• Frei Felicíssimo de Prada

    17/05/1884

    25/04/1960

    Frei Felicíssimo de Prada

    Frei Felicíssimo de Prada (Bartolomeu Moschini) é um dos dez jovens missionários que chegaram a São Paulo aos 17 de março de 1907. Eram seus colegas Frei Liberato, Frei Luís de Santa Maria, Frei Vital de Moena, Frei Vito de Martignano, Frei Jacinto, Frei Víctor de Dovena, Frei Epifânio de Vigo, Frei Crispim de Roncone, Frei Elzeário de Strigno. Nasceu aos 17 de maio de 1884; era filho de Tiago Moschini e Domingas Zenatti. Batizado aos 18 de maio, pelo Padre João Martinelli. Crismado aos 25 de setembro de 1895, em Brentonico por Dom Carlos Valussi.

    Sua vestição foi a 21 de novembro de 1899, tendo como Mestre o ancião Frei Eusébio de Condino. Professou solenemente aos 17 de maio de 1905, perante Frei Afonso de Condino, provincial. Fez o curso filosófico em Trento e em Rovereto, de 1904 a 1906. Foi, então, ordenado sacerdote, aos 7 de outubro de 1906, em Trento, pelo bispo Celestino Endricci.

    Chegando ao Brasil, prosseguiu seus estudos com os colegas italianos e brasileiros, até 20 de julho de 1909, quando presta exames finais perante os professores do Seminário diocesano de São Paulo e Dom Duarte Leopoldo e Silva, como vimos ao falar de Frei Liberato. De julho de 1909 a 16 de dezembro de 1911 foi professor no Colégio Seráfico e no Seminário diocesano de Taubaté. Nessa última data é transferido para Penápolis, como superior e ‘vigário’ daquela cidade. Em 1913 substitui o vigário de Bauru que abandonara paróquia e ministério; foi então, que, a 13 de agosto, o prefeito Manoel Bento da Cruz ordenou a destruição da igreja local, nas caladas da noite, provocando grave incidente com a Igreja. Em Penápolis, Frei Felicíssimo percorria, com os demais frades, toda a região, pregando e fundando comunidades, como já vimos ao falar de Frei Domingos de Riese, Frei Boaventura, e outros. Em julho de 1912, com Frei Bernardo de Vezzano atende a imensa paróquia de Rio Preto, como já vimos, chegando a Três Lagoas e na distante São Jerônimo, além de Itapura e outros locais. A 5 de setembro desse mesmo ano, com Frei Bernardo, celebra primeira missa em Araçatuba, num quarto do hotel local.

    Ainda em Penápolis, faz umas reformas na igreja São Francisco; adaptando-a um pouco melhor ao clima quente da região, abrindo os chamados óculos para maior ventilação. Em 1932, com Frei Domingos de Riese, deu início à igreja Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em maio de 1936. Os penapolenses conservaram grata memória do dedicado e zeloso missionário, dando seu nome à Praça fronteiriça à mesma igreja.

    De 1914 a 1916, foi reitor do Colégio Seráfico que passava enorme crise e se fechava por certo tempo. De setembro de 1916 a fevereiro de 1917 foi vigário e superior em Conceição do Monte Alegre atendendo ainda Assis, Café, Roseta, Maracaí, C.Mota e outras localidades. No ano seguinte os frades deixaram essa paróquia.

    Por dois anos, de 1917 a 1919, Frei Felicíssimo foi administrador do LA SQUILLA, em São Paulo. Foi lente e guardião em Piracicaba (1919-1924). No triênio seguinte, professor no colégio seráfico em São Paulo, exercendo também o cargo de diretor espiritual (1924). Novamente em Penápolis de 1933 a 1936; em 1932 e depois, de 1936 a 1940, foi mestre de noviços em Piracicaba. Posteriormente, diretor dos estudantes em Mococa (1940), guardião em Taubaté (1942) e em Piracicaba (1952). Residiu ainda em Penápolis e finalmente em Mococa. Em 1956 festejou seus 50 anos de Sacerdócio em Taubaté, cercado de coirmãos, sacerdotes e religiosos, dos quais era apreciado confessor.

    Segundo suas próprias palavras, no dia em que foi apresentado com seu primo (futuro Frei Jacinto de Prada) ao guardião de Trento, este disse: “Este está bem”- referindo-se ao primo, bem forte e desenvolvido” - porém, o que vou fazer com esse outro pixote?”- referindo-se a Frei Felicíssimo. Senti uma dor tão forte, como se tivesse tomado uma punhalada no coração”, contava ele a Frei Epifânio Menegazzo. E esse pixote, sempre de saúde frágil e sempre com suas doenças, tornou-se o ativo e zeloso missionário Frei Felicíssimo, pronto para todos os trabalhos que se apresentassem. Por vezes austero e rigoroso em excesso como Mestre de Noviços em Piracicaba, era seu primo e guardião Frei Jacinto que aliviava um tanto o rigor do dia-a-dia. Enquanto o mestre se recolhia em seu quarto, o guardião ia até o local de recreio “silencioso” e dispensava o silêncio, conversando e passeando com os jovens. Fazia o mesmo em algumas refeições. “Enquanto o gato dorme, mesmo sem campainha no pescoço, os ratos fazem festa”...

    Apesar de seus rigores, Frei Felicíssimo era “de um espírito simples e bondoso, sempre pronto para qualquer trabalho, marcando tudo com sua santidade suave e fazendo jús ao nome de felicíssimo” (A.F. 1960, p. 159).

    “Foi sempre um religioso exemplar e modelo de virtude e de observância regular. Sempre de saúde delicada, suportou as enfermidades com paciência e resignação edificantes. A última doença foi o último crisol que burilou sua alma, preparando-o para o ingresso no céu”. (R. V. julho - 1960, à página 62) REB, XX, 533; AOMC, 76, 205: pius, humilis, oboediens.

    Grande devoto dos Corações de Jesus e de Maria, sempre vibrava quando sobre eles falava, abrindo amplos sorrisos que edificavam os ouvintes. Seus sermões eram práticos, simples. Por vezes esquecia-se de tudo e falava apenas com o sorriso e os gestos; assim, certa vez interrompeu totalmente o sermão, dizendo com simplicidade: “E agora? Esqueci!!” E encerrou. Na primeira missa de seu sobrinho Frei Mário, conseguiu apenas dizer: “Sublimidade do Sacerdote! Sublimidade do Sacerdote!” E nada mais.

    Em 1960, residindo em Mococa, foi transferido para o Hospital Matarazzo onde faleceu aos 25 de abril. Ali fora o lº capelão. O deputado Arquimedes Lamoglia requereu da Assembléia Legislativa um voto de pesar pelo falecimento do exemplar missionário, o feliz Frei Felicíssimo...

  • Frei André Nogueira

    30/01/1912

    28/04/1978

    Frei André Nogueira

    Frei André (João Nogueira) nasceu aos 30 de janeiro de 1912 na paróquia Na. Sra. da Conceição, em Pouso Alto, Minas Gerais. Era filho de João Lemes Nogueira e Ana Carlota de Souza Nogueira. Foi batizado aos 4 de fevereiro de 1912 pelo Padre Castorino Brito. Primeira comunhão em Pindamonhangaba, SP, aos 3 de julho de 1920 na igreja Na. Sra. do Bom Sucesso.

    Vestiu o hábito de postulante em São Paulo, aos 20 de janeiro de 1929. Iniciou Noviciado em Taubaté aos 23 de outubro do mesmo ano, tendo como Mestre Frei Ricardo de Denno. Votos simples em Taubaté, aos 26 de outubro de 1930, perante Frei Domingos de Riese. Solenes, aos 5 de novembro de 1933.

    Com muito espírito de fé, Frei André deixou escrito:

    “No dia 19 de janeiro de 1929 eu disse adeus aos meus pais, irmãos e amigos e ao mundo, e fui ao encontro de Cristo que me chamava. E nos encontramos, e sinto-me muito feliz com esse encontro e espero seguir Cristo até o fim. Que ele me ajude com a sua graça e a sua bênção”.

    Referindo-se ao dia de sua profissão religiosa, diz:

    “Foi o dia mais feliz para mim, dia em que eu me encontrei com o Cristo; neste dia eu me entreguei todo a ele por meio dos meus votos. Em nome do Senhor começa minha vida religiosa, toda consagrada a Deus, nosso Pai e à Santíssima Virgem, minha querida Mãe”.

    De Taubaté, Frei André foi para o Seminário Seráfico, aos 30 de outubro de 1930 e ali fica até 1933 como auxiliar de cozinha e esmoler. De 1933 a 1935 volta para Taubaté como porteiro. No dia 5 de novembro de 1933 como observou, fez seus votos solenes “com entusiasmo e amor prometendo viver por todo o tempo de minha vida em obediência, pobreza e castidade... Então, comecei minha vida laboriosa pelo amor de Deus, pela Ordem e pelas vocações sacerdotais e religiosas”.

    Em 1935 foi para Mococa como cozinheiro. De 1937 a 1951, exerce o ofício de esmoler no Seminário:

    ... “Sofri bastante por aqueles sítios, mas, graças a Deus, hoje temos bons Padres que trabalham para Deus e para as almas dos nossos irmãos e espero que rezem por mim”...

    Ao mesmo tempo Frei André trabalhava como porteiro, chacareiro, auxiliar de cozinha e sacristão da Igreja Sagrado Coração de Jesus. De 1949 até 1974 residiu em Botucatu, Santos, Piracicaba, São Paulo, Taubaté, Cândido Mota. A 10 de janeiro de 1975 foi para Pereira Barreto, onde, com alegria recebeu do Sr.. Bispo o cargo de Ministro extraordinário da Eucaristia e do Batismo. Em seu caderno, anotava o nome de cada criança que batizou: 1079 nomes. Sentindo-se abatido pela doença, foi levado para o Hospital Santa Catarina de São Paulo, onde veio a falecer aos 28 de abril de 1978, às 23,50 hs.

    Tipo dos nossos antigos Irmãos, dedicados sempre ao trabalho interno do convento e à oração, Frei André serviu alegremente a Deus.

    Suas palavras e expressões simples mas profundas, registradas em seus apontamentos, nos dão a imagem de um Irmão que era feliz por deixar tudo, seguir Cristo e perseverar até o fim...

    (Cf. AOMC, 94, 199. - R.V. dezembro 1978, p. 106).

  • Frei Antônio Benedito Patarello

    05/11/1935

    03/04/1988

    Frei Antônio Benedito Patarello

    Frei Antônio Benedito Patarello (Frei Lino de Brotas) era o primogênito de cinco filhos do casal Emílio Francisco Patarello e Luzia de Sanctis Patarello. Nasceu em Brotas-SP, aos 5 de novembro de 1935. Foi batizado pelo Pe. Domingos Ciudad, na igreja Nossa Senhora das Dores de Brotas, aos 2 de fevereiro de 1936 e crismado na capela São Sebastião por Dom Gastão Liberal Pinto. Fez a Primeira Eucaristia na capela Santo Antônio, alto da serra, paróquia de São Pedro, em 1949.

     

    Seminários

     

    Entrou para o Seminário São Fidélis de Piracicaba aos 2 de fevereiro de 1952. Em 1956 foi para o Seminário São José, Mococa, concluir os estudos seminarísticos e preparar-se para o noviciado.

     

    Noviciado e Profissão

     

    Vestiu o hábito franciscano capuchinho em Taubaté, convento Santa Clara, iniciando o noviciado aos 23 de dezembro de 1957. Foi seu Mestre Frei Marcos Brevi. Emitiu a profissão temporária, perante Frei Henrique Verussa, no dia 24 de dezembro de 1958. Fez a profissão perpétua perante Frei Cipriano de Monte Mór, em São Paulo, igreja Imaculada Conceição, aos 4 de fevereiro de 1962.

     

    Filosofia, Teologia e Ordenação

     

    Estudou Filosofia no convento São José de Mococa nos anos 1959 a 1961 e Teologia em São Paulo, convento Imaculada Conceição, nos anos 1962, 1963, 1965 e 1966. Em 1964 fez um ano de estágio na paróquia Imaculada Conceição de Birigüi. Recebeu a Primeira Tonsura conferida por Dom Vicente Marchetti Zioni, em São Paulo, aos 22 de dezembro de 1962. Dom Antônio Ferreira de Macedo, CSSR conferiu-lhe as Ordens Menores, em São Paulo, aos 15 de setembro de 1963. Foi ordenado Subdiácono por Dom José Lafayete Ferreira Alvares, em São Paulo, aos 25 de setembro de 1965 e Diácono, aos 18 de dezembro de 1965, na Catedral Metropolitana. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Aníger Francisco Maria de Melilo, na igreja Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, no dia 25 de junho de 1966.

     

    Ministério sacerdotal

     

    Foram poucas as paróquias e conventos em que Frei Antônio exerceu o ministério sacerdotal e prestou serviço à Província e ao Povo de Deus. Depois de ordenado, em toda a sua vida pertenceu somente às paróquias e conventos de Mococa, Nova Veneza, Santos, São Paulo e Santo André.

    Em 1967, no primeiro semestre permaneceu em São Paulo, Imaculada Conceição, como estudante de Pastoral. No segundo semestre do mesmo ano, em Mococa, foi encarregado das Vocações, Delegado Distrital da OFS (Ordem Franciscana Secular) e Capelão de Itaiquara. No Segundo semestre de 1968, fez o Curso de Pastoral da CNBB, no Rio de Janeiro.

    Em 1969, transferido para o Seminário São Francisco de Assis de Nova Veneza, foi auxiliar no Seminário, Secretário Vocacional, Prefeito Provincial da Formação e encarregado da Fraternidade da OFS (Ordem Franciscana Secular) de Campinas.

    Em Santos, paróquia Santo Antônio do Embaré, de 1970 a 1974, foi vigário cooperador. Em 1975, foi nomeado pároco da mesma paróquia, Reitor da Basílica Santo Antônio do Embaré e Guardião do convento até 1977. Além de pároco e Guardião foi membro do Conselho de Presbíteros da Diocese de Santos.

    Vigário Provincial, Guardião e Pároco em São Paulo

    No 11º Capítulo Provincial, realizado em Nova Veneza de 21 a 25 de novembro de 1977, Frei Antônio Benedito Patarello foi eleito 1º Definidor e Vigário Provincial. Para desempenhar este serviço, foi transferido para São Paulo. De 1978 a 1980, foi Guardião do Convento e Pároco da paróquia Imaculada Conceição, São Paulo. Findo o triênio, permaneceu como Pároco da mesma paróquia até 1983.

    Guardião e Pároco em Santo André

    Na disposição das famílias religiosas para o triênio de 1984 a 1986, recebeu transferência para Santo André, como Guardião da Fraternidade e Pároco da Paróquia Santo Antônio da Vila Alpina. Aí permaneceu até o desenlace. Nas paróquias em que foi Pároco, Santos, São Paulo e Santo André, deixou marcas profundas. Pena que sua organização e trabalhos pastorais por ele começados não tiveram continuidade.

    Morreu na festa da Páscoa da Ressurreição

    No dia 8 de março de 1988, vitimado por um acidente em Santo André, Frei Antônio foi internado no Hospital São Camilo, em São Paulo, para uma delicada cirurgia, pois houve fratura na coluna vertebral. Só foi possível fazer a cirurgia no dia, 26 de março porque seu estado geral de saúde exigira sérios exames médicos e preparação muito cuidadosa. Já estava para deixar a UTI quando, surpreendido por embolia pulmonar, faleceu no dia 3 de abril, Páscoa da Ressurreição de 1988. As exéquias se realizaram em São Pedro-SP, onde mora sua família. Presidiu-as o Ministro Provincial Frei Ismael Martignago, com presença de muitos sacerdotes, religiosos, irmãos, parentes e amigos. Foi sepultado no Jazigo de sua família, no cemitério de São Pedro.

     

    Filósofo

     

    Frei Inácio Stênico, professor de Filosofia falecido 15 dias depois (+18.04.1988), afirmou que Frei Antônio foi o estudante mais inteligente que passou pelo estudantado de Mococa, no seu tempo de professor. Não era apenas estudante de Filosofia, com grande capacidade de conhecimento, mas era realmente filósofo. Não era possível dar-lhe outra nota a não ser 10.

     

    Testemunho do Ministro Provincial

     

    Dom Frei Daniel Tomasella, Bispo emérito de Marília, então Ministro Provincial, no pedido para que o Ministro Geral o nomeasse Prefeito dos Estudos do Seminário de Nova Veneza, entre outras exigências requeridas, atestou que “Frei Antônio possuía os dotes necessários para ser Prefeito Provincial dos Estudos do seminário”, “é exemplar na observância religiosa, entusiasta da vida franciscana capuchinha e mostra verdadeira tendência à perfeição religiosa”. (Carta de 26 de março de 1969).

     

    Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo

     

    Frei Antônio Patarello, além dos cargos ocupados na Província, de pertencer ao Conselho de Presbíteros da Diocese de Santos, de 1980 a 1983 foi Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, Setor III, Cerqueira César. Dom Paulo Evaristo, Cardeal Arns, tinha grande admiração por ele, pela inteligência, pela sua coerência, pela sua dedicação aos pobres e zelo pastoral aplicado com extraordinária lucidez. Dom Paulo Evaristo formou uma Comissão de todos os Coordenadores de Pastoral para organizar e realizar a Assembléia Arquidiocesana para elaborar o Diretório Arquidiocesano de Pastoral. Dom Paulo fez questão de nomear Frei Antônio coordenador da Comissão e Assembléia.

     

    Coerência de vida

     

    O que ressaltava em Frei Antônio Patarello era a sua coerência de vida. Em tudo mostrava retidão de comportamento. Na Província, não pretendeu cargos além de Guardião e Vigário Provincial. Foi coerente em relação a seus ideais de Padre, de Pároco e Coordenador de Pastoral. Por isso, agradava profundamente aos honestos e incomodava os incoerentes.

    Para os pobres era pai, sem ser paternalista. Ele mesmo afirmava que às vezes parecia ingênuo perante os aproveitadores, mas a sensibilidade do coração falava mais alto.

    A Província dos Capuchinhos de São Paulo foi atingida por uma profunda dor causada pelo falecimento deste confrade. Sua bondade e inteligência, sua dedicação aos pobres e zelo pastoral aplicado com extraordinária lucidez deixou grande saudade no coração de seus colegas e de todos os que o conheceram e participaram de sua amizade.

    Frei Antônio Patarello viveu 52 anos de idade, sendo 29 de vida religiosa franciscana capuchinha e 22 de ministério sacerdotal.

    Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.

     

  • Frei Antônio de Drena

    17/03/1857

    04/04/1915

    Frei Antônio de Drena

    Frei Antônio (Tiago Bortolotti) nasceu a 17 de março de 1857. Era filho de João e Mariana Bortolotti. Foi o primeiro Noviço a vestir o hábito capuchinho no Brasil, fazendo o Noviciado em Taubaté em 1892. Sua vestição deu-se no dia 27 de agosto de 1892.

    Dedicou-se a todos os trabalhos de irmão não-clérigo em nossos conventos. Aos 6 de junho de 1912 voltou para a Província ali falecendo aos 3 de abril de 1915.

     

  • Frei Timóteo de Miranda

    23/12/1914

    10/04/2004

    Frei Timóteo de Miranda

    Frei Timóteo de Miranda (Acácio de Miranda) nasceu em Porangaba-SP, aos 23 de dezembro de 1914. Era filho de Joaquim Manoel de Miranda e Olívia Norberta de Oliveira. Foi batizado pelo Pe. Antônio Henrique Pereira na Igreja Santo Antônio de Porangaba, no dia 25 de dezembro de 1914, dois dias depois do nascimento. Foi crismado por Mons. Pascoal Ferrari, visitador da Diocese de Botucatu, aos 10 de maio de 1916. Recebeu a Primeira Eucaristia das mãos de Frei Vigílio de Breguzzo na igreja Santo Antônio, Porangaba, aos 23 de novembro de 1923. Depois de ter feito os primeiros estudos em Porangaba, entrou para o Seminário são Fidélis no dia 7 de agosto de 1926.

     

    Noviciado e Profissão

     

    Vestiu o hábito franciscano capuchinho, iniciando o noviciado no convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, aos 21 e fevereiro de 1932. Teve como Mestre, primeiro Frei Felicíssimo de Prada, depois, Freio Tiago de Cavêdine. Emitiu a profissão temporária perante Frei Jacinto de Prada, em Piracicaba, no dia 26 de fevereiro de 1933 e a profissão perpétua perante Frei Manoel de Seregnano, em Mococa, no dia 1º de março de 1936.

     

    Filosofia, Teologia e Ordenação

     

    Estudou Filosofia em Piracicaba e em São Paulo nos anos 1933 a 1936 e Teologia em Mococa de 1937 a 1938 e São Paulo, de 1938 a 1939. Recebeu a Primeira Tonsura e duas Ordens Menores conferidas por Dom Alberto Gonçalves de Oliveira, Bispo de Ribeirão Preto, em São José do Rio Pardo-SP, nos dias 23 e 24 de agosto de 1937. Dom José Gaspar de Afonseca e Silva conferiu-lhe as outras Ordens Menores em São Paulo aos 6 de março de 1938. Em São Paulo, na Igreja Imaculada Conceição do Seminário Central do Ipiranga, foi ordenado Subdiácono e Diácono por Dom José Gaspar de Afonseca e Silva aos 11 de junho e 24 de setembro de 1938. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, na catedral provisória Santa Ifigênia no dia 8 de dezembro de 1938. Terminou os estudos em São Paulo aos 30 de novembro de 1939.

     

    Professor, Pregador e Missionário

     

    Concluídos os estudos, em dezembro de 1939 foi ser professor no Seminário São Fidélis de Piracicaba. Em dezembro de 1941 foi transferido para o convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, como confessor, pregador e missionário. Aos 30 de julho de 1942 foi designado Vigário Cooperador, pregador e confessor na paróquia Imaculada Conceição, São Paulo.

     

    Pároco e Guardião

     

    Frei Timóteo foi Pároco na paróquia Imaculada Conceição, São Paulo, com posse dia 20 de dezembro de 1942 até 10 de janeiro de 1945. Em Birigui, Pároco e Guardião de 4 de outubro de 1946 a 18 de janeiro de 1948. Aos 7 de janeiro de 1958 foi nomeado Pároco e Guardião de Pereira Barreto, aí encarregado da construção do convento e casa paroquial. Aos 25 de janeiro de 1964 transferiu-se para São José do Rio Preto, como Pároco e Guardião da paróquia de Vila Maceno, até 10 de agosto de 1968. Assumiu a paróquia de Quatá, diocese de Assis, de agosto a dezembro de 1969. Exerceu ainda o ministério de Pároco e Guardião no Santuário Nossa Senhora de Fátima em Sapobemba, São Paulo, (1978 a 1980) e na paróquia São Miguel, em Marília (1981 a 1983). Em 1986 foi transferido para a Fraternidade São Félix de Cantalício, Vila Guarany, em São Paulo, como Guardião. Com provisão emitida no dia 2 de fevereiro de 1990 assumiu a paróquia de Anhembi, arquidiocese de Botucatu. Aí permaneceu até junho de 1993.

     

    Missionário no Amazonas

     

    Aos 10 de janeiro de 1945 partiu para as missões no Alto Solimões, em Amazonas. Permaneceu no convento São Sebastião do Rio de janeiro até dia 4 de fevereiro desse ano, quando seguiu viagem passando por Belém-PA. Chegou a Manaus aos 12 de fevereiro de 1945. Nos anos 1945 e 1946, como missionário no Amazonas, foi Assistente do Círculo Operário Amazonense, professor de Antropologia na Escola de Serviço Social de Manaus e encarregado do programa católico da Rádio Baré de Manaus” (“Vida Fraterna” Nº 422, p. 6).
    Aos 8 de maio de 1946 partiu de Manaus como Delegado Diocesano ao Congresso da Ação Católica no Rio de janeiro e Representante do Círculo Operário Amazonense no Vº Congresso Nacional.

     

    Confessor, Pregador e Missionário

     

    Retornou à Província de São Paulo no dia 26 de maio de 1946. Na Província, até 4 de outubro desse ano, foi confessor e pregador na Igreja Imaculada Conceição, São Paulo, Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, Santuário Nossa Senhora de Lourdes, Botucatu, convento São José, Mococa e no Santuário São Francisco de Assis, em Penápolis.
    Nos anos de 1951 a 1954 fez parte do Colégio Missionário com Frei Liberato e outros religiosos.

     

    Outros ministérios

     

    Além de Pároco, Vigário Paroquial, Missionário, pregador e confessor, Frei Timóteo exerceu o ministério sacerdotal nas mais variadas formas de apostolado. Foi Secretário e Visitador Provincial da OFS (Ordem Franciscana Secular). Em 1948, residindo no convento Sagrado Coração de Jesus, foi Diretor do Lar Franciscano de Menores, em Piracicaba. Foi Capelão do Hospital Matarazzo, em São Paulo, de 1970 a 1973. “Era formado em Jornalismo e Comunicação Social pela Faculdade Casper Líbero de São Paulo e membro da Academia de Letras de Santo Amaro. É conhecido pela sua obra literária, formada principalmente de poesias, assinadas sob o pseudônimo de “O Monge de Porangaba”. Recebeu reconhecimento de várias autoridades civis e inúmeras reportagens de jornais e revistas por sua atividade pastoral, social e pelo dom da oratória” (“Vida Fraterna” Nº 422, p. 6).

     

    Faleceu no Sábado Santo

     

    A Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, enfermaria da Província em Piracicaba foi inaugurada aos 26 de outubro de 1993. Frei Timóteo, já debilitado e de idade avançada, foi transferido para aquela Fraternidade desde o dia da inauguração mais de dez anos. Às 2 horas e 30 minutos da manhã do dia 10 de abril de 2004, Sábado Santo, Frei Timóteo faleceu na Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. O atestado de óbito deu como causa da morte: “Insuficiência Respiratória – Broncopneumonia”. Seu corpo foi velado na igreja do convento Sagrado Coração de Jesus de Piracicaba. Às 14 horas do dia 10 de abril, após missa exequial presidida por seu primo Frei José de Oliveira, por exigência de seus concidadãos, o féretro foi transportado para Porangaba onde foi sepultado no túmulo da família Cuba Miranda.

     

    Patriotismo e fé profunda

     

    Frei José de Oliveira, primo de Frei Timóteo na homilia da missa exequial lembrou que “Frei Timóteo de Miranda, autodenominado “Monge de Porangaba”, herdou do avô paterno, Francisco Cuba de Miranda, duas qualidades que o acompanharam sempre: um grande patriotismo; o vovô Cuba foi sempre o chefe da política local. Ao lado do amor à política Frei Timóteo herdou dos avós paternos e maternos uma fé profunda alimentada pela santidade de Frei Vigílio de Breguzzo que esteve muitas vezes substituindo o Pároco de Porangaba. Este contato com Frei Vigílio levou Frei Timóteo a ingressar no Seminário que funcionava no convento Imaculada Conceição em São Paulo”.

     

    Zelo missionário

     

    “Em Manaus ativou o Círculo Operário. No seu zelo missionário provocou as iras de um comunista fanático que o agrediu na rua quebrando-lhe os óculos que Frei Timóteo conservava com carinho como uma preciosa relíquia”.

    “Dia 27 de dezembro de 1946, vêmo-lo em Andradina, verberando a Intentona Comunista de 1935”. Quando assumiu a Capelania do Hospital Matarazzo em São Paulo. “demonstrava grande zelo pela formação espiritual e social das enfermeiras. Dia 6 de setembro de 1973, comprou uma grande briga com o Diretor do Hospital Dr. Gembrini. O atrito aumentou e Frei Timóteo foi exonerado do cargo”. Houve atrito também ao deixar a paróquia de Vila Maceno em São José do Rio Preto.

     

    Excursão e peregrinação

     

    “Em janeiro de 1969 Frei Timóteo acompanhou Frei Eugênio numa excursão cultural do Ginásio Imaculada Conceição à Europa. Em 1983 participou da peregrinação à Terra Santa por ocasião do Ano Santo.

    Era incansável em suas visitas às Fraternidades da Ordem Franciscana Secular entusiasmando as existentes e criando novas fraternidades”.

    “Frei Timóteo trabalhou muito em prol da Santa Casa de Misericórdia de Porangaba inaugurada no dia 6 de janeiro de 1974”.

    Frei Timóteo viveu 89 anos de idade, dos quais, 71 anos completos na Vida Religiosa Franciscana Capuchinha e 65 de ministério sacerdotal.

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