

Atualização Provincial PROCASP
De 03 a 06 de fevereiro aconteceu no Seminário Santo Antônio, Alto da Serra de São Pedro, nossa Atualização Provincial. Encontro que objetiva promover estudos e reflexões sobre os diversos temas concernentes à nossa vida franciscana-capuchinha. Assim, oportunamente, trabalhamos o tema: “Celebrar o Cântico das Criaturas” (1225-2025), dando seguimento às celebrações dos centenários franciscanos. A Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e ecologia integral”, com o lema: “E Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31)dialoga diretamente com a celebração do presente centenário.
Ademais, no dia 24 de maio celebramos 10 anos da carta encíclica LAUDATO SI’ – sobre o cuidado da casa comum – do Papa Francisco, que começa citando o Cântico das criaturas: “‘LAUDATO SI’,mi’ Signore’ – Louvado sejas, meu Senhor, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: ‘Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras’” (LS 01).
Para desenvolver esses elementos contamos com a assessoria de Frei Luiz Carlos Susin, OFMCap., frade da Província do Rio Grande do Sul, com vasta experiência no campo da teologia e da espiritualidade franciscana. Sua produção teológica conversa diretamente com a questão ecológica. O cântico das criaturas foi revisitado por frei Carlos Susin a partir da obra O cântico das criaturas: os símbolos da união de Eloi Leclerc. O texto de Leclerc possui densidade poética que foi bem articulada com a linguagem fluida do assessor. Ambos transluzindo profundidade acadêmica e existencial. Ficou bem marcado que o Cântico de Frei Sol sintetiza o itinerário espiritual de Francisco. Ao longo desse caminho espiritual, ele foi experienciando a bondade e a beleza de Deus no criado. Longe de qualquer forma de animismo, suspeita presente no primeiro milênio da era cristã, Francisco situa as criaturas em sua relação com o Criador e, por isso, não teme de nomeá-las fraternalmente.
Esse cântico de louvor ao Deus Altíssimo interpela-nos ao cuidado da casa comum e também ao cultivo das relações interpessoais permeadas pelo respeito, pelo perdão e pela solidariedade. A propósito, frei Leonhard Lehmann sintetiza a atualidade do Cântico afirmando em seu texto Francisco mestre de oração: “... o Cântico nasceu como louvor de Deus e apelo aos homens. Deve acompanhar os frades que vão pelo mundo em suas pregações. Cantando e pregando o hino composto por Francisco, eles não se contentam de louvar a Deus, mas colocam os homens diante de decisões que tocam seu comportamento social e seu serviço humano diante de Deus. Perdoar, suportar, trabalhar pela paz, entregar-se a Deus na morte são atitudes essenciais de nossa existência e de nossas relações sociais” (LEHMANN, 1997, p.228).
Em seu Cântico, São Francisco menciona a morte como uma realidade “da qual homem algum pode escapar”. Em curto espaço de tempo, vivenciamos a partida de quatro confrades: frei José Longarez, frei Maurício Salvador Burin, frei Pedro César Silvério e frei Joaquim Dutra Alves. Somos agradecidos a esses irmãos pelo bem que realizaram na vida de tantas pessoas e pelo trabalho e doação aos seus confrades. Na celebração da eucaristia, eles foram especialmente lembrados.
Nessa ocasião, celebramos o dom da vocação e da vida de nossos irmãos aniversariantes. Frei Claudemir Vialli celebrou conosco 25 devida religiosa, renovando os votos diante do provincial e dos irmãos presentes. Sua mãe, D. Martha, amiga e próxima de vários frades, esteve presente.
Esses foram dias de estudo, de reflexão, de atualização, e, também, de convivência fraterna. Um espaço para cuidar das principais dimensões da nossa vida de irmãos menores e do cultivo de uma vida cristã implicada com a realidade de seu tempo.