque ele possuía em grau notável a graça da contemplação, vinham a ele os pássaros de toda espécie e posavam confiantemente em seus ombros, cabeça, braços e mãos, passando a cantar maravilhosamente. Ele gostava muito da solidão e raramente falava, mas quando perguntavam algo, respondia com tanta graça e sabedoria, que mais parecia um anjo que um homem, e viveu muito dedicado à oração e à contemplação. Os irmãos o tinham em grande reverência”.

No final de sua vida virtuosa tinha 45 anos, caiu enfermo, a ponto de não ser capaz de tomar qualquer alimento. Ele se recusou a receber qualquer medicamento e colocou toda a sua confiança no médico celestial, Jesus Cristo e Sua Mãe Santíssima, que mereceu, pela misericórdia divina, ser milagrosamente visitado e confortado. Ao se preparar para a morte com todo o seu coração e com a maior devoção, apareceu a gloriosa Virgem Maria, cercado por grande multidão de anjos e virgens santas, em meio brilho maravilhoso, e se aproximou de seu cama. Ao vê-la, ele experimentou grande consolo e alegria de alma e corpo, e começou a pedir humildemente que o tirasse da prisão desta carne miserável. E ouviu de Maria: “Não temas, meu filho, a tua oração foi ouvida, e eu vim para te confortar antes de sua partida desta vida'” Em 06 de setembro de 1258 serenamente passou desta vida para a felicidade eterna.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

07Bem-aventurado Peregrino de Falerone

Religioso e discípulo de São Francisco, da Primeira Ordem (+ 1233). Aprovou seu culto Pio VII no dia 31 de julho de 1821.

 

Quando Peregrino se apresentou a São Francisco, ouviu dele: “Você servirás a Deus na humilde condição de irmão religioso e te aplicarás sobretudo a prática da humildade”.

Peregrino não era certamente um ignorante. Filho de uma família rica e nobre, originalmente de Falerone, diocese de Fermo, província de Ascoli Piceno, hoje, uma cidade das Marcas que traz o nome da destruída cidade romana Faleria, no vale de Tenna, entre Amandola e Giorgio Monte. Em Bolonha, estudou filosofia e direito canônico, e era profundamente versado nas ciências sagradas e profanas.

Peregrino levou a profecia de São Francisco como um mandato, e ao longo de sua vida quis ele permanecer na modesta condição de irmão religioso, entregue aos serviços mais humildes e muitas vezes escondidos em conventos. De acordo com a de Frei Bernardo de Quintavalle, foi, entre os primeiros discípulos de São Francisco, um dos religiosos mais exemplares.

Inflamado em fervor santo, procurou o martírio nas mãos dos infiéis, e como o mesmo São Francisco, atravessou o mar para ir à Terra Santa em meio aos muçulmanos. O martírio pelas mãos dos muçulmanos, conhecidos como “mata-cristãos”, foi muitas vezes a aspiração devota de muitos irmãos. Na realidade, e em circunstâncias normais, os árabes, especialmente na Terra Santa, eram tolerantes e respeitosos para com os cristãos, e mais ainda com os missionários.

No caso de Peregrino, faltou pouco para nascer ao seu redor a veneração por parte dos muçulmanos. E não poderia ser de outra forma, contra o frade descalço que visitou os lugares santos com o livro dos Evangelhos na mão, sempre em lágrimas de compaixão e misericórdia pela morte de Jesus Cristo.

De volta à Itália, Peregrino de Falerone novamente se escondeu nos conventos mais distantes. Mas, por mais que se fizesse pequeno e humilde, a luz da sua santidade brilhava com os milagres atribuídos a ele em vida. Nos últimos anos de sua vida, ainda jovem, viveu no convento de São Severino Marcas e ali morreu em 1233. Foi sepultado na igreja dos Cistercienses e novos milagres ocorreram em seu túmulo, que o fizeram ainda mais amado e reverenciado.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

08Bem-aventurada Serafina Sforza

Viúva e religiosa da Segunda Ordem (1434-1478). Bento XIV aprovou seu culto no dia 17 de julho de 1754.

 

Era descendente da nobre família dos condes de Urbino. Ficando órfã ainda muito jovem, foi criada por um tio materno, o príncipe Collona, que a educou com carinho de pai. Durante sua estada em Roma, desabrochou em sua alma o amor a Deus e à virtude, que chegaram a fasciná-la por completo. As vaidades do mundo nada valiam a seus olhos.

Ainda não tinha atingido a maturidade quando foi encaminhada ao príncipe Alessandro Sforza, senhor de Pésaro, para se casar. O príncipe tinha dois filhos do primeiro casamento, que ela amou como se fossem seus, a eles dedicando-se com amor de mãe, e sendo por eles plenamente correspondida. Por esse motivo granjeou a afeição de seu esposo. Pouco anos depois de casada, seu esposo teve que entregar-se ao uso das armas, para combater em favor de seu irmão que era duque de Milão.

Portanto, entregou o governo à sua esposa, que tinha todas as qualidades para exercê-lo com rara habilidade e sabedoria. Durante seis anos, substituiu o esposo em todos os negócios com raro tino administrativo. Além desses dotes, possuía ainda uma ampla visão do futuro. Foi amada por todos por sua grande generosidade. Pedia a bênção a Deus para seus empreendimentos, através das inumeráveis esmolas que distribuía aos pobres. Todos pensavam que ao voltar o marido, ela receberia fabulosa recompensa, mas foi o contrário. Ele voltou complemente mudado, envolvido em vida dissoluta acompanhado de uma amante, que colocou dentro do castelo, para ser servida em tudo por Serafina. Ele próprio a tratou como uma serva. Depois encerrá-la no Mosteiro de Clarissas em Pésaro. Assim poderia viver livremente com a outra mulher.

A amante chegou até a vestir as ricas roupas de Serafina e usar suas joias e assim visitar Serafina juntamente com o Conde. Porém Serafina, que sobressaia pela nobreza de sangue e de virtudes, tudo suportou com a máxima paciência e doçura. Sua admirável paciência nessa adversidade provocou a estima das irmãs e de todas as pessoas que a conheciam. Depois de alguns anos, o marido morreu e lhe disseram que poderia voltar ao Principado, saindo do Mosteiro aonde fora introduzida por ordem do marido.

Mas Serafina respondeu: “Se até hoje fiquei aqui forçada pelas ordens de meu marido, de hoje em diante pedirei para permanecer por amor neste mosteiro”. Vestiu o hábito e professou a Regra de Santa Clara, vivendo santamente. Chegou a ser abadessa. Morreu a no dia 9 de setembro de 1478 no Mosteiro de Pésaro. Foi beatificada pelo Papa Bento XIV, em meados do século XVIII. Sua festa é celebrada no dia 09 de setembro.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

09Bem-aventurado Jerônimo Torres

Sacerdote da Primeira Ordem e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1632). Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

 

Jerônimo Torres da Cruz nasceu em Nagasaki. Causou grande alegria aos franciscanos, que o admitiram na Ordem Terceira, foi enviado por eles para o convento de Manila, onde dedicou-se aos estudos, foi recebido na Ordem dos Frades Menores e foi ordenado sacerdote. Durante vários anos ele atuou na conversão companheiros exilados japoneses nas Filipinas ou residente no seu país por razões de comércio. O trabalho desenvolvido entre eles foi abençoado por Deus com muitas conversões à fé cristã.

Jerônimo amava com um amor intenso seu país e pedia fervorosamente ao Senhor para finalizar a perseguição furiosa e chegar a paz, e que o sangue de tantos mártires não fosse em vão.

Em 1628, ele foi finalmente capaz de retornar à sua terra natal, mas seu ministério foi de curta duração, pois a perseguição fez ainda muitas vítimas.

Em 1631, ele foi preso e levado para a prisão de Omura junto com outros confrades. Depois ele foi levado para a Nagasaki para ser torturado e morto ali com outros religiosos e cristãos. Suportou todos tormentos com muita firmeza.

Durante a viagem a Nagasaki nunca deixou de louvar o Senhor e pregar a Palavra de Deus. Ao chegar ao Monte dos Mártires, foi direto ao poste para ser amarrado. Ele ajoelhou-se e rezou com fervor e, junto com seus confrades,  foi entregue nas mãos do carrasco. Sob o fogo, seus corpos foram queimados e os gloriosos mártires voaram para o céu para receber a palma da imortalidade. Este sacrifício foi acompanhado por milagres: sobre os mártires brilhou uma luz brilhante e uma pomba voou sobre seus restos mortais.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

10Bem-aventurado Apolinário Franco

Sacerdote e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1622). Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

 

Apolinário Franco nasceu em Aguilar do Campo, de pais nobres e virtuosos. Ele completou seus estudos na famosa Universidade de Salamanca, onde recebeu seu doutorado, e depois tomou o hábito franciscano entre os Frades Menores. Foi um religioso austero e de alta contemplação. Ele foi o pregador mais renomado em Castilla la Vieja, quando em 1600 obteve de seus superiores licença para partir às missões das Filipinas com seus 50 confrades. De lá, ele foi para o Japão, onde seu zelo e santidade apostólica produziram muitos frutos.

Em 1614 veio o decreto de perseguição contra os cristãos, mas ele permaneceu no cargo, aliás, foi nomeado Ministro Provincial do Japão. Em 1617, ele estava em Nagasaki e sabia que no reino de Omura não havia um sacerdote sequer, os cristãos eram numerosos e a perseguição era extremamente violenta. Mesmo assim, ele decidiu ir entre eles. Partiu vestido com seu hábito religioso; ao longo da viagem pregou publicamente, convertendo muitas pessoas e um dos executores do Beato Pedro da Assunção. Irritados com o apóstolo de Jesus, os partidários do governador o denunciaram no dia 7 de julho de 1617. Foi preso e colocado na prisão em Omura, juntamente com alguns cristãos japoneses.

Nesta prisão passou cinco anos, mas teve a sorte de encontrar carcereiros benevolentes, que permitiram o contato com os cristãos. Entre os presos estava um de seus catequistas, Francisco, que ao saber da prisão do padre Apolinário, foi até ao governador para reprovar a sua crueldade. O governador, irritado, o jogou na prisão também. Frei Apolinário recebeu como noviço um clérigo novato com o nome de Frei Francisco de São Boaventura. Outro cristão, Paulo, recebeu o hábito com o nome de Frei Paulo de Santa Clara. Outros foram admitidos à Ordem Terceira Franciscana. A prisão de Frei Apolinário havia se tornado um convento, onde praticou a vida religiosa.

Foi esta uma verdadeira fraternidade, onde orou e levantou louvor a Deus continuamente. No início de setembro de 1622, os santos Mártires de Omura tiveram que se separar: 20 foram enviados para Nagasaki para consumar ali seu martírio e oito ficaram em Omura junto com o Beato Apolinário Franco. Condenados a serem queimados vivos, foram executados em 12 de setembro de 1622.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

11Bem-aventurado Boaventura de Barcelona

Religioso da Primeira Ordem (1620-1684). Beatificado por São Pio X no dia 10 de junho de 1906.

 

Boaventura de Barcelona nasceu em Ruidorms, ​​Tarragona, Espanha, no dia 24 de novembro de 1620 em uma família humilde, mas profundamente religiosa. Devido à falta de condições, teve de largar os estudos pelo trabalho nos campos e cuidar do rebanho. Aos 18 anos, seu pai queria que ele se casasse, apesar de ter decidido abraçar o estado religioso. Os dois cônjuges, de comum acordo, viveram como irmão e irmã. Após 16 meses de casamento, faleceu a mulher no dia 14 julho de 1640 e ele tomou o hábito dos Frades Menores no convento de Escornalbou. Um ano depois, emitiu a profissão; por 17 anos viveu em várias casas na Catalunha, onde ocupou os cargos de cozinheiro, porteiro e esmoleiro.

Em 1658, ele foi para a Itália. Ele visitou os santuários de Loreto e Assis, e estando em oração em São Damião, sentiu que se repetia o mandato já recebido na Espanha, para ir a Roma realizar uma reforma da Ordem Franciscana. No convento generalício de Araceli passou os primeiros dois meses, depois foi transferido para outros conventos da Lazio.

A verdadeira missão de Frei Boaventura foi a de fundar conventos na Província Romana. Para este fim, escreveu pessoalmente ao Papa Alexandre VII, a quem foi recebido em audiência por diversas vezes. Em 1662 erigiu os conventos de Ponticelli, de Montorio Romano, de Vicovaro e São Boaventura no Palatino de Roma. Estes conventos foram erigidos, em 1845, em custôdia autônoma. Boaventura teve que superar grandes dificuldades para realizar seu sonho. Sendo religioso não clérigo foi várias vezes superior dos conventos de Ponticelli e de São Boaventura no Palatino. Para estas casas compilou estatutos que tiveram aprovação papal. Alexandre VII, Clemente IX, Clemente X e Inocêncio XI honraram com a sua amizade.

Ele era conhecido por sua extraordinária caridade para com os pobres, pela humildade e pobreza mais austera. Tinha os dons especiais da contemplação e êxtase. Em seus escritos destaca a espiritualidade de caráter prático. Realizou muitos milagres em vida e após a morte. Ele morreu em Roma no dia 11 de setembro de 1684, aos 64 anos.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

12Bem-aventurado Francisco de Calderola

Sacerdote da Primeira Ordem (1430-1507). Aprovou seu culto Gregório XVI no dia 1º de setembro de 1843.

 

Francisco foi grande colaborador de seu confrade Frei Bernardino de Feltre na fundação e propagação de casas de penhores em favor dos pobres e contra a usura. Ingressou muito jovem na Ordem Franciscana. Mesmo antes de ser ordenado sacerdote fundou a Confraria de Nossa Senhora do Monte.

Ele era natural de uma região de economia predominantemente agrícola, e conhecia bem as misérias dos agricultores no campo, forçados a se endividarem pesadamente, para se tornarem escravos reais e vítimas do capitalismo predatório. Mas o espírito de caridade de Francisco não se limitou à fundação dos Montes da Piedade, mas se destacou com a pregação por uma cultura de paz nas regiões de sua cidade, dividida por lutas violentas entre facções ambiciosas e famílias poderosas. O segredo do sucesso do pregador da paz foi simples: falar com pessoas ao dia e passar a noite em oração.

Francisco sempre se esforçava para o progresso da ciência e da virtude. Ardente sacerdote de Cristo estava inflamado no fogo da caridade. Em sua pregação colheu frutos abundantes, especialmente em sua terra natal, Calderola. Na verdade não só conseguiu reformar os costumes dos habitantes, mas também promoveu seu bem-estar com o apaziguamento do ódio, a conciliação da discórdia pública, e da fundação do Montes da Piedade.

Depois de uma longa vida empenhada generosamente em servir a Deus como pregador fervoroso com uma linguagem adequada à capacidade das pessoas simples e humildes, e na realização de obras úteis e santas em favor dos outros, morreu no convento de Colfano, onde passou a maior parte de sua vida religiosa, a 12 de setembro de 1507, com a idade de 77 anos. Após sua morte, realizou muitos milagres e seu culto tem sido documentado desde 1511.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

13Bem-aventurado Gabriel da Madalena

Religioso e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1632). Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

 

Gabriel da Madalena é um dos grandes apóstolos do Japão. Nasceu em Fonseca, em Nova Castela, Espanha. Depois de estudar medicina, aos 30 anos entrou na Ordem dos Frades Menores como irmão leigo. Ele chegou a tal perfeição que o Senhor o favoreceu com êxtases e visões. Nas diversas tarefas realizadas reavivou o espírito e as virtudes de São Diego e São Pascoal: foi porteiro, cozinheiro, enfermeiro e esmoleiro. Ele sonhava em ser missionário no Extremo Oriente para ganhar almas para Deus.

Em 1612, ele chegou à costa do Japão, onde por vinte anos foi o seu campo de trabalho apostólico e o testemunho de seus prodígios. Seu apostolado foi maravilhosamente fértil em frutos pelo zelo, a santidade da vida, o esplendor das curas que obteve do Senhor. É difícil estimar o número de pagãos batizados em 20 anos de apostolado.

As curas realizadas por ele em favor dos pagãos e cristãos e de familiares da corte, deram fama a ele em todo o Japão, e os governadores que empreediam uma perseguição furiosa aos cristãos tiveram de permitir que ele exercesse seu apostolado quando chamado pelos enfermos. Várias vezes, ele foi preso junto com outros cristãos, mas assim que o reconheciam, colocavam-no em liberdade. Incentivado pela confiança concedida, ele continuou seu trabalho em favor dos doentes, cristãos e pagãos.

Gabriel sonhava em sacrificar sua vida pela fé junto com seus demais confrades. O Senhor ouviu o seu desejo. No dia de 20 de março de 1630, ele foi preso junto com outros religiosos nas prisões de Omura. Quando soube que era a hora do sacrifício, sentiu uma imensa alegria e caiu numa oração profunda.

Numerosas instâncias chegaram ao imperador para pedir sua liberação, mas esses pedidos do povo foram ignorados. Somente os príncipes tiveram licença para que o bem-aventurado pudesse ir, com escolta, ao palácio para curar os membros da família. Na verdade, a sobrinha do governador estava muito doente. Gabriel a curou e a batizou. Quando o governador soube da conversão de sua sobrinha, ficou enfurecido com Frei Gabriel e com a sobrinha. Isso realmente piorou sua situação. Após o suplício nas águas sulfurosas do Monte Ungen, foi levado para o santo monte de Nagasaki até o poste que estava reservado para ele ser queimado vivo. Assim, foi consumado seu martírio glorioso.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

14Bem-aventurado Luis Sasanda

Sacerdote e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1624). Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

 

Luís Sasanda, martirizado no Japão, nasceu em uma família cristã japonesa. Seu pai, Miguel, foi martirizado em Yendo por causa de sua fé católica.

Desde 1603, pela sua santidade de vida e, especialmente, por sua piedade excepcional, foi um dos discípulos favoritos do franciscano Luís Sotelo, a quem o seguiu em suas peregrinações. Em 1613, viajou com ele para a Espanha, onde foi recebido na Ordem dos Frades Menores, e depois foi também para a Itália.

Ao visitar Roma, ficou muito impressionado com as grandes basílicas de São Pedro, São Paulo, São João de Latrão, Santa Maria Maior, as catacumbas, o Coliseu e outros monumentos do cristianismo, e voltou novamente ao Japão com o Beato Luís Sotelo e Luís Baba. Durante a estadia em Manila, nas Filipinas, foi ordenado sacerdote.

Em 1622, ele navegou junto com o Beato Luís Sotelo para o Japão em um navio japonês com destino a Nagasaki. Os marinheiros do navio, temendo serem acusados de transportarem missionários (as leis em vigor desde 1614 puniam severamente), os denunciaram às autoridades de Nagasaki. Estes os colocaram na prisão Omura, onde sofreram por cerca de dois anos, pela estreiteza do espaço e exposição às intempéries, e pela escassez e má qualidade da comida e falta de higiene. Na mesma cela foram recolhidos também Pedro Vasquez e Miguel Carvalho.

Durante a prisão, Luís Sasanda foi submetido várias vezes a fortes pressões para que renunciasse a fé, mas apesar de lisonjeiras promessas, permaneceu firme na fé em Cristo.

Em 24 de agosto de 1624, ele foi informado da sentença de morte. Na manhã seguinte, com uma corda em volta de seu pescoço foi levado em um barco até Focó, próximo a Scimbara. Ali foi amarrado e queimado vivo, enquanto rezava. Suas cinzas foram espalhadas ao mar.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

15Santa Catarina de Gênova

Viúva da Terceira Ordem Franciscana (1447-1510). Canonizada por Clemente XII no dia 16 de junho de 1737.

 

Catarina de Sena e Catarina de Bolonha, também tem o nome de Catarina: falo de Catarina de Gênova, que é particularmente notável por suas visões do purgatório.

O texto que nos conta sobre sua vida e pensamento foi publicado na cidade da Ligúria, em 1551, e é dividido em três partes: a Vita, propriamente dita, aDimostratione et dechiaratione del purgatorio – mais conhecida como Trattato – e o Dialogo tra l’anima e il corpo. O compilador da obra de Catarina foi seu confessor, o Pe. Cattaneo Marabotto.

Catarina nasceu em Gênova, em 1447; última de cinco filhos. Perdeu o pai, Giacomo Fieschi, em sua infância. A mãe, Francesca di Negro, educou seus filhos como cristãos, tanto é assim que a filha mais velha se tornou freira aos dezesseis anos. Catarina foi casada com Giuliano Adorno, um homem que, depois de anos de experiência na área do comércio e no mundo militar do Oriente Médio, voltou a Gênova para se casar. A vida conjugal não foi fácil, especialmente pelo temperamento do marido, que gostava de jogos de azar. A própria Catarina foi induzida, no começo, a levar um tipo de vida mundana, na qual não conseguiu encontrar a serenidade. Depois de dez anos, em seu coração havia um profundo sentimento de vazio e amargura.

Sua conversão começou em 20 de marco de 1473, graças a uma insólita experiência. Catarina foi à igreja de São Bento e ao Mosteiro de Nossa Senhora das Graças para confessar-se e, ajoelhando-se diante do sacerdote, “recebi – escreve ela – uma ferida no coração, do imenso amor de Deus”; e foi tão clara a visão de suas misérias e defeitos, e ainda, da bondade de Deus, que ela quase desmaiou. Foi ferida no coração com o conhecimento de si mesma, da vida que levava e da bondade de Deus. A partir dessa experiência, nasceu a decisão que orientou toda a sua vida e que, expressa em palavras, foi: “Não mais mundo, não mais pecado” (cf.Vita mirabile, 3rv). Catarina, então, interrompeu a confissão foi embora. Quando ela voltou para casa, foi ao quarto mais distante e refletiu por um longo tempo. Nesse momento, ela foi instruída interiormente sobre a oração e teve consciência do amor de Deus por ela, de que ela era pecadora, uma experiência espiritual que não conseguia expressar em palavras (cf.Vita mirabile, 4r). Foi nesse momento que Jesus lhe apareceu como sofredor, carregando a cruz, como muitas vezes foi representado na iconografia da santa. Poucos dias depois, ela voltou a buscar o sacerdote para realizar, finalmente, uma boa confissão. Começou aí a “vida de purificação” que, durante muito tempo, fez com que ela sofresse uma dor constante pelos pecados cometidos e a levou a impor-se sacrifícios e penitências para mostrar seu amor a Deus.

Nesse caminho, Catarina ia ficando cada vez mais perto do Senhor, até entrar no que é conhecido como “a via unitiva”, ou seja, uma relação de profunda união com Deus. Na Vita, está escrito que sua alma era guiada e amestrada somente pelo doce amor de Deus, que lhe dava tudo de que ela precisava. Catarina se abandonou de tal forma nas mãos de Deus, que viveu, durante quase 25 anos, como ela escreveu, “sem qualquer criatura, instruída e governada apenas por Deus” (Vita, 117r-118r), nutrida principalmente pela oração constante e pela Santa Comunhão recebida todos os dias, algo incomum naquela época. Foi somente anos mais tarde que o Senhor deu-lhe um sacerdote para cuidar de sua alma.

Catarina sempre relutou em confiar e expressar a sua experiência de comunhão mística com Deus, sobretudo pela profunda humildade que sentia frente às graças do Senhor. Foi somente a partir da perspectiva de dar-lhe glória e poder ajudar os outros em seu caminho espiritual, que ela aceitou contar o que lhe tinha acontecido na época de sua conversão, que é sua experiência original e fundamental.

O lugar da sua ascensão mística aos cumes foi o hospital de Pammatone, o maior complexo hospitalar de Gênova, do qual foi diretora e promotora. Portanto, Catarina viveu uma existência totalmente ativa, apesar da profundidade de sua vida interior. Em Pammatone, formou-se ao seu redor um grupo de seguidores, discípulos e colaboradores, fascinados pela sua vida de fé e por sua caridade. Ela conseguiu que seu próprio marido, Giuliano Adorno, deixasse a vida dissipada, se tornasse terciário franciscano e se transferisse para o hospital para ajudar sua esposa. A participação de Catarina no cuidado dos doentes continuou até os últimos dias de sua jornada terrena, em 15 de setembro de 1510. De sua conversão até sua morte, não houve acontecimentos extraordinários, somente dois elementos caracterizaram sua vida inteira: por um lado, a experiência mística, ou seja, a união profunda com Deus, vivida como uma união esponsal; e, por outro, a assistência aos doentes, a organização do hospital, o serviço ao próximo, especialmente aos mais abandonados e necessitados. Esses dois polos – Deus e o próximo – preencheram toda sua vida, transcorrida praticamente dentro dos muros do hospital.

 

Texto do Papa Bento XVI.

16Bem-aventurado Antônio de São Francisco

Religioso e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1627)

 

O mártir Frei Antônio de São Francisco era japonês de nascimento e de nacionalidade. Era catequista de Padre Francisco de Santa Maria e terceiro franciscano. Desenvolveu incessantes obras de caridade entre cristãos e pagãos de Nagasaki: os visitava e assistia ao Pai Francisco em seu ministério apostólico.

Ele não estava presente quando foi preso o missionário na casa do Beato Gaspar Vaz, mas alertado, correu para onde estava o governador, gritando: “Você tem uma multidão de espiões e carrascos. Significativas são as recompensas prometidas aos informantes. Pois bem, aqui, diante de ti, tem um delator que está denunciando um adorador de Cristo. Esse adorador sou eu, que há muitos anos incansavelmente apoia os fiéis e converte os pagãos, muitos dos quais foram levados à fé. Eu quero que você me dê a recompensa por minha traição; quero ser associado com o meu querido padre e mestre e meu queridos confrades na prisão, no sofrimento e na morte.

Antônio foi ouvido de imediato, e na prisão viu realizado outro desejo seu, ao ser recebido na Ordem dos Frades Menores. Com alegria fervorosa foi admitido ao noviciado, etapa religiosa que foi cumprida fazendo a profissão nas mãos de seu “pai e mestre de noviços”, P. Francisco de Santa Maria. Passou a fazer parte da Primeira Ordem como irmão leigo. Na história da Ordem Franciscana é, talvez, um dos poucos casos de uma admissão, noviciado e profissão dentro de uma prisão.

Este corajoso cristão, fiel catequista franciscano, junto com dois outros religiosos e  o beato Gaspar Vaz, que os hospedava, consumou seu martírio no fogo, enquanto Maria Vaz e outros cinco terceiros franciscanos foram decapitados. A constância desses religiosos deu um testemunho de fé e deixou surpresos até mesmo os pagãos.

Na mesma ocasião foram mortos por ódio à fé algumas crianças de três e cinco anos, filhos de Gaspar e Maria Vaz. Seus nomes não aparecem no decreto de beatificação. Seu martírio ocorreu em Nagasaki na Colina Sagrada ou Monte dos Mártires, consagrado com o sangue de uma multidão de mártires. Antônio de São Francisco foi martirizado no dia 17 de agosto 1627.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

17Impressão das Chagas de São Francisco de Assis

Celebra-se hoje a memória do inaudito prodígio e dom concedido por Deus a São Francisco no Monte Alverne. Os Estigmas são o selo divino àquele empenho de imitação de Cristo que ele buscava com todas suas forças desde o dia de sua conversão. Deus o apresenta ao mundo como exemplo de vida cristã, como convite a seguir o Evangelho. Francisco tinha Cristo no coração, nos membros e nos lábios, e Cristo o imprimiu o último selo também em seus membros.

 

Era madrugada do dia 14 de setembro de 1224, festa  da Exaltação da Cruz.

18São José de Copertino

No dia 17 de junho de 1603, nasceu, no reino de Nápoles, na aldeia de Copertino, um menino de nome José. Era o filho mais novo da família Desa, cujo pai, um pobre carpinteiro, mal conseguia sustentar a família. Ele veio ao mundo num pequeno estábulo, onde permaneceu nos primeiros meses de vida, porque o pai, endividado, teve de vender o pouco que possuíam.

Já naquela época os desníveis sociais geravam miséria, insegurança e sofrimento, impedindo que filhos de famílias pobres estudassem e desenvolvessem sua cultura e inteligência. Mas, apesar de iletrado, o menino foi criado no rigor dos ensinamentos de Cristo, pois sua família era muito religiosa. Assim foi a infância de José. Os únicos talentos por ele manifestados foram de ordem espiritual: o da oração e o da caridade para com os mais necessitados, que sofriam as agruras da miséria, como ele.

Quando completou dezessete anos, estava determinado a tornar-se frade. Mas até os capuchinhos que o haviam aceitado como irmão leigo fizeram-no devolver o hábito, por causa da sua grande confusão mental. Isso causou a José um sofrimento muito grande. Mas não desistiu. Finalmente, foi aceito no Convento de Grotella, pelos Frades Menores, que o acolheram e lhe deram uma tarefa simples: cuidar de uma mula.

Mesmo renegado, estava determinado a ser sacerdote. Foi então que as graças divinas começaram a intervir na sua vida. Apesar da dificuldade que tinha em estudar, milagrosamente saía-se muito bem nas provas para tornar-se sacerdote. Desde então, começaram a aparecer sinais de predileção divina e fenômenos que atestavam sua santidade interior, presenciados pela comunidade de fiéis e irmãos da Ordem. Eram manifestações extraordinárias, como, por exemplo, curas totalmente milagrosas de doentes de todos os tipos de enfermidades. Ainda: em êxtases de oração, caminhava pela igreja sem colocar os pés no chão e, sem tomar nenhum cuidado com o corpo, exalava um fino e delicado odor. Por tudo isso, já era venerado em vida como santo.

Outro fato relevante na vida de José de Copertino é que, apesar de quase não ter nenhum estudo teológico, tinha o dom da ciência e era consultado por teólogos a respeito de questões delicadas. Espantosamente, tinha sempre respostas sábias e claras. Com isso, José conquistou a glória máxima e, mesmo sendo considerado o frade mais ignorante de toda a Ordem franciscana, sua fama de bom cristão, seu comportamento peculiar e seus milagres chegaram a Roma. O papa Urbano VIII convocou-o e recebeu-o com as honras de que era merecedor. Talvez esse tenha sido um dos dias mais felizes na vida de José de Copertino.

Em 1628, foi ordenado sacerdote. José de Copertino mergulhou tão profundamente nas coisas de Deus que acabou se tornando um conselheiro de padres, bispos, cardeais, chefes de Estado e religiosos em geral. Todos o procuravam. E ele os atendia com paciência, humildade e sabedoria, indicando-lhes a luz de que necessitavam.

José de Copertino morreu aos sessenta anos de idade, no dia 18 de setembro de 1663, no Convento de Osímo, Itália. O local, que se tornara um ponto de peregrinação com ele ainda vivo, tornou-se, imediatamente, um santuário a ele dedicado. Festejado liturgicamente no dia de sua morte, este singular frade franciscano é considerado pelos estudiosos como “o santo mais simpático da hagiografia católica”.

Os frequentes êxtases espirituais, que lhe permitiam “voar” literalmente pela igreja, fizeram de são José de Copertino o padroeiro dos aviadores e para quedistas. Também, devido à sua determinação diante das numerosas dificuldades encontradas nos estudos e exames de seleção, é considerado o santo padroeiro dos estudantes que se encontram nessa condição, anualmente.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

19Bem-aventurado Francisco de Santa Marta

Sacerdote e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1627). Beatificado no dia 7 de julho de 1867 por Pio IX

 

Francisco de Santa Marta, martirizado no Japão, era natural de Alvernajo, perto de Toledo, Espanha. Quando jovem, foi admitido na Ordem dos Frades Menores, onde foi admirado por seus confrades por causa de suas virtudes e sua inteligência. O amor de Deus e das almas o levou a oferecer-se como missionário para se dedicar a sua vida à conversão dos infiéis. Em 1623, juntamente com o mexicano franciscano Laurel Bartolomeu chegou ao Japão, onde desenvolveu uma atividade dinâmica apostólica. Ele teve a sorte de encontrar um excelente catequista na prisão e que o acompanhou no martírio: o Bem-aventurado Antônio de São Francisco.

Francisco de Santa Marta pôde realizar um excelente trabalho com o seu catequista, sempre com muito zelo, de valor e de esplêndidas iniciativas, assíduo na assistência aos enfermos. Com outros terceiros bem formados espiritualmente, teve a alegria de batizar muitos pagãos.

Um dia, em Nagasaki, era hóspede do terceiro Gaspar Vaz, juntamente com Frei Bartolomeu Laurel e alguns terceiros, quando um grupo de guardas invadiu a casa e prenderam os dois frades, seis netos, Gaspar Vaz e sua esposa Maria.

Enquanto estavam sendo levados à prisão, um jovem japonês enfrentou o governador por sua crueldade e ofereceu para morrer com seu mestre. Ele foi recebido na Primeira Ordem e alcançou a graça do martírio: Frei Antônio de São Francisco.

O bem-aventurado Francisco, depois de um sofrimento indescritível, sustentado e iluminado pela fé e pela esperança do céu, foi queimado vivo no dia 16 de agosto de 1627 em Nagasaki, na Santa Colina dos Mártires.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

20São Francisco Maria de Camporosso - Capuchinho

Religioso da Primeira Ordem (1804-1866). Canonizado por João XXIII no dia 9 de dezembro de 1962.

 

Francisco nasceu em Camporosso no ano de 1804, de pais trabalhadores e profundamente religiosos; era o caçula de quatro filhos. Aos doze anos foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem às sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham-lhe uma grande admiração e o chamava de eremita.

Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante entre os conventuais não satisfez seus desejos e aspirações; bate então, à porta dos frades capuchinhos e, no ano de 1825, começa o noviciado em Gênova.

Frei Francisco Maria expressou seu programa num lema: “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição em, em Gênova, onde passará a vida toda; os primeiros dois anos a serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois no ofício de esmoleiro da cidade de Gênova.

Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, saco aos ombros, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo.

Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade, sempre acompanhado por um menino, para evitar situações escabrosas em certos ambientes que era obrigado a visitar. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança; parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”.

A figura de frei Francisco era popular, inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e para todos tinha uma palavra de conforto.

Dedicava parte da noite à oração e à penitencia, em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever.

Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia; as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o numero de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vitima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a epidemia começou a diminuir e em pouco tempo acaba; todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo.

Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

21Bem-aventurada Delfina de Glandèves

Virgem da Terceira Ordem (1284-1358). Concedeu ofício e Missa em sua honra Inocêncio XII no dia 24 de julho de 1694.

 

Delfina de Signe nasceu em 1284 em Puy-Michel, nas colinas do Luberon, França, de nobre família dos Glandèves. Uma encantadora figura de mulher, que passou por todos os lugares do mundo, levando a luz da sua graça, o perfume da virtude, o calor do seu afeto. Não era uma santidade ruidosa, que marcou a história do seu tempo, senão uma santidade delicadamente feminina que se difundiu para alimentar aqueles que estavam ao seu redor.

Desde a infância, sua presença era luz e conforto para sua família. Aos 12 anos já estava noiva de um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza da alma. Elzeário, o noivo, era o filho do Senhor da Sabran e Conde de Ariano no reino de Nápoles. Desde o nascimento, sua mãe havia oferecido a Deus em espírito e, mais tarde, um austero tio o havia educado em um mosteiro. O casamento aconteceu quatro anos depois. Foi um casamento “branco”, porque o jovem casal escolheu a castidade, um meio de perfeição espiritual mais alto e árduo. No Castelo de Ansouis, os dois cônjuges nobres viveram não como castelhanos mas como penitentes; não como senhores feudais, mas como ascetas dignos dos tempos heroicos da Igreja primitiva.

No castelo de Puy-Michel, entraram na Ordem Terceira Franciscana. Sua vida interior foi enriquecida por uma nova dimensão, a da caridade, mediante a qual eles, ricos por sua condição, se fizeram humildes e pobres para socorrer aos pobres. Delfina e seu marido, além das penitências, orações e mortificações, dedicaram-se a todas as obras de misericórdia, destacando-se em todas.

Quando Elzeário foi enviado para seu ducado de Ariano como embaixador para o Reino de Nápoles, o trabalho de caridade do casal continuou em um ambiente ainda mais difícil. Em meio a tumultos e rebeliões, os dois santos foram embaixadores de concórdia, de caridade, de oração. Eles continuaram suas boas ações multiplicando seus próprios esforços e sacrifícios até conquistar a admiração das pessoas.

Elzeário morreu pouco depois em Paris. Delfina, porém, sobreviveu longo tempo e honrou a memória de seu marido da melhor forma possível continuando as boas obras e imitando suas virtudes. Ela teve a alegria de ver seu marido colocado pela Igreja entre os santos. Ela, aos 74 anos, pôde colocar sua cabeça calma e feliz para o descanso eterno. Morreu em Calfières no dia 26 de novembro de 1358.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

22Santo Inácio de Santhià - Capuchinho

Sacerdote da Primeira Ordem (1686-1770). Beatificado por Paulo VI em 17 de abril de 1968.

 

Santo Inácio nasceu em Santhià, diocese de Vercelli, em Piemonte, no dia 5 de Junho de 1686. Os seus pais chamavam-se Pedro Paulo Belvisotti e Maria Elizabetta Balocco. No batismo recebeu o nome de Lourenço Maurício. Após a profissão religiosa adotou o nome de Inácio.

Ficou órfão de pai desde a sua infância. Foi educado cristãmente por um sacerdote. Começou a distinguir-se pela integridade dos costumes, pelo aproveitamento nos estudos e pelo gosto em ser acólito no Colégio.

Entrou no Seminário diocesano e, aos 24 anos de idade, foi ordenado sacerdote. Dedicou-se à pregação colaborando com os Jesuítas. Depois, foi nomeado cônego do Colégio de Santhià. Foi-lhe oferecido, a seguir, o ofício de pároco. Porém, e, contra o parecer dos seus parentes, que previam para ele uma brilhante carreira eclesiástica, renunciou ao cargo. Pouco depois, com o desejo de conseguir uma maior perfeição, vencendo enormes dificuldades, entrou na Ordem dos Capuchinhos, quando tinha 30 anos de idade. Ali, fez a sua profissão religiosa em 1717.

Durante 25 anos, foi confessor assíduo e muito solicitado por pessoas de todas as classes. Durante o dia, passava horas ininterruptas, na direção espiritual e abria aos pecadores os caminhos misteriosos da bondade de Deus. Foi Mestre de noviços no Convento do Monte, em Turim. Sendo modelo das virtudes, soube orientar os jovens noviços pelos caminhos da perfeição franciscana.

Em 1724, rebentou a guerra e logo se notabilizou na assistência aos soldados feridos no hospital militar. Durante aqueles tempos turbulentos, soube ser o conforto e a ajuda para quem a ele se dirigia. Passou o resto da sua vida a ensinar o catecismo aos pequeninos e aos adultos, com uma competência, diligência e proveito verdadeiramente singulares. Orientou exercícios espirituais, especialmente para os religiosos, aos quais, com a palavra e com o exemplo, soube conduzir à espiritualidade cristã e franciscana.

Ingressou na vida religiosa à procura da humildade e da obediência. Durante 54 anos, converteu-se num grande modelo dessas virtudes. A sua alegria era estar no último lugar, sempre pronto para qualquer desejo dos seus Superiores.

Tendo já 84 anos, cansado pelo intenso trabalho apostólico que havia desenvolvido no meio da maior simplicidade e humildade, desejava voltar para Deus. Assim, no dia 22 de Setembro de 1770, partia para a Casa do Pai.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

 

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23São Pio de Pietrelcina - Capuchinho

Sacerdote da Primeira Ordem (1887-1968). Beatificado por João Paulo II em 1999.

 

Nasceu em Pietrelcina (Sul de Itália) no dia 25 de Maio de 1887. Chamava-se Francisco Forgione. O nome de Frei Pio de Pietrelcina recebeu-o em 1903, quando entrou na Ordem dos Capuchinhos. Foi ordenado sacerdote a 10 de Agosto de 1910.

Viveu uma vida de exigência pessoal. Venceu os maus instintos. Foi rigoroso na luta contra os vícios, simples no vestir e na comida e extremamente cuidadoso em evitar atos que pudessem ofender a Deus, aos irmãos ou a qualquer pessoa. A vida de família iniciou-o nesta radicalidade e no Convento também encontrou ambiente que a favoreceu.

Frei Pio é considerado um grande místico por todas as pessoas a quem chegou a sua ação e influência. Nisto consistiu a radicalidade profunda e original da sua espiritualidade, que o faz ter admiradores em todos os Continentes, apesar de a maior parte das pessoas de hoje não entenderem o que se quer dizer com a palavra místico. Nada mais contrário ao mundo naturalista em que vivemos do que o conjunto de fenômenos sobrenaturais que se tornaram vulgares na vida do Frei Pio. Foram muitos os fenômenos, humanamente inexplicáveis, que marcaram fortemente a existência deste homem de Deus.

Assim como aconteceu com São Francisco de Assis, o Senhor crucificado quis partilhar com ele as dores da sua Paixão concedendo-lhe a graça dos estigmas, a 20 de Setembro de 1915. Este foi o acontecimento místico mais marcante na vida do Frei Pio, mas há outros que importa, pelo menos, enumerar: o dom da profecia, o dom do discernimento dos espíritos, o dom da bilocação, o dom das curas, o dom das conversões, o dom dos perfumes.

O que mais atraiu as multidões de todos os continentes ao Convento de São Giovanni Rotondo durante a sua vida, foi a celebração da Eucaristia, o heroico atendimento de confissões e a direção espiritual (a quem recorreu muitas vezes o Papa João Paulo II, então estudante de Teologia em Roma).

O Senhor concedeu ao Frei Pio a graça de deixar duas obras para a posteridade: a Casa do Alívio para o sofrimento e os Grupos de Oração. Acerca destes últimos, dizia: Os grupos de oração são os corações e as mãos que sustentam o mundo.  Morreu no dia 23 de setembro de 1968.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

 

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24São Pacífico de São Severino

Sacerdote da Primeira Ordem (1653-1721). Canonizado por Gregório XVI no dia 26 de maio de 1839.

 

Pacífico (Apelidado Carlos Antônio), nasceu em São Severino, Marcas, em 1º de março de 1653, filho de Antonio Maria Divini e Maria Angela Bruni, último de 13 filhos. Após a morte de seus pais, foi recebido pelo tio materno Luzizo Bruni, prior da catedral de São Severino das Marcas, culto e bom padre, mas muito austero. Aos 17 anos, ele abraçou a vida religiosa entre os Frades Menores e em 28 de dezembro de 1671 foi admitido à profissão religiosa, em seguida, estudou filosofia e teologia e em 4 de junho de 1678 foi ordenado sacerdote em Fossombrone.

No convento do Crucifixo de Treia trabalhou duro para se preparar para o ministério e ensino. Em 25 de setembro de 1681, foi nomeado pregador e leitor. Durante três anos, ele ensinou filosofia e exerceu a pregação.

Por 10 anos, ele viajou muitas vezes às estradas das verdes Marcas, passando repetidamente por cidades e povoados; pregou em igrejas, praças, santuários, como um incansável difusor da verdade. Suas palavras sacudiram aos fiéis; seu zelo comoveu os tíbios; sua humildade mortificou os soberbos.  Durante muito tempo ele foi lembrado nas Marcas por sua pregação elevada e persuasiva, inclusive quando as fadigas de sua vida de pregador volante o forçaram a retirar-se ao convento de  Forano, com os joelhos enfermos. Eu tinha 45 anos e viveu até os 68, sempre doente e sempre mais severo com ele mesmo, afligido por engano, e ferido pela calúnia. Em face de acusações injustas, Pacífico não defendeu. Ele manteve a paz silenciosa da mente que laboriosamente conquistado com uma vida de labuta e sofrimento.

Sua saúde piorou cada vez mais. À ferida em sua perna direita, foram adicionadas surdez e cegueira progressiva, enquanto que nos últimos anos de sua vida tornou-se impossível para celebrar a Missa, ouvir confissões dos fiéis e participar na vida da comunidade. Calvi Alexandre, bispo de San Severino em 11 de junho, 1721 veio visitar e desta vez, com espanto o que apostrofava, ouviu: “Excelência, o Paraíso, o Paraíso, você vai primeiro e vou seguir logo depois.” Naquela noite, o bispo ficou doente e morreu em 25 de julho. Pacífico seguiria mais tarde, aos 68 anos, no dia 24 de setembro de 1721.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

25Bem-aventurada Lucia de Caltagirone

Virgem religiosa da Terceira Ordem Regular (1360-1400). Leão X concedeu ofício e missa em sua honra no dia 4 de junho de 1514.

 

Lúcia nasceu em Caltagirone, na Sicília, por volta de 1360. Seus pais a educaram na piedade e ela sabia maravilhosamente corresponder às suas expectativas. Eles eram devotos de São Nicolau de Bari e experimentaram várias vezes sua proteção. Um dia, Lucia subiu a uma figueira para colher frutas e foi pega de surpresa por uma forte tempestade com granizos e relâmpagos. Um raio atingiu a árvore onde Lúcia estava, derrubando-a ao chão quase morta. Em sua mente, ela viu a figura de um santo ancião, São Nicolau de Bari, que a tomou pela mão e a entregou de volta para a família.

Aos 13 anos, ela deixou sua cidade natal, na Sicília, para seguir a uma piedosa terceira franciscana em Salerno. Logo depois que esta guia espiritual morreu, Lúcia entrou para um convento das irmãs de Salerno, que seguiam a Regra franciscana.

Ali se distinguiu pela fiel prática de suas funções e em especial pelo amor à penitência, que havia se comprometido para expiar os pecados da humanidade e, sobretudo, por uma participação mais íntima nos sofrimentos de Cristo. Por algum tempo, ela exerceu o cargo de mestra de noviças. A fama de suas virtudes se espalhou. Muitos recorreram a ela para pedir orações e conselhos. Ela passou muito tempo em oração, meditação e contemplação nas coisas celestiais.

Muitas vezes, a terra nua serviu como uma cama, um pouco de pão e água era o seu sustento. Os nobres vinham a ela, e ela consolava os aflitos, chamava à penitência os pecadores, edificava os piedosos. Deus confirmou com prodígios sua santidade.

Tinha alcançado 40 anos e estava pronta para o céu. Sua vida austera, sofrimentos prolongados e dolorosos minaram sua saúde. A convite do noivo celestial, a sua alma alegre voou para o céu em 1400. Após sua morte, operou muitos prodígios. O culto e a veneração a ela sempre cresceram não só em meio ao povo salernitano, mas nas regiões vizinhas até que o Papa Leão X, em 4 de junho de 1514, em sua homenagem, concedeu ofício e missa.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

26São Elzeário de Sabran

Penitente da Terceira Ordem (1285-1323). Canonizado por Urbano V no dia 5 de abril de 1369.

 

Elzeário nasceu no castelo de Ansouis, uma pequena aldeia de Provence (França) em 1285. Seu pai era Ermangao de Sabran, conde de Ariano, no reino de Nápoles. Sua mãe Lauduna d’Albe de Roquemartine era uma mulher de grande piedade e caridade para com os pobres. Elzeario era o primogênito, e a mãe, após o batismo ofereceu ao Senhor, disse que estava disposta a entregá-lo antes que sua alma fosse manchada em sua vida pelo pecado mortal. O voto heróico da mãe foi ouvido. Ele teve ótima educação ao lado de seu tio Guilherme de Sabran, abade de renome do mosteiro beneditino de São Vítor.

Todavia, ainda muito jovem, por vontade de Carlos de Anjou, casou-se em 1299 com Delfina de Signe. Elzeario, muito inclinado à piedade, e Delfina, que não queria o casamento, de comum acordo resolveram conservar sua castidade, mesmo após as núpcias, e cumpriram o seu acordo.

Elzeário, com a morte de seu pai, tendo herdado, com outros títulos de nobreza, também o de conde de Ariano, foi para a Itália para tomar posse do condado, sob a imediata autoridade do rei. Naquela ocasião brilharam as virtudes de Elzeario. Por sua ardente caridade e o senso de moderação dos contratempos, conquistou o amor do povo. Seu talento o fizeram querido pelo Rei de Nápoles. Em 1312, quando Roma foi sitiada pelo exército do Imperador Henrique VII de Luxemburgo, Roberto de Anjou encomendou ao Conde de Ariano o mando de seus soldados que pediam ajuda do Papa. Elzeário aceitou a pesada tarefa com tanta persistência que forçou os imperiais a abandonar Roma.

Depois de quatro anos na Itália, retornou a Provence. Este retorno foi motivo de grande alegria para Delfina, e para todos os povos da região. Neste momento, o casal recebeu o hábito da Ordem Terceira de São Francisco das mãos do Padre João Julião da Riez. Se antes fizeram o juramento de perseverarem na virgindade, agora fizeram o voto de perpétua castidade. Todos os dias eles rezavam o ofício dos terciários e multiplicavam as obras de caridade e de penitência. O hábito franciscano consistia em uma túnica de pano cinza até os joelhos, apertada com o cordão. Ele se preocupou que, em seus territórios, florescessem a vida cristã, se mantivessem bons costumes, se administrasse a justiça e se defendessem os pobres da opressão dos ricos.

A 27 de setembro de 1323 foi o último dia de sua vida. Ele quis ter ao seu lado o famoso padre e teólogo Francisco Mairone com quem fez a confissão geral e de quem recebeu o Viático. Foi canonizado por Urbano V em 15 de abril 1369. Em sua canonização estava presente sua esposa Delfina. Em Ariano Irpino (Avellino) é venerado como um co-padroeiro da cidade.

27Bem-aventurado Domingo de São Francisco

Religioso e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+ 1628). Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

 

Domingo de São Francisco, mártir japonês, nascido em Nagasaki, foi catequista e assistente de Frei Antônio de São Boaventura, que o batizou alguns dias depois de sua chegada a Manila. Mais tarde, ele o admitiu à Ordem Terceira e escolheu-o como companheiro de ministério.

Desde então, durante 10 anos, Domingo não abandonou seu amado benfeitor senão que o acompanhou em todos os lugares, em meio aos perigos por causa da fúria da perseguição dos cristãos. Ele se encontrava em sua casa, ao lado de sua mãe, viúva convertida por Antônio, quando a 21 de janeiro de 1627 soube que o missionário tinha sido preso. Alegre com a notícia no dia seguinte, em suas melhores roupas, como se fosse para uma festa, correu direto para os juízes pedindo também para ser preso como irmão e servo do missionário. Efetivamente, pôde assim voltar a abraçá-lo na prisão de Omura. Com ele havia trabalhado no campo do Senhor, com ele queria entrar para o triunfo eterno.

Durante a prisão, Domingo fez ao Padre Antônio um insistente pedido. Por muitos anos ele queria tomar o hábito de São Francisco, mas nunca tinha sido possível. Agora, pois, humildemente pediu  para fazer parte da Primeira Ordem. Na prisão escura foi realizado o rito de vestição religiosa e foi admitido entre os irmãos religiosos sob o nome de Frei Domingo de São Francisco.

Frei Antônio o aceitou de bom grado, fez na prisão um ano de noviciado e profissão dos votos de pobreza, obediência e castidade. Esta breve vida franciscana concluiria em Nagasaki no dia 8 de setembro de 1628, quando o mestre e o discípulo foram juntos para Monte Santo dos Mártires, onde foram amarrados ao poste sob uma fogueira. Morreram cantando louvores ao Senhor.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

28Bem-aventurado Bernardino de Feltre

Sacerdote da Primeira Ordem (1439-1494). Aprovou seu culto Inocêncio X no dia 13 de abril de 1654.

 

Martinho, como foi chamado no batismo, nasceu em 1439, em Tomo, lugarejo minúsculo, distante alguns quilômetros de Feltre (na região de Belluno, na Itália). Foi o primogênito de dez irmãos, todos filhos do nobre e abastado Donato Tomitano e de Corona Rambaldoni, prima do célebre educador Vittorino de Feltre. Criança precoce, ávido de leituras, Martinho se mostrou dotado de grande memória desde os primeiros estudos humanísticos, tanto que aos onze anos lia e falava corretamente o latim. Cresceu numa família bem estruturada e de nível culturalmente elevado e, assim, conseguiu adquirir um espírito de discernimento diante de comportamentos sociais da época.

Também em Pádua, onde estudou Direito, fez-se admirar pela seriedade de sua conduta e acuidade de suas reflexões. Profundamente tocado pela morte repentina de três de seus professores universitários, pelos quais sentia-se profundamente amado e ao mesmo tempo conquistado pela pregação que São Tiago das Marcas fazia na catedral de Pádua, Martinho interrompeu os estudos a 14 de maio de 1456 e tomou o hábito dos Frades Menores no Convento de São Francisco das mãos de Frei Tiago. Este, para honrar São Bernardino de Sena, deu a Martinho o nome de Frei Bernardino.

O pai desse jovem de 17 anos tentou demovê-lo da ideia de se tornar franciscano. Martinho, no entanto, tinha plena convicção de sua vocação, a respeito da qual nunca teve dúvidas. Em suas posteriores pregações, gostava de abordar o tema:Nolite diligere mundum. Começando um rigoroso tempo de noviciado no Convento de Santa Úrsula, fora de Pádua, Frei Bernardino se propôs a imitar o espírito do santo que era seu patrono celeste, vivendo uma vida santa e dedicando-se à pregação.

Terminados os estudos de teologia, foi ordenado sacerdote em 1463. Depois de ter ensinado gramática durante certo tempo, a 19 de maio de 1469 foi nomeado pregador. Atemorizado com esta incumbência, pediu que os superiores o dispensassem desta função alegando saúde frágil, timidez e mesmo dizendo ser de baixa estatura. No dia seguinte, festa de São Bernardino, foi lhe solicitado que fizesse um discurso sobre o santo. Fê-lo com ardor e força a tal ponto que as pessoas ficaram admiradas. A partir de então começou sua atividade de pregador itinerante percorrendo a Itália centro e sul sem calçados, mesmo em condições atmosféricas desfavoráveis.

Defensor dos pobres, impávido combatente contra usurários e hereges, apóstolo iluminado do Monte da Piedade, era solicitado para pregar nos principais púlpitos da Itália. Causava maravilha o fato que ele, homem tão frágil, minado pela tísica, resistisse a constantes ataques, insídias e adversidades de quantos, tanto usurários quanto judeus, tentavam eliminá-lo ou fazê-lo calar. Muitas cidades o chamavam e chegavam a pedir a intercessão do Papa para que ele pregasse em suas igrejas. Em 1481 foi nomeado pregador apostólico in forma solita e, em 1484, pregador apostólico in forma maiori.

Graças à obra de seu fiel confrade, Frei Francesco Bernardino Bulgarino, foram conservados os ciclos mais importantes de sua pregação que, com as clássicas denominações Nolite diligere mundum; Attende tibi e Habe illius curam, oferecem as chaves mais significativas de sua oratória contra a corrupção, pela reforma dos costumes em todos as camadas sociais. Bernardino era um pregador vivo, corajoso, franco. Levava seus ouvintes a colaborarem na vida da comunidade, a começar pelos políticos que ele condenava cada vez que estes administravam a coisa pública em vista de seus interesses pessoais.

Partindo sempre da Sagrada Escritura, sem desprezar o testemunho do pensamento clássico, adaptava-se aos ouvintes e às circunstâncias. Prendia a atenção de seus ouvintes com exemplos da vida cotidiana, ora falando da injustiça e avidez dos ricos, ora a falta de pudor das mulheres ou da tão difundida ilegalidade.

A década de 1484-94 representa o período da mais intensa atividade oratória desenvolvida pelo bem-aventurado a serviço da solidariedade, defesa dos pobres e dos oprimidos com a fundação ou reforma dos Montes da Piedade contra a usura frente à qual foi inflexível, enfrentando lutas terríveis, como em Trento (1476), Florença (1488) e Milão (1491). Condenava sem medo e em termos atuais o exasperado individualismo, criticando a validade ética da riqueza quando esta é instrumento de injustiças sociais.

No contato cotidiano com as categorias sociais da época, Bernardino havia chegado à conclusão que o monopólio do capital monetário nas mãos de alguns poucos, a qualquer denominação religiosa a que pertencessem, terminava por anular o direito de trabalho dos mais necessitados, muitas vezes paralisados em suas iniciativas devido ao alto custo do dinheiro. A esta ideia, simples mas profunda, se unia a verdadeira e específica função dos Montes de Piedade que foram um instituto caritativo e beneficente, mas sobretudo um instrumento de retificação de todo o sistema econômico, através de uma equitativa distribuição dos recursos financeiros postulados pelas sadias forças produtivas contra a erosão do empréstimo privado. Por isso, o Bem-aventurado Bernardino de Feltre é elencado entre os grandes sociólogos do Renascimento.

Em Vicenza, durante a pregação do Advento de 1492, exortou a cidade a fundar uma “Companhia” para socorrer os “pobres envergonhados”, envolvendo de modo especial no empenho os nobres e os ricos. Pregou com tanto ardor que conseguiu a fundação da Companhia do Nome de Jesus, cujos estatutos foram depois reformados por um seu confrade, o venerável Antônio Pagani. Morreu a 28 de setembro de 1494. Foi venerado ininterruptamente em Pávia e em Feltre e, em 1654, o Papa Inocêncio X decretou sua beatificação.

 

Tradução e adaptação do livro Frati Minori Santi e Beati, publicado pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, Roma, p. 196-199.

29São João de Dukla

Sacerdote da Primeira Ordem (1414-1484). Canonizado por João Paulo II no dia 10 de junho de 1997.

 

João nasceu em Dukla, próxima dos montes Cárpatos, na Polônia em 1414. Muito jovem ingressou na Ordem dos Frades Menores. Ordenado sacerdote se distinguiu por seu zelo e prudência, tanto que mereceu ser colocado em postos de responsabilidade. Foi várias vezes guardião e superior em Krosno e em Leópoli, onde também foi custódio de todos os conventos daquela Província, particularmente importante dada a vizinhança dos territórios ortodoxos e o caráter missionário destes conventos.

Naquele tempo, os franciscanos polacos estavam unidos com os checos em uma só província. Por sua inclinação à vida contemplativa, obteve dos superiores permissão para viver em conventos onde se observava com maior rigidez a Regra Franciscana. Setores especiais de sua vida foram o confessionário e o púlpito. Ao ficar cego, não podendo preparar as pregações, tinha a ajuda de um noviço que lia alguns textos sagrados sobre os quais preparava suas homilias.

Chegou aos 70 anos quando Deus quis premiá-lo com a glória do céu. João faleceu no dia 29 de setembro de 1484.

Trechos da homilia do Papa João Paulo II no dia da canonização São João de Dukla:

O seu nome e juntamente a glória da sua santidade estão unidos para sempre a Dukla, pequenina ainda que antiga cidade, situada aos pés do monte Cergowa e da cadeia de montanhas do Beskid Central. Estes montes e esta cidade são-me bem conhecidos desde os velhos tempos. Muitas vezes eu vinha aqui ou caminhava rumo aos Bieszczady, ou então em direção oposta dos Bieszczady, através do Beskid Baixo, até Krynica. Pude conhecer as pessoas do lugar, gentis e hospitaleiras, embora às vezes maravilhadas ao ver grupos de jovens, vagueando pelos seus montes com pesadas mochilas. Sinto-me feliz de poder retornar aqui, de ter podido, entre estas bonitas montanhas e aos pés deste monte Cergowa, proclamar santo da Igreja católica o vosso compatriota e concidadão.

João de Dukla é um dos muitos Santos e Beatos que cresceram na terra polaca, no decurso dos séculos XIV e XV. Todos estavam ligados à Cracóvia régia. Atraía-os a Faculdade de Teologia de Cracóvia, surgida por obra da Rainha Edviges, por volta do final do século XIV. Animavam a cidade universitária com o sopro da sua juventude e da sua santidade, e dali dirigiam-se para o Leste. As suas estradas levavam, antes de tudo, a Lviv, como no caso de João de Dukla, que transcorreu a maior parte da sua vida naquela grande cidade, centro ligado à Polónia por vínculos muito estreitos, especialmente a partir dos tempos de Casimiro, o Grande. São João de Dukla é o padroeiro da cidade de Lviv e de todo o território circunstante.

O seu nome estará para sempre, daqui por diante, ligado não só à cidade onde se realiza a sua canonização, Krosno à margem do Wislok, mas também a Przemysl e à homônima Arquidiocese, a cujo Pastor, o Arcebispo Józef Michalik, apresento a minha cordial saudação.

Devemos olhar para a vocação deste filho espiritual de São Francisco e para a sua missão, num contexto histórico mais amplo. De fato, a Polônia já quatro séculos antes recebera o cristianismo. Quase quatrocentos anos tinham passado desde quando atuara na Polônia Santo Adalberto. Os séculos sucessivos foram marcados pelo martírio de Santo Estanislau, pelo ulterior progresso da evangelização e do desenvolvimento da Igreja nas nossas terras. Em grande medida isto estava unido à atividade dos beneditinos. No século XIII chegam à Polônia os filhos de São Francisco de Assis. O movimento franciscano encontrou nas nossas terras o terreno adequado. Frutificou também com toda uma multidão de Beatos e de Santos que, inspirando-se no exemplo do Pobrezinho de Assis, animaram o cristianismo polaco com o espírito de pobreza e de amor fraterno. À tradição de pobreza evangélica e de simplicidade de vida eles uniam o conhecimento e a sabedoria que, por sua vez, tiveram efeitos sobre o seu trabalho pastoral.

Caros Irmãos e Irmãs, neste lugar de onde se veem os campos verdes de trigo, que dentro em pouco, ao dourar-se, começarão a convidar o agricultor ao duro trabalho «pelo pão» — neste lugar quero recordar as palavras pronunciadas pelo Rei João Casimiro, naquele dia histórico diante do trono de Nossa Senhora das Graças, na catedral de Lviv. Elas exprimiam uma grande solicitude pela Nação inteira, o desejo de justiça e a vontade de suprimir os pesos, que oprimiam os seus súbditos, especialmente os homens da terra. Hoje, durante a canonização de João de Dukla, filho desta região, desejo prestar homenagem ao trabalho do agricultor. Inclino-me com respeito sobre esta terra dos Bieszczady, que na história experimentou muitos sofrimentos entre guerras e conflitos, e hoje é provada por novas dificuldades, de modo especial pela falta de trabalho. Desejo prestar homenagem ao amor do agricultor pela terra, porque ele tem sempre constituído o forte apoio em que se baseava a identidade da Nação.

Caros Irmãos e Irmãs! A terra sobre a qual nos encontramos está impregnada e repleta da santidade de João de Dukla. Este santo religioso não só tornou famosa esta bonita terra de Bieszczady, mas antes de tudo santificou-a. Sois os herdeiros desta santidade. Pousando os vossos pés sobre esta terra, caminhai nas suas pegadas. Aqui, todos sentimos, de modo misterioso, «o tesouro da glória de Jesus Cristo que se manifesta nos seus santos» (cf. Ef 1, 18). Esta terra deu, de fato, muitas testemunhas autênticas de Jesus Cristo, pessoas que depositaram plenamente a sua confiança em Deus e dedicaram a própria vida ao anúncio do Evangelho.

Neste caminho vos acompanhe a Mãe de Cristo, venerada em inúmeros santuários desta terra. Dentro em pouco vou coroar as imagens de Nossa Senhora de Haczów, de Jaliska e de Wielkie Oczy. Seja este ato a expressão da nossa veneração por Maria e da esperança em que, com a sua intercessão, Ela nos ajude a cumprir, até ao fim, a vontade de Deus. No período do Milénio do baptismo tínhamos aprendido a cantar: «Maria, Rainha da Polónia, estou junto de ti, recordo-me de ti, estou vigilante» (Apelo de Jasna Góra). Sentimo-nos felizes por que, juntamente conosco, velam todos os Santos padroeiros da Polónia. Estamos alegres e oramos pela Nação polaca e pela Igreja na nossa terra — tertio millennio adveniente.

30Bem-aventurada Felícia Meda de Milão

Virgem religiosa da Segunda Ordem  (1378-1444). Aprovou seu culto Pio VII no dia 2 de maio de 1807.

 

Felícia ou Felisa era descendente da distinta família dos Meda, de Milão. Ela nasceu em Milão, na Lombardia, em 1378. Teve excelentes pais, que a educaram no santo temor de Deus, nada deixando faltar ao seu desenvolvimento espiritual. Adquiriu também alta capacidade na língua latina.

Ainda jovem perdeu os pais, o que a levou a unir-se mais fortemente a Deus. Com apenas doze anos emitiu o voto de castidade. Entrou no Mosteiro de Santa Úrsula das Clarissas em Milão, onde teve de enfrentar fortes tentações. Sua oração contínua, era esta: “Vinde, ó Deus, em meu auxílio sem demora”. Com a força da oração, afastou as tentações e perseverou na vocação.

Ao falecer a abadessa daquela comunidade em 1425, escolheram Felícia como sucessora. Fez o máximo em palavras e exemplos para promover o bem-estar da comunidade. Sua fama chegou até ao Papa Eugênio IV. Por sua força de persuasão induziu o Papa e o Ministro Geral da Ordem Franciscana, Frei Bernardino de Sena a entregar o novo Convento de Clarissas de Pésaro por ela fundado.

Apesar da idade avançada, ela com mais sete companheiras enfrentaram a viagem a pé até o novo Mosteiro. Quando a Princesa de Montefeltro ofereceu-lhes carruagem, Felícia recusou a oferta e caminhou até o seu novo convento. Com apenas quatro anos de fundação, esse mosteiro recebeu tantas vocações, que em pouco tempo formou uma grande comunidade.

Sua fama se espalhou, sobretudo, pela sabedoria de seus conselhos dos quais se beneficiaram suas irmãs e as inúmeras pessoas que iam ao Mosteiro receber sua orientação. Deu a todos um insigne exemplo de santidade.

Faleceu em 1444 e recebeu de Deus o dom dos milagres. Seu corpo repousa no Mosteiro de Pésaro por ela fundado. Quatrocentos anos mais tarde, seu corpo foi transladado para a Catedral de Pésaro. O Papa Pio IX proclamou-a Bem-aventurada no início do século XIX. Sua festa é no dia 24 de julho.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.