Maria

Maria: Ícone da Igreja

Publicado por Paulo Henrique | 24/02/2017 - 11:29
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Estamos no início do Ano Nacional Mariano, proclamado pelo Papa Francisco para a celebração dos trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Maria é uma personagem importantíssima na história bíblica. E Deus a enriqueceu com dons convenientes a tarefa tão digna, conforme nos ensina a Lumen Gentium (LG 56), que é uma constituição dogmática do Concílio Vaticano II que contextualiza Maria no mistério de Cristo e da Igreja.

Aliás, na anunciação, a Mãe do Redentor ao dizer sim a Deus, possibilitou, com a sua livre resposta e por obra do Espírito Santo, a salvação da humanidade. Assim, não se pode prescindir da figura da mulher na base da fé bíblica (...), pois ela expressa a fecundidade da graça (cf. RATZINGER, 2013, p. 21).

A Mariologia, disciplina teológica que nasce na Idade Moderna e ocupa-se do papel de Maria na história da salvação, tem sua relevância. O termo mariologia foi criado por Plácido Nígido e surgiu em 1602 (cf. MURAD, 2012, p. 18).

Da parte do gênero humano, Maria foi o primeiro ser vivente que recebeu e respondeu a Cristo (cf. SMAIL, 1998, p. 27), na companhia dele mesmo e de José, na humilde casa de Nazaré. Ela de fato foi o solo genuíno fecundado pelo Espírito de Deus para que se tornasse fértil (cf. FIORES, 1995, p. 448). E desde sempre, havia sido predestinada a isso, mas consciente de ter sido uma criatura humana que serviu ao Senhor, no qual depositou a fé (cf. Lc 1,38).

Neste ponto, convém recordar que a Mariologia não está separada dos demais campos teológicos, porque um ilumina e esclarece o outro, como: a Cristologia, a Antropologia Bíbilica, a Eclesiologia e a Teologia da Graça.

Imagem original de Aparecida, ainda com cabelos curtosPela encarnação do Filho, não se nega sua íntima ligação com a vida dele. Ao assumi-lo, Maria é, na ordem da graça, a Mãe e Ícone da Igreja (cf. Ap 12; LG 63), que nasce – diríamos – logo que Jesus entra na História (cf. Jo 1,14), preenchendo-a com o Amor.

Mariologia e Cristologia relacionam-se profundamente. Desde a encarnação, não se pode separar em Jesus a divindade nem a humanidade. Cristo divinizou o humano, pois o que foi assumido foi redimido, dizendo, com outras palavras, uma verdade de Santo Ireneu (séc. II).

A vida de Maria nos conduz a Cristo e mostra-nos sua centralidade na fé e na vida cristãs. A Virgem põe-se perante os homens estando atenta à vontade do Filho (cf. RM 21), caminha conosco para a Luz, coopera na obra de Deus, estando subordinada à única mediação de Cristo (cf. RM 38-39) e, com amor maternal, zela por aqueles que ainda peregrinam em direção à Pátria celeste (cf. LG 62).

Concluindo: em Maria, começa o processo de renovação e purificação de toda pessoa e de cada povo. Ela pertence inteiramente a Deus e é o primeiro modelo daquilo que somos chamados a ser, da mesma forma que com ela aconteceu. E se nela Deus pôde realizar seu projeto, que assim seja também em nós!

Frei Marcos Roberto
Sobre o autor

Frei Marcos Roberto

Frei Marcos Roberto Rocha de Carvalho OFMCap é diretor do Centro Franciscano de Espiritualidade, em Piracicaba-SP